Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Um boost de auto-estima

23.07.18, Triptofano!

Para quem estiver a começar esta semana assim um bocadinho mais desanimado deixo aqui uma música que para mim é um boost de auto-estima.

 

Ponham o som no máximo, cantem a plenos pulmões e lembrem-se, vocês são fantásticos! 

 

 

This is Me

I am not a stranger to the dark
Hide away, they say
'Cause we don't want your broken parts
I've learned to be ashamed of all my scars
Run away, they say
No one'll love you as you are
 
But I won't let them break me down to dust
I know that there's a place for us
For we are glorious
 
When the sharpest words wanna cut me down
I'm gonna send a flood, gonna drown them out
I am brave, I am bruised
I am who I'm meant to be, this is me
Look out 'cause here I come
And I'm marching on to the beat I drum
I'm not scared to be seen
I make no apologies, this is me
 
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh, oh-oh-oh, oh-oh-oh, oh, oh
 
Another round of bullets hits my skin
Well, fire away 'cause today, I won't let the shame sink in
We are bursting through the barricades and
Reaching for the sun (we are warriors)
Yeah, that's what we've become (yeah, that's what we've become)
 
I won't let them break me down to dust
I know that there's a place for us
For we are glorious
 
When the sharpest words wanna cut me down
I'm gonna send a flood, gonna drown them out
I am brave, I am bruised
I am who I'm meant to be, this is me
Look out 'cause here I come
And I'm marching on to the beat I drum
I'm not scared to be seen
I make no apologies, this is me
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh-oh
Oh-oh-oh, oh-oh-oh, oh-oh-oh, oh, oh
This is me
 
and I know that I deserve your love
(Oh-oh-oh-oh) 'cause there's nothing I'm not worthy of
(Oh-oh-oh, oh-oh-oh, oh-oh-oh, oh, oh)
When the sharpest words wanna cut me down
I'm gonna send a flood, gonna drown them out
This is brave, this is proof
This is who I'm meant to be, this is me
 
Look out 'cause here I come (look out 'cause here I come)
And I'm marching on to the beat I drum (marching on, marching, marching on)
I'm not scared to be seen
I make no apologies, this is me
 
When the sharpest words wanna cut me down
I'm gonna send a flood, gonna drown them out
I'm gonna send a flood
Gonna drown them out
Oh
This is me

A Frutaria

22.07.18, Triptofano!

Tomar o brunch ao sábado no centro de Lisboa pode parecer uma tarefa impossível, visto que toda a gente se lembra de fazer o mesmo, mas ainda há surpresas à nossa espera, que se traduzem num brunch de qualidade sem termos de acotovelar ninguém para conseguir uma mesa.

 

Quando me dirigi à Frutaria fui algo receoso, já que dada a sua localização, bem no coração da Baixa de Lisboa, fazia com que a probabilidade de me deparar com hordas de turistas famintos fosse mais que muita.

 

Mas aquilo que encontrei foi um espaço com uma vibração algures entre o kitsch, o moderno, a pop art e o saudosismo do pequeno comércio, onde a fruta é rainha e senhora.

Havia turistas sim, mas na quantidade certa para o espaço se identificar com as raízes da cidade e não ser mais um sítio onde nenhum local coloca os pés.

 

Com uma boa música ambiente, um atendimento simpático e empregados que se viam estarem felizes, a Frutaria tinha-me causado uma primeira boa impressão.

Faltava ver como seria a comida.

 

Pedi o menu brunch, que à primeira vista me pareceu um pouco fraco para o meu grande apetite. Afinal por 16 euros apenas podia escolher entre um café ou um chá, um sumo, uma bowl, e uns ovos ou uma panqueca.

Rapidamente me iria aperceber que estava enganado.

 

Mas antes de vos falar sobre o que comi, quero deixar já aqui um aviso.

Não considero que o valor do brunch seja desajustado para o que oferecem e para o local da cidade onde ele se encontra.

Acho sim que dependendo das escolhas individuais que são feitas pode compensar ou não pedir o menu, visto que todos os items vão vendidos isoladamente.

 

Antes de se lançarem no brunch vejam os preços, façam contas e vejam se vale a pena. No meu caso poupei algum dinheiro, mas fossem as minha escolhas outras e o mesmo não aconteceria.

Uma forma de evitar este desconforto por parte do cliente era juntarem ao brunch algo que não fosse vendido individualmente, como uma taça de fruta variada, de forma a criar valor e a diferenciar mais o menu.

 

Dizia-vos eu que achava que ia passar fome.

Onde é que estava o pão, e os croissants, e o queijo, e o fiambre e a manteiga, e tudo e tudo e tudo?

 

Pois bem, após terminar a minha refeição sai a rebolar, para perceberem o quão satisfeito fiquei.

 

Primeiro o sumo.

Sabem quando pedem uma bebida e trazem-vos uns 80 ml de líquido e o resto é gelo e vocês ficam a matutar em como é que vão fazer render aquilo durante a refeição toda quando ainda por cima estão cheios de sede?

 

Na Frutaria isso não acontece, basicamente trazem-vos um balde de bebida para evitar qualquer possível desidratação. Escolhi um refrescante Pick Me Up, com abacaxi, água de côco e menta. 

 

Para a bebida quente, ligeiramente mais pequena que o sumo, a minha opção foi um White Hot Chocolate, e pouco faltou para me levantar da cadeira e gritar um Aleluia, de tão bom que estava. Como também eu estava num dia bom consegui-me controlar e mantive-se sentado em silêncio.

 

Relativamente à comida a minha opção de bowl recaiu naquela que me gritou SuperAlimentos, a de Açaí. Com açaí, granola, manga, bagas goji e manjerição, esta bowl é um verdadeiro boost de imunidade, deixando ao mesmo tempo uma pessoa saciada.

Agora atenção, o açaí ou se gosta ou se odeia, por isso para quem nunca se familiarizou com o sabor do mesmo talvez seja melhor pedir para experimentar primeiro.

 

Entre os ovos e a panqueca, fui para a segunda opção, tendo escolhido a panqueca Lemon Curd, que além do lemon curd tinha manga, framboesas e gelado de gengibre.

 

Quando eu penso em panquecas imagino algo fino e que se come num instante, só que esta panqueca parecia mais um bolo, já que era bastante alta mas simultaneamente fofa e delicada, sem se tornar um pedaço de massa que nos enche a boca e que nos faz ter de beber bastante líquido para a empurrar para baixo.

 

Enquanto que a panqueca em si estava boa os acompanhamentos desiludiram ligeiramente.

 

O sabor do lemon curd estava no ponto, mas o empratamento do mesmo falhou, sendo que só metade da panqueca estava coberta com ele.

 

O gelado de gengibre não sabia a gengibre - acho que muita gente opta por usar este ingrediente mas poucos aceitam o sabor forte do mesmo, acabando por criar versões deslavadas que desapontam os verdadeiros apreciadores. Em termos de quantidade, era pouco gelado para o tamanho da panqueca, mais meia quenelle e seria perfeito.

 

Sendo assim mais picuinhas, acho interessante o contraste da frescura da fruta com a panqueca, mas colocando os frutos vermelhos em cima duma panqueca quente acaba por se perder um bocado da riqueza dos sabores.

 

Em conclusão, a Frutaria é um óptimo lugar para se ir, tanto pelo ambiente, como pelo atendimento ou pela comida. Mas se forem à procura do brunch façam as vossas opções de forma cuidadosa, de forma a não acabarem prejudicados.

 

 

Frutaria Brunch

Frutaria Brunch

Frutaria Brunch

Frutaria Brunch

Frutaria Brunch

Frutaria Brunch

 

 

Frutaria Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Festival do Leitão em Negrais

21.07.18, Triptofano!

Ontem fui deliciar-me com algo que não comia à muito tempo: Leitão.

 

O local escolhido para devorar tal pitéu foi o Festival do Leitão de Negrais, que é uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Sintra e pela União de Freguesias de Almargem do Bispo, Pero Pinheiro, e Montelavar, realizando-se no Largo do Rossio em Negrais.

 

Apesar de não ser um espaço muito grande, estão presentes os grandes nomes do leitão daquela região, como o Tia Alice, o Rosa dos Leitões ou o Tasco do Galapito, entre outros.

 

Quem já estiver com o estômago a produzir suco gástrico para se preparar para a digestão de tamanha iguaria, o festival está em funcionamento hoje e amanhã das 16 horas até às 24!

 

O que é que podem esperar do Festival?

 

  • Preços iguais em todo o lado. A melhor política a meu ver. Não faz sentido um fazer vinte cêntimos mais barato só para roubar meia dúzia de clientes de outro local de venda. Assim as pessoas acabam por se dispersar e escolher o local pelo qual possuem mais afinidade ou que lhes chama mais a atenção em vez de ser por uma questão monetária
  • Um menu muito simples. Há a sandes de leitão, acompanhada com batata frita, a custar 3.5€, e o prato de leitão com aquela pele crocante fantástica, acompanhado com batata frita e salada, a custar 10€. O kilo de leitão para quem quiser levar para casa está nos 18€
  • Muita bebida para empurrar. Água, refrigerantes, imperial e como não poderia faltar, vinho frisante, vendido a copo ou a garrafa inteira. Uma garrafa fica em 5€.
  • Competição para encontrarem uma mesa onde se sentarem. Muita gente e pouco espaço sentado. Se tiverem uma daquelas mesas desmontáveis em casa, usadas nos pic-nics, sugiro que a levem, pelo sim pelo não.
  • Surdez temporária. O festival é abrilhantado por música ao vivo, onde um profissional do teclado e do microfone faz um remix furioso de música pimba com latina, visitando êxitos dos PALOP ainda com tempo de dar um cheirinho aos clássicos da valsa e do pasodoble. Infelizmente o volume do som é tão alto que se torna impossível a interacção com a pessoa que está ao nosso lado, deixando-nos no fim com um zumbido estranho nos ouvidos.
  • Alguma dificuldade em estacionar. Não é que não haja lugares, mas pode ser preciso ficarem um bocadinho de nada mais afastados para conseguirem deixar a viatura em segurança.
  • Frio, mas isso é algo que já não admira ninguém, principalmente em Sintra. O meu conselho é que levem um casaquinho para a noite porque arrefece e bem. 
  • Sentimento de culpa. Um dos espaços de venda de leitão decidiu ter a brilhante ideia de colocar uma foto dos pequeninos. É impossível uma pessoa não ficar com um amargo na boca quando está a dar uma trinca gigante na sua sandes de leitão e vê a imagem dos animais tão bonitinhos e fofinhos. Nessa altura é mentirmos a nós próprios e convencermos-nos que estamos a comer algo produzido artificialmente num laboratório do Estado.

 

Agora que já vos dei todas as informações não têm desculpas para não ir preparados ao Festival do Leitão!

 

Festival Leitão Negrais

Festival Leitão Negrais

Festival Leitão Negrais

Festival Leitão Negrais

 

Sofrendo por Antecipação

20.07.18, Triptofano!

O drama, o horror, a tragédia!

 

O meu cartão de cidadão e passaporte uniram-se contra mim e decidiram caducar exactamente na mesma altura.

 

Ainda equacionei ser um outsider da sociedade e viver sem identificação, mas depois lembrei-me que quero ir de férias para fora do país e preciso de algo que confirme que eu sou eu - porque é que o cartão da piscina não é suficiente?

 

Tendo em conta o meu espectacular horário para as próximas semanas o único dia que tenho disponível para ir tratar das minhas identificações é amanhã.

 

Já equacionei mil e um cenários, centenas de possibilidades para perder o menos tempo possível, mas no fim resignei-me que vou ter de ir criar raízes para a Loja do Cidadão das Laranjeiras.

 

Levo um livro, os fones para ouvir música e uma grande dose de paciência.

 

Mas com a minha sorte já estou mesmo a ver que quando estiver a tirar o passaporte chamam-me para ir tirar o cartão de cidadão, e ou grito um descontrolado JÁ VOUUUUUUUUU ou pronto, lá tenho que ir tirar nova senha.

 

Cidadão sofre...

10 Coisas a Não Fazer Quando se Vai à Piscina!

19.07.18, Triptofano!

Como vocês sabem ando um entusiasta da natação que até fico cansado só de pensar em todo o exercício físico que tenho feito. Passei de uma pessoa completamente inerte, morrendo todos os dias no sofá, para alguém que vai quase diariamente nadar 1,5 km. 

 

Os resultados estão à vista, diminui a minha massa gorda, aumentei a muscular e os meus níveis de energia subiram, apesar de ainda lutar contra uma vozinha na minha cabeça que diz que era melhor ficar esparramado na cama a comer batatas fritas e a pensar no vazio.

 

Estes meses de natação permitiram-me fazer uma compilação de coisas a não fazer quando se vai à piscina e que vou partilhar convosco.

 

1 - Comer Muito

 

Já não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que me vejo impedido de ir nadar porque alguém conspurcou a piscina. E pelo que apurei não é por crianças mas sim por adultos que esta conspurcação é feita.

Muitas vezes tal acontece porque as pessoas comem dois frangos assados e meio alguidar de arroz doce antes de ir nadar. Depois estão lá a exibir o seu estilo bruços, aquilo dá-lhes volta ao estômago e pronto, sai tudo cá para fora.

Algo que também se deve evitar de consumir antes de nadar são os produtos lácteos, que atrasam a digestão. Já imaginaram estarem lançados numa cambalhota para terminarem a piscina num estilo de mariposa e aquele queijinho fresco andar ali às voltas qual moeda perdida no tambor da máquina de lavar roupa? O resultado não pode ser bom.

 

2 - Comer Pouco

 

Ou melhor dizendo, não comer nada. Para evitar os problemas de digestão há sempre a ideia de que o melhor é ir de estômago vazio para a piscina, uma pessoa até queima umas calorias extra.

Pois, além dos níveis de energia serem muito menores, o que se traduz num rendimento abaixo do esperado, há o risco de haver uma quebra de açúcar/tensão/qualquer coisa do género, que só compensa se o nadador-salvador for um pão!

Tenho a dizer que a técnica do rebuçado na boca antes de nadar também não funciona, porque uma pessoa depois nem nada em condições porque está com medo que o rebuçado ou saia disparado contra a cabeça de alguém ou que seja engolido e cause uma asfixia assim meio que chata.

 

3 - Não Atar Convenientemente a Tanga

 

É muito aerodinâmica, dá uma pernona do caraças e deixa ali a genitália toda aconchegadinha, mas a tanga se não for convenientemente atada é o inimigo mortal do nadador. Já imaginaram o que é dar um impulso com os pés contra a parede e o vosso corpo ir e a tanga ficar atrás? Garanto-vos que não é uma experiência pela qual queiram passar.

 

4 - Nadar à Campeão Quando Há Outras Pessoas na Mesma Pista

 

Estão prestes a bater o recorde da Junta de Freguesia dos 25 metros de crawl. As vossas respirações são curtas e rápidas, as vossas braçadas são vigorosas, já sentem as pernas a arder do esforço. Estão mesmo a terminar, vão fazer uma última respiração quando uma pessoa no sentido contrário a nadar costas cria um mini tsunami que vos faz entrar meio litro de água pela boca dentro. Perdem a oportunidade de entrar para o Guiness e ainda tem que se controlar para não vomitarem naquele preciso momento.

 

5 - Dançar ao Som da Aula de Hidroginástica 

 

Obviamente que se forem à aula de hidroginástica que podem, e devem, dançar ao som das músicas que passam. Mas se estiverem noutra pista a nadar e começarem a mover furiosamente a anca porque os velhotes estão todos a desemperrar as articulações ao som do Despacito, assegurem-se de que ninguém está a olhar para vocês. Ou pelo menos que não fazem um requebranço sub-aquático até ao chão.

 

6 - Esquecer-se dos Chinelos em Casa

 

Uma pessoa não vai nadar sem tanga. Uma pessoa não vai nadar sem touca. Uma pessoa pensa duas vezes em nadar sem óculos. Mas quando alguém se esquece dos chinelos isso não é impedimento para ninguém que pé entre pé se enfia na piscina. Pois só tenho uma palavra a dizer relativamente a esta atitude: FUNGOS!

É preferível colocarem um saco de plástico a proteger cada pézinho ou fazer uma passadeira com papel higiénico do que se aventurarem a fincarem todos fungosos. É que os raios dos bichos depois são complicados de eliminar.

 

7 - Pensar na Vida Enquanto se Nada Costas

O que é que eu vou fazer amanhã? E o almoço, será que ainda consigo aproveitar aquela sopa de há duas semanas? Tenho mesmo que ir ao dermatologista ver este pelo encravado.

PUM

Quando uma pessoa se distrai a pensar na vida enquanto nada costas e não está atento às bandeirinhas de sinalização de fim de piscina é certo e sabido que vai atrair a atenção de todos com o estrondo que irá fazer depois de bater com a cabeça na parede.

 

8 - Ser Cegueta e Não se Levar Relógio

 

Sofro todos os dias com isto porque não tenho nenhum relógio à prova de água, e o único que existe na piscina é assim minúsculo e está numa parede lateral, ou seja, nem numa zona central do recinto se encontra.

Isto traduz-se por muitas vezes eu ter de atravessar a piscina toda para conseguir chegar ao pé do relógio para ver se ainda tenho tempo para nadar mais um pouco.

Se podia perguntar a alguém que horas eram? Já o fiz, e consegui descobrir uma pessoa mais cegueta que eu.

 

9 - Esquecer-se da Combinação do Cadeado do Cacifo

 

Já fiz um post inteiro relativo a este drama, mas nunca é demais reforçar que se tiverem um cadeado de combinação não se esqueçam do código secreto. Escrevam na mão, coloquem um papelinho dentro da tanga, façam um mantra, mas não se olvidem dos três a quatro números que vos permitem ter acesso à vossa roupa.

 

10 - Lançar Maldições aos Nadadores Lentos

 

Eu sei que eles irritam, eu sei que eles nos tiram do sério, eu sei que eles fazem de propósito para o nosso treino não ser tão bom, eu sei que às vezes dá vontade de os afogar ali mesmo e depois esconder o corpo, mas no fim de contas elas são humanos como nós.

Podem ser lentos mas pelo menos estão a fazer algo similar a exercício. Se podiam ir a uma aula melhorar o estilo em vez de irem ao horário livre? Podiam, mas não era a mesma coisa. Encarem isto como uma provação para entrar no Céu.

E se não aguentarem mesmo amaldiçoem-nos assim com uma coisa levezita, como uma candidíase nas virilhas ou uma hemorróida mais assanhada!

 

Chamada Anónima

17.07.18, Triptofano!

Porque será

Que ninguém fala e ninguém responde

Do outro lado sempre alguém se esconde

E que desliga ao som da minha voz

 

 

Caro detentor do número não identificado,

 

quando me ligaste às cinco da manhã para a farmácia e me deixaste em sobressalto para depois desligares ao som da minha voz, automaticamente lembrei-me da música da minha conterrânea Mónica Sintra.

 

Podia estar furioso contigo por ligares a uma hora tão indecente, mas não estou.

Na verdade é o meu trabalho, e se me calha fazer noite de serviço a minha obrigação é estar disponível para todo e qualquer cliente. Afinal estou a ser pago para estar a trabalhar e o meu objectivo é fazer negócio, porque se assim não for o patronato não tem dinheiro e não havendo dinheiro fico sem emprego.

 

É verdade que as farmácias de serviço foram criadas para emergências, por isso a não ser que se seja detentor de uma receita do próprio dia ou do dia anterior, há uma taxa que tem de se pagar.

Eu sei que é chato pagar mais dois euros e meio em cima de uma pílula que já custa dez, mas é a única forma de dissuadir quem gosta de ir às três da manhã comprar um soro fisiológico ou uma garrafa de álcool. E mesmo assim há quem vá e que nos olhe torto pelo vidro quando informamos que o algodão está caro por causa da taxa. E a taxa não fica para mim, vai para a farmácia, não sou eu que estou a ser ganancioso e não quero facilitar.

 

Felizmente para os consumidores noctívagos há cada vez mais farmácias abertas 24 horas, onde não há taxa extra a qualquer hora da noite, mas muito provavelmente há preços bem mais elevados. Cada um faz negócio como pode.

 

Mas caro anónimo, queria que soubesses que quando me ligaste estava eu a tentar repousar um bocadinho, porque tinha entrado ao trabalho às nove da manhã desse dia, para terminar às nove da manhã do dia seguinte. 24 horas a atender clientes, a aviar receitas, a dar conselhos.

Sim eu bem sei que é o meu trabalho, mas já viste o grau de exaustão que eu não teria em cima? Já pensaste na concentração que tenho de ter para vencer o cansaço e não cometer nenhum erro ao dispensar um medicamento?

Disse-te que apesar de passar da meia-noite quando atendi uma urgência ainda consegui identificar uma interacção grave numa prescrição médica e evitar que a solução para um problema se tornasse um problema ainda maior?

Porque eu sou farmacêutico, não ando apenas a brincar às caixinhas e a tirar um mestrado em como conseguir colocar trinta embalagens num saco minúsculo.

 

Se pensas que estive a noite toda a dormir, a roncar que nem um porco enquanto era pago, enganas-te.

Se calhar foi por isso que me telefonaste, para ver se eu estava a merecer os euros que me depositam na conta. Fiquei desperto até depois das três da manhã, sempre em pânico da campainha ou do telefone da farmácia tocarem e eu não ouvir, algo praticamente impossível dado o ruído que ambos fazem.

 

Só aí é que vencido pelo cansaço decidi dormir algo. Pequenas pausas de cinco minutos sempre desperto por sons normais de um prédio, mas que a minha mente em estado alerta ampliava milhares de vezes.

 

Quando me ligaste dormitava eu há uns dez minutos quando o som da chamada me fez dar um pulo. Quero que saibas que fiquei orgulhoso de mim mesmo, por ter reflexos tão rápidos, e que antes de te atender passei a mão pelo cabelo, vesti a bata e coloquei um sorriso.

Queria estar perfeito para ti.

 

Boa Noite Farmácia.

 

Desligaste-me na cara.

 

Não estou chateado contigo caro anónimo, na altura fiquei preocupado. Primeiro pensei que tinhas ligado porque não tinhas percebido onde se encontrava a campainha, depois a minha mente começou a inventar outros cenários. Que estavas caído no chão a sofrer com uma cólica renal e o telemóvel tinha sido a única coisa que tinha conseguido alcançar. Coisas tontas da minha mente. Mesmo assim fui espreitar a todas as montras a ver se te via, a ver se te podia ajudar, a ver se podias deixar de ser anónimo pelo menos para mim.

 

Desanimado percebi que não precisavas daquilo que te podia dar. Provavelmente deu-te gosto ouvir a minha voz.

Mas prezado não identificado, para a próxima vez não me telefones, manda-me uma nude pelo Whatsapp, pelo menos sempre fico com uma história mais interessante para contar.

O Crósselado

16.07.18, Triptofano!

Há gelado de copo
E no crepe não é mau
Mas eu prefiro aquele
Que é agarradinho ao pau

 

Custa-me, mas tenho de discordar da Rosinha.

 

O meu gelado preferido não é o que é agarradinho ao pau, o meu gelado preferido é gelado, ponto final parágrafo.

Seja em pau, em cone, em copo, em crepe, no que seja, gelado é gelado, em qualquer altura do ano, mesmo que esteja a chover torrencialmente e haja probabilidades de sermos levados pelo ar por um furacão.

 

Agora algo que eu nunca tinha pensado era em gelado no croissant, ou como eu carinhosamente apelidei, de crósselado, assim com assento e tudo.

 

O crósselado nasceu de uma parceria entre a Santini e o Moço dos Croissants, e quando eu soube da existência de tal coisa tive que ir a correr experimentar.

O crósselado pode ser degustado na Santini do Chiado, espaço que eu já conheço e está sempre a abarrotar de turistas, ou no Moço dos Croissants, um espaço amoroso que ainda não tinha visitado e que se situa mesmo no coração de Campo de Ourique.

 

Rumei então em direcção ao Moço dos Croissants, e fiquei fascinado pelo local.

 

Apesar de não ser muito grande não há aquela sensação de claustrofobia com que se fica em certos espaços, talvez pela área de produção estar visível ao público o que torna o espaço maior já que o nosso olhar tem mais onde se perder.

 

Tudo o que está exposto tem um ar delicioso, e a vontade é pedir uma coisa de cada. Para venda há pão, bolos, tarteletes e os famosos croissants que dão o nome à casa.

Pode-se escolher entre croissants doces, como o com recheio de maçã ou confitura de frutos vermelhos; ou salgados, como o de queijo da serra e presunto ou o de brie e cogumelos.

 

Mas eu tinha ido lá pelo crósselado, e seria um crósselado que eu iria comer.

 

Depois de ter sido fantasticamente atendido - não me canso de dizer que não vale a pena um local ter o melhor produto do mundo se o atendimento for escabroso - fiquei com a terrível indecisão de escolher o sabor do gelado.

Na minha cabeça sabia que ia pedir ananás se houvesse essa opção, mas não havia. Poderia escolher entre nata, caramelo, chocolate ou avelã.

 

Depois de cinco minutos a equacionar todas as opções de combinações de sabor mandei-me para o de avelã.

 

E foi tão bom.

 

O gelado era delicioso, acho que não vale a pena dar mais adjectivos. O croissant estava equiparado em termos de sabor, rico, fofinho, estaladiço, uma perdição. E se é bom tirar um bocadinho de gelado com a colher e depois dar uma trinca no croissant, bom bom é por os dois na boca ao mesmo tempo e sentir as nossas papilas gustativas a terem orgasmos múltiplos.

 

Para acompanhar o crósselado pedi um encorpado sumo de frutos vermelhos e banana, na tentativa de me enganar e dizer a mim mesmo que no fim de tudo tinha sido um lanche saudável. 

Estava cheio de sabor mas senti que talvez o equilíbrio entre os ingredientes estivesse um bocadinho a pender mais para os frutos vermelhos, havendo um pouco nada de excesso de acidez que podia ter sido balanceado com a adição de mais banana. 

 

No fim de tudo a experiência foi mais que positiva.

 

O espaço, o atendimento, tudo estava impecável. Vale a pena visitarem tanto pelo crósselado como pelas outras delícias que lá se vendem.

E se estiverem a chegar e ouvirem um sino a tocar não se admirem, não é o da igreja, é mesmo o da loja a informar que uma fornada quente de coisinhas deliciosas acabou de sair e estão à vossa espera para serem devoradas!

 

Moço dos Croissants

Moço dos Croissants

Moço dos Croissants

Moço dos Croissants

 

 

O Moço dos Croissants Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

O dia em que mais vergonha tive de mim mesmo

15.07.18, Triptofano!

Estava sentado no autocarro, perdido num daqueles jogos de fazer combinações, na esperança do tempo passar mais depressa enquanto não chegava ao meu destino.

 

Algo faz-me desviar os olhos do pequeno ecrã do telemóvel.

Um senhor pergunta a uma senhora se vai sair na próxima estação. Ela diz que não, e perante esta resposta ele começa a reclamar pelo facto de ela estar a impedir a saída dos outros.

 

É que não lhe pediu para ela se afastar, ou para trocar de lugar com ele, simplesmente começou a rosnar uma data de coisas, mas nada que fosse ofensivo, apenas extremamente antipático.

 

Porém sentia que aquilo não iria ficar por ali, por isso mantive a minha atenção focada no par, ele continuando a reclamar, ela maioritariamente muda, dando apenas uma tímida resposta que eu tivesse ouvido.

 

Até que o autocarro para e abre as portas. O senhor começa a sair, e no alto da sua arrogância vira-se para a senhora e diz:

 

Vê-se mesmo que és preta!

 

E enquanto as palavras ainda flutuam dentro do autocarro salta para o passeio e muito calmamente ruma ao seu destino.

 

Fiquei parado. Estático. Sem acreditar no que tinha ouvido.

 

As portas do autocarro fecharam-se e ele arrancou, e eu percebi que uma sensação de vergonha gigantesca tinha subido naquela paragem e colado-se ao meu corpo.

Vergonha por ter visto toda a cena e não ter dito nada.

Vergonha porque podia ter-me levantado e gritado ao senhor que fosse para o Inferno.

Vergonha porque vi alguém a ser maltratado por uma característica intrínseca à sua pessoa e devido ao meu silêncio de certa forma ter compactuado com o abuso.

 

Ninguém naquele autocarro disse algo sobre a situação. E tenho a certeza que não fui eu o único a ouvir aquela barbaridade.

 

A senhora permaneceu muda, com duas crianças pequenas a brincar ao pé das suas pernas. Crianças que mereciam ser protegidas da maldade que habita este mundo e não expostas a ela numa singela viagem de autocarro.

 

Ela tocou no botão de Stop, para sair na próxima paragem. Não era a minha.

 

Senti o corpo colar-se-me ao banco, mas soube que se não o fizesse nunca mais conseguiria olhar-me nos olhos. Levantei-me e aproximei-me dela. Perguntei se estava bem e pedi-lhe desculpa, desculpa por ter de ouvir uma coisa daquelas.

 

Ela sorriu-me e disse que não havia problema, que estava tudo bem. Mas eu sabia que não estava.

 

Por mais que a nossa capa seja dura, que a nossa armadura não enferruje, que estejamos prontos para todas as batalhas, dói sermos humilhados por uma característica nossa, que alguém pega e considera que é inferior e desprezível. Dói quando alguém nos cospe na cara que somos pretos, que somos gordos, que somos gays, que somos velhos.

 

Esta história não tem como objectivo apontar o racismo que existe escondido por detrás de sorrisos inclusivos, como foi um branco a criticar um preto podia ser um preto a criticar um asiático, ou um indiano a criticar um paquistanês, ou um ucraniano a criticar um finlandês.

O relevante não é a característica do agressor e a do agredido, é o facto de haver pessoas que se acham superiores a outras e por isso pensam ter o direito de as esbofetear verbalmente.

 

Por pior que tenha sido o dia de alguém, por mais desgastante que seja a sua vida ou que esteja consumida por uma doença que não a larga, ninguém, mas ninguém tem o direito de humilhar outra pessoa.

Temos todas as nossas diferenças, mas no fim estamos em pé de igualdade, porque somos todos seres humanos.

 

Quando chegou a minha estação saí com lágrimas nos olhos.

Esperançoso olhei para dentro do autocarro à espera de ver que a vergonha tinha seguido caminho. Mas há coisas que simplesmente não deixamos tão facilmente para trás, e esse dia vai ficar marcado na minha memória como aquele em que podia ter dito algo, mas preferi a segurança da minha bolha.

 

E se fosse comigo? Não teria eu gostado que alguém me tivesse defendido?

 

Socorro! 15 dias Sozinho!

14.07.18, Triptofano!

Hoje o cara-metade partiu em viagem para a Hungria, deixando-me sozinho com as porcas a cuidar da casa.

 

Apesar de obviamente ir sentir saudades dele, encarei esta temporária separação de forma completamente pacífica, muito ao contrário dos meus amigos e família que parecem estar convictos de que não tenho as capacidades necessárias para sobreviver sem ajuda externa.

 

Claro que fico muito feliz com a preocupação alheia, mas não será estranho ter recebido propostas de imensa gente para ir jantar a casa deles, ou me levarem comida, ou telefonarem-me todos os dias para não me sentir sozinho, quando já tenho mais de trinta anos de idade?

Até a minha sogra se disponibilizou a vir ter comigo caso eu precisasse, o que é realmente amoroso, mas ela vive na Guarda!!!

 

Mas o extremo da preocupação, ou direi, da falta de confiança em eu conseguir sobreviver 15 dias sem o cara-metade, é a minha mãe.

 

Hoje, ainda nem eram 8 horas, telefona-me ela:

 

Então filho, o cara-metade já se foi embora?

Sim mãe, já apanhou o avião!

Então, quando é que vens cá para casa e trazes as porquinhas?

Já te disse que vou ficar em minha casa mãe, mas obrigado pela preocupação.

Mas e a comida?

Tenho uma Bimby por alguma razão mãe!

Mas de certeza que vais comer?

Sim, não tenciono jejuar durante duas semanas.

E as compras?

Tenho um supermercado ao pé de mim e o Colombo a cinco minutos a pé!

Mas e sabes fazer as compras?

Tenho um curso superior mãe, acho que não vai ser assim tão complicado.

Então e quem é que vai limpar a casa?

Já és tu que nos limpas a casa mesmo quando o cara-metade está cá!

Ah pois, e a roupa?

Também és tu que nos lavas a roupa...

Sim mas como é que a vais trazer? 

De comboio mãe.

Era mais fácil quando ele cá estava, vinhas de carro e não te cansavas.

Não te preocupes, o exercício faz-me bem!

E não te vais sentir sozinho?

Tenho as porquinhas...

Mas elas não são como um cão ou um gato!

Tenho o trabalho, televisão, Internet, natação, amigos, relaxa...

E o sexo?

Hummm..............não vai haver!!

Duas semanas?

Sim duas semanas!

Olha, usa o vibrador azul que tens na gaveta. Não passes fome!
ADEUS MÃE!