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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Há sempre uma primeira vez

18.10.18, Triptofano!

Ontem fui à piscina.

 

Ainda não estava completamente recuperado da gastroenterite mas precisava de ir nadar um pouco, não tanto pela parte física mas porque o meu cérebro precisava rapidamente de se distrair da doença.

 

Foi uma decisão arriscada, porque ainda havia a probabilidade de ser atacado por uma cólica surpresa e quando desse conta era eu desta vez o responsável pela conspurcação da piscina.

 

Nadei, umas vezes mais depressa outras mais devagar, queimei calorias, cansei-me física e mentalmente, porque quando estou com a cabeça dentro de água parece que em vez de afogar os meus pensamentos eles multiplicam-se descontroladamente.

 

Quando voltei ao balneário fui tomar o meu duche e depois, sossegadamente, comecei a vestir-me.

 

Ao baixar-me para procurar os meus ténis é que comecei a ver a situação mal parada.

 

Realmente estavam um bocadinho afastados de onde os tinha deixado uns ténis pretos com riscas brancas.

Só que eu ia jurar que o interior dos meus ténis não era azul.

 

Míope como eu sou, tive que praticamente enterrar a cabeça dentro dos ténis para perceber que sim, aqueles ténis eram azuis - a não ser que a gastroenterite me tivesse deixado daltónico - e os meus não eram azuis por dentro.

 

Depois fui ver a marca.

 

Os meus eram marca branca da Decathlon, aqueles eram da Adidas.

 

Mesmo assim, ainda na dúvida que pudesse estar a ter uma falha de memória épica, verifiquei a parte da frente dos ténis.

 

Os meus estavam todos cosidos, meio destruídos.

Aqueles estavam impecáveis, lisinhos, bonitos, lavadinhos, e, ou existem elfos sapateiros nos balneários da piscina ou houve uma alminha que levou o meu calçado por engano e deixou-me o dela.

 

Pode até parecer uma boa troca, perco uns ténis baratos, velhos e rasgados, e ganho uns novinhos de marca.

 

O problema é que eu calço o 45, os que ficaram no balneário eram o 42.

 

Agora alguém me explica, como é que há gente tão despassarada que sai com uns ténis três números acima e não estranha que há algo de errado?

 

Pior, a pessoa que me deixou o seu calçado tinha meias daquelas curtinhas, estilo pezinhos, e eu tinha meias finas bem grandes.

 

Só consigo perceber isto se o responsável pela troca sofrer de Alzheimer, porque de outra forma não há explicação para alguém achar que as suas meias cresceram durante o tempo que praticou exercício.

 

Resultado, depois de deixar o meu número na recepção para me ligarem se alguém fosse reclamar sobre uns ténis trocados, voltei para casa com os dedos grandes todos encolhidos, que era isso ou ir de chinelos, e o tempo já não está propriamente agradável para andar com os pés descapotáveis.

 

As meias essas não as calcei, já que nem me deviam chegar sequer a meio do pé e porque fiquei com medo de apanhar algum fungo maluco.

 

Mas a primeira coisa que fiz quando cheguei a casa foi ir lavá-las.

 

É que parte de mim tem vergonha de as devolver sujas e mal-cheirosas....

 

 

Ver o Copo Meio-Cheio

16.10.18, Triptofano!

Há muitos anos que não faltava ao trabalho por doença.

 

Ontem foi o dia, tudo graças a uma maravilhosa gastroenterite de origem desconhecida, que tanto posso ter contraído ao consumir um alimento deteriorado ou por ter sido alvo do gafanhoto de pessoa terceira.

 

Tudo começou no sábado ao fim do dia, quando me comecei a sentir mais fraco e cansado do que é costume.

 

Não liguei porque normalmente o meu corpo nos dias em que não trabalho vai a baixo, como um computador quando o colocamos em modo de hibernação.

 

Quando acordei no domingo sentia-me pior e até coloquei uma foto no meu Instagram a queixar-me de quão bom era estar doente num domingo (e sim, lá por estar adoentado não implica que tenha de estar com um ar totalmente destruído na foto - e já agora o meu obrigado a todos os que me desejaram as melhoras).

 

Porém, apesar de me sentir menos bem, ainda consegui fazer a minha vida normal durante o dia.

 

O pior foi quando chegou a noite.

 

Primeiro não consegui jantar praticamente nada. Só o simples facto de olhar para a comida me enjoava.

 

Depois veio a febre, tendo atingido uns fabulosos 39 graus.

 

Por fim, a maravilhosa da diarreia.

 

Foi uma noite para lá de infernal.

 

Além de ter acordado umas cinco vezes no espaço de seis horas para ir sentar o meu rabiosque na sanita, levando-me a duvidar se não teria sido raptado a meio da noite por um médico sociopata que me tivesse ligado a bexiga ao ânus tal era a consistência fluida da minha matéria fecal, numa das vezes tive que despertar o Cara-Metade e pedir-lhe para me ajudar a trocar os lençóis porque eles estavam encharcados, de tanta transpiração que saiu do meu corpo devido à febre.

 

De manhã, apesar da febre já estar mais controlada, muito graças aos medicamentos que enfiei para dentro do estômago, continuava a sentir-me extremamente nauseado além de que as cólicas abdominais e a diarreia tinham vindo para ficar. 

 

Porque é que não tomei eu logo seis comprimidos de um anti-diarreico qualquer perguntam vocês?

 

É que nunca se deve parar a diarreia quando há febre, porque se não ainda estão a fazer permanecer durante mais tempo no vosso corpo o agente nefasto, quando vocês querem é ver-se livres dele.

 

Ainda ponderei ir trabalhar, mas pensar que me podia borrar todo nas cuecas no comboio ou vomitar para cima de alguém que inocentemente estivesse ao meu lado a comer uma sandes de fiambre e um iogurte meio-gordo com aroma a morango fizeram-me pensar duas vezes.

 

Além disso, se a minha gastroenterite tivesse origem viral talvez não fosse a melhor ideia ir contaminar os meus colegas de trabalho, porque depois estariam todos eles em casa adoentados e eu sozinho na farmácia a ter um burn out por atender 80 pessoas por hora, metade delas sendo o tipo de utente que acha que faz medicamentos de marca mas depois fica indignado quando lhes peço uma suposta fortuna (muitas vezes acima de um euro já é uma fortuna, que uma pessoa tem de comprar raspadinhas - mas pronto cada um tem as suas prioridades!).

 

Como podem ver não foi uma situação muito agradável esta pela qual eu passei (e que ainda continuo a passar, visto estar a escrever este post sentado na sanita) mas, pessoa positiva como eu tento ser, quis ver o copo meio-cheio e retirar todas as coisas boas desta situação.

 

Antes de mais, ficar em casa e não ter ido trabalhar não é uma das coisas boas de se estar doente.

 

Quando realmente se está doente uma pessoa sente-se tão mal mas tão mal que preferia trabalhar duas semanas seguidas sem folgas do que se arrastar pela casa ao mesmo tempo que têm uma epifania de que afinal já não é tão nova como pensa.

 

Primeiro que tudo, poupei um dinheirão em desintoxicação.

 

Há pessoas que gastam rios de dinheiro em saunas e banhos turcos e câmaras de infravermelho, tudo para retirarem as toxinas do corpo.

 

Eu suei tanto, mas tanto, mas tanto naquela noite de domingo para segunda que não ficou toxina alguma para contar a história.

 

Os meus poros estão desobstruídos, a minha pele está brilhante, e tudo isto sem ter pago um tostão.

 

Em segundo, já há algum tempo que queria perder um bocado de barriga.

 

Eu bem que me esforço na natação, que não como tanto como eu gostaria, que evito certos alimentos e de vez em quando até acendo uma vela ao luar e faço uma dança cerimonial para ver se o raio das banhas desaparecem, mas os resultados teimam em não aparecer.

 

Com esta combinação incrível de incapacidade para comer o que quer que seja sem ter-se um reflexo de vómito e diarreia líquida constante, abati no mínimo uns 5 quilos.

 

Estou com uma barriga lisinha como não tinha há muito tempo.

 

Quando deixar de ter este aspecto anémico partilho convosco uma foto no Instagram ok?

 

Por fim, descobri com alguma alegria que não sou 100 % homossexual.

 

Segundo a Escala de Kinsey a maior parte das pessoas não é estritamente homo ou heterossexual, podendo estar mais ou menos próxima de cada um dos polos, sendo que a sexualidade de acordo com a fase da vida pessoa também pode variar.

 

No meu caso sempre achei que estava ali de pedra e cal no 100% homossexual, visto que quando me falam de vaginas regurgito imediatamente a minha última refeição.

 

Ora o interessante é que na noite fatídica da minha doença sonhei que tinha relações sexuais com uma mulher, e o mais extraordinário é que quando despertei não me apeteceu tomar banho em lixívia, parte de mim até estava entusiasmada/interessada com o sonho.

 

É óbvio que tal manifestação do meu sub-consciente deveu-se à febre e à desidratação resultante da transpiração excessiva, mas não consigo evitar ficar satisfeito e aliviado com tamanha revelação.

 

Mas aliviado porquê perguntam vocês? Não estou eu confortável com a minha orientação sexual?

 

A questão é que agora, se um dia o planeta Terra sofrer um cataclismo e os únicos sobreviventes forem eu e um grupo de mulheres, há esperanças no repovoamento do planeta.

 

Bem, pensando melhor, acho que é mais realista aceitar que nessa altura serão as baratas a dominar o planeta....

Bom Senso: Essa Criatura Mítica

14.10.18, Triptofano!

Existe quem defenda com unhas e dentes a existência de sereias. Outros, garantem já terem visto cara-a-cara o Abominável Homem das Neves. Há ainda quem afirme que os unicórnios não são simplesmente cavalos vestidos para o Halloween.

 

Eu gostaria de acreditar que o bom senso não foi arremessado para a categoria de criaturas míticas, mas infelizmente as últimas notícias que tem figurado nos meios sociais retiraram-me alguma da esperança.

 

Comecemos pelo furacão Leslie.

 

Acho que foi feito um maravilhoso trabalho a tentar minimizar os danos materiais e humanos que poderiam ter sido causados por este acontecimento natural, porém, sinto que a forma como a Leslie foi anunciada parecia que ia ser o fim do mundo, que uma pessoa teria que ficar a viver num bunker durante 2 meses e nem poderia usar a aplicação do Uber Eats.

 

Da mesma forma tive a percepção que certos canais televisivos estavam ligeiramente desapontados por o drama e o horror do furacão não terem sido assim por ai além, tendo visto repórteres excitadíssimos a anunciar que os vidros duma casa tinham sido partidos quando lá por dentro tenho a certeza que eles queriam era que os vidros tivessem degolado um casal de idosos, de forma à próxima hora e meia ser preenchida com detalhes do caso, como a espessura do vidro, o ângulo a que ele foi projectado, ou se as vítimas usavam creme da Cien como hidratante.

 

Mas a maior falta de bom senso é relativa aos "desalojados" que estavam no parque de campismo. 

 

Uma pessoa deixa de ir jantar fora e fica fechada em casa com medo de levar com uma árvore em cima mas aquelas almas iluminadas achavam mesmo que as suas tendas último modelo com tecto duplo iriam resistir à intempérie?

 

É como se tivéssemos ido ao frigorífico, encontrado um iogurte com bolor mas mesmo assim tê-lo comido e ainda lambido a tampa. Acreditar que não iríamos ficar de diarreia no dia seguinte é de uma colossal ingenuidade.

 

A outra falta de bom senso gritante é o caso da portuguesa que caiu da varanda de um prédio no Panamá a tentar tirar uma selfie.

 

Sim, foi uma irresponsabilidade o que a senhora fez e que infelizmente acabou da pior forma, mas a minha indignação dirige-se mais a quem publicou nas redes sociais o vídeo da queda.

 

Já nem condeno a quem o fez, porque pronto, até pode ter sido importante para se perceber que foi realmente um acidente e não um homicídio/suicídio, apesar de achar que o ser humano cada vez está mais fascinado em registar os momentos mais escabrosos possíveis.

 

Agora quem o escarrapachou online para todas as pessoas poderem ver?

 

É que não acrescenta nada à notícia - acho que qualquer um consegue imaginar como é alguém a cair de uma varanda!!! - e foi simplesmente posto com o intuito de explorar o sentimento macabro que existe em praticamente cada um de nós, de forma a gerar mais visualizações e likes e partilhas e diabo a sete.

 

Acho que vou começar a espreitar debaixo de pedras a ver se encontro um bocadinho de bom senso para distribuir pelo mundo, é que visivelmente há uma falta gritante deste.

 

 

A Marquesa de Marvila

12.10.18, Triptofano!

Sabem aquelas pessoas em cujas veias circula uma versão premium de sangue?

 

Aquelas pessoas que possuem um título como Condessa, Baronesa, Arquiduquesa, sempre seguido de um nome de uma terra parcialmente desconhecida, como Palafita, Ais-de-Cima ou Nabiçal?

 

Aquelas pessoas que se recusam a respirar oxigénio e optam por um gás nobre como o argon?

 

Certamente conhecem alguém assim, que para beber uma chávena de chá estica três dedos da mão e dois do pé.

 

Que só come biscoitos com combinações estranhas, como pepino e aroma de fumo, porque é uma tradição familiar.

 

Que nunca teve uma diarreia daquelas de pintar a sanita.

 

Que nunca ficou com as coxas assadas por se ter lembrado de vestir aquelas calças justinhas.

 

Que é tudo maravilhoso na vida dela, só festas, só gente bonita, só croquetes sem glúten, orgasmos múltiplos só por se chegarem perto dela.

 

Bem, a Marquesa de Marvila não é uma dessas pessoas.

 

Quer dizer, talvez a parte dos orgasmos possa ser verdade, mas eu pessoa cuidadosa nunca me aproximei demasiado dela para o comprovar.

 

Mas se gostam de pessoas que dizem as coisas como elas são, que têm uma opinião e não vão simplesmente com a maré, e que ainda por cima escrevem bem e tem sentido de humor, então fiquem aqui no meu blog.

 

Pronto..... podem e devem visitar o da Marquesa. Não se vão arrepender!!!

Receita de Folhado de Robalo

11.10.18, Triptofano!

Uma coisa que eu ando agora muito atento é aos Termos de Pesquisa aqui do blog, de forma a saber como é que alguns dos visitantes aqui deste cantinho vem cá parar.

 

E se há coisa que me entristece o coração é saber que houve uma pobre pessoa que na sua inocência entrou no meu blog à procura de uma resposta e, além de possivelmente ter ficado escandalizada com algumas atrocidades que poderá ter lido, não encontrou esclarecimento para as suas dúvidas.

 

Foi certamente o que aconteceu ao anónimo leitor que entrou no blog com o termo de pesquisa Folhado de Robalo, visto que, se não me falha a memória, nunca falei sequer de robalo neste meu espaço.

 

Mas como eu não quero que tal volte a acontecer, decidi que iria partilhar uma receita de folhado de robalo.

 

Se foi feita por mim?

 

Obviamente que não, porque dessa forma teria de passar um fim-de-semana nas urgências do Santa Maria a fazer uma lavagem ao estômago.

 

Se eu massacrei o Cara-Metade para ele a fazer de forma a eu a poder partilhar aqui no blog?

 

Podem crer que sim! 

 

 

Folhado de robalo e vegetais, amêndoas e molho de Favaios

 

(simples e fácil, a sério! - segundo o Cara-Metade, que só é Professor de Cozinha por isso nunca se deve acreditar totalmente na simplicidade e facilidade dele)

 

Folhado de Robalo

 

 

(Nota: Esta receita foi feita com o auxílio da Bimby, se alguém precisar de ajuda a fazer a transição para o método manual é só deixar mensagem ou mandar e-mail!)

 

 

Ingredientes

 
3 robalos, como saíram do mar
1 raminho de coentros
Sal grosso qb
1 couve romanesco, só os raminhos
1 cenoura em rodelas
1 pimento vermelho em Juliana
 
Azeite virgem extra qb
1 cebola roxa em juliana
1 pitada de caril
Sal qb
Pimenta preta moída qb
Coentros frescos picados qb
 
1 rolo de Massa folhada
1 gema de ovo
 
200ml de Favaios
20g de Maizena
Flor de sal qb
20g de manteiga com sal fria
 
50g de amêndoas laminadas
 
 
1. Dispor os robalos na Varoma da Bimby, temperar com sal grosso abundante e colocar o ramo de coentros. Reservar.
 
2. Colocar a cenoura em finas rodelas, o pimento vermelho em juliana e os raminhos de couve romanesco a cozer a vapor ao mesmo tempo que o peixe. Cozer durante 25 minutos.
 
3. Quando terminar, remover a causa do peixe e a partir daí retirar cuidadosamente a pele ao peixe, expondo os seus lombos. Limpar de espinhas. Reservar.
 

Folhado de Robalo

 

Folhado de Robalo

 

 
4. Numa frigideira, juntar a cebola roxa em juliana, o azeite virgem extra e refogar até que a cebola amoleça. Adicionar os vegetais e os lombos do robalo reservados, envolvendo delicadamente. Polvilhar com um pouco de caril (para abrir os sabores) e rectifique de sal e pimenta. Se necessitar, adicione um pouco de água para que o sal possa derreter e temperar o prato uniformemente, deixando-a evaporar.
 
5. Abrir a massa folhada e colocar no centro o recheio previamente preparado. Fechar a massa a gosto. Pincelar com a gema de ovo. Cozer no forno a 190° por 15 minutos ou até dourar.
 
6. Numa caçarola, colocar o Favaios a ferver. Retirar um pouco deste vinho para outro recipiente para desfazer a Maizena. Adicionar esta Maizena ao vinho fervente e temperar com flor de sal. Terminar o molho com manteiga fria, mexendo a frigideira apenas com movimentos circulares até que a manteiga derreta. Não usar colher. Deixar espessar o molho ligeiramente.
 
7. Numa frigideira anti-aderente, tostar as amêndoas ligeiramente e servir o folhado com um apontamento de amêndoas e molho de Favaios. Acompanha bem uma salada.
 
 
 

Folhado de Robalo

 

 

Uma seringa que virou o meu mundo do avesso no trabalho

10.10.18, Triptofano!

Esta história já estava prometida há muito tempo, por isso como o que é prometido é devido, aqui está o relato de como uma seringa virou o meu mundo do avesso no trabalho.

 

Na farmácia onde eu me encontro prestamos o serviço de administração de vacinas e injectáveis.

 

Para mim já é bastante corriqueiro dar alguns tipos de injecções, como as vacinas da gripe e da pneumonia, umas subcutâneas na barriga para diluir o sangue, injecções de vitamina B12 ou as extremamente banais combinações de Relmus e Voltaren quando uma pessoa está entravada que nem se consegue sentar.

 

Mas depois existem aquelas que uma pessoa treme só de ouvir o nome delas, como é o caso das Lentocilin, umas injecções de penicilina que além de ser dolorosas para quem as recebe não são a coisa mais fácil deste mundo de preparar.

 

Antes de continuar a história quero que observem a imagem abaixo para que não haja dúvidas sobre o que me aconteceu.

 

Seringa

Esta imagem serve apenas para identificarem as diferentes partes da seringa. A retratada é uma seringa de insulina, que não é a que eu uso para dar injecções - normalmente as que utilizo possuem agulha amovível.

 

Ora estava eu muito bem a trabalhar quando chega um utente a pedir que lhe fosse administrado uma Lentocilin.

 

O meu primeiro instinto foi passar a batata-quente para um colega que tinha sido enfermeiro, mas infelizmente ele estava de folga. E para meu infortúnio não havia mais ninguém que quisesse administrar a injecção.

 

Enchi-me de coragem e disse ao senhor que eu lhe daria a pica, mas que me desse cinco minutinhos enquanto eu a ia preparar.

 

Fui para o gabinete, chorei durante 30 segundos e depois comecei a preparação.

 

Eu foi rodar o frasco para o aquecer, enfiar líquido, tirar líquido, acender uma vela de eucalipto, fazer um movimento de zumba com a anca e por fim já tinha tudo pronto para administrar.

 

Abri a porta e chamei o senhor, que estava na conversa com outra pessoa.

 

Chamei, voltei a chamar, ponderei em atirar para o ar um foguete de sinalização para ver se ele me via, até que ele se decide em vir ter comigo.

 

Fui directo ao assunto:

 

Mostre-me o cu.

 

Isto comigo é assim, não há cá floreados.

 

Mal vi o cu do utente, pimba, espetei-lhe com a injecção.

 

Tudo corria bem.

 

Comecei a administrar o líquido mas pouco depois deixei de conseguir empurrar o êmbolo.

A seringa tinha entupido - algo bastante corriqueiro de acontecer com a Lentocilin, segundo o que me ensinaram.

 

Mantive a calma, pedi desculpa ao senhor e disse-lhe que o teria de picar outra vez.

 

Substituí a agulha, usei a antiga para desbloquear alguma partícula que pudesse ter ficado na saída do corpo da seringa, e voltei a picar.

 

Quando tentei empurrar o êmbolo ele tornou a não se mexer.

 

Nesta altura já todo eu suava, tremia, prestes a desmaiar.

 

Pedi novamente desculpa ao senhor porque o devia estar a magoar, ao que ele me responde que não, que nem estava a sentir nada.

 

Então pensei para mim:

 

Ah, estás a ser idiota, se calhar este líquido é espesso e tens de fazer mais força para ele entrar.

 

Resolvi então aplicar toda a minha força no êmbolo da seringa, o líquido iria entrar a bem ou a mal!

 

PUM

 

Numa fracção de segundo o êmbolo da seringa saltou da mesma contra a minha cara, e eu, a parede e o chão ficaram cobertas com um líquido branco.

 

Inacreditavelmente o utente continuava impávido e sereno com a seringa espetado no rabo sem se dar conta do que tinha sucedido.

 

Descobri depois que o problema não foi a agulha entupir mas sim a Lentocilin ter como que precipitado dentro da seringa devido ao facto do utente não ter ido logo ter comigo.

Se eu a tivesse preparado ao pé dele já nada disto teria acontecido, mas para não ficar nervoso durante a preparação acabei por passar a maior vergonha de sempre durante a administração.

 

Mil e uma ideias passaram-me pela cabeça sobre como resolver a situação, mas nenhuma era plausível por isso tive de dizer ao utente que teríamos de fazer uma pequena pausa.

Quando ele se virou e descobriu-me com os óculos e a cara toda salpicada de branco primeiro ficou estupefacto, mas depois começou a rir-se descontraidamente.

 

Felizmente para mim era uma pessoa muito acessível, e apesar de eu querer um buraco para me enfiar não me fez sentir ainda pior.

 

Pedi-lhe dois minutos, fui buscar uma nova injecção enquanto chorava um bocadinho, preparei-a ao pé dele, e com uma ansiedade terrível a saltar-me pela boca, administrei-a.

 

Perfeitinha, sem dores, sem nenhum problema associado.

 

Apesar de tudo ter terminado em bem fiquei traumatizado. Porque acho que sou o primeiro e único farmacêutico do país a quem lhe explodiu uma seringa na cara!

Museu do Dinheiro

09.10.18, Triptofano!

Quando o Cara-Metade disse para irmos ao Museu do Dinheiro prontamente imaginei-me a mergulhar numa piscina cheia de moedas de dois euros, como se fosse uma espécie de Tio Patinhas dos tempos modernos.

 

Não houve piscina nem com moedas, nem com títulos de tesouro, nem sequer com bitcoins, mas foi uma visita interactiva, interessante, apta para quem tem crianças pequenas, e cereja no topo do bolo, gratuita.

 

O Museu do Dinheiro situa-se na Antiga Igreja de S.Julião, no Largo de São Julião em Lisboa, estando aberto de quarta a sábado, das 10 às 18h.

 

O edifício da antiga igreja é imponente e impressionante, e a visita vale a pena nem que seja apenas para admirar o seu interior.

 

Depois de um rigoroso controlo de metais, que me fez pensar duas vezes se não tinha sofrido uma crise de amnésia e estava na realidade a embarcar para um avião, temos acesso ao Museu do Dinheiro, que apresenta o tema do dinheiro, a sua história e evolução, em Portugal e no mundo; e à muralha de D.Dinis, classificada como Monumento Nacional, onde se pode ver e interpretar as "impressões digitais" deixadas na muralha ao longo dos anos e artefactos arqueológicos de vários períodos indispensáveis para conhecer o passado da cidade.

 

Não querendo tirar relevo à muralha, o Museu do Dinheiro para mim foi a melhor parte da visita, especialmente porque era interactivo.

 

Sinto que nos dias de hoje cada vez é mais complicado entusiasmar um visitante apenas com palavras escritas na parede e relíquias históricas expostas atrás de uma vitrine.

As pessoas precisam de se envolver e de sentir que fazem parte da história que se exibe, e este museu consegue fazê-lo na perfeição.

 

Poder tocar e tentar levantar uma barra de ouro de 12 kgs, observar ao microscópio as fibras dos diferentes materiais que foram usados para fazer notas, lançar uma moeda virtual numa fonte dos desejos e poder descobrir se a nota de 50 euros que temos na carteira é falsa ou não, são algumas das actividades que podem ser realizadas enquanto se descobre o acervo do museu.

 

Além disso, através do uso do bilhete, certas experiências são gravadas na área A Minha Visita do site do Museu, onde num prazo de 30 dias podemos redescobrir os resultados dos quizzes que fizemos ao longo da visita, a nota com o nosso maravilhoso rosto impresso ou mesmo a moeda com o relevo do nosso perfil. (infelizmente, quando tento aceder à minha área pessoal diz que o meu bilhete não foi encontrado, já mandei um e-mail a ver se me conseguem ajudar!)

 

Já agora, sabiam que as notas de euro danificadas ou mutiladas podem ser trocadas nos bancos centrais desde que conservem uma área superior a 50% e seja possível a confirmação da sua genuinidade? 

 

Museu do Dinheiro

 

Museu do Dinheiro

 

Museu do Dinheiro

 

Museu do Dinheiro

 

Museu do Dinheiro

Novidades Uriage Outono 2018

08.10.18, Triptofano!

Eu sei que é difícil acreditar que já estamos no Outono, especialmente quando abrimos o Instagram e toda a gente está de calções de banho a fazer poses sensuais na praia, mas sim, estamos quase a meio de Outubro e na farmácia onde trabalho já chegaram umas novidades da Uriage.

 

Spray Nasal de Água Termal da Uriage

 

Spray Nasal de Água Termal da Uriage

 

 

Água do mar para lavar o nariz?

 

Esqueçam isso!!!

 

Agora a nova moda é enfiar pela vossa cavidade nasal água termal.

 

A água termal terapêutica da Uriage é utilizada há 200 anos na Estação Termal de Uriage em tratamentos de otorrinolaringologia e agora foi engarrafada juntamente com nitrogénio (que funciona como gás propulsor) de forma a poder limpar suavemente todos os narizes de adultos e crianças.

 

Esta água é rica em oligoelementos e sais minerais (11000mg/l), não possui conservantes e respeita a integridade da mucosa nasal.

 

Serve para a higiene diária, fazendo-se 1 a 2 pulverizações por dia, em cada narina, e para situações mais ocasionais, como rinites, sinusites, congestões nasais e alergias, onde se podem fazer até 6 pulverizações em cada narina por dia, durante um espaço de 7 dias.

 

Atenção que este spray nasal de água termal da Uriage é isotónico, o que significa que a sua maior função é fazer uma correcta limpeza das fossas nasais e dos seios perinasais, devendo ser sempre usado antes da utilização de outro tipo de tratamento nasal.

 

Se procuram um spray maioritariamente descongestionante então deverão optar por outra marca que seja hipertónica, sendo que os produtos hipertónicos não estão recomendados para um uso diário.

 

Xemose Bálsamo-Óleo Apaziguante Anti-Prurido

 

Xemose Bálsamo-Óleo Apaziguante Anti-Prurido

 

 

Adequado para bebés, crianças e adultos, este bálsamo-óleo é maravilhoso para controlar crises severas de comichão, como por exemplo em pessoas que sofrem de psoríase.

 

O objectivo deste produto é diminuir a secura cutânea, ter uma acção antipruriginosa imediata e espaçar os períodos de crise.

 

Na sua composição figuram os complexos TLR2-Regul e Cerasterol 2F, que juntamente com a água termal de Uriage vão ter uma acção antipruriginosa e anti-recidiva de 48 horas; o ingrediente patenteado Chronoxine que permite uma acção apaziguante imediata; e a mateiga de karité e o óleo de illipé que fornecem uma acção nutritiva intensa.

 

Sem perfume nem conservantes, este bálsamo-óleo está formulado para ser usado após o banho, sendo que não deixa a pele oleosa, podendo-se vestir a roupa logo a seguir.

 

Sou muito honesto, quando dizem que um óleo não fica pegajoso desconfio sempre, mas uma amiga minha comprou este produto visto sofrer de uma psoríase bastante chata e o feedback dela foi super positivo.

 

Segundo ela o bálsamo-óleo da Xemose deixa a pele muito suave e não é de todo oleoso.

 

Porém, ela precisa de aplicar duas vezes ao dia, porque se aplicar apenas de manhã, no período da noite já sente que começa a desenvolver alguma comichão!

Festival da Sapateira em Santa Cruz

07.10.18, Triptofano!

Festival Sapateira Santa Cruz

 

O ser humano é uma verdadeira antítese.

 

Se o Cara-Metade me pedir para sair de casa e ir ao café da esquina comprar uns croissants fresquinhos para o pequeno-almoço, todo eu me transformo em dores e drama, como se me tivessem espetado uma agulha a ferver na sola do pé.

 

Se ele me perguntar se eu quero ir a Santa Cruz ao festival da Sapateira eu vou já estar com metade do corpo fora de casa ainda nem ele acabou a pergunta, não obstante Santa Cruz ser a uma hora de distância de onde vivemos.

 

Comer sapateira à discrição pareceu-me uma excelente ideia, mesmo eu sendo aquele tipo de pessoa que demora hora e meia a conseguir tirar alguma coisa das patas da bicha e que já quase que foi acusado de agressão por ter batido com o martelo num colega de mesa.

 

Ir ao Restaurante-Marisqueira O Polvo é que já não foi uma ideia assim tão boa.

 

O local até parecia promissor, ao pé do mar, com um cheirinho a maresia. O restaurante era visivelmente antigo mas nada que demovesse quem tinha vontade de encher o bandulho com sapateira.

 

Ficámos sentados num anexo ao restaurante, visivelmente desenrascado para este tipo de eventos, onde descobrimos que temos uma capacidade mutante, a de sermos totalmente invisíveis, porque durante vinte minutos ninguém deu pela nossa presença.

 

Depois de descobrirem que afinal éramos pessoas de verdade e não bonecos de cera lá começaram a chegar as sapateiras e cestas com pão, muito pão, tanto pão que era quase possível abrir uma mini-padaria no local.

 

Era óbvio que o intuito era que uma pessoa ficasse tão embuchada com hidratos de carbono que depois não tivesse vontade de atacar o marisco.

 

A sapateira foi uma desilusão.

 

Apesar de parecer fresca, já que às vezes pela carne consegue-se ver quando ele esteve congelada durante eternidades, o sabor era muito banal.

Certamente que tinha sido cozida em água e sal e mais nada, sendo que para ter um sabor apelativo precisava de ter sido cozinhada numa infusão de ervas e aromáticos.

 

O molho de sapateira também não conquistou, além de ser demasiado aguado continha pedaços do coral.

 

As sobremesas podiam ter sido uma redenção do O Polvo, mas hoje em dia já ninguém quer comer uma sobremesa que venha dentro de uma caixinha e tenha sido feita de forma industrial. Para isso vamos ao supermercado e comemos mais por menos.

 

A única coisa que salvou a noite foi a simpatia da empregada que nos recebeu (depois de descobrir que afinal não éramos invisíveis), que apesar de estar ali a fazer um extra revelou que tinha todo o potencial para ser uma funcionária perfeita!

 

Da próxima vez que o Cara-Metade questionar-me acerca de um festival da sapateira, bem, provavelmente irei a correr comprar croissants no café da esquina para ver se ele se esquece de tal ideia.

 

O Polvo - Festival da Sapateira em Santa Cruz

 

O Polvo - Festival da Sapateira em Santa Cruz

 

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As Mulheres são todas umas Putas

05.10.18, Triptofano!

Talvez o título esteja parcialmente incorrecto, talvez devesse ser As mulheres que frequentam discotecas e interagem com homens conhecidos são todas umas putas.

 

Pelo menos é esta a ideia com que fico depois de várias conversas cara-a-cara sobre a situação Ronaldo vs Possível Violação.

 

Na minha inocência achei que fossem maioritariamente os homens, vítimas de uma nostalgia machista, a catalogarem qualquer moça que se atreva a falar com um rapaz com uma conta bancária mais recheada de trepadoras penianas e sociais, de interesseiras de perna aberta, de ordinárias sem vergonha na cara.

 

Mas foram as mulheres que mais agressivamente, com um ranger de dentes à mistura, pintaram a letra escarlate na testa da jovem que teve a infeliz ideia de ir para o quarto do jogador de futebol.

 

Fico a compreender que no mundo existem dois tipos de mulheres, as putas ordinárias só com olho no dinheiro e as recatadas protectoras dos bons costumes e morais, que provavelmente vivem é com uma versão do esporão calcâneo mas no cotovelo.

 

Fique aqui bem claro que não estou nem a tomar partido do Ronaldo nem da jovem (cujo nome não me relembro e não me apetece ir ao Google pesquisar), evidentemente que um deles será a vítima e o outro o agressor, qual é quem isso não tenho formas de saber, porque não pertenço a nenhuma polícia de investigação nem fui abençoado com o dom das artes divinatórias.

 

Agora o que eu me recuso a fazer é a demonização de qualquer uma das partes.

 

Na verdade nem me importo que achem que a moça é uma prostituta, uma caça-fortunas (mas nunca ninguém foi ver o extracto bancária dela ou da família), uma alpinista social, porque todos sabemos que a única mulher que se podia chegar ao pé do Ronaldo e lançar charme sem ser arremessada para a lama era alguém do calibre da Angelina Jolie ou da Nicole Kidman.

 

Tudo o resto é putedo à procura de dinheiro ou de fama nas revistas, e merecem tudo o que lhes possa acontecer.

 

Mesmo que sejam estranguladas e que lhes cortem uma orelha provavelmente foram elas as culpadas de tal incidente, já se sabe que os ricos e poderosos nunca fazem nada de mal e a ralé que infelizmente co-habita com eles é que está sempre à procura de uma oportunidade para denegrir tamanhos mensageiros do Senhor.

 

O que me chateia, o que me causa uma urticária crónica, é acharem que uma pessoa por ir para o hotel com outra passa instantaneamente a ser propriedade de uso ilimitado.

 

Vamos a ver se nos entendemos, se eu for para o hotel por exemplo com o Sam Smith (bem que posso ir sonhando) claro que não posso ser ingénuo, e devo ter em consideração que ele pode querer algo mais do que eu esteja disposto a dar.

 

Mas lá por ele ser rico e eu ser um pobretanas não quer dizer que agora que estamos no hotel dele eu tenho de virar o cu para a lua e tornar-me escravo sexual.

 

É que podemos fazer tudo, beijinhos, sexo oral, o que for; mas se em alguma parte eu não me sentir confortável e dizer que quero parar por ali ele simplesmente tem de aceitar o pedido.

 

Pode fazer uns olhinhos de cachorro abandonado e tal, mas um não é um não. E infelizmente há muita gente por aí que acha que um não é um sim a fazer-se de difícil.

 

Mais chocante ainda, se eu fosse com o Sam Smith para o hotel na qualidade de prostituto, e ele quisesse fazer algo com que eu não me sentisse à vontade, eu tinha o direito de recusar e ele o dever de respeitar a minha decisão.

 

Não é por uma pessoa pagar por sexo que tem direito ilimitado ao corpo e mente de outra pessoa - sim, quem recebe dinheiro por sexo continua a ser uma pessoa.

 

No máximo dos máximos o que poderia acontecer era eu ter de dar um refund ao Sam.

 

Cenário ainda mais aberrante, eu, ordinário pobretanas que merece levar com um ferro em brasa cu acima por me meter com gente rica numa discoteca, caso-me com o Sam Smith.

 

Só que uns meses depois eu fico furioso por descobrir que afinal ele faz playback em todos os concertos e digo que não o quero ver mais.

 

E ele, obstante os meus protestos e recusas, tem relações sexuais comigo.

 

Isto é violação minha gente.

 

Eu sei que na cabeça de muitas pessoas é inconcebível pensar que sexo dentro do casamento possa ser violação, mas vá lá, também há quem pense que bater no conjugue não é violência, mas sim domesticação.

 

Não é não.

 

Podem estar a esfregar-se em alguém, podem andar meio despidos, podem ter-se drogado e alcoolizado, podem ter recebido dinheiro para o fazerem, mas não é não.

 

E quando se desrespeita um não há uma violação.

 

 

 

Outras opiniões minhas:

Estaremos PreParados?

Women's Night: Uma Discriminação Positiva ou Negativa?

Quem quer uma religião?