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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

A importância de ser visível

20.11.18, Triptofano!

Volta e meio ouço alguém dizer, ou leio em algum sítio, que não percebe a questão da visibilidade dos homossexuais.

 

Que não compreendem porque é que existe uma marcha do Orgulho Gay quando não existe uma marcha do Orgulho Heterossexual.

 

E que não faz sentido que as pessoas tenham de andar para aí a fazer o Coming Out já que a sexualidade deve ser algo de privado e não esfregado na cara das outras pessoas.

 

E eu gostava muito, mas muito mesmo, de poder concordar com essas pessoas.

 

De dizer que a marcha gay era algo obsoleto, que assumir a orientação sexual a todo o mundo era só para vender revistas, mas infelizmente não posso.

 

Simplesmente porque apesar de tudo continua a ser de extrema importância ser-se visível.

 

Hoje, quando acabei de nadar, encontrei no balneário o grupo de seniores do costume, que habitualmente falam de política, ou do tempo da guerra colonial, ou de piadas sem grande piada mas que fazem com que todos se riam com mais ou menos vontade.

 

Só que desta vez o tema eram os paneleiros.

 

Que nunca se deviam casar, que não tinham nada contra eles (felizmente que neste país maravilhoso nunca ninguém tem nada contra ninguém, o que seria se tivessem...) mas que não deviam andar a exibir-se em público, que andar aos beijos ou de mão dada era só mesmo para provocar as pessoas, que agora andam todos a assumir-se como gays e é mais moda do que outra coisa, que já existia um lobby contra os heterossexuais....

 

Conclusão, ninguém tem nada contra os homossexuais desde que basicamente eles não existam publicamente, que se faça tudo às escondidas e que com alguma sorte ainda tenham casamentos de fachada e as aventuras desviantes sejam feitas pelas sombras.

 

É por isto que é tão importante a visibilidade homossexual.

 

Não é uma questão de querer esfregar na cara dos outros a nossa sexualidade, mas sim de saber que temos o direito de optar entre mantermos a nossa vida pessoal privada ou decidir que a queremos viver publicamente.

 

Não é termos de nos sujeitar às decisões de terceiros sobre como é que vamos viver a nossa vida, não é voltar à era da clandestinidade homo-amorosa.

 

Assumir a homossexualidade é uma forma de garantirmos que não chega um extremista que de um momento para o outro silencia por completo a nossa voz.

 

É não darmos espaço e força a quem vive incomodado com a nossa existência em vez de se preocupar com a sua vida.

 

E o orgulho gay não é orgulho em ser-se homossexual.

 

É orgulho em ser-se diferente numa sociedade que tendencialmente não aceita a diferença e não se ter medo de existir em toda a plenitude.

 

É não baixar a cabeça quando se ouvem comentários ignorantes que apenas tem o intuito de ferir e humilhar.

 

É sorrir com toda a força do nosso ser e ter pena, ter pena de todos aqueles que sofrem da doença chamada ignorância, doença para a qual há cura, mas muito poucos estão dispostos a receber tratamento!

Kerala

20.11.18, Triptofano!

Sempre que penso na Índia lembro-me da viagem que fiz com o Cara-Metade e a minha mãe.

 

As viagens longas entre cidades com o motorista da nossa carrinha a adormecer enquanto conduzia, a minha mãe a provar tudo do meu prato primeiro para saber se era ou não picante, e claro, o quase incidente que se passou no rio Ganges.

 

Após ter estado tão envolvido na cultura, na qual englobo a gastronómica, do pais, quando me convidam para ir a um restaurante indiano torço sempre um pouco o nariz, porque simplesmente não estou numa fase de ir a um local que partilhe os sabores do cardamomo com pizzas de cogumelo e ananás, ou onde a comida venha em tacinhas com lamparinas por baixo e em que tudo saiba ao mesmo.

 

Visitar o Kerala, após ter ouvido tão bem do espaço, foi um salto de fé, salto este que compensou totalmente.

 

Ir ao Kerala, que partilha o nome com um dos 28 estados da Índia, localizado no extremo sudoeste do país, pode ser simplesmente uma ida a um restaurante, mas se quiserem rapidamente se torna numa viagem, não só pelos sabores, mas como pela cultura de um país tão diferente que o nosso.

 

Mal se entra no restaurante somos invadidos por um cheiro peculiarmente singular, que nos envolve e nos transporta.

 

A decoração é simples mas bonita, e a simpatia de quem nos recebe transborda.

 

Há quem fale português fluentemente neste espaço, mas há quem se sinta mais confortável no inglês.

 

E foi nesta língua que passámos um par de horas a dialogar sobre comida, ayurveda, tradições, casamentos, formas de encarar a vida...

 

Kerala significa terra do coco, e este ingrediente está presente em todos os pratos, de uma forma mais ou menos subtil, mas mesmo que não sejam os adeptos mais fervorosos deste fruto, tal como eu não sou, não é isso que vos vai fazer deixar de gostar da refeição - confiem em mim!

 

O menu é extenso por isso pedimos recomendações.

 

Para entradas veio a incontornável chamuça de frango, com uma massa estaladiça, um recheio guloso e um tempero onde as especiarias fizeram toda a diferença elevando algo já tão banalizado.

 

Kerala - Chamuça de Frango

 

O Uzhunnu Vada é um doughnut que não é um doughnut, já que é feito a partir de lentilhas pretas. Extremamente saboroso e muito mais saudável, não havendo tanto risco de ficarmos com uma artéria entupida com excesso de colesterol.

 

Kerala - Uzhunnu Vada

 

No menu vão encontrar uma entrada chamada Gopi 65 onde a tradução é 65 receitas e uma menção a couve-flor.

Confuso mas altamente recomendável.

 

No Google o nome do prato tanto aparece como Gopi ou Gobi, mas o que interessa saber é que consiste em couve-flor perfeitamente temperada e depois frita, ficando uma coisa assim fantasticamente apetitosa de fazer lamber os dedos.

 

Juro que nunca pensei que pudesse desenvolver uma relação romântica tão profunda com este vegetal.

 

 

Kerala - Gopi 65

 

Para finalizar as entradas (vocês já sabem que eu enfardo quantidades industriais) vieram uns Cheese Dosa Tacos, ou seja uns tacos feitos de arroz fermentado e massa de lentilha preta recheados com queijo cottage indiano.

 

Claro que tudo o que tem queijo nutre o meu maior afecto, e estes tacos fizeram-me muito feliz, sendo que aumentaram em 98% a minha secreção de saliva de tão apetitosos que eram.

Infelizmente a relação foi unilateral, porque os tacos não ficaram felizes quando eu os comi.

 

Kerala - Cheese Dosa TacosKerala - Cheese Dosa Tacos

 

No campo das bebidas pedimos um Mango Lassi e um Naruneendi.

 

O Mango Lassi estava qualquer coisa do outro mundo.

 

Normalmente eles chegam-nos mais aguados, mas este estava tão espesso (e tão saboroso) que a palhinha quase que nem se movia no copo.

 

Para conseguir chupar este lassi foi preciso imensa força de maxilar, por isso minha gente toca de praticar em casa primeiro!

 

O Naruneendi foi uma das surpresas da noite, uma espécie de limonada por assim dizer, feito com uma raiz ayurvedica, que entre outros benefícios tem a capacidade de purificar o sangue.

 

Refrescantemente deliciosa este é um must try do Kerala!

 

Kerala - Mango Lassi e NaruneendiMedicina Ayurvedica - Naruneendi

 

Para pratos principais pedimos um Kerala Prawn Curry, que consistia em camarões marinados em leite de coco, salteados com cebola, tomate e especiarias.

 

Um sabor agradavelmente familiar, este é o prato perfeito para quem possa ter medo de se arriscar em sabores mais ousados.

 

A minha única nota menos positiva é o facto dos camarões não estarem totalmente descascados, é que uma pessoa depois para comer o bicho fica toda suja, por isso gente simpática do Kerala tirem a casca toda dos camarões, pode ser?

 

Kerala - Kerala Prawn Curry

 

O Chemmeen Theeyal é outro prato com base em camarão mas com um sabor completamente distinto.

 

Os camarões são cozidos em molho de coco assado com polpa de tamarindo e especiarias, dando-lhe um sabor formidável.

 

Para mim, o prato vencedor da noite.

 

Kerala - Chemmeen Theeyal

 

Por fim, algo muito tradicional da região de Kerala, o Pidiyum Kozhiyum.

 

Frango e bolinhos de arroz cozinhados num caril à base de coco, este prato combina dois elementos de uma forma muito agradável, o picante e o doce, sendo uma verdadeira sinfonia para as nossas papilas gustativas.

 

Kerala - Pidiyum Kozhiyum

 

Provavelmente vocês estão a pensar que depois disto tudo já não haveria espaço para a sobremesa, mas vá lá, vocês já me conhecem!

 

Provámos a tradicional Bebinca, uma sobremesa Goesa feita com leite de coco, que é famosa pelas suas sete camadas.

 

Esta Bebinca não desiludiu, sendo muito cremosa, mas ou sou eu que tenho de voltar para a escola ou havia 8 camadas em vez de sete (mas uma pessoa não se queixa por lhe mandarem mais comida para a mesa).

 

Kerala - Bebinca

 

Saboreámos também algo muito tradicional e com um sabor totalmente diferente mas extremamente agradável, o Kinnathappam, que nos é apresentado como o bolo da placa do vapor, que é um bolo doce feito à base de arroz e como não poderia deixar de ser leite de coco.

 

Kerala - Kinnathappam

 

No final da refeição deram-nos um pequeno "livro" com a história de Kerala, a sua geografia, as suas tradições, e ficámos a saber que foram os portugueses os primeiros estrangeiros a chegar àquela zona do mundo, sendo que ainda hoje há famílias portuguesas orgulhosamente lá a viver.

 

Por causa de tudo isto é que visitar o Kerala pode ser muito mais do que ir comer dois ou três pratos de comida indiana.

 

Se estiverem de mente, coração, olhos e ouvidos abertos, pode-se tornar numa viagem espectacular, sendo que a comida será indiscutivelmente um dos pontos altos dessa viagem.

 

E já agora não deixem o restaurante sem vos oferecerem uma mão cheia de mukhwas, aquele mix de sementes coloridas indianas que tanto ajuda na digestão caso tenham sido mais gulosos do que deveriam, como a refrescar o hálito, extremamente útil se tiverem planos de ir beijocar alguém!

 

Kerala

Kerala

 

 

Kerala Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Testem-se!

19.11.18, Triptofano!

Neste último sábado, eu e mais duas colegas, fomos representar a farmácia onde trabalhamos na Feira da Saúde promovida pela Junta de Freguesia.

 

Foi um dia passado a picar dedos qual linha de montagem e a medir tensões arteriais, descobrindo que metade das pessoas estão com as artérias parcialmente entupidas com colesterol, e não é o Colesterol de Amor da Ana Malhoa, mas sim aquele chato que causa uma data de problemas de saúde.

 

Depois de ter aconselhado meio mundo a fazer arroz vermelho fermentado e a beber litros de chá de burututu, tive oportunidade de dar uma volta pela feira a ver que rastreios é que estavam a ser feitos.

 

Foi então que encontrei o espaço da AJPAS, uma associação de intervenção comunitária, desenvolvimento social e de saúde, que estava a fazer rastreios ao VIH, Hepatite B e C e à Sífilis.

 

Como a última vez que tinha feito estes testes já fora há uns bons anos decidi que era uma boa altura para os voltar a fazer.

 

Se calhar algumas pessoas estão a pensar que fui fazer os testes porque estava com peso na consciência, ou porque a minha vida sexual é uma pouca vergonha repleta de swings e dark-rooms e coisas que tais, mas lamento informar que isso é uma mentalidade do século XVIII.

 

A partir do momento em que temos uma relação sexual, seja ela oral, anal ou vaginal, sem utilização de preservativo, podemos incorrer no risco de apanhar alguma doença sexualmente transmissível (ter em conta que não é somente pela via sexual que se pode contrair estas doenças).

 

E por mais confiança que tenhamos no nosso parceiro, e aqui falo de confiança no aspecto em que confiamos que ele não iria colocar a nossa saúde em perigo mesmo tendo um caso extra-relacionamento, há sempre algum risco, por mais pequeno que seja.

 

Por mais confiantes que estejamos que os resultados vão ser negativos é impossível não ficar nervoso com a espera, porque um resultado positivo significa uma mudança na nossa vida.

 

Não é o fim do mundo, já que o VIH e a Hepatite B tem tratamento, e a Hepatite C e a Sífilis tem cura, mas é algo que obviamente abala o nosso mundo, nem que seja no início enquanto nos adaptamos à nova realidade.

 

Mas o importante é fazermos o teste, para que se houver algum problema se possa encontrar o mais rapidamente a solução.

 

Enquanto esperava que os meus "testes de gravidez" dessem o resultado, fui confrontado com algumas perguntas que me disseram poderem ser um pouco mais "agressivas".

 

Aqui o segredo é não termos pudores, é verdade que nos questionam acerca da nossa intimidade mas quem está a realizar o questionário já fez centenas e centenas deles, por isso não se preocupem em dar respostas sinceras.

 

Pessoalmente gosto de responder com seriedade mas também com algum humor q.b., por isso é que na pergunta Se alguma vez tinha recebido dinheiro ou jóias em troca de sexo, respondi com um sofrido Quem me dera que assim estava melhor na vida!

 

Felizmente a profissional que estava a fazer-me o questionário tinha sentido de humor e não ficou a olhar para mim como se eu fosse um extraterrestre.

 

Naqueles longos minutos de espera fiquei a saber muita coisa e a reforçar conhecimentos antigos.

 

Descobri que as Hepatites são muito mais contagiosas que o VIH, devido ao tamanho do vírus que é mais reduzido, à quantidade superior de vírus na mesma quantidade de sangue e ao maior tempo que eles sobrevivem no sangue.

 

Que não só as drogas injectáveis transmitem doenças.

 

Snifar cocaína por exemplo causa feridas na cavidade nasal, e se houver uma partilha do objecto que é utilizado para snifar esta droga facilmente se pode apanhar Hepatite.

 

Que o sangue para transfusões só começou a ser testado na década de 90, após o escândalo dos hemofílicos contaminados com VIH, sendo que pessoas que se sujeitaram a transfusões antes dessa data podem ter alguma doença que nunca se tenha manifestado até ao momento.

 

Que não deveríamos arranjar os nossos pés ou mãos em locais onde os utensílios não são esterilizados.

 

E quando falo em esterilização é aquela que é feita em autoclave, onde os materiais chegam selados às mãos do profissionais, e não aquela que consiste em mandar tudo para uma bacia cheia de água a ferver com um punhado de lixívia e umas folhas de eucalipto (não funciona minha gente).

 

Que os médicos na sua generalidade consideram que os idosos e os portadores de deficiências não possuem vida sexual, por isso acham que é uma perda de tempo passar exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis.

 

Felizmente todos os meus resultados foram negativos, mas fiquei mais sensibilizado relativamente a um assunto que para muitos ainda é tabu, porque está maioritariamente associado a actos que a sociedade estigmatiza.

 

A partir de agora passarei a fazer este rastreio de seis em seis meses e gostaria que todos vocês também o fizessem, sem medos, sem vergonhas, sem desculpas.

 

Tudo em prol da nossa saúde! 

 

Rastreio de Doenças Sexualmente Transmissíveis

 

Sneak Peek da Nude

16.11.18, Triptofano!

Não, este blog não se tornou um local erótico-pornográfico assim do dia para a noite, mas a competição para o vencedor da categoria Humor dos Sapos do Ano 2018 está renhida  (pelo menos na minha cabeça eu ainda acho que tenho algumas hipóteses de ganhar) por isso é extremamente importante angariar o voto de todos os indecisos.

 

Podia criar uma hashtag #osoutrosnão, prometer visualizações infinitas diárias nos blogs de quem votar em mim ou enviar pelo correio uma peça de roupa interior minha usada e não lavada, mas eu sou uma pessoa que joga de forma limpa, que não usa esquemas para ganhar votos, por isso eu simplesmente prometo uma nude da minha pessoa na vossa caixa do correio (agora não vão votar noutra pessoa e depois pedir-me a nude ok?).

 

De forma a terem mais ao menos a noção do que estão a perder aqui está uma Sneak Peek da nude que irão receber se eu for o grande vencedor.

 

Triptofano Nude

 

A escolha para tema artístico da minha foto pelado será Triptofano e as Limpezas do Lar.

 

Poderei ser eu dobrado a esfregar o chão com afinco, eu flectindo os músculos do peito enquanto limpo os cantos do tecto, eu bebendo um copo de água enquanto recupero forças da árdua tarefa de limpar o pó estando o pano pendurado vocês sabem onde!

 

O céu é o limite - aceito propostas sensuais (ou menos sensuais) de como é que a nude poderá ficar enquadrada.

 

E, pasmem-se, até estou a ponderar tirar os pêlos dos ombros só para vocês receberem uma coisa digna de poderem emoldurar e mostrarem à vossa tia-avó quando ela perguntar se ainda continuam solteiros!

 

Digam lá quem é que gosta de vocês? - Por isso toca de votar aqui!

Um Passo Mais Perto da Nude

15.11.18, Triptofano!

Pois é pessoal, parece que aqui o vosso amigo Triptofano está entre os finalistas dos Sapos do Ano 2018 na categoria de Humor.

 

E isso significa o que?

 

Que todos vocês, meus tiramisúzinhos apetitosos, estão um passo mais perto de receber a minha nude.

 

E não é uma nude daquelas de bebé, onde toda a gente acha imensa piada à nossa piloca microscópica, mas sim uma nude na idade adulta, uma nude daquelas tão gráficas que não podem sequer pensar em abrir no trabalho!

 

Para aqueles que já me viram nu e não gostaram (de certeza que algum ex-namorado anda por aqui feito ressabiado a ver se a minha vida já se tornou uma desgraça completa) prometo também, caso seja o grande ganhador da categoria Humor, que será publicado ainda antes do final do ano um post intitulado "Estive Noivo de um Homem 40 anos mais Velho que Eu!".

 

Por isso é tudo a votar aqui na minha pessoa.

 

Criem contas falsas, obriguem os vizinhos a votar, façam campanha na rua por mim, quero ver o quanto vocês querem receber uma foto minha desnudo!!!

 

Já agora, fica aqui uma proposta no ar. 

 

Não sei se os outros nomeados na categoria de Humor, respectivamente a Caracol, a Chic'Ana, a Pequeno Caso Sério e o HD, são de Lisboa ou arredores, mas seria giro se no jantar de entrega de prémios nos juntássemos todos para fazer um fantástico e adorável Roast.

 

Assim uma coisinha simples, sem ofender quase ninguém, só para desanuviar o ambiente!

 

O que é que me dizem?

 

São pessoas para alinhar na ideia ou preferem ficar na pacatez da vossa casa? 

Síndrome da Bruxa da Casa de Doces

14.11.18, Triptofano!

Eu e o Cara-Metade, depois de fazermos zero exames e não termos reunido o consenso de nenhuma comunidade científica (quer dizer, eu até que posso dizer que sou assim ligeiramente científico por ser farmacêutico não?) descobrimos que padecíamos da Síndrome da Bruxa da Casa de Doces.

 

Isto porque somos completamente fascinados por fornos de lenha. 

 

Não é que esteja nos nossos planos raptar criancinhas para as engordar com queques de aveia integral para depois as marinarmos em molho de soja e enfiarmo-las dentro de um forno de lenha - simplesmente a bruxa é uma metáfora para o forno, tudo o que sai dele são os doces e nós somos as criancinhas que estão a um passo de ficar obesas (ficaram convencidos? é que não me lembrei de uma explicação melhor....).

 

Quando dos Açores chegam uns amigos também detentores da Síndrome da Bruxa da Casa de Doces a única coisa a fazer é encontrar um local que tenha um forno de lenha e esse local foi o La Figata, uma "pizzeria" em Benfica.

 

Com uma decoração minimalista e simplista, mas muito bem conseguida, há uma sensação de bucolismo que invade o restaurante, muito por causa do crepitar do forno de lenha que nos promete uma refeição de conforto.

 

No passado já tinha visitado este estabelecimento e foi uma facada no coração quando na altura ao pedir como entrada um pão de alho me serviram uma carcaça barrada com manteiga de alho.

 

É como se fossemos a uma sex-shop e saíssemos de lá com um pepino e uma recomendação simpática para nos desenrascarmos.

 

Simplesmente não faz sentido.

 

Desta vez, depois de ter rezado baixinho, fiquei contente por ver que o pão de alho tinha sido feito com massa de pizza.

 

Pedimos um com tomate cereja e um com chourição, e apesar de não estarem maus não surpreendiam, faltava-lhes algo que os conseguisse elevar a um nível superior.

 

La Figata

 

Com um forno de lenha poderiam ser preparadas muitas outras delícias que seriam óptimas entradas.

 

Com uma carta bem variada, que nos deixa vastos minutos a pensar no que havemos de pedir, as pizzas possuem todos nomes femininos.

 

Por isso é que eu decidi comer um Patrizio (nem aqui consigo fingir que sou heterossexual raios...), um calzone com ricotta, chourição e azeitonas.

 

La Figata

La Figata

 

O Cara-Metade atacou a pizza de queijos, a Bianca, feita com grana padano, gorgonzola e provolone, ao qual adicionou um extra de salmão fumado.

 

La Figata

 

Para a mesa veio também uma Elisa, com azeitonas e salame milano, deliciosamente picante q.b.

 

La Figata

 

Massa fina, ingredientes de grande qualidade bem combinados, e uma cozedura em forno de lenha são os grandes trunfos do La Figata.

 

O problema é o atendimento que parece que está em sintonia com a decoração, minimalista e simplista.

 

Apesar de quando visitámos o espaço ele estar praticamente vazio, a atenção que recebemos foi muito fraca, basicamente era como se fossemos apenas mais uns!

 

Não é que eu queira que quem me atenda se sente no meu colo, ou me faça uma massagem na cabeça, ou troque contas de Instagram comigo, mas comer é mais do que ingerir alimentos, é uma viagem.

 

É como fazermos uma excursão, podemos ir ao sítio mais bonito do mundo mas se o nosso guia não nos explicar o que estamos a ver metade do encanto é perdido.

 

Um atendimento cuidado, personalizado e que enalteça as qualidades do que estamos a degustar faz maravilhas por um espaço.

 

E o La Figata tem tudo para ser uma das melhores pizzarias de Benfica, só precisa de ter este cuidado com a atenção ao cliente.

 

La Figata

La Figata

 

La Figata Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Tocar na Água

13.11.18, Triptofano!

Lembram-se desta foto?

 

Bungee Jumping sobre o Rio Nilo no Uganda

 

Hoje resolvi que era a altura ideal para contar a história que está por detrás dela.

 

Quando estive no Uganda a fazer voluntariado, a última semana foi para fazer uma viagem pelo país à descoberta. 

 

Um dos nossos destinos foi uma povoação onde era possível fazer vários desportos radicais, como rafting e bungee jumping.

 

Eu e as minhas colegas voluntárias decidimos que tínhamos de experimentar o bunjee sobre o rio Nilo, por isso juntámos-nos a um grupo de turistas e toca de nos lançarmos sobre o vazio com um elástico agarrado aos pés.

 

O meu maior conselho para quem decida fazer esta actividade radical é não ser um dos últimos a saltar.

 

Como fiquei no fim da fila vi mais de uma dezena de pessoas a atirarem-se, algumas bem, outras mais ou menos, e um par delas que me fizeram ficar com os todos os pêlos em pé, porque em vez de se mandarem de cabeça foram de pés, e obviamente que quando chegaram a meio caminho o elástico deu uma chicotada e aquelas pobres almas não ficaram de todo bem tratadas.

 

Enquanto esperava impacientemente e com a adrenalina já a sair-me pela boca só conseguia pensar na imagem ilustrativa que tinha visto no edifício onde tínhamos feito o pagamento, uma pessoa muito feliz (claro que não iam colocar alguém quase a desmaiar) com uma espécie de toalha à volta dos tornozelos.

 

Pensei e voltei a pensar no que é que aquilo podia ser, porque não podia ser simplesmente uma toalha.

 

Mas era!

 

Quando finalmente chegou a minha vez a primeira coisa que fizeram foi pegar na dita toalha e colocarem-me à volta dos tornozelos, de forma a evitar ficar ferido pela fricção.

 

Depois colocaram-me as correntes que estão ligadas ao elástico e fiquei estupefacto com o peso daquilo. 

 

Simplesmente não conseguia andar tal era o peso. Foi num misto de saltinhos e arrastanço que subi as escadas para a plataforma onde se ia dar o salto.

 

Nessa altura, o jovem que estava a supervisionar toda a operação perguntou-me se eu queria tocar com a mão na água ou não.

 

E eu pensei, se é para fazer então que seja com emoção!

 

Disse que sim, que queria tocar com a mãozinha na água.

 

Ele lá me calibrou o elástico e disse-me que se eu saltasse como ele estava à espera iria tocar com os dedos na água. Se saltasse um pouco mais iria entrar no máximo com o cotovelo. Se saltasse menos iria ficar distante da massa aquosa.

 

Talvez eu lhe devesse ter dito que tinha feito muitos anos de ginástica de trampolins, mas como eu nem conseguia andar achei que isso não faria diferença, não é que eu fosse ser capaz de fazer um mortal encarpado com meia pirueta ou coisa do género.

 

Cheguei-me à beira da plataforma e o meu cérebro já tinha entrado em modo sobrevivência.

 

O instrutor dizia-me para eu não olhar para baixo para não ficar em pânico e que eu devia saltar na direcção do telhado de uma casa que estava mais à frente.

 

Como ele falava em inglês e eu já nem português percebia sequer com tanto stress fiquei a pensar que tinha de saltar para cima do telhado da casa, o que me aumentou ainda mais o pânico porque de certeza que me ia aleijar se o fizesse.

 

Ele começou a contagem.

 

1..........2............Jump

 

E eu saltei....na medida do possível.

 

Lembro-me daquele nano-segundo onde vi o meu corpo suspenso no ar, em que olhei para os meus pés e vi que eles já não estavam na plataforma e depois vi o rio muito lá em baixo.

 

A única coisa que me veio à cabeça foi que estava completamente lixado.

 

Lembram-se daqueles jogos do Tomb Raider onde a Lara Croft atira-se para a água toda esticadinha?

 

(e nem sempre para a água - confesso que gostava de matar a rapariga contra o cimento quando começava a ficar aborrecido!)

 

Basicamente foi o que eu pensei. Triptofano, faz como a Lara Croft!

 

Estiquei-me todo, fechei os olhos, senti o ar a zunir nos meus ouvidos e 

 

PUM

 

Entrei na água a toda a velocidade até ao joelho. Ao joelho minha gente. E eu tenho um metro e oitenta e sete.

 

Fiquei automaticamente sem ar nos pulmões e durante um segundo pensei que seria o meu fim, mas depois o elástico deu uma chicotada e saí lançado pelos ares, já sem camisola, a gritar descontroladamente, num misto de alegria, pânico e vontade de fazer xixi.

 

O elástico fez-me ir acima e abaixo mais um par de vezes até conseguir ser pescado pelo barco de apoio que já tinha resgatado a minha roupa (por pouco não ia ficando também sem calções!).

 

Diz quem viu o salto que foi um dos melhores de sempre.

 

Aposto que até a Lara Croft ia morrer de inveja.

 

O dia em que dei cabo de um país

12.11.18, Triptofano!

Há pessoas que ambicionam ser presidentes de um país para sentirem que são poderosas, que podem se assim lhes apetecer carregar num botão e lançar um míssil e dar cabo de uma cidade a milhares e milhares de kms de distância, isto enquanto publicam uma foto no seu Instagram oficial ou acabam de almoçar uma alheira com batatas fritas (claro que para esta fantasia ser minimamente credível há uma lista de países passíveis de se ser presidente, que se fosse por exemplo cá em Portugal a única coisa que se podia lançar era um Marcelo beijocador com herpes labial que causaria o pânico na OMS).

 

Eu nunca fui detentor de tais fantasias de pseudo-grandiosidade, sempre estive muito tranquilamente no meu espaço, sem grandes atritos nem conflitos, mas isso não me impediu de ontem dar cabo de um país.

 

No corredor de minha casa tenho colado na parede um daqueles mapas mundo todos coloridos com os nomes dos países.

 

 

Como já lá está há uns anos e pelo facto da qualidade do mapa também não ser a melhor, muitas partes já possuem pontas levantadas, sendo que se no início isso me fazia comichão agora já nem ligo.

 

Outra coisa que tenho em casa, são aqueles peixinhos-de-prata, uns bicharocos inofensivos mas que me irritam de uma forma indescritível.

 

Eu limpo, eu lavo, eu aspiro, mas os sacanas não há forma de desaparecerem - e ainda por cima não pagam renda os aproveitadores.

 

Ontem, estava eu a mudar a gaiola das minhas porquinhas, quando a passar no corredor vejo um daqueles peixinhos-de-prata muito refastelado a comer parte da cola que ainda resta do meu mapa-mundo.

 

Eu sei que devia ter tido calma, que devia ter respirado fundo, que devia ter contado até 100, mas subiu-me por mim acima uma irritação tão grande que dei uma pantufada de todo o tamanho no bicho que o fez voar uns bons cinco metros.

 

Estava eu com um sorrisinho de vitória na cara quando olho para a zona do mapa onde desferi o golpe e apercebo-me que faltava lá qualquer coisa.

 

Com a violência da pancada tinha conseguido arrancar Cuba do sítio.

 

Assim de um momento para o outro, dei cabo de um país.

 

Procurei Cuba por todo o lado.

 

No chão, nas paredes, na sola dos meus pés, no tecto, não havia sinais do país. Era como se tivesse levado com uma bomba atómica em cima, eclipsando-se no vazio da inexistência.

 

Em desespero chamei o Cara-Metade e expliquei-lhe que ia meter Portugal numa alhada em termos de relações internacionais.

 

Os cinco minutos seguintes foi ver-nos de cu para o ar à procura de Cuba.

 

Foi o Cara-Metade que encontrou o país desaparecido, colado no saco do lixo que eu estava a usar para mudar a gaiola das porcas, e foi ele que com todo o cuidado o voltou a colocar no sítio.

 

Ainda sugeri que já que estávamos com a mão na massa que a colocasse assim mais perto de Portugal, para as passagens aéreas ficarem mais baratas, mas ele não foi na minha conversa....

Clube Lisboeta

12.11.18, Triptofano!

Agora que o mau tempo parece que veio para ficar, é imprescindível encontrar lugares que nos transmitam uma sensação de conforto.

 

Um desses sítios é o Clube Lisboeta, situado no Príncipe Real a um saltinho de distância do Rato, que abre as suas portas de forma indiscriminada, sendo uma verdadeira lufada de ar fresco numa zona da cidade onde cada vez mais a restauração se alegra com os turistas mas não com os locais.

 

Entrar no Clube Lisboeta é como chegar de um safari fotográfico (para mim caçar animais só através de registos fotográficos) no Quénia ou no Botswana e poder relaxar num ambiente refinado, sumptuoso mas aconchegante.

 

A decoração do local é maravilhosa, reflectindo um elevado nível de bom-gosto, e a simpatia de quem nos recebe é extraordinária.

 

A cozinha está aberta aos olhos curiosos do público, e se por um lado pode ser uma bênção, para que todos vejam que não há nada a esconder e que todos os processos são feitos da melhor forma, também pode ser uma maldição, já que as falhas estão visíveis perante os olhos de qualquer um.

 

Neste Clube, onde os pratos têm inspiração internacional, em que os ingredientes são de grande qualidade e onde a preocupação com o ser saudável está bastante presente, o problema é a organização da cozinha.

 

Essa organização, ou falta dela, é que faz com que os pedidos se atrasem, que o cliente espere mais do que devia, e a experiência não seja tão fantástica como poderia ser. Porque a comida essa, é sem dúvida excepcional.

 

Por mais que custe a alguns ler estas palavras, a cozinha não é um local propício para democracias, mas sim para monarcas de pulso forte. Sobretudo em horas de serviço.

 

Eu e o Cara-Metade decidimos ir brunchar, algo que neste espaço se pode fazer todos os dias, não havendo aquela restrição do fim-de-semana, sendo que pedimos os dois brunchs disponíveis de forma a provarmos mais coisas.

 

Um dos pontos fortes foi que as bebidas que seleccionámos: foram logo servidas. O colaborador que nos atendeu, de forma inteligente, passado algum tempo veio questionar se estávamos agradados com a nossa escolha, uma forma de não nos apercebermos do tempo excessivo que a cozinha estava a necessitar para dar vazão ao nosso pedido.

 

O sumo do dia, de abacaxi e hortelã estava muito bom, com o equilíbrio ideal entre acidez e doçura. Gostei do detalhe de servirem pacotes de açúcar demerara, em vez do tradicional branco, do café ser orgânico, mas fiquei ligeiramente desapontado com o chá ser da Tetley.

 

Nada contra a marca mas é uma questão de expectativas, é como irem à farmácia pedirem um creme para a pele seca e eu vender-vos uma lata azul de creme Nivea.

 

Quando o brunch veio para a mesa chegou todo junto, o que nos deixou um bocado perdidos com tanta coisa boa à nossa frente.

 Clube Lisboeta

 

Conselho de amigo, ataquem primeiro a tapioca recheada com presunto de porco preto e queijo da ilha, porque é o elemento que mais vai ficar modificado com o passar do tempo. É chegar e comer, sendo que esta tapioca estava no ponto.

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Nas tostas a vencedora foi a de requeijão, pesto de ervas e ovos mexidos, onde todos os elementos se ligavam de uma forma bastante coesa, dando origem a uma tosta nutritiva e saborosa.

 

A de abacate, pico de gallo e ovo estrelado era sem dúvida deliciosa, mas o ovo estrelado talvez não precisasse de ser incorporado.

 

Enquanto que a combinação de abacate e pico de gallo transforma a tosta num elemento fresco do brunch, o ovo estrelado retira-lhe essa frescura e adiciona uma dose extra de "gordura", que num brunch que se pretendia delicado q.b. poderia ser evitado.

 Clube LisboetaClube Lisboeta

 

As bowls de iogurte eram um regalo para a vista, quase que gritando SAUDÁVEL mas sem serem monótonas ou desenxabidas.

 

Apesar de numa ser usado iogurte kefir (que tem imensos benefícios para o organismo) e noutra iogurte normal, a diferença em termos de sabor não é evidente, sendo na realidade quase imperceptível.

 

A bowl contendo morangos estava deliciosa, mas a que tinha uma maior diversidade de frutas foi a que colheu mais a nossa simpatia.

 

A granola usada era irresistivelmente viciante, de tão boa que era, um grande positivo para este elemento.

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O final deste brunch, onde me senti um Instagramer à séria, já que até fiz o Cara-Metade levantar-se do lugar para conseguir uma daquelas fotografias tiradas de cima (que tive de repetir 10 vezes por causa do meu síndrome Parkinsoniano Fotográfico), foram as panquecas de cacau, banana e aveia com creme de amendoim caseiro - um final doce que não desiludiu.

 

Bem executadas, suaves e fofas, acompanhadas com as raspas de coco, o molho de chocolate e o factor surpresa do creme de amendoim, entremeado pelas duas panquecas, são sem dúvida nenhuma a cereja no topo do bolo de um brunch bem pensado e rico tanto em termos de sabores como de valor nutricional.

 Clube Lisboeta

 

O Clube Lisboeta tem tudo para ser o refúgio preferido dos Alfacinhas (e não só) tanto nos meses de chuva como nos de sol.

 

O espaço é lindo, a simpatia de quem atende é fantástica e a comida é cheia de sabor.

 

É só afinar alguns pequenos detalhes para quem quer que o visite tenha uma experiência irrepreensivelmente memorável!

 

Clube Lisboeta

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O Melhor Petisco que Comi na Minha Vida

10.11.18, Triptofano!

Update : Brunch do Restaurante a Fazenda

 

Há momentos na vida de uma pessoa em que temos de recorrer a todo o nosso auto-controle para manter a calma e a postura.

 

Um desses momentos ocorreu quando fui jantar no restaurante A Fazenda, em Alfragide e, garanto-vos, que nunca pensei que tal pudesse acontecer.

 

Estava muito tranquilamente a saborear a minha refeição quando me puseram um petisco à frente com um aspecto excepcional.

 

Ansiosamente coloquei uma garfada na boca e o meu mundo transformou-se.

 

Só me apeteceu pegar em metade daquele manjar dos Deuses do Olimpo e esfregá-lo todo na cara enquanto lambuzava os dedos. Depois retirar a camisola, deitar-me em cima da mesa e esfregar o resto no meu peito desnudo enquanto atingia um orgasmo alimentar.

 

Felizmente consegui controlar-me, porque tenho um peito peludo e depois ficava com a comida toda lá agarrada e era uma chatice (além de que provavelmente seria expulso do restaurante por atentado ao pudor).

 

Ficaram curiosos em saber que petisco foi este que me levou ao delírio? Já lá vamos.

 

A visita ao A Fazenda deveu-se a um evento Gold cortesia da Zomato Portugal, estando presentes além de mim outros foodies detentores do Zomato Gold.

 

O espaço está bastante bem decorado, com detalhes deliciosos, sendo que o meu imaginário transportou-me para um monte Alentejano.

 

Fomos brindados com música ao vivo, mas não daquela que por vezes abafa as conversas e dá dores de cabeça, mas sim uma música suave, que nos acompanhava na refeição em vez de nos empurrar porta fora.

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

Antes de falar da comida em si não posso deixar de comentar a simpatia de toda a gente que trabalha neste restaurante.

Eu pensava que era uma pessoa simpática no meu trabalho, mas em comparação estou na realidade ao nível do Grou - O Maldisposto.

 

Se não fosse farmacêutico iria pensar que havia algum medicamento novo no mercado que deixava as pessoas extremamente felizes (infelizmente não há, acreditem que eu procurei), mas a verdade é que quando genuinamente se gosta do que se faz a alegria transparece para todos os que estão à volta.

 

Sobretudo a Inês, a dona do espaço, deve ser das pessoas mais alegres e positivas com quem me cruzei nos últimos meses.

 

A refeição começou com um Gin Sour e eu que não sou nada adepto de Gin fiquei completamente rendido a esta bebida, feita com Gin Tanqueray Flor de Sevilla, sumo de lima e clara de ovo.

 

Descobri que a pintinha castanha que ele tinha no meio, que também se encontra no Pisco Sour, é Angustura, uma preparação alcoólica à base de plantas.

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

Depois vieram as manteigas caseiras, uma tradicional, outra de coentros e salsa, e uma terceira de chourição, as quais devorei com quantidades industriais de pão.

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

Para não ficar embuchado ataquei valentemente a sangria branca, deliciosamente equilibrada e que escorregava muito bem.

 

Quando começaram a chegar os petiscos à mesa os meus olhos reluziram face a tanta coisa boa.

 

Aqui tenho que fazer um pequeno pedido de desculpas (sorry not sorry...) aos meus colegas foodies que provavelmente comeram muito menos que eu, já que eu basicamente me atirei a tudo o que estava na mesa sequestrando para a minha beira alguns dos pratos.

 

Tudo o que nos foi servido estava excepcional, desde as batatas fritas à fazenda e os chips de batata doce, passando pelos legumes assados e pelos pimentos padrón, não esquecendo os cogumelos fresquinhos.

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

Só que como em tudo, houve alguns petiscos que me tiraram do sério, por isso aqui vai o meu TOP 5 de petiscos a pedir quando forem à Fazenda.

 

Número 5 - Ovos Rotos

 

A Fazenda - Restaurante Zomato GoldA Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

Um prato de origem espanhola, os ovos rotos são basicamente ovos fritos cuja gema semilíquida é "rota" à nossa frente, fundindo-se com o presunto e as batatas fritas.

 

É fantástico como é que algo tão simples consegue ser tão saboroso.

 

Número 4 - Ovos Mexidos com Farinheira

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

Este é um clássico de qualquer restaurante de petiscos que se preze, mas quantas vezes é que não encontraram pedaços enormes de gordura que desvirtuavam o prato?

 

Estes ovos mexidos com farinheira, além de estarem deliciosos, não tinham nem um bocadinho de gordura para amostra, o que me deixou com um enorme sorriso no rosto.

 

Número 3 - Moelas Estufadas

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

Se há coisa que eu gosto de comer é moelas, e um dos meus objectivos de vida é descobrir os melhores locais em Lisboa para as comer.

 

Estas ficaram sem dúvida no meu Top 3 de Moelas Lisboetas, tenras, muito bem temperadas, uma delícia para as minhas papilas gustativas.

 

Quando a Inês me perguntou o que achava delas disse-lhe que só melhorava uma coisa, e ela foi como se me tivesse lido o pensamento, porque perguntou-me logo se eu gostaria delas um bocadinho mais fortes, assim a darem um punch maior de sabor.

 

Explicou-me que também ela gostava de um tempero mais "agressivo" mas como havia inclusive muitas crianças loucas por moelas que o sabor tinha de ser mais meigo.

 

A minha sugestão passaria por uma vez por mês banirem a entrada de criancinhas e darem tudo nas moelas (desculpem lá criancinhas.....)

 

Número 2 - Mil Folhas Cabreiras com Pinhões e Mel

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

A cremosidade do queijo, a textura crocante do mil folhas e dos pinhões e a suavidade gulosa do mel transformaram este petisco, que eu considero uma excelente pré-sobremesa, como um dos pontos altos da noite.

 

Simplesmente fantástico!!

 

Menção Honrosa - Gambas "Al Ajillo"

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

Dá-me gosto encontrar pessoas que além de adorarem o que fazem também sabem o que estão a fazer.

 

As gambas estavam boas até dizer chega, bem temperadas e bem cozinhadas mas o que me deliciou foi a apresentação.

 

Quantos sítios é que já não fui onde a gamba vem com a casca na sua totalidade, obrigando-me a vestir um daqueles impermeáveis que os turistas usam quando chove de forma a não ficar todo sujo e com as mãos cheias de molho ao tentar descascar sem sucesso o raio da bicha? (vamos ter em conta que eu nunca serei aquela pessoa que vai conseguir descascar marisco com faca e garfo ok?)

 

Aqui a gamba vinha com a cabecinha, a ponta do rabinho para lhe podermos pegar de forma seguro, e o corpo delicioso já estava descascado.

 

Assim dá gosto comer!

 

O meu único arrependimento foi que me esqueci de molhar o pãozinho no molho - apeteceu-me dar chibatadas a mim próprio por tamanha falha!

 

Número 1

 

O melhor petisco que comi na minha vida. A combinação de sabores que me fez ter um orgasmo nas papilas gustativas. A coisa mais fantástica que já entrou na minha cavidade bucal.

 

Panado Chévre com Compota Caseira de Frutos Vermelhos

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

  

Gordura e açúcar: a combinação perfeita para qualquer guloso que se preze.

 

Mas esta combinação estava fantástica, é que eu nem consigo arranjar palavras para descrever o quão bom estava, só mesmo provando.

 

Se eu soubesse tinha levado um tupperware para levar meia dúzia daquelas maravilhas para casa.

 

Mandei uma foto ao Cara-Metade com a legenda Baby, baba baba ba porque já sabia que ele ia roer-se de inveja.

 

Não posso garantir, mas tenho a sensação que ele me bloqueou durante um par de horas como retaliação por eu estar-lhe a fazer pirraça.

 

Houve pessoas no meu grupo que disseram que este petisco não tinha sido o melhor - eu como pessoa democraticamente instruída sorri e deixei de as seguir no Zomato porque naquele momento perderam para mim toda e qualquer credibilidade!

 

Depois de todos estes petiscos fantásticos ainda vieram sobremesas.

 

Eu nesta altura já tinha os meus quatro estômagos de vaca completamente cheios, por isso o arroz doce e a torta de laranja não foram provados por mim, mas quando descobri que havia Banoffee - que é só uma das minhas sobremesas favoritas - usei a minha técnica de sacudir o estômago para encaixar melhor a comida estilo Tetris, e arranjei um espaço para ele.

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

Estava muito boa com os sabores equilibrados sem haver nenhum a sobrepor-se ao outro.

 

Só mudava um pequeno detalhe: quando se comia de vez em quando sentiam-se alguns cristais de açúcar, o que me leva a crer que não foi usado açúcar em pó.

Mas de resto estava óptima.

 

Se quiserem fazer um convívio de amigos, um jantar de aniversário, um almoço com a vossa empresa, ou simplesmente irem com alguém especial (nem que sejam vocês mesmos) e deliciarem-se com comida fora de série, A Fazenda é o lugar onde devem ir.

 

A Fazenda - Restaurante Zomato Gold

 

E como eu estou tão confiante que vão gostar, se quiserem mandem-me pelo Instagram (@triptofano86) fotos vossas a babarem-se com o Panado Chévre - eu prometo que não as publico no meu feed! 

 

 

 

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