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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Desafio de Escrita dos Pássaros #11 - Eligard

22.11.19, Triptofano!

Escovinha

Olá queridos leitores do Triptofano, quem escreve hoje sou eu, a Escovinha.

Sou uma das três porcas do Trip, mas modéstia à parte, sou a que mais classe possui, não fosse ser uma porquinha-da-índia de raça, com direito àqueles diplomas e linhagens familiares e coisas que tais.

A verdade é que já não era para estar aqui convosco, porque estive mesmo à beira de bater a bota, tudo devido a uma data de tumores que me apareceram de repente. Basicamente um dia estava bem e no outro parecia um saco cheio de noodles, duros e nada confortáveis.

Os tumores eram tão grandes que a minha qualidade de vida estava a deteriorar-se de dia para dia.

Quando respirava fazia-o de forma muito profunda e audível, como aquelas pessoas despidas dos filmes que o Trip gosta de ver à noitinha no telemóvel.

De vez em quando o meu intestino também fazia uns barulhos muito estranhos e não era rara a vez em que libertava um peido estratosférico, assim do género do que o meu papá deu e quase ia matando o gato, lembram-se?

Também o meu pêlo estava a cair todo, já estava a ficar carequinha, como aquelas senhoras que decidem depilar tudo para um encontro e depois descobrem que não conseguem controlar o jacto de urina e é ver o esguicho a voar em todas as direcções possíveis e imaginárias.

A minha sorte mudou quando os meus papás decidiram dar-me uma injecção de Leuprorrelina, uma coisa que origina atrofia testicular nos homens, mas que a mim, contra todas as previsões, fez com que os meus tumores regredissem no espaço de uma semana - um autêntico milagre da ciência.

O meu pêlo voltou a crescer, deixei de respirar ofegantemente, os meus peidos pararam, e comecei a comer feita doida!

E deixem-me dizer-vos que é fantástico ter dois pais panascas, porque eles compram vegetais biológicos e rações de marca e feno com pedacinhos de trevo selvagem, e outras paneleirices que só servem para gastar dinheiro, mas que eu e a as minhas manas não dizemos que não.

Na verdade, estamos tão gordas que cada vez que ouvimos o frigorífico a abrir ou um saco a ramalhar começamos logo a guinchar, desejosas que nos coloquem mais comida à frente para darmos ao dente.

Os papás também me estão a dar um multivitamínico à seringa, para eu ficar ainda mais forte, e eu adoro chupá-la. Fico mesmo deliciada, quase tanto como a Rosinha fica ao chupar um gelado! (eu ia falar do papá Trip e do quanto ele gosta de chupar pila mas depois lembrei-me que ele podia ir ler isto).

De resto os dias são calmos e serenos. Como, durmo, brinco um bocadinho, arrelio a mana, guincho à outra que está numa gaiola separada porque pensa que é vedeta, e de vez em quando lá tenho uma ou outra emoção.

A última que me lembro foi quando o papá Trip bateu uma punheta e depois esqueceu-se de ir lavar as mãos antes de me pegar ao colo! Haviam de o ver quando deu conta, ficou uma semana a pensar se havia alguma possibilidade de me ter engravidado, mas não se preocupem, eu fiquei bem e ele começou a tomar um anti-psicótico assim daqueles levezinhos!

Gostei muito de falar convosco!

Uma mordidela com carinho e até uma próxima.

Escovinha