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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Energia Abaixo de Zero

06.09.19, Triptofano!

Nestes últimos dias a minha energia tem estado a níveis abaixo de zero.

Só para que compreendam a dimensão da situação, ontem queria ligar a uma amiga porque sabia que ela precisava de desabafar, mas estava tão cansado, mas tão cansado, que eram dez horas da noite e eu já estava a ressonar descontroladamente.

Tenho a perfeita noção que esta falta de energia física deve-se também ao desgaste mental que tenho sofrido nas últimas semanas, tudo por causa das minhas porquinhas.

Talvez se lembrem que quando fui de férias para Cuba estava com o coração nas mãos por causa de uma das minhas porcas, a Escovinha, à qual tinha sido detectado um cancro.

Vocês foram incansáveis, mandaram imensa boa energia, e a verdade é que eu voltei e ela estava fresca e fofa.

Fresca e fofa continuou até que uma certa altura começo a ouvir uns movimentos gastrointestinais gigantescos seguidos de uns peidos que deixaram-me em alerta. Tinha uma porca rota em casa!!!!

Liguei para a veterinária que aconselhou a dar aero-om gotas e biogaia gotas durante 3 a 4 dias para ver a situação se resolvia.

Um dia e meio depois, como não houve melhoras nenhumas, a veterinária mandou parar o aero-om e o biogaia (agora vou ter de os tomar eu para não irem para o lixo!) e começar a fazer metoclopramida!

Foi remédio santo! As bufas pararam e o intestino da menina sossegou.

Mas se fosse todo este o meu drama não vinha para aqui queixar-me!

O que transtornou-me verdadeiramente foi descobrir, quando voltei de férias, que uma das outras porcas, a Priscila, tinha um tumor mamário gigantesco.

A verdade é que ela já o tinha antes, mas no espaço de 15 dias cresceu que foi uma coisa tonta, sendo que ela já nem conseguia estar deitada direita devido ao tamanho do tumor.

A decisão foi operar antes que o tumor pudesse rebentar!

A cirurgia correu bem, mas como foi na altura em que o Cara-Metade foi de férias com o sobrinho para Espanha decidimos que a Priscila ficaria em regime de hotel na clínica veterinária durante uma semana, sendo que assim teria até melhores cuidados pós-cirúrgicos.

A menina voltou para casa, seis medicamentos por dia administrados via seringa com muito reclamanço por parte da porca, os pontos estavam a cicatrizar bem, até que um dia eu e o Cara-Metade chegamos a casa depois de ir jantar fora e quando olhamos para a gaiola onde a Priscila está sozinha quase que temos um ataque cardíaco.

Parecia um verdadeiro cenário de filme de horror, com os resguardos todos cheios de sangue, e a porca calmamente a olhar para nós num canto.

Enquanto a porca permanecia calma nós estávamos a pontos de ter uma apoplexia.

Ligámos para os serviços de urgência da clínica, e quase à meia-noite fomos a todo o gás para a outra margem, sendo que ainda tivemos que primeiro parar para abastecer o carro com gasolina, porque em situações de emergência os astros parece que se alinham contra uma pessoa!

Quando conseguimos finalmente chegar à clínica, a veterinária informa-nos que foi um dos pontos que rebentou e que vai haver necessidade de voltar a abrir, limpar a ferida e voltar a fechar, o que se traduz em mais dois ou três dias de internamento.

Ontem a Priscila foi operada pela terceira vez.

Quando o Cara-Metade mandou uma foto da costura para avaliação, a veterinária ficou em pânico porque havia uma parte que parecia ter pus. Quando viu a menina ao vivo confirmou que sim, era pus.

O cenário que colocou em cima da mesa não foi o mais animador.

Teria que ser operada novamente para limpar a ferida e depois mudar de antibiótico para tentar uma cicatrização mais rápida.

O protocolo seria injecções de penicilina diária mas que podiam sem tóxicas para a porquinha.

Recusámos e ficou combinado que seria dada uma injecção de três em três dias de cefalosporina, que apesar de não tão eficaz era mais segura!

Nesta altura se calhar estão a pensar que a veterinária ou é incompetente ou está a tentar sugar-me todo o dinheiro.

Nem uma coisa nem outra. Além de ter sempre feito o melhor e ter sido completamente verdadeira relativamente a todos os problemas de saúde das minhas porcas, desta terceira vez ela estava completamente assoberbada pelo facto de nós termos de ir gastar mais dinheiro na operação.

Na verdade ela estava mais preocupada do que nós com o facto de ir haver mais despesas!!

É verdade que em hotel, internamentos, operações e medicamentos já gastámos neste último mês mais do que um salário mínimo, mas pelos meus animais ficaria um mês a comer massa com atum se fosse preciso.

A Priscila foi operada ontem e consegui ter alguma paz de espírito.

O pus era só na camada superficial e a parte interna estava a cicatrizar bem. Por isso a veterinária decidiu não dar nenhum medicamento e fazer a técnica de marsupialização, algo que já tinha feito com óptimos resultados no passado com a Escovinha!

O único contra é que a Priscila vai ter de ficar uma semana em internamento, para fazer o penso todos os dias.

Vou morrer de saudades dela, mas sei que está em boas mãos, e o mais importante é que ela volte para casa sã e salva, e com imensa vontade de mijar-me no colo quando eu estou-lhe a dar festinhas! 

A minha porca mais linda antes da cirurgia, a Priscila!

Pré-Desafio dos Pássaros

05.09.19, Triptofano!

Pré-Desafio dos Pássaros

Quando vi o desafio de escrita dos pássaros achei giro mas não fiquei entusiasmado com o mesmo!

Tudo porque no passado já tinha entrado num muito semelhante em outra plataforma social onde as coisas, depois de algumas semanas, deram para o torto!

E porque é que mudei de ideias e decidi participar?

Tal reviravolta deveu-se à Bla Bla Bla, que mandou-me um e-mail a perguntar se eu não ia participar e que gostava muito de me ler e que um texto meu era melhor que a cura para a assadura entre as pernas quando usamos bikini e vamos o dia todo para a piscina! (pronto, esta parte talvez seja eu que tenha inventado um bocadinho...)

Assim sendo aqui estou eu, à espera de me desafiar com os temas que os pássaros mirabolantemente vão lançar!

Agora algo que eu não disse aos Pássaros, e que fica para vocês leitores deste cantinho descobrirem em primeira mão, é que, independentemente do tema semanal com que seja desafiado, todos os textos que criar vão ter uma temática sexual!

Vou falar de sexo porque por um lado apetece-me falar de sexo e eu gosto de fazer o que me apetece (sou um rebelde eu sei!) e por outro porque quero que de uma vez por todas conversar sobre sexo não seja um constrangimento, um motivo de vergonha, uma ruborização imediata das faces perante um termo como broche ou minete.

Se há coisa que me deixa enervado é quando chegam à farmácia e começam a falar de capotes, e cabeças, e Marias Franciscas ou pardalecas.

Não porque as pessoas não saibam os verdadeiros nomes das coisas (ok, admito que algumas possam não saber), mas parece que pronunciar prepúcio, glande, vagina, clitóris, pequenos e grandes lábios, é algo tão demoníaco que os lábios da pessoa podem naquele preciso momento apodrecer e cair.

Eu sei que há muitos profissionais de saúde que nem são profissionais nem percebem de saúde, e sei que as pessoas também não conseguem descobrir por artes mágicas quem está à sua frente, mas se for preciso eu mando personalizar a minha bata de forma a que toda a gente compreenda que pode falar comigo abertamente sobre sexo.

Sobre orgasmos, hemorróidas, ejaculações, faltas de erecção ou pêlos encravados!

Porque o sexo é natural, o que não é natural é acharmos que em pleno 2019 ainda temos que viver segundo a (falsa) modéstia do século XV!

António Variações: A variação do padrão

04.09.19, Triptofano!

Eu não vou adaptar-me a Lisboa, Lisboa é que vai-se adaptar a mim!

A minha opinião sobre o filme do António Variações

Podem não ter sido exactamente estas as palavras que foram usadas, mas foi esta a mensagem que mais me marcou quando ontem fui ver o filme sobre a história de António Variações.

António foi alguém completamente disruptivo, alguém que pegou nas normas da sociedade da sua época e atirou-as para o lixo, não tendo medo de ser ele próprio numa incansável busca pela sua voz e pela oportunidade de os outros a ouvirem.

É fantasticamente deprimente pensar que há 40 anos atrás houve alguém que deu o primeiro passo para a verdadeira expressão individual, e hoje, quando olhamos ao redor, vemos cada vez mais pessoas exactamente iguais umas às outras, com a estranha necessidade de serem cada vez mais cópias umas das outras, renunciando, ou nem sabendo que ela existe, à incomparável felicidade de ser-se único.

Mas o que mais me incomoda, aquilo que faz com que tenha uma urticária crónica, é o cinismo palpável que este filme atrai.

Claro que não posso generalizar, porque as generalizações são piores que as palas que se usam para os cavalos olharem sempre em frente, mas é ridículo que muitas das pessoas que são atraídas pela diferença retratada no filme não a conseguem sequer aceitar no dia-a-dia.

É uma espécie de desconexão da realidade, onde bate-se palmas de pé ao homem que variou o padrão mas é-se capaz no minuto a seguir de deixar comentários rancorosos nas redes sociais à pessoa que anda de cabelo azul e verde no meio do Chiado. Onde a homossexualidade é vista como uma história de verdadeiro amor mas o amigo ou filho ou colega é um lambe piças do pior que devia ser posto num barco sem fundo rumo ao incerto. 

É triste perceber que a diferença e a genialidade de ser-se único só é verdadeiramente aclamada quando se já está morto.

Mais triste ainda são todos aqueles que avidamente à procura da diferença magnética de alguém que foi ele próprio, não conseguem perceber que ao viverem no medo de não serem aceites por aquilo que realmente são, já estão mortos muito antes de terem morrido!

Jantar com um Butt Plug : O que precisam de saber!

02.09.19, Triptofano!

Jantar com um Butt Plug: O que precisam de saber! Desconfortável? Excitante? Assustador? O Triptofano conta tudo!

 

Quando descobri o movimento #sexosemculpa iniciado aqui na comunidade Sapo por uma data de mulheres com M grande, soube logo que tinha de participar, porque afinal a sexualidade deve ser vivida sem vergonhas tanto por mulheres como por homens, e nada melhor do que partilhar convosco a história de quando fui jantar com um butt plug enfiado no rabiosque.

Jantar com um Butt Plug

Tudo aconteceu há sete ou oito anos atrás, quando viajei até Toronto para visitar o homem 40 anos mais velho com qual namorava, homem do qual acabaria por estar noivo mas com quem nunca chegaria a casar! (apesar de ainda ter a aliança guardada algures que isto nunca se sabe quando é que a crise volta e a pessoa precisa de vender ouro)

O D. tinha na sua casa, além de imensos daqueles quadros gigantes que só servem para acumular pó, um gato siamês chamado Bentley.

O gato era verdadeiramente uma fofura e gostava genuinamente de mim, só que tinha o péssimo hábito de acordar-me às seis da manhã saltando para cima da minha barriga e indo esfregar a cara dele em todo o meu epitélio facial!

Vocês podem estar completamente derretidos a imaginar a cena, mas tendo em conta que eu tenho uma alergia gigantesca ao pêlo de gato, o resultado era acordar com a cara como se fosse um tomate prestes a explodir, sendo que a única coisa que me salvava era enfiar meia dúzia de anti-histamínicos para o bucho.

A meio da minha estadia em Toronto, o D. disse-me que gostava que fossemos jantar a um restaurante brasileiro para conhecer os amigos dele, mas, para tornar tudo mais entusiasmante queira que eu fosse com um butt plug enfiado no rabo.

Seria excitante para ele por saber o meu pequeno grande segredo (o butt plug não era assim em miniatura minha gente) e seria excitante para mim por razões óbvias.

Disse que sim porque se o jantar fosse extremamente aborrecido sempre tinha alguma coisa com que entreter-me.

Lubrifiquei bem o bicho, e com jeitinho lá o coloquei todo dentro do rabo, ficando pronto para ir atacar doses industriais de picanha e maminha e coisas que tais.

Pessoal, nunca tive um jantar tão animado na vida!

É verdade que a comida não era má e que os amigos do D. foram bastante simpáticos e fizeram o seu melhor para não fazerem um escândalo e acusarem-me de estar a dar o golpe do baú, mas ir jantar com um butt plug deixa qualquer pessoa com o maior sorriso de sempre na cara.

Sempre que eu mexia-me um bocadinho que fosse na cadeira o butt plug pressionava certas zonas que eu nem sabia que tinha, causando-me arrepios de prazer ou fazendo-me ter um ataque de risinhos nervosos, o que podia não ser assim tão bom caso alguém estivesse a contar uma história triste de como esteve internado durante duas semanas como meia dúzia de pedras no rim.

O problema de ir jantar com um butt plug enfiado no rabo é que se por um lado temos toda aquela parte do prazer, por outro estamos sempre com aquela sensação de que precisamos de ir cagar e que já não conseguimos aguentar com aquela coisa enfiada e precisamos de a tirar.

Confesso que houve duas ou três vezes que achei que não ia aguentar mais com aquilo enfiado no cú e que tinha de ir a correr para a casa-de-banho para o tirar, mas, e depois o que é que eu fazia com ele se não tinha onde o guardar?

Levava-o orgulhosamente na mão e fazia um ar de "perfeitamente  normal" enquanto o colocava em cima da mesa como se fosse um troféu?

Deixava-o abandonado à sua sorte no caixote do lixo da casa-de-banho?

Guardava-o debaixo da camisola depois de o ter passado por água na sanita e fingia que tinha ficado subitamente grávido de cinco meses?

Acabei por aguentar as quase três horas de jantar com o butt plug a estimular-me a próstata até que finalmente pude correr para casa para o tirar e deixar o meu rabo respirar de alívio.

Mal entrei em casa voei para o quarto de hóspedes para ter alguma privacidade, e iniciei a tarefa de retirar o butt plug.

Agora eu não sei como é que aconteceu minha gente, mas o raio do gato devia estar escondido numa das gavetas da cómoda e eu só o vi a aproximar-se curiosamente do meu rabo quando já estava praticamente no fim do processo.

No momento em que tirei o butt plug dei um peido transatlântico, um daqueles peidos que nenhum ataque de tosse consegue camuflar, um peido que acertou em cheio com todo o seu fulgor no focinho do gato.

Por momentos achei que o tinha morto, visto que ele ficou assim meio atordoado no chão, não percebendo bem o que tinha passado, mas segundos depois, que a mim pareceram horas, voltou a si e desapareceu do quarto a toda a velocidade.

A verdade é que o raio do gato nunca mais me acordou às seis da manhã!

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