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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Quem quer casar com o meu filho?

11.03.19, Triptofano!

O Dia Internacional da Mulher acabou de ser celebrado, com pedidos para não se darem flores mas sim segurança, justiça e igualdade de oportunidades, e eis que surge um programa que mostra que muitas vezes são as mulheres as suas piores inimigas.

 

Quem quer casar com o meu filho? aproveita a onda de desespero colectivo que metade da população parece estar a viver.

 

Toda a gente quer encontrar a sua cara-metade o mais depressa possível, já que é impensável aos 20 anos uma pessoa ainda estar solteira por isso a melhor solução é inscrever-se num programa de televisão.

 

Podia falar sobre como é que este tipo de exposição pode ser nefasta para a auto-confiança dos concorrentes, ou da ironia que é toda a gente querer uma pessoa sincera, respeitosa, aventureira e dedicada mas num corpo de Top Model e com um rosto esculpido pelos deuses.

 

Mas o que me choca é a forma como é que há mulheres que conseguem rebaixar outras mulheres a níveis negativos.

 

Para quem não viu o programa, basicamente consiste numa mãe que quer encontrar a melhor pretendente para o seu filho, então os dois estão numa sala toda muito chique e vão recebendo candidatas que por alguma razão desconhecida vem vestidas como se fossem para os Globos de Ouro.

 

A certa altura questionei-me a mim próprio se as candidatas estavam à procura do amor ou se teriam-se inscrito para uma entrevista de emprego para serem empregadas domésticas.

 

Quando a mãezinha fica desapontada porque a futura-pseudo nora não sabe cozinhar e o seu filhinho é de muito alimento e alguém vai ter de cozinhar para ele sabemos que se calhar precisamos de um Dia Internacional da Mulher por semana.

 

Eu compreendo que muitas mulheres mais velhas foram educadas na cultura machista de que o homem fica sentado a ver a bola e a coçar os tomates e elas tem que ser as escravas do lar sempre com um sorriso no rosto, mas isso não significa que tenham de passar esses valores deturpados para os filhos.

 

Se o filhinho do coração é de muito alimento ele que aprenda a cozinhar ou se não tiver jeito para a coisa que vá ao supermercado comprar comida já feita.

 

Agora não fiquem com um ar de enjoadas quando outra representante do sexo feminino afirma que nunca lhe deu para passar horas encafuadas numa cozinha.

 

Uma mulher não é menos mulher por não ter pachorra para andar a limpar a casa de alto a baixo, tal como um homem não é menos homem por arregaçar as mangas e limpar os azulejos da casa-de-banho.

 

O que também me deixou assim meio aparvalhado foi quando uma das concorrentes disse que o seu sonho era o que devia ser o sonho de qualquer mulher: constituir família.

 

Se alguém sonha em casar e ter filhos tudo bem, respeito e dou a maior das forças.

 

Agora não venham é dizer que esse devia ser o propósito de todas as mulheres.

 

Pode ser um atentado aos bons costumes da nossa sociedade, mas ouso dizer que uma mulher só por ter ovários e um útero não significa que tenha de obrigatoriamente ser mãe.

 

Uma mulher pode não querer ter filhos.

 

Pode não querer casar.

 

Pode querer viver sozinha de forma independente e não dar justificações a ninguém da sua vida.

 

Uma mulher pode ser o que ela bem quiser e lhe entender sem que a tenham de olhar de lado como se fosse um animal raro com uma doença contagiosa.

 

Mulheres deste país, ouçam-me bem.

 

Deixem essas ideias de merda que a sociedade vos colocou na cabeça na sanita, e compreendam que não existem papéis estipulados nem para homens nem para mulheres.

 

E se mesmo assim quiserem acreditar com todo o vosso ser que a mulher nasceu para servir o homem tudo bem, cada um é livre de ver a vida da forma como achar mais correcta, agora não tentem impor as vossas crenças e rebaixar aquelas que não se conformam em ser as perfeitas fadas do lar.