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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

29
Set18

+ + - -


É bem verdade quando dizem que energias positivas atraem coisas positivas.

 

Mas ainda mais verdade é o facto de energias negativas trazerem coisas negativas de dimensões monstruosas.

 

O meu pólo energético nos últimos dias e consequentemente posts estava a tender vigorosamente para o campo negativo, e em resposta a isso, o universo concedeu-me ontem um dos piores dias da minha existência.

 

Um dia sentimentalmente avassalador.

 

Um dia que se pudesse aniquilar da minha memória o faria num piscar de olhos.

 

Um dia que não consigo fingir que foi um sonho, porque mesmo depois de dormir 12 consecutivas acordei com ele bem nítido na minha mente.

 

Porém, existe uma beleza na ironia cósmica.

 

Podemos ser empurrados, esquartejados, ter a nossa pele em ferida por beijos de cigarros em brasa. Podemos estar moribundos no fundo do poço.

 

Mas o bom de estarmos no fundo dos fundos, é que descobrimos verdadeiramente de que material somos feitos.

 

Que podemos ser amputados mas não deixamos de viver.

 

E quando estamos no fundo, o único caminho, a única solução, a nossa inegável forma de sobreviver, é subir.

 

E ninguém nos vai poder parar.

28
Set18

Maldita coisa sem nome


Não é ansiedade nem é depressão.

 

É uma espécie de angústia que me invade o corpo sem aviso, sem haver razão para tal, e de um momento para outro é como se tivessem desligado o interruptor que fornece energia ao meu corpo.

 

Fico sem vontade de fazer nada, nem física nem psicologicamente. Apenas apetece-me estar deitado, naquele limbo entre o sonho e o estar acordado, durante horas e horas a fio.

 

Esta maldita coisa sem nome que me visita sem convite toma conta de mim, faz-me entrar num estado de apatia surreal, é como se mais nada me interessasse enquanto ela não se vai embora.

 

Tenho vontades de mandar mensagem e dizer que não vou trabalhar durante 4 dias, inventar uma doença, um parente que morreu.

Obrigo-me a lavar os dentes, a tomar banho, a vestir roupa lavada, tal é o desinteresse que tenho por mim mesmo.

Sinto desprezo pela televisão, pelas revistas, apetece-me entrar dentro do blog só para o apagar e ter a libertação da morte.

 

Já que não posso morrer no plano físico pelo menos que experimente a alegria da morte virtual.

 

Durmo, durmo muito.

 

Apenas para acordar com a boca seca, a mente vazia, o corpo dormente e a alma transferida para outro receptáculo que não eu.

 

Maldita coisa sem nome, maldito distúrbio de neurotransmissores, maldito encantamento de inveja alheia, maldito inconsciente em eterno conflito, maldita o que é que quer que sejas ou que explicação te queiram dar.

 

Sinto-me simplesmente farto.

 

Farto destes dias onde tenho de sair e sorrir quando tudo o que me apetecia era cuspir na minha própria cara.

27
Set18

Como uma frase pode mudar a nossa realidade


Lembro-me como se fosse hoje do meu primeiro namorado.

 

Sempre tive uma predisposição para namorar com homens mais velhos do que eu.

 

Uma diferença de 15, 20 anos não era significativa para mim, talvez pelo facto do meu pai e eu termos uma diferença de 4 décadas.

 

Alguns poderão dizer que estava a viver um distorcido complexo de Electra, procurando uma figura que substituísse de certa forma a imagem paternal, mas para mim simplesmente sentia atracção pela forma como as sinapses dos homens mais velhos faziam conexões.

 

O meu primeiro namorado tinha mais 24 anos do que eu. Eu tinha 18, ele tinha 42.

 

Antes dele só tinha tido uns namoricos virtuais com pessoas estrangeiras, na altura em que o MySpace era o último grito da moda em termos de redes sociais.

Namoricos tontos, onde se discutiam possibilidades de visitas e ficava-se acordado até às três da manhã por causa das diferenças horárias.

 

Encontrei-o porque decidi fazer algo para sair do marasmo emocional em que vivia.

 

Nos meus sonhos iria encontrar o meu príncipe encantado ao virar da rua, numa aula da faculdade, quando ele se mudasse para o andar abaixo do meu.

No momento em que percebi que a probabilidade disso acontecer era para além de diminuta tomei uma decisão.

 

Fui a um chat de encontros gays, na altura não havia Tinder nem Grindr nem Manhunt nem coisa que o valha, e pensei, ou vai ou racha. O chat era se não me engano do Terravista, que na altura supostamente era bastante popular.

 

Tive sorte, pelo menos eu considero que a tive.

 

Só falei com dois homens. O primeiro desejou-me tudo de bom mas infelizmente residia no Porto, o segundo tornou-se meu namorado por quase dois anos.

 

Lembro-me da primeira vez que o encontrei, passados poucos dias, no Centro Comercial Colombo.

 

Ele bebeu café, daqueles num copo de plástico, e sorriu para mim depois de contar uma piada. Eu apeteceu-me ter-lhe enfiado a colherzinha de plástico entre a falha dos dentes da frente, de tão constrangido e pouco à-vontade que estava.

 

Mas ele não desistiu de mim e eu acabei por não fugir assustado, e a partir daí desenvolvemos uma relação.

 

Ele nunca foi um homem bonito, mas também eu nunca procurei homens indubitavelmente belos. Numa rápida retrospectiva relativamente a todos os homens que tive na minha vida, algo que os unia era o charme e a personalidade. Os corpos e os rostos ficavam em segundo plano.

 

Esta meu desligar da banalidade da aparência talvez se deva ao facto de eu próprio ter crescido a acreditar que era feio e com um corpo desagradável ao olhar. Não que alguma vez alguém mo tenha dito, mas há vírus que se instalam nos nossos cérebros e nos contaminam a visão que temos de nós próprios sem percebermos de onde eles vieram.

 

Por acreditar que eu próprio era desprovido de beleza soube aceitar aqueles que de alguma forma não eram tão bafejados pela mesma.

 

Mas isto não implicava que deixasse qualquer pessoa entrar por causa de uma baixa auto-estima, mas sim que a minha procura recaísse no que as pessoas eram e não no que aparentavam.

 

Foi com o meu primeiro namorado que perdi a virgindade.

 

Sempre tive a ideia fincada que só a perderia quando já andasse na faculdade, e assim aconteceu.

 

O meu despertar para a sexualidade foi tardio, mas para mim fez sentido que assim acontecesse.

Estava preparado para me descobrir e para descobrir os outros, e perceber a verdadeira natureza multi-dimensional das relações sexuais.

 

Com ele perdi a virgindade do corpo mas também da mente.

 

Foi ele que me incutiu o gosto pelas viagens, apesar de nunca termos viajado juntos. Foi com ele que falei sobre o mundo em redor e percebi que havia muito mais que a pequena bolha onde eu habitava. Foi ele que me trouxe uma caixa de Pringles de cada canto do mundo para completar uma colecção que acabou os seus dias arremessada no lixo. Foi ao pé dele que peguei pela primeiro vez num carro, e numa marcha-atrás descontrolada parti um farol (sei que grande parte da minha fobia em conduzir vem desse momento do qual nunca me consegui libertar). É dele que ainda sinto o abraço e a emoção no olhar quando fizemos as pazes depois de um par de dias separados.

 

E foi ele que matou a nossa relação.

 

Ele estava a conduzir e eu estava ao lado dele, feliz, sem preocupações, quando de repente ele diz-me:

 

Gosto muito de ti mas tenho a noção que isto não vai ser para sempre!

 

Foi como um murro no estômago que ele me tivesse dado. Um balde de água fria que me tivesse despejado pela cabeça. Naquele momento as paredes do meu castelo de areia ruíram.

 

Soube exactamente o que ele me quis dizer.

 

Não era que ele me quisesse deixar, mas ele achava que em certa altura eu iria descobrir que aquela relação não tinha futuro, que eu iria perceber que era novo e ele velho, e o que nos unia era menos do que aquilo que nos separava.

 

Só que eu nunca, mas nunca, tinha pensado que não seria para sempre. Na minha infantilidade apaixonada pensei que fosse para sempre, que iríamos estar juntos para sempre, que seríamos dois homens apaixonados para sempre.

 

Hoje, com a sabedoria que os anos me deram, talvez devesse ter tido outro tipo de reacção. Falar com ele, escutar os seus medos, beijar-lhe os lábios enquanto lhe acalmava as dúvidas.

 

Ao invés disso gelou-se-me o coração e a alma. Se ele sabia que não ia ser para sempre então eu tinha que encontrar outra realidade. Foi esse momento, essa frase, que ditou o final da nossa relação.

 

Quando contei esta história à minha mãe, muitos anos depois, ela não conseguiu deixar de sorrir por causa do paralelismo que fez com uma sua vivência.

 

Na sua mocidade, a minha progenitora rezava todos os dias, não porque gostasse realmente de o fazer mas pelo facto de lhe ter sido incutida a prática.

 

Até que um dia, uma freira lhe disse para não deixar de rezar no dia presente por achar que teria muito tempo para o fazer no futuro.

 

Nesse momento a minha mãe apercebeu-se que realmente tinha todo o futuro à frente dela.

 

Até hoje nunca mais rezou.

26
Set18

Receitas para Impressionar Amigos


Existe um sentimento que nos une enquanto seres humanos.

 

E esse sentimento dá pelo nome de stress-depressivo-traumático-pós-férias.

 

Quantos de nós não choramos amargurados quando as férias acabam e temos que voltar à nossa rotina?

 

Trocar os longos dias de ronha na cama por despertadores do demónio que nos acordam às sete da manhã todos remelados; deixar de vestir a roupa descontraída e amarrotada em detrimento do fato claustrofóbico que nos exigem que usemos no trabalho; substituir as viagens de mapa na mão e nariz apontado para o céu por longas chamadas telefónicas e intermináveis e-mails na esperança de conseguirmos resolver em tempo útil tudo aquilo que se acumulou durante as nossas férias.

 

 Existem algumas formas de lidar com este stress-depressivo-traumático-pós-férias:

 

  • Podemos chorar compulsivamente durante horas a fio, comendo embalagem atrás de embalagem de argolinhas de chocolate branco do Minipreço enquanto vemos uma série incrivelmente deprimente no Netflix de forma a que a nossa moral atinja níveis negativos.
  • Entrar em profunda negação, não querendo encarar o facto dos nossos 20 e poucos dias úteis de férias já terem terminado, indo para o emprego de havaianas e com um mojito na garrafa de água (em vez da água propriamente dita).
  • Aceitar o inevitável e procurar consolo em alguma actividade que nos preencha, como estar com os amigos e ir jantar com eles (e se eles insistirem que seja na casa deles e que nós não precisamos de fazer nada ainda melhor).

 

Uma coisa que talvez não saibam sobre mim é que eu sou extremamente fácil de contentar.

 

Se me convidarem para ir jantar a vossa casa eu ficarei contente e agradecido com qualquer coisa que me apresentem.

 

Ou seja, não sou daquelas pessoas que está à espera de um banquete com pratos surpreendentes.

 

Se for frango assado por mim está bem, se forem tostas com pasta de atum é na boa, se for um sushi caseiro com arroz agulha e delícias do mar, bem, posso ter um bocadinho de reflexo de vómito, mas irei comer com um sorriso na cara.

 

A única coisa que me tira do sério é se me disserem que o jantar é fondue.

 

Aí irei revirar os olhos e fazer um esgar demoníaco que fará com que liguem ao exorcista mais próximo.

 

É que ninguém merece, mas ninguém mesmo, ser sujeito a estar a morrer de fome e ter de estar ali com o seu espetozinho a ver se o pedaço de porco já está cozinhado, pedaço que vai ser devorado em dois nano-segundos apenas para depois se voltar a estar com o raio da porcaria do espetozinho a cozinhar mais um pedaço minúsculo de carne enquanto se pondera qual a probabilidade de ficar contaminado com ténias se abocanharmos a carne crua toda de uma vez.

 

Agora quando sou eu a receber visitas, as coisas mudam ligeiramente de figura.

 

Não é que eu vá servir fondue a toda a gente como vingança, só que sinto uma necessidade incontrolável de impressionar, seja pelo número de pratos que sirva ou pelo factor WOW que alguns provoquem.

 

O problema é que a minha má gestão de tempo associada às minhas fracas capacidades culinárias faz-me normalmente dar passos maiores que a perna, que acabam quase sempre comigo numa crise de choro a amaldiçoar o facto de não ter encomendado uma pizza ou a suplicar ao Cara-Metade que me ajude antes que eu desmaie de exaustão.

 

Partilho convosco algumas receitas que surpreenderam os meus convidados, mas fizeram-me quase ter um esgotamento nervoso:

 

 

Sangria de Pepino

 

Quando disse que ia servir sangria de pepino toda a gente torceu o nariz. Mas ainda hoje há quem me diga que foi das melhores bebidas que provou, de tão refrescantemente boa que é.

 

Feita com pepino, gasosa e vinho branco, esta sangria é espectacularmente fácil de fazer. O único senão é que tem de levar gelo para ser servida fresquinha, e quando a fiz só tinha aqueles saquinhos para cubos de gelo que vão ao congelador.

 

Agora alguém me diga, sou eu que sou muito nabo ou aqueles sacos não são nada fáceis de se abrir saltando o gelo por tudo o que é sítio e ficando uma pessoa com as pontas dos dedos gangrenadas de tanto tempo estarem em contacto com o frio?

 

Koulibiac

 

Esta receita de lombo de salmão em massa folhada com espinafres foi aquela que fez a minha mãe ter esperanças de que eu talvez não fosse uma total nulidade no que toca a cozinhar, já que ela simplesmente a adorou (e quase que a comeu toda sozinha).

 

O problema é que resolvi fazê-la para a noite de Natal da família em substituição do tradicional bacalhau, visto a minha mãe ter desenvolvido uma intolerância ao mesmo.

 

Eu achava que era stressado, mas quando vi os níveis de cortisol da minha progenitora aumentarem incontrolavelmente percebi que na realidade eu e o Dalai Lama estamos no mesmo nível de tranquilidade.

 

Ainda eram 16 horas e ela já estava a cada vinte segundos a reclamar que a comida estava atrasada, e que não ia haver jantar de Natal, e que eu tinha de me despachar, e como é que eu era tão mole, e bla bla bla bla.

 

Tenho a certeza que foi nesse momento que fiquei irremediavelmente careca.

 

Koulibiac

 

 

Empadão de Pato com Alheira

 

Vamos a ver uma coisa, eu até acho que sou bom cozinheiro, mas tinha que ser como naqueles programas da televisão onde já está tudo arranjado e cortadinho e é só enfiar para dentro do robot de cozinha.

 

Este empadão de pato com alheira é relativamente fácil de fazer, o problema é a preparação.

 

Descascar maçã e cortar aos pedaços, cortar peito de pato em cubos, tirar a pele de alheiras, cortar em juliana nabiças e descascar e cortar batata-doce para a maior parte das pessoas é algo que se faz num instantinho.

 

Para mim implica ter de acordar às seis da manhã para ter tudo pronto para jantar a horas!

 

Empadão de Pato com Alheira

 

 

 

Intenso de Amendoim, Caramelo e Chocolate

 

Esta é uma sobremesa forte, pesada, reconfortante, mas que dá vontade de nos deitarmos no sofá e acordar no dia seguinte.

 

É deliciosa, mas é uma sobremesa de camadas...

 

Das duas uma, quando a decidi fazer ou simplesmente não li a receita toda (o que é muito normal em mim) e só descobri a parte das camadas no fim, ou tinha tomado alguma substância alucinogénia que me fez pensar que era algo super fácil.

 

Foi um pesadelo!

 

Intenso de Amendoim, Caramelo e Chocolate

 

 

Queijo de Tremoço

 

Ah e tal vamos ser alternativos, vamos dizer que não aos lacticínios, vamos surpreender toda a gente com um pão caseirinho e um queijo de tremoço.

 

Lembro-me perfeitamente que chorei. Chorei bastante ao fazer esta receita.

 

É que ela leva 250 g de tremoço sem casca. E eu passei mais de uma hora a descascar os ditos cujos.

 

Se alguém souber onde se compra esta leguminosa descascada por favor não me diga, é que dessa forma vou-me odiar ainda mais, porque eu ia jurar que só se vende a porcaria do tremoço com a casca.

 

 

Resumindo e concluindo, receber amigos é algo que me dá imenso prazer, gosto que eles fiquem admirados com os pratos que lhes apresento e que provem novos sabores, só que esta minha piquena obsessão-compulsão em surpreender faz com que os meus níveis de stress aumentem de tal forma que muitas vezes não tiro o melhor proveito do convívio (e nem falei de toda a louça que depois tenho de lavar, que eu sou aquela pessoa que consegue sujar toneladas de louça para fazer um jantar).

 

Por isso da próxima vez que houver um convívio de dimensões razoáveis cá por casa vou ter que tomar medidas.

 

Ou deixo tudo nas mãos de profissionais, pedindo os serviços de uma empresa de catering para festas e eventos (também disponível para os residentes do Porto), ou vai ser tudo corrido a lasanha ultra-congelada servida com pratos e talheres de plástico, que eu não nasci para ser dona-de-casa!

 

Nota: Se alguém quiser a receita de alguns dos pratos de que falei basta pedir-me através da caixa de contacto ou por e-mail! 

 

25
Set18

Seremos piores profissionais por partilharmos a nossa vida privada?


Para cada um de nós a blogesfera possui um significado diferente.

 

Para alguns é um refúgio onde podem fugir do stress do dia-a-dia, para outros é um diário, onde podem partilhar alegrias e tristezas, e há aqueles que a utilizam de forma a alavancar a sua vida profissional.

 

Na blogesfera podemos escolher manter o anonimato, sendo apenas conhecidos por uma identidade ficcional, ou dar a cara, de forma a se alguém nos vir na rua não tenha dificuldade em nos reconhecer.

 

A minha grande questão, e sei que outros bloggers também se deparam com ela, é até que ponto o partilhar a nossa vida privada, quando não somos anónimos ou ansiamos sair desse anonimato, pode influenciar negativamente a nossa vida profissional?

 

Não falo daquela partilha mais corriqueira (desculpem-me a expressão), onde falamos de onde fomos jantar, ou do quanto gostamos dos nossos filhos, ou do nosso gato que nos destruiu metade do apartamento.

 

Falo da partilha mais íntima, mais crua, muitas vezes possivelmente chocante, onde se abordam temas como a saúde mental, o uso de drogas ou práticas sexuais menos convencionais.

 

No meu caso concreto, iriam-me dar menos credibilidade enquanto farmacêutico se lessem neste blog que estive para me casar com um homem 40 anos mais velho ou que houve uma noite com um estranho em que fiquei tão drogado que quando acordei descobri que tinha sido todo depilado?

 

Escolheriam activamente dirigir-se a mim numa farmácia para esclarecerem dúvidas sobre assuntos de saúde, como por exemplo uma interacção medicamentosa ou se a prescrição de um antibiótico infantil estava correcta, se no dia anterior tivessem lido todos os detalhes mais íntimos e menos socialmente correctos da minha vida privada?

 

Seremos piores profissionais por admitirmos de cara descoberta que somos pessoas de verdade?

24
Set18

Pele Seca vs Pele Desidratada


Acredito piamente que cada pessoa tem a sua missão neste mundo e eu acho que nasci para elucidar a sociedade que a pele seca não é a mesma coisa que a pele desidratada.

 

Sim, pode não ser uma missão de vida tão importante como lutar pela paz no Médio Oriente, ou alimentar os famintos de África, ou mesmo disponibilizar terapêutica hormonal de substituição para todos os transgéneros indianos, mas sinceramente acho que mais ninguém merece viver a pensar que possui uma pele seca quando na realidade o que lhe falta é água.

 

Vamos então esclarecer as coisas.

 

A pele seca é um tipo de pele, algo com que já se nasce, enquanto que pele desidratada é uma condição que se desenvolve ao longo do tempo e que qualquer pessoa pode experienciar, independentemente do seu tipo de pele.

 

Enquanto que uma pele seca tem falta de oleosidade (há um menor número de lípidos), numa pele desidratada existe falta de água no estrato córneo (também conhecido como camada de queratina).

 

O estrato córneo é a camada mais externa da pele e actua como uma barreira para proteger os tecidos subjacentes de lesões e infecções, além de ser indispensável para manter a textura suave e flexível da pele.

 

Assim sendo, qualquer pele pode ser desidratada, seja seca, normal ou mista.

 

Por isso pessoas com pele oleosa, larguem já esse óleo de coco, o que vocês precisam não é de gordura, é de água na vossa pele.

 

E como saber se a nossa pele é seca ou desidratada? 

 

Nem sempre é fácil, mas se por exemplo a vossa zona T (testa, nariz e queixo) tiver muita oleosidade, é certo que a vossa pele é oleosa, sendo que podem sentir desconforto nas maçãs do rosto não porque haja falta de gordura mas sim porque há uma ausência acentuada de hidratação.

 

As principais características de uma pele seca são a aparência seca, a aspereza ao toque e por vezes a existência de escamação (ter cuidado no entanto que nem todos os estados escamativos são devidos a pele seca, a dermatite seborreica é um desses exemplos).

 

Já a pele desidratada, além de  partilhar a sensação de aspereza ao toque com a pele seca, é também visivelmente baça e sem brilho, sendo frequente sentir-se uma sensação de repuxar, sensação essa mais notória depois da limpeza facial.

 

É uma pele onde começam a ser visíveis linhas finas cada vez mais proeminentes e sinais de envelhecimento acelerado, como rugas profundas e flacidez da pele não compatíveis com a idade da pessoa.

 

O que é que provoca a desidratação da pele?

 

Primeiro que tudo o sol.

 

Eu sei que é chato usar protector solar. Eu sei que em pleno Inverno com chuva torrencial ninguém vai pensar que o sol pode estar a danificar a sua pele.

 

Mas os UVA existem durante o ano todo (só estamos protegidos deles durante a noite), e são os UVA que aceleram o processo de envelhecimento, que aumentam os oxidantes na pele e lhe provocam desidratação, além de elevarem os números de radicais livres nas células, radicais estes que vão criar danos a nível molecular.

 

Se já estão a correr para comprar um protector solar a 2 euros no supermercado, por favor parem.

 

Os protectores solares extremamente baratos têm um contra; protegem dos UVB, aqueles que causam escaldões, mas possuem uma protecção muito menor no que diz respeito aos UVA.

 

Por isso vocês até podem achar que estão protegidos já que a vossa pele não fica toda vermelha mas os danos celulares estão a ser causados na mesma!

 

Depois a água.

 

Não é segredo nenhum que a água possui calcário, e dependendo das zonas do país há zonas com mais ou menos calcário.

 

Quem faz a limpeza com água da torneira está a aumentar a probabilidade de desidratar a sua pele.

 

Uma limpeza eficaz deve ser feita com água micelar ou, se não gostarem de usar algodão, com um gel específico que respeite o pH da pele do vosso rosto.

 

O enxaguamento do rosto, e o duche do resto do corpo, deve ser feito de forma rápida e não ficar horas a dar um concerto para os azulejos da casa-de-banho.

 

Quanto mais tempo durar o duche e quanto mais quente for a água do mesmo, maior a perda de água que a vossa pele vai sofrer.

 

Por fim, uma mão cheia de outras condicionantes.

 

Eu sei que é chato estar-vos a dizer isto mas há imensas outras razões para a vossa pele ficar desidratada.

 

O ar condicionado ou o aquecimento central (ou trabalhar num espaço altamente refrigerado como acontece com uma utente minha que trabalha na zona de congelados de uma grande superfície comercial) aumentam a desidratação da pele além da frequência de constipações que sofremos ao longo do ano.

 

O nosso estilo de vida também tem a sua dose de culpa; o consumo excessivo de bebidas alcóolicas, a ingestão reduzida de água, o tabagismo, a falta de horas de sono, os níveis de stress elevados, a alimentação incorrecta, todos eles deterioram a qualidade da nossa pele.

 

Também o tipo de clima do local onde vivemos, a utilização de produtos cosméticos incorrectos (como a utilização de um exfoliante demasiado agressivo para a nossa pele), a fase do ciclo menstrual (sim é verdade!!!) e o envelhecimento cutâneo (apesar de eu aqui achar que isso é um mito, agora uma pessoa envelhece desde quando?) contribuem para que a nossa pele perda água, ficando sem brilho e com um ar doente e muito pouco apelativo.

 

Por fim, certos tratamentos dermatológicos, como o caso do uso de isotretínoinas no combate ao acne, desidratam profundamente a pele, sendo nestes casos de extrema importância usar produtos que reestabelaçam os níveis de água mas que não confiram gordura à pele nem sejam comedogénicos.

 

Depois de terem lido este post, já se sentem mais confiantes para conseguirem identificar as necessidades da vossa pele? Será que ela precisa de ser nutrida, hidratada ou ambas?

 

Os produtos que usam são os mais correctos ou será que precisam de repensar as vossas escolhas?

 

Pele Seca vs Pele Desidratada

 

Fonte Principal deste Post https://www.laroche-posay.co.uk/the-difference-between-dry-dehydrated-skin

 

 

23
Set18

Les Nuits Fauves


Inesperadamente, a Marta Elle enviou-me um e-mail com uma sugestão polvilhada de um sentido de urgência, se pudesse para ir ver o filme Les Nuits Fauves.

 

O filme estava inserido na programação do Festival Queer 2018, sendo que este ano a temática era o Vírus-Cinema: Cinema Queer e VIH/Sida.

 

Há muitos anos que tinha deixado de seguir o Queer, muito pelo facto de achar que a qualidade dos filmes escolhidos ficava aquém da dimensão e da importância que o festival deveria ter para a comunidade LGBTQ. 

 

Ontem foi um duplo regresso para mim, ao circuito Queer e à Cinemateca, local que não visitava certamente há uma década e cujo espaço, do qual a minha memória já não se recordava, fez-me ficar encantado e fascinado.

 

Les Nuits Fauves é um filme simultaneamente fácil e difícil de ver.

 

A edição, com cortes e transições abruptas, torna a princípio o filme complicado de se seguir, principalmente para quem está habituado a películas com fios condutores bem delineados.

 

Mas após este primeiro choque, somos levados naturalmente numa sucessão de acontecimentos que não são mais do que instantes da vida incontroláveis, sem planeamento nem contenção, onde os sentimentos explodem com tal intensidade que a certo ponto conseguem a proeza de quase enlouquecer o espectador.

 

Este é um filme com o VIH como ponto central e ao mesmo tempo como ténue imagem de fundo.

 

Enquanto que o vírus arrebata o papel de actor principal em momentos cruciais, como na revelação da doença ou no medo de contaminação, é remetido quase que ao esquecimento em todos os outros momentos, onde a paixão, a possessão, o desejo e a insaciabilidade do mesmo enchem o ecrã e a sala de cinema com uma energia quase claustrofóbica.

 

Consegui-me relacionar ainda mais intimamente com estas "noites selvagens" por causa de um momento da minha história.

 

Les Nuits Fauves não é um filme para ser visto, é uma obra para ser apreciada.

 

É um momento de comunhão com o sofrimento, o desespero, a angústia, a esperança, a fuga da realidade e o encontro do inevitável.

Les Nuits Fauves

 

 

 

22
Set18

Um mundo sem plástico a que custo?


Sou totalmente a favor da diminuição do uso de plástico no dia-a-dia de forma a protegermos o nosso meio ambiente.

 

Já não é suficiente limitar-mos-nos a reciclar, é preciso urgentemente reduzir.

 

Por isso é que devemos começar a adoptar pequenos hábitos que vão dar origem a grandes mudanças, como optar por escovas dos dentes e cotonetes de bambu em vez de plástico, recusarmos comprar vegetais ou outros produtos alimentares que venham embalados com duas e três embalagens (no caso dos vegetais às vezes virem mesmo só com uma embalagem é completamente desnecessário),e sempre que possível passar a frequentar mercearias a granel onde levamos os nossos próprios frascos e sacos (não plásticos) para transportar os víveres que adquirimos.

 

Apesar de saber que é possível diminuir os níveis de plástico de forma drástica tenho muitas reticências sobre a possibilidade de termos um mundo sem plástico.

 

Então e os cocós dos cães?

 

Como é que uma pessoa vai apanhar o cocózão do seu pastor-alemão se não tiver um daqueles saquinhos plásticos transparentes fininhos que muitas vezes até vão dentro de um dispositivo fixado na coleira do bicho?

 

Um mundo sem plástico a que custo?

21
Set18

The Name is Mia


"Por uma sociedade livre de cinismo."

 

É assim que a Mia define o seu blog, um espaço directo, sem papas na língua, educativo q.b., onde as palavras são usadas sem artifícios nem pedem desculpa por existirem em toda a sua pureza desnuda.

 

É um blog sexual, sobre sexo, para ambos os sexos, onde por vezes o dedo é posto na ferida mas mais vezes é colocado em algum ponto erógeno.

 

Porque o sexo pode ser algo sujo, algo puro, algo escondido, algo gritado a sete ventos, mas no fim é algo inevitavelmente enraizado no nosso eixo hipotálamo-hipófise!

21
Set18

Actualização do Ponto de Situação Laboral


Como muitos de vocês sabem, há uns dias desabafei aqui sobre como me sentia fracamente motivado no emprego e que isso estava a mexer psicologicamente comigo.

 

Eu sou daquele tipo de pessoas demasiado transparente.

 

Isto é, se estiver chateado com alguém vai-se ver a léguas que eu estou chateado.

Gostava de ter a capacidade de fazer um sorriso, criar conversa e não deixar transparecer os meus sentimentos mas não sou de todo capaz.

 

Eu sou aquela pessoa que imaginem que está a preparar-se para fazer uma reclamação e mentalmente visualiza a forma como vai abordar o tema. Ora eu não consigo manter essa conversa fictícia na minha cabeça, eu faço imensas caretas, os meus lábios mexem-se de acordo com as palavras que imagino, todo o meu corpo vibra de uma forma diferente consoante a energia que eu mentalmente estou a projectar.

 

Isto tudo para dizer que apesar de eu achar que não estava a passar uma vibe de desmotivação (apesar de estar) devia ser mais que óbvio que afinal devia estar a transpirar essa vibe por todos os poros do meu ser (atenção que continuei a trabalhar arduamente e não me deitei a dormir, mas certamente que a minha alteração energética era palpável).

 

Ontem o meu patronato veio-me perguntar se estava tudo bem.

 

Por um lado fiquei satisfeito com essa aproximação, por outro instalou-se em mim um bocadinho de pânico, porque já estava a imaginar que a conversa ficasse pesada e não queria mesmo piorar a forma como me sentia no trabalho.

 

O meu primeiro impulso foi mentir com todos os dentes que tenho na boca e dizer que estava tudo bem, espectacular, sem qualquer problema.

 

Mas depois pensei, então eu ando a queixar-me e depois quando tenho a oportunidade de ser escutado acobardo-me?

 

Mandei tudo cá para fora.

 

Tudo de uma forma ponderada, reflectida, sem alterações de voz nem crises sentimentais. Fui assertivo e tentei o meu melhor para fazer críticas construtivas e não julgamentos de valores ocos e sem pertinência.

 

Disse com todas as letras que por vezes me sentia desmotivado, que às vezes não sabia se valia a pena esforçar-me se o reconhecimento era igual tanto para os que se esforçam como para aqueles que não o fazem.

 

Partilhei as minhas dúvidas sobre se aquele era o meu caminho, mas disse claramente que não pensava mudar de área profissional, apenas duvidava se aquele espaço físico era o correcto para mim.

 

Abordei assuntos como reuniões de equipa e divisões de tarefa que foram prometidos há meses e mesmo anos e nunca foram cumpridos, e o impacto que isso tem numa pessoa.

 

E falei do salário.

 

Que tinha noção da realidade económica da empresa mas que tinha ainda mais noção da minha realidade, e que o dinheiro que levo ao fim do mês para casa em comparação com outros colegas da minha idade que trabalham em outras farmácias é muito menos, uma diferença de 5 centenas de euros.

 

No fim da conversa (sim, que a outra parte também falou, não foi um monólogo) relembrei-me que o patronato também é um ser humano como eu e possui o direito de errar.

 

Porém não deixei de sentir que é obrigação dele motivar os funcionários e estar atento às disparidades que possam existir.

Sim pode errar, mas essa permissão para o erro não invalida as suas obrigações.

 

Os temas que eu abordei, como o salário e as responsabilidades com divisão de tarefas, tudo isso ficou no ar, com algumas promessas e um grande talvez, o que para mim é melhor que um redondo não.

 

Porém não me iludo, porque no passado já se falou e debateu muita coisa que nunca viu a luz do dia.

 

Tenho expectativas que a minha situação melhor mas estou a fazer uma gestão cuidadosa delas, de forma a se elas não se concretizarem o impacto não seja estrondoso.

 

A minha decisão interna está tomada.

 

Nos próximos meses vou dar o litro como nunca dei.

Vou suar motivação de tal forma que hei-de acabar o dia com a bata encharcada.

Vou colocar de forma inequívoca em cima da mesa a minha capacidade enquanto funcionário.

 

Tudo isto sem esquecer que o grande objectivo do meu trabalho é ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas, seja uma constipação, um fungo na unha ou um excesso de flacidez no rosto.

 

Se no fim de tudo nada tiver mudado, ou se a mudança tiver sido insignificante comparativamente com o aumento da minha dedicação, então será altura de mudar.

 

Sem medos, sem arrependimentos, sem enésimas questões a assaltar-me a mente.

 

Só devemos criar raízes onde verdadeiramente somos felizes.

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