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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Sense8 - Finalmente o último episódio

08.06.18, Triptofano!

Sense8 - Último Episódio

 

 

Foi com um misto de emoções que vi hoje o episódio especial de duas horas e meia, que encerra a história de Sense8.

 

Por um lado felicidade, já que a espera foi longa e o dia parecia nunca mais chegar, por outro tristeza, já que infelizmente uma das melhores séries que apareceu na televisão morreu cedo demais.

 

Sense8 conta a história de 8 pessoas, de diferentes etnias e culturas, que descobrem estar ligadas psíquicamente, pertencendo não ao tradicional Homo sapiens, mas sim ao Homo sensorium

 

Obviamente, que tudo o que é diferente gera medo e desconfiança, por isso há uma organização muito pouco simpática cujo objectivo é caçar e exterminar todos aqueles pertencentes ao género H.sensorium.

 

A série prima por óptimos momentos de acção, cenas bastante tórridas e minutos de euforia auditiva que tornam praticamente impossível que não saltemos do nosso sofá e cantemos em coro com as personagens, secretamente (ou nem tanto) desejando também nós estarmos psíquicamente ligados a alguém no extremo oposto do globo.

 

Mas o que torna Sense8 extraordinário é o constante reforço positivo do amor. Numa época em que ainda vivemos numa negatividade amorosa e sexual, é brilhante estar disponível para as massas uma série que exponha de uma forma natural e sem preconceitos as diferentes formas de amor.

 

Além de dar um grande abraço à comunidade LGBTQ, com personagens lésbicas, gays e transgéneras, Sense8 coloca em pé de igualdade as relações heteronormativas com as uniões homossexuais ou poliamorosas.

 

Na última cena, umas das personagens secundárias, depois de um desfecho surpreendente diz, Não pensei que coisas assim fossem possíveis, e teve como resposta um dedo nos lábios a silenciá-lo.

 

Porque o amor é um sentimento, é uma força que nasce de dentro de nós, e por mais que nos ensinem a controlá-lo com a razão, ou a moldá-lo, ou mesmo a tirar-lhe a voz, é impossível negarmos aquilo que somos e o que sentimos.

 

E quanto mais rapidamente aceitarmos que o amor, na verdadeira dimensão da palavra, pode fugir dos conceitos estabelecidos para cada sociedade, mais rapidamente também seremos felizes. Felizes por poder viver a nossa própria vida e felizes por sabermos que a vivência dos outros não tem que nos afectar, por mais diferente que seja da nossa.

 

Estamos constantemente a procurar o amor, mas não teremos nós medo dele como se fosse uma bomba preste a rebentar-nos nas mãos?

 

Não peço que reflictam acerca destas questões, mas se o quiserem fazer sugiro que seja acompanhado pela brilhante música de Ludovico Einaudi - Experience, que foi a escolhida para encerrar o episódio final de Sense8.

 

 

 

Onde está a felicidade - Anthony Bourdain

08.06.18, Triptofano!

Depois do suicídio da talvez não tão conhecida em Portugal, Kate Spade, segue-se a morte de Anthony Bourdain, aparentemente utilizando o mesmo método que Spade, o enforcamento.

 

O objectivo deste texto não é enaltecer as qualidades evidentes de nenhum dos dois, mas sim fazer uma reflexão sobre onde está realmente a nossa felicidade, aquela felicidade que muitas vezes procuramos desenfreados.

 

Por um aspecto de reconhecimento falemos de Bourdain, um talentoso Chef, escritor, contador de histórias, a trabalhar em novos episódios do seu programa de televisão Parts Unknown. Possuidor de fama, reconhecimento e dinheiro, Bourdain decidiu colocar um fim à sua vida.

 

Mas se tinha tudo isto, se tinha aquilo que tantos anseiam alcançar, aquilo que nos dias de hoje é programado nas nossas mentes como a imagem da felicidade, porque é que Bourdain terminou a sua odisseia na Terra? Será que devemos aplicar o ditado Dá Deus nozes a quem não tem dentes? Terá este mediático Chef desperdiçado uma oportunidade de felicidade pela qual tantos dariam metade da sua alma?

 

Ou será este ditado mais complexo do que parece à primeira vista? Será que Deus, ou o Universo, ou a Mãe Natureza -  escolham a entidade ou ausência dela que vos mais harmonize a essência - está constantemente a dar-nos nozes que nós rejeitamos e pomos de lado, na ânsia de procurar outras frutas mais lustrosas, mais suculentas, mais visualmente atractivas - mas que no fim apenas nos deixam um gosto amargo no céu da boca.

 

Nesta altura do campeonato já deveríamos saber que a felicidade é mais do que um bolso de dinheiro, mais do que milhares de subscritores num canal de Youtube, mais que quatro ou cinco prémios amontoados a ganhar pó.

 

Claro que todos queremos ser reconhecidos pelo nosso trabalho, pelo nosso esforço, pelo nosso empenho - afinal é mais que justo que assim seja - mas qual é o ponto em que nos alheamos da nossa essência cósmica e apenas trabalhamos em prol de um conceito de felicidade que sorrateiramente alguém surripiou aos nossos ouvidos.

 

Olhemos para trás na História. Foram os mais ricos e poderosos aqueles que foram mais felizes? Há uma relação directa entre poder, riqueza, reconhecimento e felicidade?

 

Agora lembremos-nos de alguém que tenha marcado de forma extraordinariamente positiva uma geração. Terá sido essa pessoa a mais rica, a mais bonita, a mais premiada da sua época?

 

Onde estará afinal a felicidade. O que é que nos faz realmente felizes e como é que podemos descobri-lo antes que seja tarde demais?

 

Para Bourdain, infelizmente, o breu da noite foi mais forte do que os raio de sol do amanhecer.

 

Que descanse em paz.