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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Uma Pugna Auditiva

24.02.19, Triptofano!

A única razão minimamente plausível para compreender a votação do júri na segunda semi-final do Festival da Canção 2019 é que se tenha aberto um portal para outra dimensão sem que eu tenha recebido uma notificação por SMS e estejamos a viver noutra realidade.

 

Tal como a primeira, esta segunda semi-final apresentou na sua maioria canções em estilo bradicardia, algumas delas não ultrapassando os 30 batimentos por minuto, levando a que o INEM estivesse presente no recinto não fosse haver um surto de narcolepsia de proporções bíblicas (que isto de choverem sapos do céu já está ultrapassado).

 

E tal como na semana passada, neste sábado apresentou-se diante do país mais um artista irreverente, para mostrar que o panorama musical nacional não é um sistema binário de 1 e 0, havendo uma data de outros números que merecem ter exposição.

 

A Surma foi-lhe dada a oportunidade de ampliar o leque musical dos portugueses, mas a verdadeira batalha foi conseguir perceber o que é que a artista estava a dizer.

 

Acreditei piamente que podia ter um rolhão de cera nos ouvidos, mas após mais três audições ainda não consigo entender se Surma canta integralmente em português, ou simplesmente em certas alturas está a mastigar em seco como se tivesse uma côdea de pão teimosa na boca.

 

Toda a apresentação em palco, com os bailarinos e as quedas semi-dramáticas no fim, fizeram-me questionar se estava perante um episódio-piloto do Walking Dead com baixo orçamento ou uma actuação com pretensões a atingir a Eurovisão.

 

Surma pode ser uma fantástica artista, pode ser amada, venerada, santificada pelos duendes da floresta invernal, mas faltou-lhe a capacidade de conectar com o público, algo que Conan a bem ou mal foi bem sucedido.

 

Agora o que eu não consigo compreender, o que para mim não faz sentido algum, é o júri ter dado a pontuação máxima a Surma.

 

É verdade que a concorrência não era a das mais fortes (quero ver se há tanto escândalo por causa do rissol como houve com o telemóvel), mas é incompreensível ter conseguido os 12 pontos, ainda para mais tendo Conan obtido do mesmo júri apenas 7 pontos.

 

A jovem revelou que estava surpreendida com o resultado porque esperava ficar com uma pontuação de 30 pontos negativos, o que na realidade mostra algum pedantismo musical, quase que a afirmar que a música que produz está num nível diferente de compreensão, que obviamente o espectador-tipo do Festival não iria conseguir alcançar.

 

Só que não basta ser-se irreverente e ultrapassar as fronteiras estipuladas para se receber um selo de aprovação e um prémio no final.

 

É preciso produzir conteúdo com qualidade, independentemente da roupagem com que ele é apresentado.

 

E para mim, lamentavelmente, Surma não o fez!