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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Não há amor como o primeiro

12.04.18, Triptofano!

Seria injusto dizer que o título deste post se aplica a todos os restaurantes, porque não se aplica, mas tem-me acontecido cada vez mais ter uma experiência fantástica num restaurante e, quando volto para repetir, pensar o que raio aconteceu, já que o resultado final é totalmente oposto daquele que obtive da primeira vez.

 

O ano passado, no aniversário do cara-metade, fomos ao Pano de Boca, um restaurante que está inserido no Teatro Aberto, sendo normal ver alguns actores conhecidos a tomarem a sua refeição antes ou depois dos espectáculos.

 

O local é muito bonito, com uma decoração irrepreensível, mas o que mais fascina é o pano de boca (uma tela que se levanta ou baixa no teatro cobrindo a boca de cena) que na realidade é um espelho que dá a ilusão que o restaurante é muito maior e que se uma pessoa não tiver cuidado de tão imaculadamente limpo que está, ainda dá uma cabeçada nele!

 

Tudo correu extraordinariamente bem, fiquei encantado com o espaço, com o serviço, com a comida. Por isso este ano quando me perguntaram onde ir jantar com antigos colegas de trabalho rapidamente disse Pano de Boca, a achar que tudo iria ser novamente maravilhoso. Só que não!

 

Primeiro quando chegámos a nossa reserva de 5 pessoas afinal tinha sido anotada como 4.

Nada de especialmente aborrecido, porque ainda faltavam pessoas a chegar, e uma mesa estava prestes a vagar. Convidaram-nos a esperar um pouco nos sofás, e dez minutos depois aparece surpreendentemente uma água tónica. Digo surpreendentemente porque já nem nos lembrávamos de ter pedido essa bebida - dez minutos para uma coisa tão simples quando o cliente está à espera por causa de um erro da casa não me parece um começo muito auspicioso.

 

Chegam o resto dos convivas e nesse mesmo momento a mesa vaga.

Sentamos-nos e pedimos bebida e entradas.

 

Aqui pensei que tudo estava salvo, que o Pano de Boca não me ia deixar mal. Afinal a sangria estava deliciosa, o choco frito de lamber os dedos, o fondue no pão era uma perdição e as espetadinhas de enchidos e abacaxi em pão alentejano não desiludiram. Aqui tenho de dizer que foram extremamente simpáticos porque vinham apenas quatro espetadinhas e acederam prontamente ao nosso pedido de fazer uma extra sem nos cobrarem mais por isso.

 

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Mas foi quando nos deliciávamos com as entradas que tudo começou a correr mal.

 

A certa altura uma das funcionárias diz-nos que temos de abrir espaço na mesa para os pratos principais. Mas nós ainda estávamos a enfardar forte e feio as entradas, e foi isso que lhe dissemos. Ah pois, mas assim os pratos vão vir frios. Ficámos lívidos, então agora era o cliente que tinha de comer ao ritmo da casa?

 

Não fazia sentido e foi isso que explicámos. Que sim, sem problema! Quando cinco minutos depois chegam os pratos um deles vinha meio frio - a costeleta barrosã à pano de boca, o que tirou logo a graça toda ao prato. A minha espetada terra & mar, com gambas e novilho estava muito bem fornecida - na realidade as doses são bastante generosas neste restaurante - mas a picanha de uma das minhas colegas, só no momento de vir para a mesa é que lhe foi dito que afinal já não havia banana frita.

 

E ela ficou extremamente desapontada, porque precisamente queria banana frita. Lá remediaram a situação com abacaxi frito, que até estava muito bom. Mas e depois para pedir uma faca de serrilha para cortar melhor a picanha? A funcionária trouxe duas vezes uma faca normal, até que desistiu de nos vir servir pelo facto de já estarmos a deitar faíscas pelos olhos - era um pedido simples, não conseguíamos entender o porquê de ser tão difícil de concretizar.

 

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O ano passado tínhamos ficado tão satisfeitos que ninguém atacou a sobremesa. Desta vez, com um ligeiro amargo na boca, pensámos que seriam elas a salvar a refeição. Só que não (outra vez)!

 

Nada de especial, algumas até muito pouco saborosas, concluo que mais vale ter duas sobremesas extremamente boas na carta do que uma data delas que só estão a encher espaço.

 

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Custa-me dizer isto, mas fui muito feliz no Pano de Boca, mas a nossa relação muito certamente ficou por aqui.

 

Pano de Boca Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Triptofano e a Economia de Água

12.04.18, Triptofano!

Pasmem-se com esta revelação que vou fazer, mas não sou a pessoa mais social de sempre.

 

Ou talvez seja mais correcto dizer que sou um bocadinho introvertido - por isso se não meterem conversa comigo não estejam à espera que eu seja aquela pessoa que vai falar com meio mundo mesmo que nunca tenha visto esse meio mundo mais gordo.

 

Por causa desta minha maneira de ser, contam-se pelos dedos os vizinhos com os quais eu tenho conversas diárias. E quando digo que se contam pelos dedos basta saberem que eu se fosse totalmente amputado de extremidades conseguia-os contar na mesma!

 

Foi então com surpresa, que um dia destes me tocaram à campainha.

 

 

Pensando que seria publicidade ou algum grupo religioso a anunciar o Apocalipse primeiramente ignorei o toque, correndo para o quarto e tapando-me com o cobertor, como se isso me fosse capaz de transportar para um mundo alternativo onde não tivesse que interagir com outro ser humano.

 

Quando percebi que a campainha continuava insistentemente a tocar, resolvi deixar de ser bicho-do-mato e encarar o responsável por tanta poluição sonora.

Ao abrir a porta deparo-me com uma jovem, pouco mais nova do que eu, que com um grande sorriso se apresenta como a vizinha de baixo.

 

Nesse instante pensei logo, Ah porca vens-te fazer ao vizinho jeitoso de cima, mas daqui não levas nada percebes?, mas sorri de volta e perguntei o que ela pretendia.

 

Questiona-me se eu tenho algum problema na minha banheira, e eu aí soube de imediato, Ah badalhoca, queres festa e ainda por cima és descarada!, mas mantive a compostura e disse que não, aparentemente estava tudo bem!

 

Conclusão, a pobre da moça afinal não vinha ao engate, mas sim tentar perceber se eu era o responsável pela gigantesca inundação que ela tinha na casa-de-banho dela.

 

Depois de chamadas ao senhorio, conversas com os vizinhos do lado e tudo e tudo e tudo, descobre-se que o problema é mesmo do meu apartamento, e vão ter que ser efectuadas obras, mas quando, isso ninguém sabe.

 

E vocês perguntam. Mas o que raio esta história tem a ver com a economia de água?

 

Ora acontece que ao falar com o cara-metade decidimos que tínhamos de ser bons vizinhos e minimizar os danos e incómodo que a vizinha estava a sofrer.

 

Isso passava por diminuirmos o tempo que passávamos a tomar banho (mas não a frequência que somos pessoas muito limpinhas!), e no meu caso, passar mesmo a evitar tomar banho em casa e aproveitar a ida ao ginásio para fazer a minha higiene.

 

Para minimizar o impacto do uso da banheira (que o cara-metade tem de se lavar em casa e eu nem sempre posso ir ao ginásio!), além do duche ser mais curto, colocámos um balde dentro do chuveiro para diminuir a quantidade de água que ia pelo ralo. Essa água que armazenamos no balde usa-se na sanita, em vez de se descarregar o autoclismo.

 

Uma coisa é certa, mesmo quando as obras estiverem feitas e não houver limitações no que toca ao banho, vamos continuar a usar a técnica do balde, porque além de ser benéfico para o ambiente visto poupar recursos, também nos permite economizar algum dinheiro na conta da água!