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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Na Casa-de-Banho da Teresa: Fluido de Verão KPF 90 René Furterer

31.08.19, Triptofano!

Quando tive a ideia de lançar a rubrica do Na Casa-de-Banho d', foi com o objectivo de conhecer os hábitos de beleza de outras pessoas, descobrir novos produtos mas também de poder dar destino a algumas coisas que me oferecem e que simplesmente não faz sentido eu usar!

Há uns tempos atrás recebi alguns produtos da René Furterer em casa, sendo que um deles foi o Fluido de Verão KPF 90, que é basicamente um fluido de protecção solar para os cabelos expostos.

Tudo muito bonito não fosse eu ser praticamente careca, por isso que cabelos expostos é que eu iria proteger? Se fizesse nudismo talvez ainda tivesse sítio onde o utilizar, mas pronto, isso é outra conversa.

Por isso é que me lembrei da Teresa, que sabia que gostava deste tipo de produtos, que os costumava usar e por isso seria a melhor pessoa para me dizer se este Fluido de Verão KPF 90 era alguma de coisa de jeito ou não.

Review do Fluido de Verão KPF 90 René Furterer

Antes de conhecermos a opinião da Teresa acerca do produto deixem-me falar um bocadinho acerca dele para estarmos todos sintonizados na mesma frequência.

O sol é o inimigo número 1 do nosso cabelo, porque quando exposto muito tempo às radiações solares as fios de cabelo ficam com um filme hidrolípidico deficiente, filme esse que é responsável por lubrificar a fibra capilar, deixando-a assim frágil, com as escamas levantadas e as pontas partidas.

Por isso é que quando o cabelo fica demasiado tempo ao sol sem ser protegido o resultado final é um cabelo seco e áspero, com a cor alterada e a parecer verdadeiramente um monte de palha, o que leva a que se tenha de correr o mais depressa possível caso haja algum burro esfomeado nas imediações!

O Fluido de Verão KPF 90 da René Furterer vem ajudar a proteger o nosso cabelo graças ao extracto de sésamo que é naturalmente fotoprotector e de uma grande riqueza nutricional (ácidos gordos, vitamina E e sais minerais) desempenhando o papel de um verdadeiro ecrã solar natural e combatendo activamente a secura dos cabelos ao sol; ao óleo de rícino que vai oferecer mais nutrição à fibra capilar e ao filtro UV que permite preservar o filme hidrolipídico das agressões do sol, do vento e do cloro!

Mas o que raio é este KPF 90?

O KPF, Keratin Protection Factor, é o primeiro e único índice de protecção solar capilar patenteado, que mede a degradação da protecção da queratina dada pelo protector solar capilar e que indica a percentagem de protecção deste constituinte essencial do cabelo.

Simplificando, KPF 90 é igual a 90% da queratina protegida!

Prós e Contras

Depois de ter testado o produto na piscina e na praia com toda a calma do mundo (que eu gosto que as pessoas testem as coisas tranquilamente para não tirarem conclusões precipitadas) a Teresa só me enviou prós do produto.

Eu bem insisti com ela para descobrir alguma coisa negativa mas ela não foi capaz, só que eu, como farmacêutico chato e picuinhas, achei por bem referir dois pequenos contras do produto! (só para ser irritante eu admito)

Review do Fluido de Verão KPF 90 René Furterer

Prós

Fácil manuseamento. O fraco adapta-se perfeitamente às mãos pelo seu tamanho que é o ideal tanto para manusear como para transportar para onde se necessita! (abaixo os produtos cujas embalagens são verdadeiros trambolhos!)

Cheiro a praia. O produto tem um aroma leve e agradável, não sendo excessivamente forte.

Não deixa o cabelo oleoso, sendo fácil de aplicar por todo a cabeleira, sendo que também não cola nas mãos! (ninguém quer ter mãos à pega-monstro convenhamos!)

A Teresa também referiu que notou que o cabelo fica mais liso depois da aplicação do produto e que até já o usou como protector de cabelo antes da chapinha e gostou dos resultados!

Contras

O produto está apenas direccionado para a fibra capilar, o que significa que não devem utilizar no couro cabeludo, porque não vão ter a protecção solar devida e arriscam-se a ter uma valente queimadura.

A comunicação do KPF não está 100% clara, sendo que em alguns canais de comunicação da marca mistura-se o KPF com o SPF. Para mim enquanto farmacêutico é fundamental que o cliente compreenda que tipo de produto tem à frente, e misturar alhos com bugalhos não é a melhor forma de se conseguir isso!

 

Mas ó Triptofano, a foto do produto que tu colocaste não é exactamente igual à foto que eu encontro no site! 

É verdade, a foto não é exactamente igual porque o produto que eu recebi e que dei à Teresa era a versão antiga. Nada mudou a não ser a comunicação do KPF, que deixou de figurar KPF 90, para aparecer KPF 50+, de resto tudo é igual.

O Veredicto Final

O Fluido de Verão KPF 90 René Furterer passou com distinção no teste

Para a Teresa é um grande sim, já que como ela me confidenciou, no passado tinha usado outros produtos similares mas não tão interessantes como este!

Para mim enquanto farmacêutico, é um sim um bocadinho de nada mais pequeno, apenas pelas questões de comunicação da marca, que acho que mesmo com as alterações que foram feitas ainda podem ser ligeiramente confusas.

 

E vocês, já alguma vez experimentaram este Fluido de Verão KPF 90 para protegerem os vossos cabelos? Costumam usar algum outro produto para o mesmo fim? E a René Furterer, já conheciam a marca ou nunca tinham ouvido falar?

Na Pele do Triptofano: Terre d'Hermès Eau de toilette

30.08.19, Triptofano!

Viver com a minha mãe é a mesma coisa que viver com um cão pisteiro, porque a mulher tem um olfacto incrivelmente desenvolvido.

Quando era pequeno vivíamos num apartamento com dois andares, e lembro-me perfeitamente que um dia, estava eu a comer gomas às escondidas no andar de cima, quando ela entra em casa e cinco segundos depois grita para eu largar o pacote que aquilo fazia-me mal aos dentes.

Ela até hoje mantém a versão que cheirou as gomas que eu estava a comer, eu acho que ela tinha instalada uma câmara de vigilância algures escondida.

O super olfacto da minha mãe por um lado é uma bênção mas por outro uma grande chatice, porque ela não consegue tolerar quase perfume nenhum sem ficar enjoada, o que me levou a descobrir o mundo das fragrâncias corporais já andava eu na faculdade, e mesmo assim com muitas limitações.

Para colocar perfume tinha de sair de casa, abrir o contador de gás onde deixava guardado o frasquinho, borrifar-me todo e fugir depressa, porque já sabia que ela ia começar a refilar do quão empestado eu tinha-lhe deixado o hall de entrada! Vida triste a minha eu sei.

Ao contrário da minha progenitora o meu nariz é tendencialmente fanhoso, por isso preciso de perfumes com fragrâncias fortes, mas também não podem ser demasiado agressivos se não começo a ficar mal-disposto.

Por isso é que quando descobri o Terre d'Hermès Eau de toilette foi paixão à primeira vista, e até hoje é um dos meus perfumes favoritos.

Perfume Terre d'Hermès Eau de toilette

Lançado em 2006, o Terre d'Hermès é um perfume denso, envolvente, com uma forte ligação térrea e desértica que é equilibrada pela doçura e jovialidade dos citrinos, não sendo por menos que o perfumista Jean-Claude Ellena descreveu a fragrância como um "Sentindo a terra, deitado no chão, olhando o céu.”

Com a toranja e a laranja como notas de topo, o sílex como nota de coração, e o benjoim, o musgo de carvalho e as notas de madeiras como notas de fundo, Terre d'Hermès é bom para catano minha gente!

Eu sei que devia continuar com a história da metamorfose e dos elementos e da alquimia, mas o importante é se ele cheira bem ou não, e a verdade é que cheira!

Prós e Contras

Com tantos anos de utilização posso-me considerar um especialista em Terre d'Hermès, mas mesmo assim antes de escrever este post borrifei-me mais um bocadinho para poder dar uma opinião ainda mais fundamentada.

Prós

O cheiro é fantástico. Denso e envolvente, é forte o suficiente para mim de forma a conseguir senti-lo e não parecer que estou a borrifar-me com água termal.

Não é demasiado agressivo. Sabem aqueles perfumes que cheiram apenas a álcool ou que são tão invasivos que deixam uma pessoa completamente enjoada? Este Terre d'Hermès é forte mas sem ser esmagador!

Suscita reacções positivas de terceiros. Sejamos honestos, quando colocamos perfume queremos que os outros também o cheirem certo? Já tive comentários muito simpáticos de amigos e alguns estranhos (espero que não fossem predadores sexuais...) relativamente ao aroma!

Podem comprar um coffret com uma versão miniatura. A versão miniatura de 12.5 ml é fantástica para levarem de viagem ou para reaplicarem durante o dia quando querem estar mesmo cheirosos! (o coffret também contém um bálsamo after shave mas honestamente acho que nunca o usei)

Versão Miniatura do Terre d'Hermès Eau de toilette

Contras

Não aguenta o dia todo na minha pele. Cada pele é uma pele, e cada perfume tem uma durabilidade diferente em cada pessoa. Já li comentários que dizem que o Terre d'Hèrmes permanece durante dia e meio, outras que meia hora depois já se foi, no meu caso aguenta detectável ao meu olfacto umas 4 a 5 horas!

O Veredicto Final

Veredicto Sorridente sobre o Terre d'Hermès Eau de toilette

Mesmo não aguentando todo o dia na minha pele o Terre d'Hermès é aquele perfume que vai estar sempre presente na minha prateleira da casa-de-banho, tudo por causa de ter uma fragrância que combina comigo e que é perceptível às minhas narinas de uma forma incrivelmente agradável!

Terre d'Hermès Eau de toilette

E vocês, já usaram alguma vez este perfume ou outro da marca Hermès? Como é que foi a vossa experiência? 

Não se esqueçam é que quando forem experimentar um perfume não o borrifem naquele papelinho. Façam a aplicação directamente na vossa pele, porque vão ser as reacção químicas do perfume com a vossa pele que vão permitir-vos fazer uma avaliação correcta do produto que tem diante de vocês! 

 

Avocado House Lisbon: Um restaurante onde tudo leva abacate

28.08.19, Triptofano!

Avocado House Lisbon: Descubra um restaurante onde o abacate é rei e senhor, desde a decoração até à sua presença nos pratos, não deixe de provar os ovos Boat to Norway, delicie-se com a panqueca com manteiga de amendoim e ganache, mas faça figas para ter sorte com quem o atende!

Avocado House Lisbon

Há coisas que por mais que eu tente que não consigo compreender na minha pessoa.

Durante o último ano revirei pronunciadamente os olhos sempre que via no menu de um restaurante algo com abacate, em especial as tostas super mega hiper saudáveis que prometiam que a nossa vida nunca mais ia ser a mesma.

Eu até gosto do fruto, mas quando toda a gente começa a fazer a mesma coisa usando os mesmos ingredientes não consigo evitar ficar com um bocadinho de azia.

Agora expliquem-me qual foi o curto circuito cerebral que eu tive, para neste último fim-de-semana ter decidido ir almoçar ao Avocado House Lisbon, um restaurante na zona da Madragoa, onde tudo (ou sendo preciso 95% das coisas) leva abacate!!! 

É impossível não reconhecer o local onde está o Avocado House, já que há um abacate gigante na parte de fora a sinalizar onde podemos ir consumir quantidades industriais do fruto.

Avocado House Lisbon

Quando se entra é inevitável ficar imediatamente com um sorriso na cara.

O ambiente é giríssimo, com uma decoração muito engraçada e uma energia fantástica, que nos deixa automaticamente confortáveis e com o pensamento de que se calhar fomos injustos para o pobre do abacate durante estes anos todos.

Avocado House Lisbon

Além do espaço interior existe uma pequena esplanada dominada por um mural de um abacate e onde em cada mesa está a semente de um abacate a ganhar raízes.

Avocado House Lisbon

É verdade que pode parecer ligeiramente esquizofrénica esta obsessão abacateira, onde desde o menu até ao cartão de visita tudo são representações do fruto comestível, mas no fim é isso que acaba por dar identidade ao espaço e a fazer com que certamente não o esqueçamos tão cedo.

Isso e os detalhes deliciosamente humorísticos, como os sinais da casa-da-banho com abacates ou uma porta destinada apenas ao staff ou à Angelina Jolie, essa deusa que tudo pode! (devia ser a Ana Malhoa mas pronto...)

Avocado House Lisbon

Avocado House Lisbon

A minha visita ao Avocado House podia ter sido maravilhosa, fantástica, incrível, e tudo e tudo e tudo, não tivesse sido o atendimento que deixou-me com uma sensação azeda na cavidade bucal.

Quando cheguei, eu e o Cara-Metade, fomos atendidos por uma senhora extremamente simpática e afável, um verdadeiro raio de sol daqueles quentinhos que nos coloca um sorriso na cara.

O problema foi que a partir do momento em que nos sentámos quem começou a atender-nos foi um jovem que não é que fosse antipático, mas basicamente visivelmente achava-se demasiado cool para trabalhar ali!

Senti-me não como um cliente, mas como quase um caso de caridade que sua excelência deu-se ao trabalho de atender.

Atenção que eu não sou apologista de que os empregados de um restaurante tenham de ser bajuladores ou de fazer massagens aos pés, mas espera-se algum nível mínimo de cordialidade e simpatia, porque um mau serviço destrói a melhor das refeições.

Avocado House Lisbon

É verdade que o problema até podia ser meu, que não tinha empatizado com o moço, mas observando curiosamente a interacção dele com os outros clientes percebi que não era o caso.

Houve uma pessoa que pediu para lhe trocarem o prato porque não tinha pedido aquilo, ao que o rapaz secamente responde que não tinha sido isso que tinha percebido (fofinho..).

Quando veio a minha conta para a mesa, percebi que havia um erro. Pedi-lhe o favor de rectificar ao qual ele me responde um: tá bem, vou ver isso!

Nem desculpe, nem meio desculpe. Naquele momento senti-me verdadeiramente um campónio a pedir a sua Majestade o favor de não mandar-me para a guilhotina por ter gamado meia dúzia de cenouras.

Avocado House Lisbon

Uma coisa que me deixou curioso quando estava a almoçar no Avocado House foram uns livrinhos que estavam em algumas mesas.

Na minha inocência pensei que fossem livros de colorir ou assim, mas só quando cheguei a casa e investiguei no Instagram é que descobri que o livro é uma excelente, louvável, de aplaudir de pé, iniciativa de inclusão para pessoas com deficiência.

Aparentemente, alguns dos empregados são surdos (ou com dificuldades auditivas) e o livro com imagens serve para uma comunicação mais eficiente entre o cliente e o empregado.

Avocado House Lisbon - Imagem Retirada do Instagram

Obviamente que quando descobri esta particularidade do Avocado House senti-me mal, porque talvez o empregado pouco empático fosse surdo, e coitadinho afinal tinha que ter pena dele em vez de estar a reclamar.

Mal acabei de pensar nisto senti-me ainda pior, porque o que eu estava a fazer era uma discriminação positiva! Por achar que alguém tinha uma deficiência auditiva (porque nem sei se realmente tinha ou não) estava já a desculpar algo que não está relacionado com a deficiência.

Vamos clarificar as coisas, ser deficiente é complicado nesta sociedade em que vivemos. Nem todas as empresas se preocupam em criar métodos inclusivos para inserir estas pessoas no mercado de trabalho. Mas uma pessoa por ser deficiente não se torna uma coitadinha. Nem se deve desculpar tudo e mais alguma coisa.

Se o moço não compreendesse o meu pedido, obviamente que eu não poderia ficar chateado com isso e arranjaria uma forma alternativa de comunicar. Agora não posso nem devo desculpar alguém que precisa urgentemente de um extreme make-over em termos de atitude.

Avocado House Lisbon - Imagem Retirada do Instagram

Pronto, depois de já ter libertado tudo o que tinha aqui dentro do peito relativamente ao atendimento no Avocado House, deixem-me falar sobre a comida.

Eu e o Cara-Metade decidimos dividir uns ovos, um hambúrguer e uma panqueca.

Os ovos escalfados, apelidados de Boat to Norway, vinham acompanhados com salmão fumado, queijo artesanal, uma salada de gaspacho e obviamente de abacate.

Se quiserem uma recomendação do que pedir numa visita ao Avocado House é sem dúvida alguma este Boat to Norway. A combinação do incrivelmente fantástico salmão fumado com o abacate é de morrer, ir ao céu, ressuscitar e voltar a morrer.

Não me importava nem um bocadinho de comer este prato todos os dias da semana, que com os seus apontamentos de queijo artesanal e regado no momento com sumo de limão é verdadeiramente uma dádiva celestial.

O único apontamento menos positivo que tenho a fazer é que no menu este barco nórdico era supostamente acompanhado por um mix de rebentos, mas quando chegou à mesa nem vê-los...(talvez tivessem sido comidos durante a viagem por algum mamífero de águas geladas...)

Avocado House Lisbon

Relativamente ao hambúrguer, escolhemos o Mei Wei (que significa delicioso em mandarim), composto por um hambúrguer de vaca de 150 g, maionese de picante, pickles de cebola roxa e couve pak-choi, acompanhado por uns fantásticos chips de batata doce e uma salada de gaspacho temperada com um soberbo molho de mostarda Dijon, criação pessoal do Chef!

Existe a possibilidade do hambúrguer ser servido num pão de espinafres e caril ou no abacate (vindo ele carregadinho de sementes de sésamo), sendo que já que era para a desgraça pedimos para vir no abacate.

Visualmente é bonito, mas fica já o aviso que comer um hambúrguer no abacate é virtualmente impossível, por isso vão ter de usar os talheres.

O hambúrguer em si não era mau, mas também não deslumbrou em termos gastronómicos.

Apesar de individualmente haver elementos bons como os pickes de cebola roxa ou a maionese de picante que era incrivelmente saborosa, o conjunto estranhamente não funcionava, sendo que a couve pak-choi não acrescentava muito e acabava por se perder.

Resumindo, bons elementos individuais mas que juntos cantam desafinados, criando um hambúrguer 令人失望 (desapontante em chinês simplificado segundo o tradutor do Google).

Avocado House Lisbon

Para finalizar a refeição atacámos a Yummy Avo, uma panqueca com manteiga de amendoim, abacate, banana, nozes, sementes de abóbora e ganache de chocolate, que estava mesmo muito muito boa!

A panqueca estava fofa, leve, cheia de sabor, sendo que a combinação da banana com a manteiga de amendoim e a ganache de chocolate pontuada pela sensorialidade crocante dos frutos secos e das sementes criou uma verdadeira onda orgásmica a nível do palato.

Sabem que para mim a comida tem tudo a ver com os orgasmos que ela nos consegue provocar, e esta panqueca foi sexual-gastronomicamente eficaz, deixando-me com um grande sorriso estampado no rosto.

Avocado House Lisbon

Em termos de bebida, decidi escolher um cocktail para dar um ar assim de mais classe à minha pessoa de pé descalço, sendo que optei pelo AvoGang, que leva gin Bombay Sapphire, xarope de abacate, sumo de lima e puré de abacate, sendo servido com um caroço do fruto.

Este AvoGang foi para mim uma boa surpresa, porque apesar de ser forte o suficiente para se sentir o álcool do Gin, deixa um fim de boca muito suave e agradável, que dá vontade de beber mais e mais.

Avocado House Lisbon

Avocado House Lisbon

Não podia deixar de referir que, no fim da refeição, juntamente com a conta, dão-vos uma semente de abacate para poderem germinar em vossa casa e quem sabe poderem um dia ter os vossos próprios frutos!

Avocado House Lisbon

Se sonham todos os dias com abacates e não podem viver sem este fruto então o Avocado House Lisbon é o local certo para vocês! Se gostam só assim um bocadinho não deixem de visitar na mesma, as opções gastronómicas valem a pena, mesmo que possam ter um bocadinho de menos sorte com o atendimento!

Avocado House Lisbon

 

Avocado House Lisbon Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Na Casa-de-Banho da Teresa

27.08.19, Triptofano!

O que é prometido é devido, por isso hoje, com um grande sentimento de felicidade, lanço a primeira rubrica do Na Casa-de-Banho d'.

Para relembrar, o objectivo desta rubrica é conhecer pessoas reais que tenham opiniões sobre cosmética verdadeiras, credíveis e com base na sua experiência, de forma a que todos consigamos navegar um pouco mais facilmente por este mundo que é o dos cuidados de beleza.

A primeira pessoa a participar não é da blogosfera, mas é alguém por quem eu tenho imensa estima, uma pessoa humilde, honesta, amiga e com um coração gigante.

A Teresa pode ter mais de 50 anos no cartão de cidadão, mas tanto a sua aparência como a sua atitude perante a vida são de alguém intemporal!

Sendo alguém que sempre teve o gosto de explorar as novidades do mundo da cosmética, a Teresa é aquela pessoa que eu sei que a opinião é o mais sincera possível. Se gosta gosta, se não gosta não tem pudor em dizer - e é assim que todos deveriam ser! 

E depois desta pequena grande introdução, eis a singela "entrevista" que fiz à Teresa antes de lhe  oferecer um produto para ela avaliar!

Na Casa-de-Banho d'

Triptofano: Quem é a Teresa numa frase?
Teresa: Eu numa frase descrevo-me como alguém que gosta de se cuidar.
 
Trip: Para si a casa-de-banho é sinónimo de?
T: Para mim casa de banho é sinónimo de higiene e bem estar!
 
Trip: Qual é a sua rotina de cuidados de beleza?
T: Cuidados diários: limpeza, tonificação, hidratação e protecção da pele.
 
Trip: Qual é aquele produto que sempre quis experimentar mas nunca teve oportunidade?
T: Neste aspecto sinto-me privilegiada porque sempre tenho dado à minha pele os cuidados que ela necessita.
 
Trip: Se pudesse apenas usar um produto de cosmética para o resto da vida qual seria?
T: Produtos para o resto da vida tenho 2, o creme Anti-Âge Absolu da Lierac e creme de dia Capture Totale da Dior.

Anti-Âge Absolu da Lierac - Triptofano

Capture Totale da Dior - Triptofano 

 
Trip: Qual foi a experiência mais traumática ou hilariante que teve com um produto de cosmética?
T: Situação hilariante foi com uma máscara de rosto peel-off que me ficou colada à cara e tive de a retirar aos bocados!
 
Trip: Qual é aquele ritual que gosta de fazer quando tem mais tempo livre?
T: Massagem.
 
Trip: Um truque de beleza que queira partilhar com quem nos lê!
T: Para que a maquilhagem não fique com aspecto craquelado na zona dos olhos aplico umas gotas de Óleo Farsali antes do corrector de olheiras!

Farsali Rose Gold Elixir - Triptofano

Adenda: Depois de ter falado com a Teresa ela disse-me que a referência da Farsali que aconselhava não era o Rose Gold Elixir da foto. Apesar de também o ter, não é o que mais gosta devido ao cheiro (assim a peixe segundo ela), por isso a sua sugestão é o Farsali Unicorn Essence!

Farsali Unicorn Essence

Muito obrigado Teresa por ter participado no primeiro Na Casa-de-Banho d'!

 
E o produto que a Teresa recebeu para testar e em breve vai dizer de sua justiça é o Fluido de Verão KPF 90 da René Furterer. 

 

Fluido de Verão KPF 90 da René Furterer - Triptofano

 

Agora digam-me o que acharam! Gostaram da rubrica? Tem alguma sugestão para ela ser mais interessante? Já sabem que agradeço sempre imenso o vosso feedback! 

 

Daisuki ou o Pânico no sushi all you can eat

26.08.19, Triptofano!

Daisuki em 10 segundos: Descubra um restaurante de sushi all you can eat calmo e tranquilo com uma decoração de muito bom gosto, inicie a refeição com um excelente temaki, prove as peças envoltas em papel de arroz mas não faça a empregada ter um enfarte com um pedido gigantesco!

Daisuki

A palavra japonesa Daisuki não tem uma tradução literal. Tanto dá para um gosto imenso de ti como amigo ou para um estou de tal forma apaixonado por ti que não consigo controlar o meu esfíncter urinário.

No meu caso, depois de visitar o Daisuki, um restaurante de sushi em Carnaxide mesmo ao lado do Yó Nashi Sushi Bar, o sentimento que ficou foi mais ali na friend-zone, sendo que faltou muito pouco para a paixão, mas, infelizmente (ou felizmente!!) no presente momento em que escrevo este post ainda consigo controlar a minha libertação de gotículas de urina.

Mas houve um momento, um pequeno detalhe na minha visita ao Daisuki, que ficou registada na minha memória e que irá acompanhar-me durante muitos anos, e que será o meu cartão de visita para todos os que me perguntarem a opinião sobre o restaurante.

Daisuki

Não é o facto dos empregados serem maravilhosos, incrivelmente simpáticos e com uma vontade inegável de proporcionarem a melhor experiência ao cliente possível.

Também não se trata da fantástica decoração que remete ao imaginário asiático, suave e elegante, com detalhes verdadeiramente deliciosos, como o bule para o molho de soja ou a forma trabalhada do wasabi que é servido, obtida através do uso de um saco de pasteleiro com boquilha frisada.

Daisuki

Relativamente ao aspecto visual do restaurante tenho que fazer um pequeno parêntesis.

Apesar de ser espaçoso e as mesas estarem suficientemente afastadas para proporcionar um muito apreciado sentimento de privacidade, a grande dimensão do restaurante e o facto de não estar cheio de clientes acaba por transmitir uma vibração de cantina.

Pode parecer antagónico dizer isto, mas a verdade é que mesmo a decoração sendo maravilhosa, acaba por ficar meio perdida a flutuar na vastidão do restaurante, não havendo a criação de zonas mais intimistas que seriam benéficas para um sentimento de maior acolhimento por parte do cliente.

Daisuki

Daisuki

Daisuki

Agora aquilo pelo qual irei sempre relembrar o Daisuki foi a cara de pânico/horror/incredulidade da empregada quando lhe entreguei o meu pedido do all you can eat. 

Passo-vos a explicar melhor.

A refeição no Daisuki começa com uma entrada, que pode ser uma sopa miso ou um temaki. 

Eu e o Cara-Metade escolhemos o temaki, para mim de salmão e para ele de atum picante.

Saboroso, bem recheado, com uma alga crocante, o temaki foi um bom início de refeição.

Daisuki

Depois veio um combinado (e um pratinho com algumas outras preças) visualmente muito apetecível carregadinho de peças para fazer aquele primeiro aconchego no estômago.

Estão a ver o Usain Bolt a correr os 100 metros? Pronto, eu e o Cara-Metade ainda somos mais rápidos a enfiar peças de sushi para dentro do bandulho.

Daisuki

Daisuki

Daisuki

Ao terminarmos aparece-nos uma empregada extremamente sorridente com a lista de repetições do all you can eat, onde bastava colocar uma cruzinha naquilo que queríamos que viesse para a mesa, sendo que cada cruzinha correspondia a duas peças.

Daisuki

Eu confesso que não sou muito bom a tomar decisões, por isso basicamente pedi ao Cara-Metade para colocar uma cruzinha em quase tudo, exceptuando as espetadas e um ou outro tipo de sashimi, só para não dar aquele ar de esfomeado.

Foi quando a empregada veio buscar o pedido que o momento mais hilariante da noite aconteceu.

Ela olhou para o pedido e vi nos olhos dela o pânico a instalar-se. O verdadeiro horror ao ver tantas cruzinhas assinaladas.

Tentando manter a compostura ela virou-se para mim e avisou-me sorridente que cada cruzinha equivalia a duas peças.

E eu disse que sim, que tinha a noção disso, ao que ela pergunta-me admirada se já tinha vindo ali antes, sendo que eu respondi que não, que era a minha primeira vez, mas que conhecia bem o potencial da minha barriga.

Com um sorriso prestes a desmoronar-se para dar lugar a gritos de verdadeiro horror a empregada foi rapidamente entregar o pedido, tendo antes feito questão de mostrar a todos os colegas o quão alarve eu era!

Daisuki

Confesso-vos que enquanto esperava pelo sushi comecei a ficar ligeiramente preocupado, porque pelas minhas contas não era assim tanta comida como isso, mas pronto, a matemática nunca foi o meu forte e ainda podia vir um atum inteiro para a mesa cortado em pedaços ou coisa do género, mas não!

Vieram realmente alguns pratos mas nada de extraordinário, o que me fez acreditar que a empregada é que era assim muito fraquita de estômago.

Daisuki

Daisuki

Daisuki

Quanto ao sushi em si, bem, não vou detalhar cada peça que comi porque de outra forma só saía daqui amanhã, mas quero que saibam que no geral há muita qualidade.

O arroz utilizado no sushi é bom, a frescura do peixe é inegável e o tamanho das peças é o correcto para uma boa degustação.

O Daisuki aposta mais num sushi de fusão, tendo uma fantástica consciência ambiental, utilizando apenas variedades e espécies que não correm risco de sobrepesca, nomeadamente o atum rabilho, mas sim espécies com pesca sustentável.

Agora se há peças fantásticas, sendo que as minhas preferidas foram aquelas envoltas em papel de arroz (o mesmo usado nos crepes vietnamitas) que adicionou toda uma outra dimensão e textura crocante ao conjunto, há algumas que podem ser melhoradas de forma a que a experiência gastronómica ainda seja mais sublime.

Encontrei algumas peças onde a manga estava demasiado verde sendo ligeiramente difícil de trincar, outras cujo sabor estava demasiado amargo para o meu gosto devido a um excesso de algo que pareceu-me ser óleo de sésamo, e infelizmente a sugestão do Chef foi um verdadeiro desastre ao nível das papilas gustativas, já que era como se tivesse comido um cubo de Compal de manga envolto em manteiga (sim, era assim de estranho...).

Daisuki - Sugestão do Chef

Porém, apesar de haver peças menos boas, volto a dizer que no geral a refeição foi muito, mas muito agradável, sendo que quando terminei o meu pedido do all you can eat ainda pensei voltar a pedir tudo outra vez só para provocar um enfarte à empregada, mas estava tão cheio e a rebolar que não fui capaz.

Em termos de preço, para ser completamente honesto, acho que o Daisuki seria perfeito se fosse uns dois euros mais barato por cada all you can eat.

A qualidade do sushi justifica ser mais caro do que por exemplo o Maizakura mas não creio que esteja ao mesmo nível que por exemplo o Koi!

Para terminar, queria fazer-vos uma sugestão.

Quando pedirem a vossa bebida arrisquem no chá de arroz e pipoca, que pode ser servido quente ou frio.

O sabor a pipoca que é devido ao arroz queimado que é servido no chá é algo de agradavelmente diferente, e acho que vão gostar de provar!

Daisuki

Se estão à procura de um restaurante de sushi all you can eat calmo e tranquilo, visitem o Daisuki! E não se esqueçam de que podem sempre sorrir por dentro quando virem a empregada a ficar com mais um cabelo branco depois de receber o vosso pedido!

Daisuki

 

Daisuki Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Um Pegada mais Verde

ou as mudanças que estou a fazer em prol do ambiente.

24.08.19, Triptofano!

Não posso dizer que sou a pessoa mais consciente em termos de ecologia porque não sou, mas isso aos poucos está a mudar, sobretudo por causa das notícias que todos os dias inundam-me os olhos.

Neste post escrevi que temos de deixar de pensar macro e começar a pensar micro, e continuo a defender esse tipo de pensamento, mas não podemos continuar a viver micro e a achar que o macro que está lá fora nunca nos vai influenciar a nossa realidade e nós vamos andar contentes e felizes da vida.

É impensável mantermos a fé num futuro sorridente e fantástico e tudo e tudo quando a Amazónia arde compulsivamente.

O nosso planeta é um equilíbrio delicado, e não é por no nosso país estar tudo tranquilo e controlado que não vamos acabar por sofrer repercussões.

Sou a favor de que a mudança pessoal pode levar à mudança global, e por isso tomei duas decisões, pequenas e simples, que acredito que podem fazer a diferença, sobretudo se forem adoptadas por outras pessoas.

Um Pegada mais Verde

 

A primeira é reciclar no meu local de trabalho.

Na farmácia onde estou há um cesto só para o papel, e todos os dias esse cesto é cheio.

O que acontece foi que já apanhei a empregada da limpeza a enfiar o conteúdo desse cesto com o dos outros tudo num saco do lixo grande, e contentor com ele.

Já falei com ela mas já voltei a apanhá-la a fazer o mesmo, por isso a partir de agora vou começar eu a fazer a minha reciclagem de papel. 

Tenho uma caixa ao pé de mim e todo o papel que vou recolhendo ponho na caixa.

Ao fim do dia vou eu próprio ao ecoponto despejar - assim tenho a certeza que aquele papel vai ter uma nova vida! 

A segunda foi influenciada após a leitura deste artigo no sapo.

Realmente rezar ou fazer correntes de mensagens pela Amazónia não é suficiente.

E como eu não posso pegar numa mangueira e ir ajudar a extinguir o fogo, a única forma que tenho é de mostrar que não apoio as políticas brasileiras de desresponsabilização ambiental, onde parece que é mais importante encontrar um culpado (que não o governo) em vez de solucionar e evitar novos problemas de dimensões catastróficas.

E esse não apoio passa por fazer um boicote a todos os produtos que venham do Brasil enquanto não souber que medidas concretas foram tomadas para salvaguardar a floresta Amazónica e os povos indígenas que lá vivem.

Se pode ser catastrófico este tipo de bloqueio para a economia brasileira? (partindo do princípio que era um bloqueio generalizado e não apenas feito pela minha pessoa obviamente...)

Sim, pode! Mas no fim do dia, nós não comemos dinheiro. O nosso intestino não está preparado para digerir a celulose...

 

E vocês, que mudanças já fizeram para ter uma pegada mais verde?

Passar a pensar Micro em vez de Macro

ou como tratar o vazio existencial!

20.08.19, Triptofano!

Há dias em que dou por mim a pensar qual é o verdadeiro significado da minha existência.

E é nesses momentos em que sinto aquele sentimento de que falta qualquer coisa a ficar mais forte, a crescer galopante dentro de mim sem que o consiga controlar.

Invariavelmente nesses dias ando mais triste, cabisbaixo, deprimido, porque não consigo deixar de pensar que não ando aqui a fazer coisa alguma, e por mais que tente colmatar o vazio parece que ele é um buraco sem fundo que quantidade alguma de programas de televisão ou barras de chocolate de leite consegue preencher.

Acredito que não seja o único a ser invadido por este sentimento, a experienciar este vazio existencial, a passar dias e dias com a sensação de que se desaparecesse como por artes mágicas ninguém iria realmente importar-se.

Na verdade, se analisarmos as coisas de um ponto de vista evolutivo, provavelmente cada um dos seres humanos que habita este planeta não veio ao mundo com nenhum objectivo em especial.

Quando nós vemos 200 pinguins a andar em filinha num terreno coberto de neve não pensamos que cada um daqueles pinguins tem um propósito existencial específico.

É apenas um pinguim a andar em filinha num terreno coberto de neve juntamente com os outros pinguins todos.

Também podemos pensar que a nossa existência serve unicamente para satisfazermos as nossas necessidades biológicas básicas - comer, dormir, beber, urinar e defecar - além de procriar o máximo possível para perpetuar a espécie.

Claro que estas visões da nossa realidade individual ainda são mais deprimentes e não há pacote XXXXL de batatas fritas que nos consiga deixar minimamente motivados em continuar a existir, por isso a solução é acreditarmos que cada um de nós veio a este mundo com uma razão.

Agora o problema, na minha opinião pessoal, é que a maior parte de nós vive com esta sensação de vazio, de falta, de não estar completo, porque pensa de forma Macro.

Estamos sempre a convencer-nos que temos de fazer algo gigantesco para a nossa existência fazer o mínimo sentido.

Temos que salvar milhares de pessoas. Criar empresas extremamente lucrativas. Sermos os melhores em qualquer coisa que nos possa conceder um prémio Nobel.

E se não fizermos nada disso parece que não servimos para coisa alguma, que estamos a consumir oxigénio apenas para não cairmos redondos no chão.

E é aí que surge a insatisfação, a falta de auto-estima, o sentimento de fracasso.

É a partir daí que começamos a ser mais duros connosco, que não nos sabemos perdoar, porque se outra pessoa conseguiu porque raio é que nós não conseguimos também?

A solução para mim é começar a pensar em Micro.

Em vez de querermos mudar o mundo e ter um impacto digno de aparecer num documentário do canal História, porque não compreendermos como é que a nossa pessoa pode influenciar positivamente outros num raio de 5 km?

Num raio de 5 km quem são as pessoas e as situações que nós podemos com as nossas capacidades melhorar?

Quais são as pontes que podemos solidificar, que barreiras é que podemos deitar abaixo, que vidas é que podemos transformar às vezes com uma palavra, um sorriso, um abraço?

E como estamos na era do virtual façam a transição desses 5 km para as redes sociais. 

Ok, podem ter 20000 seguidores no Instagram, mas quais são aqueles que estão dentro desses 5 km virtuais em que vocês podem causar um impacto positivo?

Vocês querem que o vosso blog seja conhecido até na Papua Nova-Guiné, mas quais são as pessoas que vos seguem, muitas vezes silenciosamente, que poderiam beneficiar de uma palavra de atenção genuína da vossa parte?

Sabem aquela história da borboleta que ao bater as asas cria um tufão na outra parte do mundo?

O pensamento Micro leva a consequências Macro.

Podemos não as ver logo, podemos não ter noção que elas ocorreram, podemos achar que o que fazemos não tem impacto algum, mas acreditem que individualmente somos todos rodas dentadas que em conjunto põem em funcionamento o relógio da mudança! 

 

Um Brunch Saudável por 10 Euros?

Basta visitar o Elti - Cozinha Consciente!

18.08.19, Triptofano!

Elti - Cozinha Consciente em 10 segundos: Descubram um espaço decidido a reduzir a sua pegada ecológica, pasmem-se com um brunch espectacular por apenas 10 euros, surpreendam-se com a bowl de creme de tapioca e encontrem fruta que sabe verdadeiramente a fruta!

Um Brunch Saudável por 10 Euros? - Basta visitar o Elti - Cozinha Consciente!

Quando ontem o Cara-Metade enviou-me fotos do seu almoço pecaminoso que estava a ter numa ilha espanhola, todo o meu corpo ansiou por quantidades astronómicas de pizza, sushi ou hambúrgueres a escorrer queijo derretido.

O problema é que já tinha combinado comigo mesmo que ia visitar o Elti, um restaurante no Cais do Sodré decidido a combater o desperdício alimentar ao mesmo tempo que oferece opções alimentares saudáveis e nutricionalmente ricas.

Se fui com um sorriso no rosto e aos saltinhos de felicidade? Não, não fui, porque quando uma pessoa sente a necessidade de entupir todos os poros com gordura obviamente que a ideia de enfiar para o bandulho papas de aveia ou algo similar é simplesmente desconsoladora, é como ir ter sexo e saber de antemão que nem vai sentir cócegas lá em baixo!

Se valeu a pena ter ido? Muito, mas muito a pena!

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O Elti fica na mesma rua de O Botanista, e quando se entra é impossível não deixar de comparar os dois espaços, porque os alicerces de decoração são muito semelhantes (na realidade se reparem a maior parte dos espaços saudáveis da moda são visualmente muito parecidos uns com os outros), sendo que aqui o que atrai o olhar e é causador de admiração e curiosidade é a parede da reciclagem, onde vários materiais pintados de branco ganharam uma nova vida como obra de arte.

Um Brunch Saudável por 10 Euros? - Basta visitar o Elti - Cozinha Consciente!

Um Brunch Saudável por 10 Euros? - Basta visitar o Elti - Cozinha Consciente!

Se é verdade que existem outros pequenos detalhes deliciosos (a máquina de escrever e o lavatório foram sem dúvida dos meus favoritos) para a alma, eu tinha ido ao Elti com uma missão: enfardar o brunch e tentar-me esquecer do quanto me apetecia comer uma pizza de tamanho familiar.

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Como tinha ido sozinho, optei pelo brunch heróico, que pela singela quantia de 10 euros oferece duas espetadas de fruta e uma bruschetta, uma bowl (que pode ser creme de tapioca ou de fruta) e uma bebida (quente ou fria).

Confesso que pelo preço achei que ia passar fome e que me iam dar quantidades miniatura de comida, mas longe disso minha gente!!

Veio comida com fartura e no fim da refeição saí ligeiramente a rebolar, extremamente satisfeito com tudo o que tinha enfiado para o bandulho.

Um Brunch Saudável por 10 Euros? - Basta visitar o Elti - Cozinha Consciente!

Primeiro ataquei a bruschetta, que é o melhor exemplo de como algo simples pode ser delicioso se for bem feito e com ingredientes de grande qualidade.

Com um pão torrado de centeio de fazer chorar por mais, a combinação nada extravagante de abacate, tomate e pepino polvilhada com paprika e pimenta-preta foi uma explosão de frescura e sabor na minha boca.

Se devorei esta bruschetta até ao último bocadinho? Podem ter a certeza que sim!

Se pudesse fazer alguma alteração simplesmente adicionava um bocadinho mais de sementes (girassol ou abóbora só para criar ainda mais uma camada de textura) e tinha um bocadinho mais de calma com a pimenta, porque havia uma parte ou outra que algumas pessoas poderiam achar ligeiramente a pender para o puxadote.

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Depois lancei-me a algo que foi uma verdadeira novidade para mim: uma bowl de creme de tapioca com fruta.

O Cara-Metade já tinha-me contado que a avó fazia uma espécie de arroz doce com tapioca, por isso quando vi esta bowl na ementa sabia que tinha de a provar.

Fica o aviso: para mim ou se gosta ou se odeia tapioca.

É um sabor diferente e que não é de todo consensual, mas aconselho-vos que arrisquem, porque a bowl de tapioca do Elti é qualquer coisa de bom.

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A cremosidade da tapioca em conjunto com os pedaços texturizados de avelã e coco aliada à doçura da manga e da banana e à acidez do kiwi resulta em algo em que dá vontade de enfiar a cara e lamber descontroladamente até não restar nem mais um pedaço.

O curioso foi que pediram-me desculpa pela bowl, porque costumam usar outra marca de tapioca superior e normalmente ela vem servida mais fria (tinham acabado de fazer aquela há poucas horas) o que me levou a pensar que se daquela forma já tinha soltado uma pinguinha de xixi de contentamento, se experimentasse a "versão premium" ficaria certamente incontinente com o entusiasmo...

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Por fim vieram as espetadas de fruta, com manga, papaia, kiwi, abacaxi e abacate, que vieram confirmar duas coisas que eu fortemente já suspeitava.

A primeira foi que existe muito amor na cozinha do Elti. A fruta vir cortada na forma de coração é simplesmente adorável e mostra uma atenção ao detalhe fantástica.

A segunda é que ingredientes de qualidade fazem verdadeiramente a diferença.

Não vale a pena ter pratos super mega hiper complexos se os ingredientes forem maus. Estas espetadas podem ser a coisa mais simples do mundo de se fazer mas eram deliciosas porque a fruta sabia verdadeiramente a fruta e não a algo sensorialmente amorfo como servem em muitos locais.

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As espetadas vieram acompanhadas por uma metade de maracujá, que estava deliciosa, e por três toppings (chamemos-lhe assim): um doce de alperce com hortelã, um de morango com manjericão e uma porção de manteiga de amendoim.

Eu eliminaria os toppings por completo e substituiria por um elemento mais inovador, como por exemplo um hibisco cristalizado que é algo que raramente se vê, já que a fruta é tão boa que não precisa de nada adicionado que camufle o seu sabor, e os toppings muito honestamente precisavam de alguns acertos na receita.

O de alperce sabia a gaveta fechada há demasiado tempo, o de morango estava muito descompensado em termos de acidez, e a manteiga de amendoim apesar de estar boa não tem uma relação amigável comigo, porque cola-se-me toda à boca, algo que seria ainda pior se usasse placa, porque não iria haver Corega de fixação extra forte que me valesse.

Para acompanhar toda esta comida pedi um latte de curcuma, que além de visualmente deslumbrante (parecia uma sobremesa) estava divinal ao paladar.

Fica uma dica minha, apesar do latte vir já com uma pitada de pimenta, se gostarem do sabor peçam para acrescentar mais um bocadinho, porque é a pimenta que vai permitir que o vosso organismo absorva mais eficazmente a curcuma!

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Fora brunch, provei uma das bolinhas energéticas do Elti, com cacau, tâmaras, coco e castanha do maranhão.

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Estava sem dúvida muito boa, mas confesso que não foi a melhor que comi até hoje, sendo que esse título ainda está nas mãos da Energy Ball do Bowl.

Não podia terminar este post sem fazer duas rápidas menções que deixaram-me tremendamente satisfeito com o Elti.

O atendimento é muito mas muito simpático. Há uma verdadeira atenção para com o cliente, sendo que coisas simples como perguntar se havia alguma fruta que eu não gostava deixaram-me muito bem impressionado.

Existe verdadeiramente um esforço para diminuir a pegada ecológica. As partes dos alimentos que não são possíveis de aproveitar são usadas para compostagem e há a fantástica possibilidade de reabastecerem a vossa garrafa de água por um preço muito acessível, diminuindo a quantidade de plástico em circulação e poupando a vossa carteira!

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Se quiserem experimentar um brunch saudável por 10 euros, com alimentos carregados de sabor e repletos de amor, visitem o Elti. Podem ter a certeza absoluta que não vão arrepender-se!

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ELTI - Cozinha Consciente Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

The Poussey Washington Fund

Ou como a série Orange is the New Black arranjou forma de se imortalizar.

16.08.19, Triptofano!

Atenção: Este post contém Spoilers

The Poussey Washington Fund

Se é verdade que o objectivo principal de uma série de entretenimento é entreter, não é menos verdade que actualmente cada vez mais séries tem mensagens fortes que obrigam o público alvo a sentir-se desconfortável, a reflectir, a encarar realidades que muitas vezes são convenientemente varridas para debaixo do tapete.

E Orange is the New Black entreteve durante sete temporadas, ao mesmo tempo que trouxe para a ribalta a cruel realidade da vida diária numa prisão feminina, um local que muitos consideram em vez de um purgatório um verdadeiro inferno.

Pessoalmente acho que OITNB acabou no momento certo.

Na sexta temporada a série já transpirava sinais de desgaste e a história começava a estar mais mastigada do que uma torrada regurgitada por um pardal.

Mas a sétima temporada fecha com chave de ouro, encerrando a história de certas personagens enquanto mantêm a de outras em aberto, ao mesmo tempo que aborda temáticas como a imigração ilegal, a violação, a mutilação genital feminina, o assédio sexual, as quotas étnicas, a demência, entre outras.

E o brilhante do fim de OITNB é que nem tudo acaba bem.

Por mais que uma pessoa esteja a torcer pelas suas personagens favoritas, se tudo acabasse maravilhosamente perfeito com unicórnios aos saltos e flores psicadélicas seria conspuscar uma série que nunca teve pudor em mostrar o lado sujo e decadente da realidade.

Maritza é deportada para a Colômbia. Doggett morre de overdose. Red e Lorna entram num limbo de demência. Tasha não consegue provar a sua inocência. Cindy vive como sem-abrigo.

Agora o que enerva na série é Piper.

Se nas primeiras três seasons a minha vontade era entrar pelo televisor dentro e dar-lhe dois bacalhaus naquela fuça de parvinha, com o passar do tempo até comecei a suportá-la melhor.

E nesta última temporada, por mais que me custe admitir, estava a gostar dela, especialmente devido a todas as dificuldades que estava a ter depois de sair da prisão.

Mas obviamente que a menina-rica-com-ar-de-quem-nunca-deu-um-peido tinha de estragar tudo e em vez de agarrar um novo amor teve de voltar aos saltinhos para a tipa que lhe estragou a vida inúmeras vezes e fazer-me ficar com azia durante dois seguidos....arre que há gente estúpida neste mundo.

Só que o importante em Orange is the New Black não é o facto de me conseguir fazer ficar mal disposto com relacionamentos ficcionais, é ter conseguido de forma genial imortalizar-se.

Na série, Tasha "Taystee" Jefferson decide que quer criar um fundo para ajudar monetariamente reclusas que tenham acabado de ser libertas, de forma a que a pressão económica não as faça voltar a cometer ilegalidades e regressar ao encarceramento.

Esse fundo, o The Poussey Washington Fund, assim chamado em honra de uma personagem que morreu na série vítima de brutalidade policial, passou da ficção para a realidade e vai ajudar pessoas e organizações que sofrem com o encarceramento em massa e são afectadas pelo sistema de justiça criminal.

E assim, com uma ideia tão simples mas tão necessária, Orange is the New Black imortalizou-se, relembrando-nos que por mais que precisemos de por vezes fugir do mundo real, há pessoas que precisam da nossa ajuda para conseguir aguentar viver nele!

Cuba: As Primeiras Impressões

14.08.19, Triptofano!

Voltei este Domingo de duas fantásticas semanas de férias em Cuba, mas o meu corpo ao que parece não estava preparado para o regresso à realidade laboral lisboeta.

Além de padecer de uma leve depressão pós-férias (eu quando era novo achava que era algo inventado para ocupar espaço nas revistas mas depois dos 30 percebi que é bem real) o meu corpo decidiu ir todo abaixo.

Dói-me tudo o que é centímetro quadrado de músculo, tenho quase a certeza que padeço de uma otite (sou campeão em termos de auto-diagnóstico caso não saibam) e os meu trânsito gastrointestinal anda tão desregulado que nem 5 iogurtes daqueles dos anúncios por dia resolvem a situação.

Mas vocês querem saber acerca de Cuba, e podem ter a certeza que muito post irá sair sobre este país, mas para já ficam as minhas primeiras impressões.

Cuba: As Primeiras Impressões

Não querendo ferir susceptibilidades, mas quem vai a Varadero e diz que visitou Cuba está completamente enganado.

Ficar no resort a beber Cuba Libre e fazer uma expedição a uma qualquer ilhota não é nem por sombras visitar Cuba.

Ir a Havana, passar dois ou três dias lá, ficar-se fascinado com a cidade que mistura o encanto das fachadas antigas dos prédios com a sua degradação, as cores com a podridão do cheiro do esgoto, o som da música vindo de cada canto constantemente abafado pelo motor dos carros clássicos, já é visitar um bocadinho mais Cuba, mas não é o suficiente.

Visitar Cuba é mais do que fazer um circuito turístico por várias cidades, beber todos os cocktails, tirar fotos a cada rua e igreja.

Visitar Cuba é falar com as pessoas, conhecer as pessoas, perceber a vida das pessoas.

Compreender nos silêncios e nas palavras sem grande verdade a realidade dum povo que faz filas intermináveis à porta de embaixadas para tentar fugir de salários miseráveis e duma realidade de alimentos racionados.

É entender que há professores sem acesso a canetas, médicos que não tem seringas, pessoas que trocam um cacho de bananas por três comprimidos de Brufen.

É perceber que a revolução é apregoada em todos os lados, que a pátria é transformada em entidade divina e os que a comandam em verdadeiros santos, mas que a maioria da população é ateia condenada a professar uma religião obsoleta.

Visitar Cuba é surpreendermos-nos que mesmo com tantas adversidades as pessoas continuam com alegria, com um sorriso, com música no sangue e a dança no pé, e que enquanto houver rum no copo e um charuto no canto da boca há esperança que haja novamente uma revolução.

Uma revolução para todos e em prol de todos, e não apenas para os privilegiados do costume!

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