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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Em Ponto Maria: O Tamanho Importa?

28.02.19, Triptofano!

Há uns dias atrás, no meio de uma conversa descontraída, uma colega confessou-me que preferia macarrão a esparguete.

 

Mas tendo em conta todos os tipos diferentes de massa que existem e o facto de cada vez haver mais pessoas com alergia ao glúten será que o tamanho realmente importa?

 

Ter uma pila grande tornou-se cada vez mais uma obsessão, sendo que a revolução sexual e a evolução dos meios de comunicação criou uma paranóia fálica desconcertante.

 

Antigamente, quando muitas mulheres tinham apenas um parceiro sexual a vida toda, o tamanho do pénis não era questionável e os homens não sentiam aquela dúvida existencial acerca se o seu membro seria maior ou menor que o do anterior.

 

Apesar de haver muitos casais insatisfeitos sexualmente, como continuam a existir nos dias de hoje, o tamanho da genitália não era o problema número um.

 

A fantástica evolução dos meios de comunicação criou também uma sociedade genital-dependente, onde é aceitável e quase um requisito enviar uma foto de uma pila erecta à quarta mensagem, isto se não for logo à primeira como cartão de visita.

 

Que eu me lembre das conversas com a minha mãe, as cartas que ela recebia do meu pai eram conversas triviais intercaladas com promessas de amor eterno, com uma ocasional foto de corpo inteiro, mas nunca com uma pila escarrapachada mais ou menos peluda.

 

Se ter uma pila grande é uma obsessão, encontrar a maior pila possível é para muitos um objectivo de vida.

 

Como nem todos tem a capacidade física para escalar o Everest há quem compense em ir trepando num pénis progressivamente maior, qual preparação para os Jogos Olímpicos, rindo-se depois desdenhosamente quando encontram montanhas de menor altitude.

 

Questiono-me quão grande terá de ser uma pila para conseguir preencher o buraco que muitas pessoas tem na sua vida.

 

A ostentação dos dias de hoje, com os grandes carros, as casas gigantes, os telemóveis topo de gama e os pénis colossais, não será mais do que uma tentativa frustrada de dar um sentido à vida quando parece que ele anda fugido?

 

Mas deixando as questões filosóficas de lado, sexualmente falando, o tamanho importa?

 

Na minha experiência, já vi pilas de todos os tamanhos e feitios, e visualmente num primeiro impacto uma pila grande e grossa é muito mais atraente do que uma de tamanho médio.

 

Só que tal como às vezes nos perguntamos porque é que não temos um Smart quando tentamos estacionar no caos do centro de Lisboa, uma pila grande nem sempre é uma dádiva dos céus, podendo transformar-se num problema perfurante.

 

Pessoalmente acho que o tamanho do pénis só interessa, e mesmo assim é questionável, se estivermos a pensar em ir à casa-de-banho de serviço fazer sexo oral ao primeiro desconhecido que nos apareça à frente.

 

Aí sim, convém que seja uma coisa gigantesca que nos desloque o maxilar de forma a satisfazermos o nosso desejo primata.

 

Quando queremos apostar numa relação a longo prazo o tamanho do pénis não importa rigorosamente nada.

 

O amor, a cumplicidade e o tesão fazem maravilhas independentemente do tamanho do órgão copulador, sendo que há sempre a possibilidade de incluir na dinâmica do casal brinquedos que em nada devem diminuir a masculinidade do homem, e que devem ser vistos como auxiliares do prazer e não como substitutos.

 

A todos aqueles que vivem angustiados com o tamanho dos genitais apenas tenho a dizer que preocuparem-se com algo que foi responsabilidade da genética é uma parvoíce.

 

Concentrem as vossas energias em coisas que podem realmente mudar, como o conhecimento do mundo, a vossa tolerância ou a empatia com estranhos.

 

Afinal no dia do casamento colocamos um anel no dedo, não um cockring na pila!

 

Em Ponto Maria

 

"A coisa andou a cozinhar e eis que atingimos o ponto!!! Quinta-feira quente. Quentinha. A escaldar! A Maria chegou para tornar este dia banal da semana no dia mais ansiado por vós. Conjuntamente com a dESarrumada tivemos a ideia de lançar uma rubrica semanal que vai abordar temas da actualidade que são completamente aleatórios e imprescindíveis ao mesmo tempo. Fiquem por aí e percam-se nos nossos devaneios."

Profissionais de Saúde vs Educação para a Diversidade

28.02.19, Triptofano!

Ontem fui a uma formação acerca de um medicamento para a disfunção eréctil, um problema que apesar de ainda ser considerado tabu afecta 8% dos homens entre os 20 e os 30 anos, e 52% entre os 40 e os 70 anos, podendo ter causas psicológicas, orgânicas ou ambas.

 

Estava entusiasmado porque o palestrante convidado era um médico urologista com larga experiência na área, e vi uma oportunidade para além de aprender mais sobre o tema poder esclarecer algumas duvidas na área da sexualidade da pessoa com deficiência física.

 

A sessão foi interessante mas não consegui evitar ficar com um azedume de boca quando ela terminou.

 

Em parte porque o médico revelou que tinha feito uma pequena experiência e ido a várias farmácias fingir que tinha um problema de disfunção eréctil, e quando revelou que em muitas as pessoas quase se benzeram e disseram que isso não era assunto em que pudessem ajudar senti vergonha da classe onde me insiro.

 

Não defendo que seja obrigação dum farmacêutico saber falar de tudo, mas tem que estar minimamente à vontade para ouvir o utente e no caso de não poder ajudar concretamente no momento saber orientar para outro profissional que o possa fazer.

 

Estamos em 2019 por isso saúde sexual é saúde, e já não vejo razão para risinhos, caras de choque ou comentários jocosos.

 

Por outro lado, os comentários do médico urologista relativamente a que certas mulheres não conseguem provocar uma erecção num homem de tão feias que são ou que todos sabiam que os homens tinham parceiras fora do casamento causou-me uma urticária danada. 

 

Além de ser desrespeitoso para as mulheres transforma o homem num ser cujo cérebro parece estar alojado no órgão copulador, mostrando que o machismo está vivo e de boa saúde, sendo que qualquer dia ainda é prescrito numa receita médica sem papel.

 

Agora o que me deixou danado, aquilo que eu já devia ter mecanismos para não me afectar mas não consigo, foi a iliteracia para a diversidade que o senhor doutor revelou ter.

 

É verdade que formação e educação são coisas totalmente diferentes, mas um profissional de saúde devia ter uma sensibilidade particularmente mais afinada.

 

Dizer que vê no consultório homens, mulheres e pessoas assim-assim, e ter um discurso exclusivamente heteronormativo basicamente negando que uma pessoa possa sentir atracção por outra do mesmo género não é somente triste como assustador.

 

Assustador pelo facto da sociedade ser constituída por pessoas de todas as identidades de género e orientações sexuais, e essas pessoas nunca se deveriam sentir desconfortáveis a ir um profissional de saúde expor um problema da sua vida, especialmente da sua vida sexual.

 

Talvez o senhor doutor seja um profissional excelente que só gosta de dizer piadolas depreciativas quando está rodeado de outras pessoas da área da saúde, mas isso só revela o preconceito cimentado no seu cérebro que já deveria ter sido erradicado com a ajuda de uma boa educação para a diversidade.

 

Mas pior que um médico sem filtros é duas mãos cheias de profissionais de farmácia que sorriem alegremente ao ouvir certas e determinadas barbaridades.

 

As piadas depreciativas nunca deveriam ter piada, especialmente num contexto profissional formativo.

 

É que o preconceito é como as ervas daninhas, precisa só de um bocadinho de fertilizante para desenvolver raízes extremamente profundas!