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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

30
Jun18

IRIS - Massajador e Iluminador de Olhos


Foreo-IRIS-Illuminating-Eye-Massager

 

Minhas senhoras e meus senhores, apresento-vos o IRIS, massajador e iluminador de olhos, criação divina que chega a nós terrestres por intermediação da Foreo.

 

Apesar de parecer um vibrador, ou mais concretamente um estimulador do clitóris ou da zona perianal, este menino é mesmo para utilizar nos olhos, de forma a reduzir a visibilidade dos pés de galinha, olheiras e bolsas sob os olhos, usando para isso a tecnologia T-Sonic™ Alternante. Vai também aumentar a absorção do contorno de olhos que usemos, e uma maior absorção traduz-se numa maior eficácia do produto.

 

O IRIS é inspirado pelas massagens linfáticas nos olhos vulgarmente praticadas na Ásia, ou seja, aqueles famosos toques com uma pressão ligeira que aumentam a vascularização da zona.

 

Neste momento vocês devem estar a pensar porque é que raio haviam de gastar um dinheirão a comprar uma máquina que faz o mesmo que vocês podem fazer com as pontas dos dedos.

 

Primeiro, o IRIS tem dois modos de utilização, o Modo Puro, que reproduz suavemente a sensação de uma massagem manual com movimentos leves de toque para evitar sinais de envelhecimento antes que estes se comecem a desenvolver, e o modo Spa, que combina toque com pulsações delicadas para apagar sinais mais evidentes de envelhecimento.

 

Apesar dos nossos dedos terem tantos modos quantos o nosso cérebro os quiser programar acho que provavelmente nenhum de nós saberá qual é a pressão e a cadência correcta para fazer uma massagem à zona ocular de forma segura e eficaz.

 

Segundo, quantos de nós usam a calculadora do telemóvel para saberem a quanto é que vai ficar aquele creme fantástico com o desconto de 20% directo e que acumula mais 15% no cartão?

Podíamos fazer a conta de cabeça não podíamos? Mas é sempre mais fácil, cómodo e à prova de erro usar a tecnologia não é?

 

O mesmo acontece com o IRIS. Podíamos usar os dedos, mas o resultado nunca seria tão bom!

 

Foreo-IRIS-Illuminating-Eye-Massager

 

 Agora bom bom, era ter um para cada mão, ou melhor, um para cada olho, que assim uma pessoa despachava este cuidado de beleza num instantinho, que a nossa vida anda sempre a 100 à hora e não há tempo a perder.

 

 

29
Jun18

Olha a Pipoca!


Durante anos a minha vida foi pautada por viagens diárias de metro, e quase todos os dias as minhas narinas eram inundadas pelo cheirinho de pipocas acabadas de fazer vendidas numa das estações de metro por onde passava.

 

Curiosamente nunca parei para comprar um pacote, o consumo de tal iguaria destinava-se apenas aos dias de ida ao cinema, onde irremediavelmente tinha que adquirir o maior pacote que houvesse para venda, sempre sobre o pretexto de ser para dividir com alguém, mesmo que fosse sozinho.

E de todas as vezes, sem excepção, comia o pacote inteiro, ficando sempre pedaços de pipocas enfiados entre os dentes, qual reservatório natural de mantimentos para um período de escassez.

 

Devido a este meu amor por grãos de milho estourados, fiquei radiante ao saber que a FOL Popcorn tinha aberto uma loja em Alvalade, destinada quase exclusivamente à venda de pipocas (digo quase exclusivamente porque também é possível comprar bebidas por lá).

 

Se para vocês pipocas existem apenas na versão carregada de açúcar ou carregada de sal, uma visita à FOL irá abrir os vossos horizontes, onde podem encontrar desde pipocas de Mojito, Bacon ou After 8 - mas antes que venham aqui deixar comentários sobre como eu vos enganei, nem todos os sabores podem estar disponíveis visto que há algumas edições limitadas.

 

Foi o que aconteceu quando eu literalmente arrastei o cara-metade ao paraíso das pipocas, tendo usado como argumento o facto de haver pipocas com sabor a Trufa.

 

É que quando chegámos não havia em exposição esse sabor - felizmente que perguntámos se não haveria um saquinho perdido algures porque na realidade havia, e o cara-metade ficou radiante por meter à boca pedaços de milho a saber a trufa (é mesmo daqueles sabores que se adora ou se odeia).

 

No meu caso escolhi pipocas Bianca Follia, cobertas de chocolate branco e com pequenos pedaços de Pretzel, que estavam muito saborosas, mas fiquei a salivar por umas de Violeta, que também não havia em exposição, e como eu sou atado acabei por não perguntar se não estariam também escondidas algures.

 

O espaço é muito bonito e acolhedor, o atendimento é fantasticamente simpático e a qualidade das pipocas é excepcionalmente boa.

 

Relativamente aos preços, considero que para uma quantidade de pipocas maior é justo, uma lata metálica com capacidade para muitas mas muitas pipocas fica por volta dos 14 euros, sendo possível elas irem separadas por sabores, até quatro, e no caso de se querer voltar a comprar, basta levar a lata e fazer um refill obtendo-se um desconto bastante simpático.

 

Um pequeno cone com um sabor fica por 2 euros, que não é ridiculamente alto, mas se estivesse na casa do euro e oitenta talvez psicologicamente fosse mais fácil de digerir. 

 

Senhoras da Fol Popcorn, se lerem este texto, quando tiverem o sabor de violeta disponível mandem-me uma mensagem. Prometo que estou aí mais rápido do que um estourar de pipocas!

 

FOL Popcorn Lisboa

FOL Popcorn Lisboa

FOL Popcorn Lisboa

 

Fol Gourmet Popcorn Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

27
Jun18

Bendito Metro e Oitenta e Sete


Rock in Rio é sinónimo de gente. Muita gente. Quantidades astronómicas de gente.

 

E isso traduz-se em centenas de potenciais cabeças e outras partes anatómicas que poderão ficar á nossa frente bloqueando o nosso campo de visão para o palco.

 

Não sou nem tinha paciência para ser uma daquelas pessoas que está na noite anterior a acampar à porta do RiR, com uma algália e um saco de dois litros conectado ao aparelho urinário, alimentando-se de batatas fritas e argolinhas de chocolate branco do Minipreço, com os pais a fazer ligações via Skype para saber se os rebentos não foram raptados para testemunharem milagres da IURD, tudo para quando os portões se abrirem correrem desenfreadamente para ficarem na primeira fila de forma a levarem com o suor e outros fluidos corporais dos seus ídolos.

 

O irónico disto é que onde se realiza o RiR é onde eu costumo ir correr, por isso já conheço o local como a sola do meu pé, o que me faria dar uma abada a todas aqueles adolescentes surrentos que se lavaram apenas com toalhetes Dodot e cujas carências nutricionais os fariam ter câibras musculares dolorosas nos primeiros cinco metros de corrida.

 

Mais digo, se um dia por obra do Divino ou devido a um cocktail de álcool e drogas que não me iniba a função eréctil tiver um rebento, este levará um par de tabefes no focinho se ousar perguntar se não me importo de lhe ir levar umas mantinhas e o creme para o acne às duas da manhã para a fila do concerto.

 

Quis ir, desenrasque-se!

 

Tudo isto para dizer, que ver um concerto no RiR é tudo uma questão estratégica. Temos de analisar os declives do terreno. Perceber quais os ângulos mortos e possiveis entraves ao nosso campo visual.

 

E depois quando escolhermos o melhor local é conseguirmos lá chegar.

 

Empurra para aqui, empurra para lá, espeta-se o cú para um lado, a barriga para o outro, finge-se que se desmaia para ganhar lugar e meio, faz-se uma reza para que a pessoa da frente fique com diarreia ou que tenha uma insolação e precise de ir para o hospital, tudo vale para obter um bom lugar.

 

E quando se consegue é lutar por ele. Bloquear a passagem de outras pessoas. E mandar para trás de nós os espertinhos que só querem passar para ir ter com os amigos e depois estacionam mesmo à nossa frente.

 

Por tudo isto é que eu dou graças ao meu metro e oitenta e sete. Porque por mais cabeçudos que estivessem à minha frente bastava-me dar um passinho para o lado ou esticar o pescoço qual girafa à busca das folhas mais tenras, para conseguir ver os ecrãs gigantes e/ou o palco.

 

Menos sorte tiveram outros festivaleiros, do alto do seu metro e cinquenta conseguiram apenas vislumbrar as costas de dezenas de outras pessoas e nem tiveram a possibilidade de se orgasmar quando o Diogo Piçarra ficou de tronco nu. Na música, quando já não se possui mais nada, há sempre a possibilidade de mostrar alguma pele de forma a fazer alguns esquecer a nossa falta de talento musical. Parece o meu Instagram, quando não tenho likes nas minhas fotos vai de meter uma em fato de banho para aumentar os ânimos dos seguidores. Triste eu sei...

 

Na próxima edição do RiR, estou a pensar muita seriamente em armar-me em Super Diva e aparecer com uns saltos de 12 centímetros. Aí é que ficava com uma vista desimpedida espectacular, fazendo com que fosse odiado de morte pelas pessoas que ficassem atrás de mim. O único problema é saber onde é que vou comprar uns sapatos de salto tamanho 46!

26
Jun18

Almôndegas é na Polpetta


Sabem quando combinam ir jantar com amigos e há sempre aquele que torce o nariz a todas as opções, ou porque não gosta, ou porque já foi ou porque não está a sentir uma boa vibração do espaço?

 

Pois bem, eu sou esse amigo. E quando fui jantar com o cara-metade e uma amiga nossa senti os olhares deles a fuzilarem-me sempre que recusava uma das sugestões. Mas ao contrário do que normalmente acontece, eu dou opções, não sou aquela pessoa que não gosta de nada mas depois também não diz onde quer ir.

 

Por isso sugeri a Polpetta, uma almondegaria artesanal em Arroios, da qual já tinha lido maravilhas. E lá fomos, um pouco a medo de irmos apanhar um barrete, e eu ainda mais a medo por ser o responsável pela visita a tal restaurante.

 

Só tenho a dizer-vos que fui santificado nessa noite. Porque o restaurante é excepcional. É para lá de fantástico. Entrou directamente sem pedir licença no meu top 5 de restaurantes em Lisboa de tão boa que foi a experiência.

 

Primeiro que tudo o atendimento é simpático, cuidado, prestável. O espaço não é muito grande para ser impessoal, nem muito pequeno para ser claustrofóbico. A decoração confere um ar acolhedor ao restaurante.

 

Mas a comida minha gente, a comida é algo de outro mundo. O menu é pequeno o suficiente para não ficarmos horas e horas a desfolhar páginas a tentar decidir o que vamos comer, mas possibilita combinações suficiente para ficarmos indecisos na mesma, de tão bom aspecto que tudo tem.

 

Há combinações de almôndegas já estabelecidas - a Escolha do Chef -  mas o que eu sugiro é decidirem-se entre um dos 4 tipos de almôndegas que há para escolha - novilho, frango, porco ou veggie -, regarem-na com o molho que mais gostarem e depois adicionarem-lhe um acompanhamento ( a polenta frita é de salivar abundantemente, acreditem!). E comerem. Comerem e chorarem por não terem ido à Polpetta mais cedo na vossa vida.

 

Mas se pensam que só as almôndegas é que valem a pena serem degustadas enganam-se. Iniciem a refeição com as bolinhas de alheira com maionese de marmelada e preparem-se para descobrir que há um pouquinho de Paraíso em Arroios.

 

A cereja no topo do bolo?

 

O preço. Simpático, amigo da carteira, mesmo com uma garrafa de vinho incluída.

 

Sem dúvida um local a voltar e a repetir vezes e vezes sem conta.

 

 

Polpetta Almondegaria Artesanal

Polpetta Almondegaria Artesanal

Polpetta Almondegaria Artesanal

Polpetta Almondegaria Artesanal

 

Polpetta - Almondegaria Artesanal Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

25
Jun18

Rock In Rio 2018 - Anitta


Quer se goste ou não do estilo funkeiro da Anitta, esta merece um grande aplauso, de pé, devido à sua prestação nesta edição do Rock in Rio Lisboa.

 

É verdade que metade da actuação foi cantada enquanto que a outra metade foi preenchida com rabiosques que abanavam para todos os lados e me fizeram questionar os meus olvidados conhecimentos de anatomia (eu ia jurar que não tenho aqueles músculos no rabo), mas o importante foi a escolha de bailarinos com os quais Anitta subiu ao palco.

 

Numa sociedade cada vez mais cis-corporal, onde muitos sofrem horrores para obter ou manter um tipo de corpo considerado "bonito", é uma lufada de ar fresco ver duas bailarinas bem acima do peso considerado normal dividirem o palco com um dos nomes mais sonantes da actualidade musical brasileira.

 

Anitta a certa altura do concerto, em tom de desabafo, disse que muitos nunca acreditaram que ela se tornaria a cantora que hoje é, e de alguma forma essa mensagem adequa-se também às bailarinas cuja figura corporal destoa da maioria.

 

Quantos não terão dito que nunca seriam bailarinas profissionais? Quantos não terão humilhado, deitado abaixo, ridicularizado os sonhos de terem uma carreira reconhecida. E quantos não terão mordido a língua de inveja ao verem aquelas mulheres confiantes, donas de si, a arrasarem com os seus movimentos? (especialmente com aquela espargata de deixar a boca aberta durante largos segundos)

 

E nós? Quem são as vozes que nos mandam abaixo? E mais importante que tudo, porque é que as continuamos a ouvir?

 

Anitta - Obrigado!

 

Anitta Rock in Rio Bailarinas Acima do Peso

 Imagem retirada daqui!

21
Jun18

Salada de Couscous com Romã, Amêndoas e Passas


Como houve algumas pessoas a mostrarem interesse pela salada de couscous que levei ontem para o convívio no trabalho, decidi partilhar convosco a receita da mesma, de forma a que possam deliciar-se com um prato fresco, saciante e muito saudável.

 

Salada de Couscous com Romã, Amêndoas e Passas

 

Ingredientes:

300 g de Couscous

300 g de Água a ferver

50 g de Manteiga

50 g de Amêndoas Laminadas tostadas

50 g de Tomate Cherry em metades

50 g de Sultanas

10 g de Hortelã

1 Romã

Sumo de meio Limão

Uma pitada de Caril

Sal a gosto

Erva Aromática seca a gosto

Azeite q.b.

 

Preparação:

 

Colocar a água a ferver e nela derreter a manteiga, juntando o sal, o caril e a erva aromática (orégãos, estragão...). Num recipiente fundo colocar o couscous e verter sobre ele a mistura da água a ferver. Cobrir e contar três minutos. Separar os couscous com um garfo. Deixar arrefecer.

 

Entretanto, tostar as amêndoas laminadas, cortar o tomate cherry em metades, descascar e separar os bagos de romã e cortar a hortelã o mais fino possível. Quando o couscous estiver frio juntar-lhe todos os ingredientes incluindo as sultanas. Temperar com azeite e sumo de limão.

 

O resultado final será em tudo idêntico a este, com a diferença que usei hortelã em vez de salsa.

 

Salada de couscous com romã, amêndoas e sultanas

Foto retirada daqui!

 

Se experimentarem a receita depois digam-me o que acharam dela! :)

 

20
Jun18

O que é que aconteceu à comida saudável?


Nos últimos anos os astrónomos dedicaram o seu tempo a tentar decidir se mantinham Plutão como um dos nove planetas do Sistema Solar ou se desciam de divisão o pobre coitado e atribuíam-lhe a classificação de planeta anão.

 

Primeiro que tudo, creio que para ser politicamente correcto, a designação apropriada seria de planeta desafiadoramente pequeno, já que anão é um termo quiçá ofensivo.

 

Em segundo, não será uma espécie de bullying espacial destituir das honras atribuídas desde lá sei quando o pobre do planeta? Afinal não trazia mal ao mundo deixar Plutão no cargo que ocupava, há por aí muita boa gente com posições mais flagrantes e qualificações inexistentes e dessas ninguém fala.

 

Mas esta conversa é toda para dizer que os astrónomos deviam ter dirigido os seus esforços na tentativa de compreender a falha tempo-espaço que sugou toda a comida saudável da mesa dos portugueses.

 

Dou o exemplo concreto do meu almoço de hoje.

 

Num verdadeiro espírito de camaradagem, eu e os meus colegas decidimos que iríamos todos almoçar no trabalho, de forma a podermos apoiar a Selecção Nacional. Ficou então combinado que cada um trazia uma coisa para partilhar e assim não haver um mouro a cozinhar para todos e os outros a lambuzarem-se à custa do coitado.

 

O que é que havia para comer?

 

Pistácios salgados, azeitonas salgadas, tremoços salgados, batatas fritas de pacote. chamuças extra-picantes, frango de churrasco, queijos e tostas. E uma salada de couscous, romã, passas, tomate e amêndoas que eu levei.

 

Obviamente que toda a gente ficou a olhar para mim de lado, e um dos meus colegas chegou a perguntar se aquilo era algum tipo de bolo, porque nunca tinha visto semelhante coisa.

 

Ora bem, eu não sou um fundamentalista da comida saudável. Eu como muitas vezes coisas que sei que não me fazem bem nenhum mas que infelizmente sabem deliciosamente. Eu não ando sempre com um tupperware de salada atrás a enfiar colheradas em bocas desprevenidas para evitar carências vitamínicas.

 

Mas bolas, o que é que aconteceu à comida saudável? Pior, que aversão é que criámos a comer alimentos que realmente nos fazem bem e melhoram e prolongam a nossa saúde?

 

Podem-me dizer que petiscada com amigos tem que ser regada a cervejas e asas de frango extra picante, enquanto se engorduram os dedos no óleo das batatas fritas e dos amendoins salgados, mas eu respondo-vos que se calhar chegou a altura de começarmos a mudar os nossos hábitos alimentares.

 

E não me venham com a conversa que não são vacas para andarem a comer erva o dia todo, que a vida é para aproveitar, que não querem viver até aos 100 anos por isso vão enfiar para dentro do corpo tudo o que quiserem mesmo sabendo que é veneno.

 

O problema é que os nossos hábitos alimentares estão a matar-nos aos poucos, e a muitos em vez de matarem deixam com sequelas para o resto da vida, dependentes de terceiros, amarrados a camas articuladas e cadeiras-de-rodas todo o terreno.

 

Tudo isto faz-me lembrar as campanhas antigas das tabaqueiras. Que fumar não fazia mal, o que era prejudicial era fumar em demasia. Infelizmente os lucros falam mais alto, e o verdadeiro interesse das pessoas não é tido em conta.

 

Pode ser que um dia os astrónomos anunciem que descobriram outro planeta. Um que estivesse escondido este tempo todo atrás de Plutão. E talvez nele encontrem a comida saudável que desapareceu das nossas mesas e que muitos insistem em dizer que não é assim tão importante.

 

19
Jun18

Os clientes não se matam, sangram-se!


Esta foi uma das frases mais inteligentes que ouvi nos últimos tempos relativa à restauração.

 

Não que seja apologista de torturarmos barbaricamente consumidores indefesos, mas na verdade o objectivo final de quem tem um negócio é apresentar um serviço que agrade ao cliente mas que lhe dê o máximo de lucro possível.

 

Por isso é que os clientes não se devem matar mas sim sangrar, deixando que eles voltem para casa, recuperem das feridas e quando já estiverem esquecidos da facada de que foram alvo, pimba, novo golpe.

Claro que apresentando sempre um serviço excepcional mas conseguindo transferir o máximo de euros para a conta bancária do negócio, sem nunca o cliente ficar com a sensação que foi explorado.

 

É muito importante haver um perfeito equilíbrio entre preço - serviço - qualidade.

 

Infelizmente não encontrei esta tríade de forma balanceada quando fui jantar ao Mariscador, situado na Praça de Touros do Campo Pequeno.

 

O espaço e o serviço são quase irrepreensíveis.

 

Fiquei na esplanada exterior, muito confortável e espaçosa, sem haver o problema de ter de ficar encafuado em cima de outras pessoas, como acontece em determinados restaurantes. A equipa que nos atendeu foi bastante profissional, conhecia os pratos que estava a vender e soube responder às perguntas que colocámos.

 

Teria sido perfeito se não fosse o facto de um dos elementos estar volta e meia a mascar pastilha. E isso é a pior coisa que se pode fazer quando se está a atender um cliente. Eu percebo que até possa ser uma forma de descarregar o stress, quem sabe uma pastilha de nicotina para ajudar a deixar de fumar, mas ninguém quer ver um empregado a ruminar enquanto decidimos qual prato vamos degustar.

 

A qualidade da comida é irrepreensível. Desde as cestas de pão à manteiga de algas servida na ostra, ao amanteigado do queijo e o picante das camarinhas (uns mini camarões muito crocantes), não esquecendo (e como poderia de tão bons que eram?) os croquetes de touro, o meu palato deu saltinhos de contentamento.

 

Ainda mais feliz fiquei quando chegou a sandes de caranguejo de casca mole em pombinhas (um pão típico da região de Santarém), um prato que me trouxe felizes lembranças da minha viagem ao Vietname, e que comi num abrir e fechar de olhos.

 

O problema na realidade foi este comer num abrir e fechar de olhos.

 

Porque enquanto a minha sandes estava satisfatoriamente servida, o pica-pau do cara-metade, apesar de delicioso, certamente que metade dele tinha sido extraviado para outra mesa. Porque é impossível servir-se uma quantidade tão pequena a alguém e anunciar que é um prato principal. Bem sei que devemos comer até ter os nossos estômagos 80% cheios, mas 80% é ligeiramente diferente que 40%.

 

Para piorar não é um prato barato - o valor que se paga é inversamente proporcional ao que se come. Mesmo os acompanhamentos que se podem pedir separadamente são demasiado caros para a quantidade que é apresentada, deixando a sensação que estamos a pagar mais do que aquilo que deveríamos.

 

O Mariscador podia ser aquele tipo de restaurante que sangrava um cliente mas fazia-o regressar, porque a qualidade do espaço é inegável, mas fazendo o cliente quase passar fome a um preço bastante elevado, acaba por o matar.

 

A sangue frio!

 

Mariscador

Mariscador

Mariscador

Mariscador

Mariscador

Mariscador

 

 

 

O Mariscador Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

18
Jun18

O Aquecimento Global centrou-se em minha casa?!


Eu assumo que era estranho estarmos a meio de Junho e ainda termos de pensar se tínhamos que sair com casaco ou guarda-chuva, dada a incerteza do tempo, mas esta vaga de calor que assolou a zona de Benfica é para lá de ridícula.

 

De um dia para o outro a temperatura subiu no mínimo uns vinte graus, levando-me a ter cada vez mais certezas que as mudanças climatéricas são reais, e pior, que o epicentro das mesmas fica certamente por cima de minha casa.

 

Abençoado com uma casa para arrendar abaixo de um valor de quatro dígitos mas amaldiçoado com uma construção antiga que de isolamento térmico não tem nada, se o resto do Verão for como o dia de hoje mais vale mudar-me temporariamente para a casa dos meus pais.

 

Acordei para descobrir que a minha pele se tinha fundido com os lençóis e mal coloquei o pé no chão pensei que tinha uma inundação em casa mas era afinal o cara-metade que estava a transpirar abundantemente.

 

Tive de verificar por mais que uma vez se as porcas-da-índia estavam vivas, tal era o estado de imobilidade a que se tinham remetido, certamente porque qualquer movimento as faria ter mais calor.

 

Chegue a duvidar se a pintura da sala não estava a derreter-se mesmo à frente do meu nariz, mas depois percebi que era a conjugação das ondas de calor com a secura extrema da minha córnea e com os efeitos de um chá fora de prazo que tinha bebido na noite anterior.

 

A solução que encontrei foi buscar ao armário a ventoinha que pensei não ter de usar durante este ano, e eu, cara-metade e porcas esparramámos-nos à frente dela na potência máxima, amaldiçoando silenciosamente todos aqueles que acham que o degelo e o buraco do ozono são mitos urbanos.

 

Se o senhor Trump tweetar mais alguma vez que o Aquecimento Global é uma invenção de um bando de activistas da natureza sem mais nada que fazer, eu convido-o a passar uns diazinhos aqui em casa.

 

De ventoinha desligada.

 

Aposto que ele muda logo de ideias.

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