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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Boteco Dona Beija

18.02.19, Triptofano!

Boteco Dona Beija em 10 segundos: Aposte nos sumos naturais, tenha sorte com a caipirinha, delicie-se com os dadinhos de tapioca ou a coxinha, mas não espere encontrar aquela energia singular brasileira.

 

Boteco Dona Beija

 

Quando visitei o Rio de Janeiro há uns anos atrás fui com medo.

 

Medo porque mal anunciei a minha viagem, tive mil e uma vozes a dizer que eu era maluco, que ia ser assaltado, estuprado, assassinado, vandalizado e mais alguns actos nada positivos para a minha pessoa.

 

Mas a realidade foi outra completamente diferente.

 

É verdade que há zonas perigosas, tal como existem em Lisboa.

 

É verdade que há carteiristas, tal como existem em Lisboa.

 

E, obviamente que tem de se ter cuidado, talvez um pouco mais do que aquele que se tem que ter em Lisboa, mas nada que torne impraticável visitar com relativa descontracção a cidade maravilhosa.

 

E existe uma coisa fantástica no Brasil que nos faz esquecer por completo o medo, que é a energia das pessoas.

 

A energia é tão radiante, tão envolvente, que faz com que todas as células do nosso corpo vibrem de alegria.

 

Quando visitei o Boteco Dona Beija, em pleno coração do Marquês de Pombal, estava à procura dessa vibração tão singular, dessa sonoridade visual simplesmente deslumbrante.

 

Eu queria encontrar um cruzamento entre Carmen Miranda e Ney Matogrosso, mas dei por mim preso no videoclip da Melancholic Ballad dos Fingertips.

 

Para ser um boteco brasileiro não basta ter comida brasileira, passar futebol brasileiro e ter empregados a falar português do Brasil.

 

É preciso identidade, e o Dona Beija carece de uma falta gritante da mesma.

 

Quando entrei e vi as mesas com cadeiras baloiço fiquei deslumbrado pela sensação de leveza, apesar de não me atrever a lá sentar não fosse arrastar metade do tecto comigo, mas foi somente e apenas isso.

 

Boteco Dona Beija

 

Tanto podia ser um espaço brasileiro como de outro país qualquer, já que o estilo industrial urbano era rei e senhor, sendo que os únicos apontamentos com cor eram um salpico de quadros que quase pediam licença para estarem expostos.

 

Boteco Dona Beija

 

No Boteco Dona Beija o atendimento cumpre com o necessário, mas não é especialmente simpático nem direccionado para a satisfação do cliente.

 

Mas falemos sobre as opções do menu que eu tive a possibilidade de provar!

 

Os sumos naturais, tanto o de manga como o de morango, eram absolutamente fantásticos.

 

Boteco Dona Beija - Sumo Natural de Morango

 

No que toca às Caipirinhas, parece-me que é uma autêntica questão de sorte. 

 

A de morango e coco, com batida de coco, cachaça e morango, estava muito bem equilibrada sendo uma delícia de beber.

 

Boteco Dona Beija - Caipirinha de Morango e Coco

Boteco Dona Beija - Caipirinha de Morango e Coco e Sumo Natural de Manga

 

A de laranja e framboesa é realmente uma combinação improvável, mas ao contrário do que o menu afirma não é simplesmente viciante, a não ser que tenham uma predilecção gustativa por coisas amargas.

 

Uma bebida que se esperava doce e agradável de beber revelou-se difícil de terminar, tal era a dominância do amargo da laranja.

 

Boteco Dona Beija - Dadinhos de Tapioca e Caipirinha de Laranja e Framboesa

 

No departamento de comida os dadinhos de tapioca não desiludiram.

 

Feitos com massa de tapioca e um recheio de queijo coalho quanto mais houvessem mais eu teria comido.

 

Não percebi foi o empratamento com aquele chip de mandioca perdido, que parece que caiu no prato por engano, mas o pior é afirmarem que o molho sweet chilli que vem com os dadinhos é geleia de pimenta quando não tem nada a ver! (deixo-vos fotos da suposta geleia de pimenta servida e uma outra de um restaurante próximo para verem a grande diferença que existe!)

 

Boteco Dona Beija - Dadinhos de Tapioca com a Pseudo Geleia de Pimenta

Geleia de Pimenta de outro restaurante

 

Também viciante estava a coxinha de galinha, sem dúvida o salgado mais famoso do Brasil. Com um recheio simpático e uma crosta de massa grossa bem típica da coxinha, este salgadinho foi devorado até à última migalha.

 

Mas mais uma vez o problema encontrou-se nos detalhes.

 

A coxinha é servida numa cama de catupiry caseiro, só que o sabor deste requeijão cremoso é tão marcante que na nossa boca infelizmente só fica o sabor do lacticínio.

 

Boteco Dona Beija - Coxinha de Galinha em cama de Catupiry caseiro

 

O Boteco Dona Beija promete o peito cheio de um Brasil colorido, um sonho vibrante, um imaginário distante, mas aquilo que entrega acaba por nos deixar desapontados.

 

É como irmos de propósito visitar o Sambódromo e ele estar fechado para reparações!

 

Boteco Dona Beija

 

Boteco Dona Beija Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Festival do Bocejo 2019

17.02.19, Triptofano!

Não há dúvida alguma que Portugal tem uma mão cheia de intérpretes que realmente sabem cantar, mas infelizmente parece que apenas conseguem ter destaque quando pegam nas canções tornadas famosas por outras pessoas.

 

A primeira semi-final do Festival da Canção 2019 foi maioritariamente uma orgia de bocejos, que se fosse enfiada numa cápsula acabaria com as insónias de muita boa gente diminuindo o consumo tresloucado de benzodiazepinas.

 

Algo que os compositores convidados pelo Festival da Canção ainda não conseguiram compreender é que estão a criar para a Eurovisão, não para passar na rádio quando estamos presos no trânsito ou como música de fundo do bar onde decidimos ir dar a facada final ao nosso fígado.

 

Na Eurovisão nem sempre ganha a melhor voz, mas normalmente ganha a interpretação que conseguiu chegar ao imaginário de mais pessoas.

 

Salvador Sobral ganhou porque alcançou o coração de todos. Jamala por razões maioritariamente políticas. Conchita pela mobilização LGBT. A música de Loreen ainda hoje faz vibrar quem a ouve. Lordi pelos monstros. Ruslana pelas danças selvagens. Secret Garden pela ausência de letra. Os Abba porque bem, são os Abba e jogam noutra divisão.

 

Mas o importante é perceber que a Eurovisão é mais do que música, é sentimento, é burburinho, é entusiasmo, interesse, novidade, impacto e alguma loucura.

 

As músicas podem ser muito bonitas, estar cheias de palavras e frases com significados merecedores de figurarem num livro de filosofia, mas se não conseguirem transmitir a mensagem de pouco valem.

 

Até podem ser mais animadas, mas se forem exactamente iguais a milhentas outras que andam por aí não vão conseguir ter destaque algum, acabando por ficar esquecidas algures no canal auditivo dos ouvintes.

 

E peço desculpa, mas mesmo escolhendo um intérprete com uma voz extremamente poderosa, uma canção da Disney a não ser que seja a sucessora da Frozen possivelmente terá sucesso no Canal Panda, mas não na Eurovisão.

 

Dito isto, nesta primeira semi-final só vi uma canção com potencial para nos representar internacionalmente, e foi a do Conan Osíris.

 

Eu estava com medo não de partir o meu telemóvel mas sim o televisor quando a actuação começou, mas algo neste ser intergaláctico do espaço que capturou metade da alma do António Variações e a fundiu com a sonoridade cigana fez-me ficar rendido.

 

Se é diferente de tudo o que estamos habituados a ver? Sim.

 

Se está ali na fronteira entre o genial e o surto psicótico? Completamente!

 

Se deixou alguém indiferente após a actuação? Nem pensar.

 

Agora o que eu gostava mesmo que fosse revelado é como é que o júri vota para chegar aos pontos que dá a cada artista.

 

Algo me diz que se viesse a público alguns jurados iriam ter os seus telemóveis partidos.

 

 

Quando a Igualdade se sobrepõe ao Talento

17.02.19, Triptofano!

Atenção

Este post possui Spoilers sobre o vencedor do RuPaul's Drag Race All Stars Season 4

 

Se há série de televisão que eu adoro é o RuPaul's Drag Race, um programa onde se procura a próxima Drag Queen da América.

 

Gosto tanto do programa que fiquei em êxtase quando descobri que o Netflix estava a transmitir em sintonia com os Estados Unidos da América os episódios da quarta temporada das All Stars, onde se procura a Queen mais merecedora de figurar no Hall of Fame.

 

Por isso todos os sábados lá estava eu diante do televisor, a torcer pelas minhas favoritas, a ficar com o coração quebrado quando uma era expulsa, mas nunca esquecendo-me que tudo aquilo era um programa de televisão e não devia levar as coisas demasiado a peito.

 

Só que a final de ontem tirou-me do sério.

 

Ao que parece nos Estados Unidos (e não só obviamente) o racismo é uma nuvem que está constantemente a pairar sobre tudo. 

 

Facilmente numa conversa uma pessoa joga a carta raça, sendo que se alguém não acha certa Queen (falando agora sobre o show em si) talentosa e ela calhar ser negra é porque é racista, se alguém torce para uma Queen ganhar e ela calha a ser branca é porque é racista, basicamente qualquer coisa que uma pessoa diga pode levar a que seja catalogada como racista.

 

E tendo em conta a história dos Estados Unidos eu posso compreender que ainda haja muita revolta dentro das pessoas mas isso não significa que tenha de existir uma constante tentativa de vitimização, ainda por cima quando estamos a falar dum programa de entretenimento.

 

Qual foi o verdadeiro problema desta final do RuPaul All Stars?

 

Nas últimas três seasons as Queens que ganharam o título calharam a ser brancas e louras.

 

Nesta final havia 3 Queens negras e uma branca (e a maior parte das vezes loura) que por acaso se revelou ser a mais talentosa do grupo.

 

Obviamente que as redes sociais encheram-se de comentários complemente ridículos sobre como o Hall of Fame era ariano, ou que as Queens negras eram sempre postas de lado e que o show era extremamente racista. (apesar da apresentadora ser negra...)

 

Qual foi a solução encontrada pelo programa?

 

Através de uma edição horrível obviamente feita às três pancadas, pela primeira vez houve um empate, sendo duas das concorrentes coroadas como vencedoras, uma delas branca, outra delas negra, tudo em nome da diversidade e de uma pseudo-igualdade de oportunidades.

 

E eu questiono-me, será esta a forma correcta de proceder?

 

Será que devemos premiar alguém devido à sua raça, idade, género, religião, estrutura fisionómica, etc, em detrimento do talento?

 

Uma vitória que nos tenha sido concedida, um trabalho que nos tenha sido oferecido, uma bolsa com que tenhamos sido premiados não por causa das nossas capacidades mas sim para igualar números não vai ser mais uma acha para a fogueira em vez do extintor para a apagar?

 

Para mim uma pessoa é uma pessoa, independentemente de como ela se veste ou da aparência que tenha, e uma pessoa deve ser avaliada e premiada tendo as suas acções e capacidades.

 

Mas neste mundo já percebi que há uma predisposição para se acentuarem as diferenças em vez dos pontos de união, e apesar de certamente ainda haver muita descriminação que não deveria ocorrer há muitos indivíduos que pegam nas suas características individuais e as utilizam como armas de arremesso, criando fossos em vez de pontes!

 

RuPaul's All Stars Hall of Fame

 

Isto sim é Amor!

15.02.19, Triptofano!

O amor é multi-dimensional.

 

Por mais que a sociedade em que vivemos nos queira convencer que o amor é exclusivo daqueles que possuem um certo tipo de corpo, uma determinada idade e uma consensual orientação sexual, a verdade é que o amor não é uma palavra com limites, fronteiras ou respeitadora de estereótipos.

 

Mas apesar do vídeo promocional da Zomato mostrar que todos, independentemente das suas características intrínsecas e extrínsecas, tem o direito, e mesmo o dever, de amar e ser amados, a mensagem mais importante que ele encerra é outra.

 

Este fantasticamente singelo vídeo recorda-nos que nós humanos temos mais coisas a aproximar-nos do que aquelas que insistem em fazer-nos acreditar que nos separam.

 

A comida, e mais especificamente o amor pela comida, é algo que nos conecta.

 

A memória das refeições que partilhávamos com a nossa família, a alegria que nos invade o rosto quando pensamos na nossa sobremesa favorita, o ataque de riso incontrolável quando nos lembramos daquele prato que tentámos cozinhar e no fim quase que destruímos a cozinha.

 

Os ingredientes, os condimentos, as texturas e técnicas culinárias podem ser diferentes, mas o amor pela comida é exactamente igual, qualquer que seja a língua, a religião, a posição política.

 

Da próxima vez que estiverem com alguém com quem se sintam pouco à vontade perguntem-lhe qual foi a melhor refeição que comeu no último mês.

 

Vão ficar impressionados em saber que é bem mais fácil criar barreiras, mas é muito mais gratificantes construir pontes! 

 

 

 

Follow Friday de Fevereiro

15.02.19, Triptofano!

Há uma casa.

 

E há uma gata.

 

Não sei qual o verdadeiro tamanho da habitação desta blogger, só sei que tem uma garagem sempre com problemas, uma vizinha com batom vermelho que não irá ganhar o título de Miss Simpatia, e muitos cantos e recantos.

 

Às vezes são textos longos, outras vezes pequenos apontamentos, desabafos, trivialidades, fotos, pedidos a mulheres desenfreadas...

 

Esta casa já tem mais de 10 anos, mas parece sempre fresca, como se tivesse sido acabada de pintar!

 

Nunca sei o que vou encontrar quando passo a porta, mas de uma coisa tenho a certeza, há uma alma presente em cada palavra, há uma pessoa sem máscaras, sem espelhos, sem artificialidades criadas apenas para corresponder a uma moda.

 

Uma pessoa que escreve quando quer, o que quer e como quer.

 

É uma casa onde é impossível não nos sentirmos bem, e a sua dona é uma visita assídua em muitos outros apartamentos aqui da comunidade.

 

E vocês, já visitaram a casa da Maria Araújo?

 

Olhem que não fica nada atrás da casa da Cristina Ferreira! 

 

Conservação do Leite Materno

14.02.19, Triptofano!

Se há tema que eu ainda não domino na perfeição enquanto farmacêutico é o dos cuidados do bebé e da mamã.

 

Primeiro porque sou homem, e normalmente os homens ficam sempre mais atrapalhados quando é para falar de fraldas e bombas tira-leite e cintas de gravidez e coisas que tais.

 

Segundo por ainda não ser pai.

 

É verdade que sou um pai para as minhas porcas-da-índia e para o Macaco José, mas pronto, digamos que não é exactamente a mesma coisa.

 

Por isso é que quando na farmácia recebi um guia prático de intervenção farmacêutica sobre cuidados bebé e mamã enviado pela ANF (Associação Nacional de Farmácias) tendo a coordenação e conteúdos técnico-científicos ficado a cargo do CEDIME (Centro de Documentação e Informação de Medicamentos) e do DSF (Departamento de Serviços Farmacêuticos) todo eu rejubilei de alegria.

 

Finalmente tinha uma fonte credível de informação que poderia usar para aconselhar melhor os meus utentes.

 

E a primeira coisa que eu fui estudar foi as formas de conservar o leite materno, porque incrivelmente há muitas mães que por problemas de saúde (a toma de uma antibiótico, de uma pílula do dia seguinte, etc...) tem de suspender o aleitamento, e quando fazem a transição para o leite de fórmula torna-se mais complicado o bebé voltar a pegar na mama.

 

Por isso é que eu aconselho sempre às mães a ter algum stock de leite materno conservado para uma emergência, só que já reparei também que existe um desconhecimento enorme sobre as formas seguras de conservação.

 

Por isso vou pegar na informação sobre a ANF e disponibilizá-la aqui, e ao longo deste mês irei partilhar convosco mais alguns tópicos que ache que sejam relevantes!

Tudo em nome de uma boa educação para a saúde! 

 

Conservação segura do leite materno em casa

 

Conservação segura do leite materno em casa

 

A conservação do leite materno no frigorífico ou no congelador deve ser sempre feito em recipientes próprios.

 

Os sacos de conservação, onde deve-se apontar a data e a hora da extracção do leite, podem ser usados para curtos períodos de tempo (até 72 horas no frigorífico).

 

Para períodos de tempo mais alargados devem-se utilizar recipientes de plástico rígido ou vidro que contenham tampa.

 

No caso de haver necessidade de transportar o leite deve ser utilizado um seco térmico e o gelo deve ser renovado a cada 24 horas, protegendo-se sempre o leite do contacto directo com o gelo.

 

O Leite Recém-Extraído (Fresco) aguenta à temperatura ambiente ( se inferior a 25º C) um tempo máximo de entre 6 a 8 horas.

 

O Leite Refrigerado aguenta no máximo 8 dias se colocado no fundo da última prateleira, junto à gaveta dos legumes do frigorífico, onde a temperatura está entre os 0 e os 4ºC.

 

Se for colocado no fundo da primeira prateleira do frigorífico, onde a temperatura está entre os 4 e os 10ºC, o leite aguenta entre 3 a 5 dias, sendo que se a temperatura for superior a 5ºC após o terceiro dia o leite deve ser consumido nas 6 horas seguintes.

 

O tempo máximo de conservação do Leite Congelado varia consoante o congelador.

 

Se for um congelador que estiver dentro do frigorífico o tempo máximo são duas semanas.

 

Se tiverem um frigorífico combinado, independentemente das características do mesmo, no congelador o leite vai aguentar entre 3 a 6 meses.

 

Se optarem por colocar numa arca congeladora, onde a temperatura encontra-se  a -19ºC ou ainda mais baixa, o leite aguente mais de 6 meses, não havendo um limite de validade estipulado para o seu consumo seguro. (mas também não convém ficar lá a ocupar espaço durante 5 anos...)

 

No que toca à Descongelação do Leite, se for feita fora do frigorífico o leite deve ser consumido de imediato, se for dentro a conservação do mesmo é garantida num intervalo entre 12 a 24 horas.

 

A Casa dos Ossos

13.02.19, Triptofano!

Casa dos Ossos em 10 segundos: Descubram os Ossos Carregados, atrevam-se com a língua de porco fumada, pasmem-se com a velocidade do serviço que inexplicavelmente só demora eternidades quando é para trazer a conta!

 

Casa dos Ossos

 

Quando o Cara-Metade disse que queria ir à Margem Sul comer uma delicacy (adoro quando ele usa estes termos todos finos) fiquei logo com a pulga atrás da orelha.

 

Quando ele me contou que teríamos de ir a Sarilhos Grandes achei que ele só podia estar a brincar, porque energeticamente a probabilidade de tudo correr mal num sítio com um nome assim era mais que muita.

 

No momento em que ele revela que o restaurante se chama Casa dos Ossos senti um arrepio percorrer-me a espinha, porque não consegui evitar lembrar-me das milhentas ossadas da Capela dos Ossos em Évora.

 

Mas quando descobri que a Casa dos Ossos vendia língua de porco caguei (posso escrever o verbo cagar aqui no blog sem ser censurado?) para as energias e coloquei os pés ao caminho.

 

A Casa dos Ossos é um restaurante daqueles de antigamente, com um aspecto mais pesado e sem nenhuma decoração de fazer uma pessoa ficar deslumbrada, mas não é isso que o impede de estar sempre cheio, completamente a abarrotar, por isso se quiserem fazer uma visita recomendo que reservem com alguma antecedência.

 

Casa dos Ossos

Casa dos Ossos

 

E percebe-se tamanha afluência de pessoas quando a comida chega à mesa, porque é simplesmente divinal.

 

Comecemos pelo mais simples.

 

Para a mesa veio um costeletão de novilho, muito bem servido, tenro e cheio de sabor que fez as maravilhas do senhor meu irmão.

 

Casa dos Ossos - Costeletão de Novilho

 

Depois, aquilo que me convenceu a visitar o espaço, uma língua fumada ao alhinho, com pickles e um molho de fazer qualquer pessoa ter um mini-orgasmo.

 

Se já estão a ter refluxo por lerem a palavra língua não é caso para tal.

 

Depois de fumada e cortada em rodelas finas a língua de porco é como se fosse outro enchido qualquer, carregadinho de sabor e impossível deixar de comer.

 

Então acompanhada por umas batatinhas fritas para molhar na molhenga é mesma uma coisa do outro mundo.

 

Casa dos Ossos - Língua de Porco Fumada

 

Mas se pensavam que a delicacy que o Cara-Metade falava era a língua de porco desenganem-se.

 

A especialidade da Casa dos Ossos, o prato que voa para a vossa mesa um minuto depois de o pedirem tal é a rotação do mesmo são os Ossos Carregados.

 

Os Ossos Carregados são uma parte das vértebras do porco que vêm cheios de carne suculenta que se desagarra facilmente, proporcionando-nos uma sensação de plena satisfação.

 

Este prato é uma espécie de Cozido à Portuguesa Pobre, porque é servido com couves e enchidos, mas sem batata ou nabo ou feijão, sendo possível pedirem um pouco de arroz à parte se forem do tipo de pessoa que não vive sem hidratos de carbono.

 

Casa dos Ossos - Ossos Carregados

 

Casa dos Ossos - Ossos Carregados

 

Na Casa dos Ossos nada desapontou.

 

Nem a simpatia, nem a rapidez do serviço, nem a qualidade do vinho branco da casa (ligeiramente frutado e que deslizou fantasticamente bem), nem sequer as sobremesas, muitas vezes o calcanhar de Aquiles de muitos restaurantes, que eram deliciosas e entre as quais faço uma ressalva muito positiva ao Travesseiro de Noiva e ao bolo de laranja e chocolate.

 

Casa dos Ossos - Vinho da Casa

Casa dos Ossos - Bolo de Laranja e Chocolate

 

Casa dos Ossos - Travesseiro de noiva

 

A única coisa que tenho a apontar foi o factor conta.

 

Não porque tivesse sido elevada, muito pelo contrário, mas porque demorou para aí uns quinze minutos até chegar às minhas mãos, o que me levou a temer que por momentos pensassem que eu fosse uma celebridade ou coisa do género e quisessem que eu oferecesse o almoço ao restaurante todo.

 

Casa dos Ossos

 

Concluindo, vale mesmo muito a pena a viagem até Sarilhos Grandes para provarem os Ossos Carregados, e se forem corajosos experimentem a língua, vão ver que não se desiludem!

 

Casa dos Ossos Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

O Dessertinner!

12.02.19, Triptofano!

LXeese Cake Bistro em 10 segundos: Não se surpreenda quando descobrir que metade da loja vende bolos e a outra vende óculos, arrisque na limonada de morango picante, delicie-se com um cheesecake ao estilo de Nova Iorque mas cuidado que as fatias enchem de verdade!

 

LXeese Cake Bistro

Life is too short for a bad cheesecake

 

Quando a Zomato me convidou para um jantar só de sobremesas todos os meus átomos vibraram de excitação.

 

Ir a um Dessertinner (um dinner de desserts) era um sonho antigo meu, por isso peguei numa caneta de insulina para evitar um possível coma por cetoacidose diabética e fiz-me à estrada.

 

O local escolhido para o Dissertinner foi a LXeesecake, um Cake Bistro situado na Lx Factory que divide o seu espaço físico com a M.Oculista.Lx, um loja de óculos com marcas menos conhecidas do grande público.

 

A simbiose entre os dois espaços não foi pensada desde o início e sim uma imposição da Lx Factory, mas graças à decoração das duas metades da loja torna-se estranhamente normal estarmos a comer um pedaço de bolo enquanto ao nosso lado alguém experimenta um par de óculos de sol.

 

LXeese Cake Bistro  - M.Oculista.Lx

LXeese Cake Bistro

 

 

Na LXeesecake tudo gira à volta do cheesecake tipo Nova-Iorque, que é totalmente diferente do cheesecake clássico que normalmente encontramos nos restaurantes e cafés portugueses.

 

Nem todos os cheesecakes são iguais

 

O de Nova Iorque é um cheesecake cozido no forno, onde se usa uma quantidade colossal de queijo creme e que tem como imagem de marca registada a textura densa que transmite uma sensação suavemente rica que inunda a nossa cavidade bucal, mas que torna complicada a simples tarefa de comer uma avantajada fatia.

 

O cheesecake que comi era realmente qualquer coisa do outro mundo, mas se são daquele tipo de pessoas que ficam enjoados com muito doce ou que possuem o estômago do tamanho de um pardal então aconselho-vos a visitar o espaço acompanhados de um tupperware de forma a levarem metade da fatia para casa - é que ela enche mesmo!

 

LXeese Cake Bistro  - Cheesecake NY

LXeese Cake Bistro - Cheesecake NY

 

Apenas a título de curiosidade, ao que parece o cheesecake NY aguenta uns bons 15 dias depois da sua confeccção, e atinge o nível máximo de sabor ao oitavo, por isso é daqueles raros casos em que ficamos a ganhar se o bolo não for do dia!

 

Fantástica também era a pavlova de frutos vermelhos com curd de limão, que devia ter um indíce glicémico de 800, porque quando a terminei de comer senti o meu pâncreas a desistir da vida tal foi a injecção de açúcar que o meu corpo recebeu.

 

LXeese Cake Bistro - Pavlova

 

Fiquei foi ligeiramente surpreendido quando a proprietária do espaço confessou que aquele era um bolo que não gostava de normalmente ter para venda por ficar com um aspecto rachado (que é normal acontecer numa pavlova).

 

Eu sei que uma pessoa quando é perfeccionista quer tudo maravilhoso e bonitinho, mas neste caso posso afirmar que ninguém se está a preocupar se o raio da pavlova está rachada ou não, queremos é devorá-la o mais depressa possível na maior quantidade que a nossa cavidade bucal permita.

 

LXeese Cake Bistro - Pavlova

 

A cookie de chocolate que provei (havia também de aveia, tradicional ou de cheesecake de limão) foi uma boa surpresa, carregadinha de pepitas que lhe conferiram um sabor muito guloso.

 

Agora o conselho que vos dou é para não serem lambões como eu e deixarem as cookies arrefecerem um bocadinho antes de lhe fincarem o dente.

 

Se as consumirem ainda muito quentes o sabor não vai ser o melhor, porque vão sentir muita gordura o que vos pode deixar ligeiramente enjoados.

 

LXeese Cake Bistro - Cookies

LXeese Cake Bistro - Cookie de Chocolate

 

Estes três elementos, o cheesecake, a pavlova e as cookies encerraram a refeição de forma grandiosa, mas houve muito mais caminho a ser percorrido antes de chegarmos ao grande final.

 

Para o Dessertiner a equipa da LXeesecake criou novos pratos que habitualmente não se encontram à venda, servindo o evento como uma espécie de plataforma de teste.

 

Apesar da qualidade indiscutível dos ingredientes e do amor aplicado a cada um dos elementos, senti que em certos momentos faltou atingir um equilíbrio em termos de sabor.

 

Tudo começou com uma deliciosa limonada de morango picante, refrescante mas com um toque ligeiramente condimentado no fim.

 

LXeese Cake Bistro - Limonada de Morango Picante

 

Se a limonada estava equilibrada em termos de picante, o chutney de manga que acompanhava as trouxinhas de cheesecake pecava por excesso, sendo que a ideia de juntar rúcula ao prato não foi a melhor.

 

A rúcula (pertencendo à família da mostarda) acaba por conferir mais uma nota de picante que juntamente com o chutney acabou por abafar a grandiosidade da trouxinha.

 

LXeese Cake Bistro - Trouxinhas de cheesecake

 

O creme de abóbora assada com laranja estava muito bem balançado não havendo um sabor que se sobrepusesse a outro sendo uma verdadeira delícia de comer.

 

LXeese Cake Bistro - Creme de Abóbora Assada com Laranja

 

O croissant LXeeseCake com queijo creme e salmão fulmado foi um tiro certeiro, fazendo vários não amantes de salmão converterem-se de imediato.

 

Um tiro ao lado foi o croissant com salteado de cogumelos, porque houve um uso excessivo de vinagre balsâmico que acabou por dominar a paleta de sabores.

 

LXeese Cake Bistro - Croissants Salmão e Cogumelos

 

O limpa palatos, uma ideia que eu internamente aplaudi, composto por gelado LXeeseCake com espumante doce faltava-lhe o equilíbrio dos componentes, sendo que o espumante estava em demasia. 

 

LXeese Cake Bistro - Limpa Palatos

 

E pronto vocês vão dizer que eu sou picuinhas, mas apesar de apoiar todos os estabelecimentos que estejam a abolir o plástico, acho que uma colher de madeira não é de todo a mais apropriada para servir um gelado, porque uma pessoa é como se estivesse a lamber um palito...(mas isto são as minhas pancas pessoais ok?).

 

LXeese Cake Bistro - Limpa Palatos

 

Falta de equilíbrio também foi o crime que o crème brûlée de cheesecake com erva príncipe cometeu, uma sobremesa que tem tudo para ser perfeita.

 

A crosta de açúcar queimado que causa arrepios de prazer quando a quebramos com a colher combina fantasticamente com a textura do cheesecake, só que o problema foi que o sabor do cheesecake estava por camadas e não distribuído uniformemente.

 

Primeira colherada - sabor neutro. Segundo colherada - murro de limão na cara que até fiquei meio abananado. Terceira colherada - sabor neutro.

 

LXeese Cake Bistro - Crème Brûlée de cheesecake

LXeese Cake Bistro - Crème Brûlée de cheesecake

 

Por fim o cheesecake vegan de maracujá, que ganha pontos por ser uma opção gulosa para todos aqueles que decidiriram retirar qualquer produto de origem animal da sua alimentação.

 

O sabor é sem dúvida desafiante, porque uma pessoa não está habituada a um recheio de caju, mas é sempre bom enriquecermos as nossas papilas gustativas com coisas novas.

 

A base do cheesecake, composta por coco e aveia, é que infelizmente estava demasiado dura, sendo necessária alguma força braçal para a conseguir partir.

 

LXeese Cake Bistro - Cheesecake Vegan de Maracujá

 

É verdade que há muito espaço para melhorar nos pratos que foram apresentados, mas são pequenas coisas que poderão ser rapidamente corrigidas e fazer o deleite de qualquer pessoa.

 

Porém, as sobremesas mais cimentadas e testadas, como o cheesecake NY e a pavlova são de levar ao delírio, mostrando o potencial da equipa que está por detrás da LXeese!

 

LXeese Cake Bistro

 

Já sabem, se quiserem descobrir o verdadeiro sabor de um cheesecake estilo nova-iorquino a LXeese Cake Bistro é o local a visitar.

 

Mas vão de estômago vazio, é que as fatias enchem mesmo!

 

 

LXeese Cake Bistro Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

O Roast da dESarrumada

12.02.19, Triptofano!

Eu lancei o desafio à Hipster Chique que o cumpriu maravilhosamente bem, gozando com os meus pêlos dos ombros.

 

E com o Roast dela visando vários membros da comunidade Sapo abriu-se a caixa de Pandora.

 

Agora o céu é o limite.

 

Por isso eu, pessoa fofinha que não parte um prato, decidi fazer um Roast a uma pessoa muito querida pela qual tenho muita estima, a sempre linda e maravilhosa dESarrumada!

 

Nota: Se alguém se ofender com as piadas que se seguem o problema certamente não é meu!

 

Roast da dESarrumada!

 

A dESarrumada emigrou para França não à procura de trabalho mas para colmatar um défice de mulheres com buço e excesso de pêlos nas axilas.

 

A dESarrumada é como um queijo da Serra da Estrela, toda a gente lhe abre um buraco, come o interior mas ninguém fica com a casca.

 

A dESarrumada demorou tanto tempo a arranjar um sofá para a sua casa como a descobrir que a relação à distância que tinha já só existia na cabeça dela.

 

A dESarrumada escolheu trabalhar com pessoas com mobilidade reduzida porque são as únicas que dificilmente a vão deixar quando se fartarem dela.

 

A dESarrumada pode ter convicções políticas de esquerda mas desenvolveu síndrome de túnel cárpico de tanto deslizar para a direita no Tinder.

 

A dESarrumada lançou uma petição para arranjar um nome para o vibrador quando na realidade devia era dar-se ao trabalho de decorar o nome dos homens que encontra no Tinder em vez de os apelidar de Pila 1, 2, 3...856...

 

A dESarrumada usa tanto o vibrador que até já o consegue utilizar para remover pólipos do intestino grosso.

 

A dESarrumada diz que não gosta de stalkers que lhe deixam mensagens a chamar de gostosa e boazona, mas eu estou mais preocupado é com o nível de bom gosto dessas pessoas.

 

A dESarrumada diz que só ataca chocolate quando está com o período mas eu não me lembro do período de uma mulher durar trinta dias.

 

Fazer com que a dESarrumada tenha um orgasmo é fácil, é só enfiar-lhe uma tablete de Milka na boca.

 

Adoro-te dESarrumada!

A razão pela qual não vou conseguir arranjar trabalho em mais lado nenhum...

11.02.19, Triptofano!

Eu, farmacêutico simpático amoroso competente querido e tudo e tudo e tudo, cheguei à conclusão que ou me agarro com unhas e dentes ao trabalho que tenho ou se calho a ir para o olho da rua não há ninguém que me empregue.

 

Pronto, obviamente que estou a ser dramático, porque na realidade não haverá ninguém que me empregue na área da grande Lisboa, porque lá para as zonas mais remotas do país pode ser que haja uma alma caridosa que ainda não tenha conhecimento da minha reputação.

 

Isto tudo porque há uns dias um laboratório convidou a minha farmácia a participar num evento formativo onde haveria como actividade de team building um Escape Game.

 

Na minha cabeça pensei logo que nos iriam fechar num dos quartos do hotel e se não saíssemos de lá a tempo não teríamos direito a jantar, mas quando cheguei lá percebi que o Escape ia ser com 80 pessoas em simultâneo num dos salões de conferência.

 

Confesso que fiquei desapontado quando vi que não era um Escape Room, mas graças ao espectacular trabalho da Cocolisto, a actividade foi tão gira mas tão gira que fiquei completamente rendido ao conceito.

 

No início dividiram-nos em dois grandes grupos, a equipa azul e a equipa verde, e dentro de cada grupo havia oito pequenos grupos de cinco pessoas cada, que sentavam-se a uma mesa com uma caixa de madeira no centro.

 

Cocolisto - Team Building

 

O objectivo era conseguir no prazo de um hora abrir essa caixa e desvendar todos os puzzles de forma a conseguir um código para abrir um cofre situado no centro da sala.

 

Até agora tudo bem, mas a parte melhor foi quando disseram que ia ser preciso um trabalho de equipa global de forma a conseguir-se terminar o jogo.

 

Eu como pessoa absolutamente não crente, mandei à fava qualquer interacção entre equipas, e reunido com os outros 4 elementos do meu grupo pus-me feito doido a abrir cadeados e a decifrar enigmas.

 

Os  colegas das outras mesas volta e meia iam ao pé de nós pedir ajuda mas digamos que eu posso não ter sido a pessoa mais cooperante de sempre dando apenas umas instruções mais do que vagas.

 

Claro que o caso mudou de figura quando para abrir um cadeado percebi que precisava de pistas das outras mesas, pistas que só poderia obter quando eles avançassem no jogo.

 

Por isso lá fui cheio de sorrisos perguntar se precisavam de ajuda (FALSO) só para conseguir o raio das pistas para abrir o meu cadeado.

 

E obviamente que a minha reputação ainda conseguiu descer a níveis mais negativos, porque no fim de tudo, quando dei conta que tinha um número para colocar na combinação do cofre mas que para a nossa equipa ganhar todas as mesas precisavam de dar o seu número e a outra equipa estava a apanhar-nos, foi ver-me a gritar com toda a gente feito histérico para mexerem os rabos e darem-me a porcaria do número em vez de olharem para mim como se fossem alfaces marinadas em molho de soja.

 

A verdade é que conseguimos abrir o cofre com uns dez minutos de sobra, mas digamos que espírito de equipa é algo que não vou poder incluir no meu currículo!

 

Cocolisto - Team Building

Cocolisto - Team Building