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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Mandar os outros para o Caralho!

21.10.19, Triptofano!

De há uns anos para cá engordei substancialmente, o que se traduziu em de não ter barriga nenhuma passar a ser um mini-ajudante do Pai Natal, com uma circunferência abdominal que faria os senhores responsáveis pela Organização Mundial de Saúde tremer.

A causa de ter engordado não é nenhum segredo de Fátima, nem nenhuma questão científica impossível de explicar, como aquelas pessoas que garantem a pés juntos que não comem nada de nada e é o processo natural de respirar que as faz ficar balofas (mas depois é vê-las a enfardar palmiers recheados no café da esquina).

No meu caso estou um pote porque devoro comida de forma industrial, algo que não fazia no passado. Mas, incrivelmente, estou muito mais em paz com o meu corpo agora, do que quando não tinha barriga.

Antigamente, quando todo eu era fit, a minha dismorfia corporal fazia-me acreditar que nunca estava magro o suficiente, que tinha sempre alguma banha extra, que precisava de tonificar, e bla bla bla bla.

O momento em que passei a borrifar-me para isso e a aceitar que um corpo perfeito é um conceito totalmente abstracto, foi o momento em que deixei de estar em constante guerra com o meu corpo.

E ter engordado não significa que fiquei desleixado, ou que pensei que se foda e comecei a comer todos os cozidos portugueses que me pusessem à frente. Mostra apenas que decidi que o melhor para mim era não viver obcecado em ter uma determinada figura, quando nem sequer a conseguia aceitar à frente do espelho.

Libertar-me dessas correntes foi o melhor que fiz na minha vida, e apesar de ter ganho uma quantidade significativa de banha, nunca estive tão em paz com o meu corpo.

Por isso é que quem visitar o meu Instagram vai encontrar várias fotos da minha pessoa em tronco nu, a exibir descaradamente a barrigona, sem filtros nem photoshops nem merdas que tais cujo único objectivo é deturpar o nosso corpo para ficar potencialmente mais agradável ao escrutínio alheio.

Agora eu estar em paz com o meu corpo não significa que seja de ferro, nem que não fique magoado com certas coisas.

Nesta última foto que coloquei, junto a uma piscina tão fria que me fez encolher todos os apêndices do meu corpitxo, a minha barriga de quatro meses era exibida quase que descaradamente, sem eu estar a suster a respiração há minuto e meio e a comprimir todos os órgãos internos.

Eis que recebo uma mensagem, de uma pessoa que já não via há carradas de tempo, que começava assim:

Ena pá, estás tão gordo!

E continuava, com uma dissertação indignada de como é que eu tinha ficado assim, se antes era um pau de virar tripas, e agora tinha uma barriga gigantesca, e que devia ter vergonha de por fotos a exibir a pança...

Devia ter mandado a pessoa para o caralho. Desculpem a linguagem, podem parecer que é gratuita, mas às vezes devíamos mandar mesmo as pessoas para o caralho, para ver se elas conseguem enfiar alguma coisa dentro do vazio que é o seu crânio.

Não mandei, simplesmente deixei de responder aos comentários honesto-maldosos e segui com a minha vida.

Se fiquei a sentir-me na merda? Fiquei, não digo que não, porque ninguém quer estar feliz e contente e de repente ser bombardeado com palavras negativas!

Se me disseram algo de não verdadeiro? Racionalmente analisando a situação a pessoa que me abordou foi simplesmente honesta e constatou os factos, mas tendo em conta que essa análise em nada contribuiria para o meu bem estar, associado ao tom levemente jocoso com que foi feita, estamos perante um caso de maldade camuflada com honestidade!

O meu conselho para todas as pessoas que sofrem este tipo de agressão no seu dia-a-dia? Mandem os outros para o caralho. À boca cheia. Sem vergonha, sem pudor, sem medo do que os outros vão pensar. Ninguém tem o direito de vos fazer sentir mal, ninguém tem o poder de se sentir melhor fazendo os outros rastejar na lama, ninguém pode em momento algum achar que é melhor que vocês!

Por isso quando alguém vier com falinhas mansas a dizer que vocês envelheceram tanto, ou estão mais gordos, ou porra que seja, mandem-nas para o caralho! 

E se estiverem cara a cara, espetem-lhes um dedo na fuça! Não digo no cu simplesmente porque devemos evitar dar prazer a quem só nos quer ver mal!

Desafio de escrita dos pássaros # 6 - O amor, uma cabana...e um frigorífico

18.10.19, Triptofano!

Hrrrf....Hrrrf....Hrrrf....Hrrrf....Hrrrf

Brrrrrrrrrrrmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

Hrrrf....Hrrrf....Hrrrf....Hrrrf....Hrrrf

Brrrrrrrrrrrmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

PPPHHHEEEEEEEEEERRRRRRRRRRRRRRRRRRTT

 

O ecrã do Nokia 3310 cinzento sujo iluminou-se num triste aviso de que não restava mais do que 10% de bateria. Jocilene alcançou o telemóvel, e num instante mandou uma mensagem a Ícaro.

Amo-te. Estou no lugar seguro. Aguardo que voltes. És as minhas asas que me levarão ao sol.

O ano era o de 3127.

Jocilene encontrava-se sozinha numa pequena cabana, entaipada de qualquer raio de luz ou de olhares curiosos, onde os únicos sons eram os da sua respiração rítmica e o zunido constante do mini-frigorífico abastecido até à exaustão de garrafas de Gatorade laranja escarlate e barrinhas energéticas da Prozis com sabor a chocolate-hortelã e pedaços de amêndoa caramelizada.

Os únicos até o telemóvel ter vibrado relembrando-lhe que em breve ficaria isolada do que restava do mundo.

Volta depressa. Preciso de ti. És a espada com a qual eu luto pela liberdade que ambos desejamos.

Depois de séculos de péssimos governantes, cada um mais demente que o outro, o planeta Terra tinha chegado a um ponto de não retorno, com os recursos naturais a tornarem-se inexistentes.

Numa decisão pateticamente desesperada, os líderes mundiais aceitaram um contacto de uma raça de alienígenas, os Ondasentrons, que pretendiam salvar o planeta da destruição iminente.

Mas na verdade eles apenas estavam interessados no Neotigason, um minério totalmente desprezado pelos terráqueos, mas que os alienígenas necessitavam para estabilizar as baterias de lítio das suas naves que lhes permitam fazer saltos nos buracos do espaço-tempo.

Eu sem ti, quem era eu sem ti, um Inverno sem sinais de Primavera - PRECISO-TE!

Em vez de salvar a Terra como prometido, os Ondansentrons destruíram ainda mais o planeta com uma mineração exaustiva, tendo no processo escravizado brutalmente tudo e todos, independentemente do grau de riqueza ou do número de followers no Instagram.

Jocilene fazia parte de um pequeno grupo de resistentes, que movendo-se nas sombras tentava fazer frente aos alienígenas. Foi no grupo que conheceu Ícaro, e bastou um segundo arrebatador para se apaixonar tresloucadamente.

Onde estás? Quero-te! Onde estás? QUERO-TE! ONDE ESTÁS? QUERO-TE!

Ícaro tinha ido numa missão com outros rebeldes para tentar ganhar controlo duma secção estratégica do planeta, e desde então não tinha dado mais nenhum sinal de vida, deixando Jocilene num limbo entre o desespero da saudade e a loucura da dúvida.

POR FAVOR DIZ-ME ALG....

O telemóvel morreu.

Usava aquele modelo antigo porque a tecnologia primitiva não era captada pelos alienígenas, mas agora tinha ficado isolada do mundo, na total escuridão da cabana apenas interrompida pela suave luz azul-metalizada que provinha do frigorífico.

tmp tmp tmp

Ouviu passos lá fora! Teria sido descoberta?

A glande do seu clitóris emergiu do prepúcio, tornando-se mais acessível ao toque, mas Jocilene não estava sexualmente excitada. Sempre que havia perigo o seu clitóris dava sinal daquela forma, era uma espécie de super-poder mutante que lhe tinha permitido sobreviver até ao momento.

Tacteou na penumbra o taco de golfe, a única arma que tinha conseguido trazer para o refúgio que pensava, ingenuamente, ser totalmente seguro!

A porta escancarou-se num pontapé e a luz banhou o interior da cabana!

PORRA JOCILENE!!! Outra vez este circo???? Quando é que vais começar a tomar a tua medicação como deve ser?

Foram as últimas palavras que saíram da boca escancarada do gerente da Decathlon enquanto o seu corpo pesado caía inerte no chão, vítima da tacada que Jocilene lhe desferiu na ânsia cega de lutar pela liberdade dos terráqueos.

Posso levar a vacina da gripe se estiver doente?

E mais algumas questões que atormentam o espírito dos meus utentes!

15.10.19, Triptofano!

Todos os anos os meus utentes chegam-me com um ar visivelmente atormentado, de pessoa que não dorme à cinco noites seguidas, por causa da vacina da gripe.

Existem sempre dúvidas que os apoquentam, e eu como sou um farmacêutico fofinho e maravilhoso, respondo-lhes com calma e tranquilidade, sempre com um sorriso no rosto! (que começa a esmorecer quando me repetem a mesma pergunta pela vigésima oitava vez seguida...)

Deixo-vos aqui um apanhado das perguntas mais frequentes que me fazem e das respostas, com bases científicas e não em teorias da conspiração, que eu forneço!

Posso levar a vacina da gripe se estiver doente?

Ó Doutor, que é isso do vírus da gripe?

O vírus da gripe é um bicho chato, que apesar de não se ver, consegue com que uma pessoa fique mesmo muito doente, sendo por vezes fatal!

O nome científico do bicho é Influenza, sendo que há 4 tipos, o A, o B, o C e o D.

O C e o D uma pessoa não tem que se preocupar, mas o A e o B são mais agressivos.

Tanto o A como o B dividem-se em várias estirpes - A1, A2, A3, A5483....(as estirpes não são estas mas é para conseguirem perceber de forma mais fácil), o que complica tudo! Lembram-se do H1N1? É uma estirpe do Influenza A!

Então mas eu vacinei-me o ano passado! Preciso de voltar a levar este ano?

Lembram-se de um anel que havia nas televendas que era possível desmontar em vários elementos e fazer milhentas combinações para estarmos sempre a arrasar em qualquer festa do social a que fossemos?

O vírus da gripe é basicamente a mesma coisa, mas com muito menos glamour!

Como há tantas combinações possíveis de vírus e eles andam-se sempre a modificar feitos loucos, o vírus da gripe deste ano não é igual ao do ano passado nem vai ser igual ao do próximo ano. Por isso é que cada ano existe uma vacina que protege das estirpes mais predominantes!

O que é uma vacina tetra? Não é muito forte para mim que já tenho 80 anos?

A vacina tetravalente é uma vacina que protege contra 4 estirpes do vírus da gripe, o que confere uma maior protecção a quem a recebe, ou seja, não é mais forte, é mais abrangente!

E sim, pode ser dada a quem tenha 80 ou mais anos!

Ai eu não quero levar a vacina da gripe que o ano passado levei pela primeira vez e fiquei muito doente!

A vacina da gripe não causa gripe!

Independentemente do que possam ler, a vacina não deixa a pessoa doente, porque é uma vacina inactivada!

Os efeitos secundários, transversais à maior parte das injecções, são alguma dor e vermelhidão no local onde a pica foi dada. Em casos raros, pode haver alguma febre ou dor no corpo, mas que desaparece em dois três dias. 

Mas eu fiquei doente, por isso foi da vacina!!!!!!!!

Por mais que custe saber a verdade, o que normalmente acontece é que quando a pessoa vai levar a vacina já está a incubar alguma doença chata, ou, nas duas semanas a seguir, tempo que a vacina leva a fazer efeito, fica doente porque não está protegida!

Concluindo: a vacina da gripe não causa gripe!

Se tomar a vacina estou protegida contra tudo e todos?

Primeiro que tudo, quando se leva a vacina, ela demora umas duas semanas a começar a actuar, por isso nesse intervalo de tempo há probabilidades de se poder contrair o vírus da gripe.

Além disso, a vacina da gripe só protege contra algumas estirpes do vírus da gripe, por isso pode-se ficar doente caso se esteja em contacto com uma estirpe diferente.

Por fim, há outros vírus que causam problemas respiratórios, o que faz com que a vacina seja uma ajuda mas não torna a pessoa blindada a possíveis doenças.

Ainda não está a chover por isso não vale a pena tomar a vacina já pois não? E se por acaso eu esquecer-me e já estivermos em fim de Dezembro? Tomo ou não?

As evidências científicas mostram que a vacina da gripe confere uma imunização de seis meses, mas que essa imunização vai diminuindo ao longo do tempo.

Isto significa que mesmo que estivesse disponível não seria muito acertado tomar a vacina em Junho se o pico da gripe fosse apenas em Dezembro.

Tendo em conta a realidade do nosso país, o preferível será que até fins de Outubro inícios de Novembro, independentemente de estar a chover ou a fazer 40 graus à sombra, toda a gente já esteja vacinada.

Isso vai permitir que, entrando em conta com as duas semanas que a vacina necessita para ficar activa no nosso organismo, quando o pico da gripe começar as pessoas já estejam protegidas.

Se houver um esquecimento e já estivermos em Dezembro ou Janeiro, não há problema nenhum em vacinar, porque mesmo que tenha passado o pico da gripe há sempre vírus idiotas à solta que podem provocar a doença a quem esteja mais distraído!

Posso tomar a vacina da gripe se estiver doente?

Depende!

Se uma pessoa acordar com uma dor de cabeça minúscula ou com um mau jeito nas costas, pode e deve tomar a vacina.

Se por outro lado estiver verdadeiramente doente, com febres e coisas que tais, então deve adiar a toma da vacina para quando estiver melhor.

Isto porque quando levamos a vacina, o nosso sistema imunitário produz uns bichitos chamados anticorpos, que quando virem a verdadeira gripe a entrar pelo nosso corpitcho dentro, vão atacá-la forte e feio, impedindo-a que nos deixe doentes.

Ora o sistema imunitário só consegue fazer uma coisa de cada vez, e se nós estivermos doentes, ele vai estar ocupado a combater essa doença.

Se nós enfiarmos a vacina da gripe para dentro do nosso corpo duas coisas podem acontecer: a primeira é que o nosso sistema imunitário marimba-se para esse novo invasor do espaço e não produz anticorpos contra ele, ficando uma pessoa sem imunização contra o vírus da gripe; a segunda é que o organismo deixa de combater a primeira doença para ir criar anticorpos para o vírus da gripe, o que faz com que a recuperação da doença inicial seja muito mais lenta.

Posso tomar a vacina da gripe juntamente com outras 57 que o médico me passou?

Podem levar a vacina da gripe junto com tudo e mais alguma coisa minha gente!

A única coisa que vos peço é que a área de administração seja diferente, para caso haja alguma reacção local consiga-se perceber a que vacina foi!

 

Mais alguma dúvida que tenham acerca da vacina da gripe que eu vos possa ajudar? Vocês são Team vacina da gripe ou são tão ruins que nada vos pega? 

Desafio dos Pássaros #5 - Na fila do Purgatório

11.10.19, Triptofano!

Em mais uma noite solitária

Gastava água no duche como um rei

Enquanto me masturbava vigorosamente

Pisei o sabonete e escorreguei

Ainda me tentei equilibrar

Mas terminei no chão estendido

Se a pila só ficou torcida

O pescoço esse acabou partido

Depois de uma eternidade em silêncio

Comecei a ouvir grande falatório

Abri os olhos no meio das trevas

Até dar com uma placa que dizia Purgatório

Merda, pensei eu de imediato

Como é que me vou safar desta situação?

Para piorar mais as coisas

Reparei que ainda estava com tesão!

À minha frente estava um homem

Com um cu bem delineado

Mas quando vi a farda militar e o bigodinho

Fiquei todo acagaçado

Era o Hitler que se queixava

Para o deixarem entrar em qualquer lado

Mas os Seres cósmicos intergalácticos

Diziam para ele ter paciência, que estava tudo lotado

Como aquilo me soou a treta

Avancei todo afoito

Não podia passar a minha vida ali

Muito menos sem um daqueles banquinhos de cartão da Expo 98

Comecei numa grande dissertação

Que o bem e o mal eram uma construção da sociedade

Que o Hitler podia ficar em qualquer sítio

E que das minhas varizes tivessem piedade

Os Seres olharam-me de cima a baixo

Mas quedaram-se na zona genital

E clamaram em alta voz

Que eu não devia estar morto com tamanho material

Desiste já do teu blog disseram eles

Esse não é o teu público demográfico

Vais voltar à vida

Mas tens que ir para a arte do filme pornográfico

Quando abri de novo os olhos estava vivo

Entusiasmado por entre as pernas ter um colosso

Fui a correr fazer um casting

Foi um balde de água fria, afinal não era nem grande nem grosso

Voltei para o duche e para a masturbação

Mas com um conselho para vocês minha gente

Optem pelo gel de banho

Fodam-se para o sabonete!

O que dar ao amigo secreto?

10.10.19, Triptofano!

Faltam mais de dois meses para o Natal, mas no meu trabalho já se fez o Amigo Secreto, por isso toda a gente já sabe a quem é que vai ter de oferecer uma prenda minimamente decente de forma a que as relações laborais mantenham a paz necessária para o bom funcionamento da farmácia.

E obviamente que todos os anos sou assaltado pela mesma dúvida existencial: o que raio dar ao amigo secreto?

Honestamente já estou um bocado farto de dar sempre a mesma prenda segura todos os anos - uma garrafa de vinho se for homem, um lencinho ou coisa do género se for mulher! (é que além de expectáveis estas prendas são assim a atirar para o sexista!)

Eu este ano queria sair do espectro do aborrecidamente esperado e oferecer um vibrador!

E tenho a certeza absoluta que o meu amigo secreto ia gostar de receber um brinquedo destes, pequenino, potente, ali sempre pronto para funcionar até altas horas da noite!

O meu problema é que não sei se é profissionalmente correcto um colega oferecer a outro um brinquedo sexual, perante os olhares inquisitivos de toda a equipa!

O que é que vocês acham? 

Vou com o meu instinto, ignorando as vozes negativas da minha cabeça, e ofereço a prenda do ano, ou opto por algo mais sóbrio e dou uns chocolatinhos?

Na Casa-de-Banho do Rogério: Makeup Revolution Brushes

10.10.19, Triptofano!

Há sensivelmente um mês atrás dei-vos a conhecer o Rogério, o make-up artist mais simpático, mais talentoso e com mais energia que eu conheço, e quando eu vos digo que ele tem energia é do tipo de eu precisar de espetar para a veia três latas de Red Bull para conseguir aguentar o ritmo dele.

Quando lhe perguntei que tipo de produto é que ele gostaria de fazer uma avaliação honesta com base nos seus conhecimentos profissionais a resposta foi imediata: pincéis!

Na minha cabeça passou por momentos a imagem de uma trincha para pintar paredes, mas obviamente que o Rogério referia-se a pincéis de maquilhagem.

O que eu não sabia, é que existem 125 mil pincéis diferentes para tudo e mais alguma coisa que possamos imaginar, até para retirar aquele bocadinho de papel higiénico que nos ficou no rego do cu e que não é nosso aliado caso decidamos ir engatar para uma zona de cruising! (se não sabem o que é cruising ponham no google! )

Acabei por lhe oferecer um pincel redondo para base e primer (pincel Pro F103), todo giro com as fibras de duas cores (também conhecido como duo fiber), um pincel para contorno e blush (pincel Pro F105), que tem um ângulo todo para a frentex, e um para base líquida com uma depressão na zona central (pincel Pro Base Líquida) para podermos colocar produto e que é mais gorduchito que os outros dois, sendo que todos os três possuem fibras sintéticas e são da marca Makeup Revolution, que agora mudou de nome e chama-se apenas Revolution!

Na Casa-de-Banho do Rogério: Makeup Revolution Brushes

Quando o Rogério enviou-me a sua opinião sincera sobre os pincéis fiquei deslumbrado, porque ele esmerou-se e mandou-me um texto extremamente completo, cheio de fotos maravilhosas, de forma a poder ajudar todos aqueles que estão a ponderar adquirir novos pincéis.

Sem mais demoras, eis a review dos Makeup Revolution Brushes por parte de um dos melhores make-up artist de Lisboa!

"Por onde começar com os 3 pincéis da Make Up Revolution?
 
Antes de mais, posso começar por dizer que adoro a marca, pelos produtos que cria e pelo preço fantástico. Quando me deste a chance de testar os pincéis, fiquei na Lua.
 
Pois bem, só fiquei na Lua mesmo, porque para ser honesto a experiência não foi das melhores.
 

Na Casa-de-Banho do Rogério: Makeup Revolution Brushes

Comecemos pelos pontos positivos. O de Blush e o Duo Fiber são bastante manuseáveis, tendo um tamanho aceitável. Perto de 18cm, comprimento do pincel número 10 de base da Kat von D Beauty.
 
Na Casa-de-Banho do Rogério: Makeup Revolution Brushes
 
O cabo é de excelente qualidade, de maneira a que nunca tive medo que se desfizessem na minha mão. Mas os prós terminam aqui.
 
Infelizmente esta aventura teve uma mudança drástica para o negativo assim que vi as cerdas dos 3. Nenhum deles é propriamente DENSO, e o de Blush é de uma falta de noção tal, que se tornou ridículo.
 
O pincel da base tem um pequeno compartimento "circular" no centro que permite que depositemos produto para em seguida o aplicarmos no rosto. Ora bem, nada nesse compartimento é circular. Está torto, nada uniforme e o toque da cerda dá a sensação que fizemos a depilação há 3 dias atrás e o pêlo comeeeça a arranhar. Desconfortável de usar, apercebo-me de imediato que da China já me chegaram melhores coisas.
 
Na Casa-de-Banho do Rogério: Makeup Revolution Brushes
 
Quando decido aplicar o meu contxorno™, decido pegar no pincel de Blush, que tem um formato ligeiramente chanfrado e curvo, perfeito para assentar nos vazios das minhas crises existenciais.
 
Pensei de imediato que a experiência melhorou.
 
Suave, aplicação "meh" e a falta de densidade não me permitiu aplicar numa só passagem. Tive que repetir a proeza em três visitas ao produto. Ao menos não arranhou, pensei eu.
 
Na Casa-de-Banho do Rogério: Makeup Revolution Brushes
 
Para Blush eu adoro utilizar um Duo Fiber. 
 
Sinto que o produto fica "airbrushed" e que o podemos difundir até ficar perfeito.
 
A desilusão neste pincel passa pelo simples facto de não ser denso. A Revolution estava em contenção de custos quando o desenhou só pode.
Apesar de ter aplicado rápido, tive que voltar a passar sem produto para garantir que tudo ficava suave e uniforme.
 
Na Casa-de-Banho do Rogério: Makeup Revolution Brushes
 
Passo final é a limpeza. Avaliar a verdadeira durabilidade de cada um deles. Eu, Rogério, tenho alguns pincéis que lavo regularmente dos quais uma cerda nunca caiu ou partiu. 
 
Nem falo de produtos caros, a maioria estão na ordem dos 13€.
 
A utilizar o Instant Brush Cleanser da Make Up For Ever, a limpeza é suave, não abrasiva e imediata. Mas neste teste, cada um dos filhotes da Revolution falhou redondamente. Primeira lavagem e perderam-se umas 10 de cada, o que, aliando ao facto de nem serem densos, não é promissor.
 

Na Casa-de-Banho do Rogério: Makeup Revolution Brushes

Se não vos fizer muita confusão o facto de um pincel perder uns pelinhos depois de uma make up sesh, recomendo. Se forem picuinhas como eu e quererem o melhor... Stay away.
 
Ao Tripzzz, obrigado por me teres dado a chance de ser 100% honesto.
 
Um grande abraço,
Rogério."
 
 
Há alguma dúvida sobre maquilhagem que gostassem que eu colocasse ao Rogério de forma a verem explicada aqui no blog? Ou já são profissionais desta área e não há questão que vos apoquente?

Mais uma semana com os Pássaros!

09.10.19, Triptofano!

Calma minha gente, guardem os chicotes que eu não vou fazer (muitos) spoilers, nem vou revelar o tema desta semana, apenas dizer que os maravilhosos pássaros andam cada vez mais imaginativos, o que torna a minha vida, de aminoácido fofinho e amoroso, assim a atirar para o difícil, visto que decidi que todos os temas iriam ser abordados com uma componente assim mais sexualizada!

O que eu gostava de saber é, se vossas excelências, que investem o vosso tempo a ler o que eu escrevo, estariam interessadas em algo inédito da minha parte, que tanto pode ser colossalmente maravilhoso como estrondosamente mau ao nível da tentativa de incursão na vida política do José Castelo Branco!

Falo de um texto em versão poesia, a rimar e tudo, assim uma espécie de Sophia de Mello Breyner Andresen versão Rio de Mouro mas com menos talento!

Para me darem uma opinião mais fundamentada fica aqui um cheirinho da minha composição poética, que será uma autêntica ode digna de ser interpretada pela incomparável Ana Malhoa, e quiçá, um dia figurar em lugar de destaque no cancioneiro popular.

 

"Em mais uma noite solitária

Gastava água no duche como um rei

Enquanto me masturbava vigorosamente

Pisei o sabonete e escorreguei."

 

Então, o que é que acham? 

A Morte de O.Puro

08.10.19, Triptofano!

Olá amig@s do Trip!

Espero que todos estejam bem e que continuem fielmente a seguir as novidades que ele vos vai deixando por aqui!

Hoje, e a seu pedido, cabe-me a mim fazer algo de – ao mesmo tempo – habitual e absolutamente novo aqui no blog. É uma espécie de uma crítica gastronómica que dispõe para o futuro, ou melhor, que fica para memória futura.

Há dias, visitei o Restaurante O.Puro em Alcochete, onde fui propositadamente desde Lisboa. E bem que vos digo que servirá para memória futura uma vez que O.Puro fechou portas tem cerca de uma semana.

É muito pouco habitual (será a primeira vez!?) escrever-se aqui sobre um restaurante que fechou portas entretanto e, não por uma questão de preguiça na redação da crítica, mas antes porque O.Puro publicou o seu fecho, a meu ver, numa consciente tomada de decisão e sensatez. Vamos a factos.

O Restaurante O.Puro ficava na Rua do Diário de Notícias, bem no centro de Alcochete, ali ao pé do Barrete Verde. Bafejado pelas suas boas energias, era um restaurante com gente jovem, desta onda bio, empreendedora, sustentável e respeitosa para com os produtos que transforma, e ainda com muitas promessas para cumprir e sonhos para alcançar.

Em tudo havia uma técnica culinária inacreditavelmente desenvolvida, sólida, e alinhada com os princípios do O.Puro.

Parece-me até que foi esta técnica e o que por ela se cobrava, a localização, o arrojo de sabores que anunciaram a morte do O.Puro. Teriam os Alcochetanos capacidade de investir em cultura gastronómica? Seriam eles os clientes a atingir com o conceito? Aqui bem às portas de Lisboa, teria este restaurante vingado na capital? Não deixa de ser um interessante estudo de caso.

Mas, à comida, rapazes…! O.Puro trabalhava com ingredientes da época, vinhos biodinâmicos (e que carta de vinhos…), tinha um mural de plantas vivas e mudava a carta regularmente.

Comecei a refeição com uma trilogia de pães, todos eles de fermentação natural. Beterraba, espelta e trigo barbela que haviam de se encher de manteiga de mostarda, outra de flor de sal e outra de mojito (com traços muito suaves e agradáveis de hortelã). O Azeite Virgem Extra de Trás-os-Montes, com notas adstringentes de frutos secos, anunciavam, qual corneta real, a chegada de um momento ímpar. Mas… há sempre um mas.

O.Puro

Como entrada (e aqui há que fazer uma ressalva ao bom gosto da louça utilizada no O.Puro), optei por um Brulée de tomate, com queijinho do bom na base, e um incrível tomate confitado servido por cima, originando um arraial de sabores na minha boca e onde a mistura de tudo só melhorava ainda mais o prato

O.Puro

Passado ao prato principal, a corneta perdeu o fôlego. Escolhi um lombo de vaca fumado com gnocci de batata violeta, mostarda e pipocas que, diga-se, deixou um pouco a prometer. Apesar do ponto certo da carne, que mostra domínio da peça, faltava algum tempero e o sabor a fumado era bastante evidente para o sabor que a peça já tinha, o que a desequilibrava nalguma medida.

O.Puro

Para a sobremesa, acabar como comecei. Um triffle de Mojito (espuma de coco, granita de hortelã e um biscuit) agradavelmente fresco e com todos os sabores do Mojito presentes foram o pré-fecho ideal da refeição.

O.Puro

Para finalizar, faltava o café. Já que o lombo fumado tinha deixado algumas dúvidas, resolvi em dar mais uma chance ao fumado e pedir um café, também ele, fumado. O sabor era agradável mas, pronto, não passava muito de um café.

Para a história fica uma refeição com muita solidez culinária, numa localização que pouco aproveitou e reconheceu o potencial do O.Puro. Parece-me até que – e fruto de outras visitas passadas – Alcochete está a perder fôlego na atratividade e fixação de restaurantes. Lá para os lados do O.Puro é o terceiro restaurante a fechar num curto espaço de tempo.

Alterações de gostos?

O Cara Metade

 

Restaurante O. Puro Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Chega?

07.10.19, Triptofano!

Chega - O Partido de Extrema-Direita

E assim, de um dia para o outro, a extrema-direita chegou ao Parlamento português.

O Chega, partido fundado por André Ventura, conseguiu eleger um deputado! Podem pensar que é apenas um deputado entre outros tantos, mas é assim que as coisas más acontecem.

Toda a gente se ria quando Trump disse que queria ser presidente dos Estados Unidos, e a verdade é que conseguiu. Ninguém acreditava que Bolsonaro ia ser eleito, e na realidade ele comanda o Brasil. Se calhar a maioria pensa que a extrema-direita nunca vai ter poder suficiente em Portugal, mas a verdade é que já há alguém com esses ideais a deambular na vida política portuguesa, a criar ligações, a sussurrar nos ouvidos.

Compreendo que vivemos em democracia, mas nunca poderei ter algum tipo de sentimento que não a repulsa por um partido que tenta retirar direitos de grupos minoritários, "escondendo" essas vontades atrás de chavões que iludem o povo, como colheradas de papa dadas a bebés famintos.

A campanha do Chega foi feita com cartazes com mensagens populistas muito ao estilo de um Robin Wood político. "Andamos a sustentar quem não quer fazer nada?", "Apenas 25 anos de prisão para monstros?" ou "Tantos deputados para quê?"(irónico este último, pois se não houvessem tantos deputados o Chega provavelmente não teria assento parlamentar, mas confesso que não sou exímio na análise do método da média mais alta de Hondt)

Mas uma rápida consulta do movimento do partido mostra-nos que o Chega é o partido que veio para "Recusar frontalmente o marxismo cultural e todo o seu cortejo de aberrações disformes e de realidades alternativas absurdas. Recusar a ditadura da Ideologia de Género; recusar o aborto-a-pedido ou as cirurgias de mudança de SEXO pagas pelos contribuintes."

Com um bocadinho de sorte daqui a 4 ou 5 anos este blog vai deixar de existir. Porque o Chega vai chegar ao governo e descobrir que também eu sou uma aberração disforme a viver numa realidade alternativa absurda.

E se vocês estão sossegaditos no vosso canto, a pensarem que não é convosco, que são pessoas normativas fofinhas e ninguém vos vai pegar, bem, boa sorte!

Votem meus caros. Votem nem que seja para impedirem que um dia estejamos todos a comer mierda frita!