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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

28
Mar18

Mentir para dar Sangue?


É do conhecimento de todos que em Portugal as reservas de sangue não são ilimitadas, na realidade basta uma visita aqui para termos conhecimento de qual é a quantidade medida em dias, que o Instituto Português do Sangue e da Transplantação tem em stock para cada grupo sanguíneo.

 

Sendo O positivo, tenho a noção que o meu sangue é bastante útil para ajudar pessoas que precisem de transfusões, visto poder doar a todos os indivíduos que sejam Rh positivos. Mais útil que um O positivo, somente um O negativo, que é aquele indivíduo que pode dar a qualquer pessoa, e é o tipo de sangue que é usado quando há necessidade de uma transfusão muito urgente e o grupo sanguíneo da vítima é desconhecido.

 

Mas independentemente de se ser O, A, B, AB, Rh positivo ou negativo, dar sangue deveria ser um acto de responsabilidade social, porque enquanto indivíduos inseridos numa sociedade temos quase que a obrigação de cuidar e de olhar uns pelos outros. Ou pelo menos deveria ser assim - e a doação de sangue seria um entre muitos actos que cada cidadão poderia efectuar em prol do bem comum.

 

No passado já dei sangue, umas quatro ou cinco vezes, e tenho perdido algures o cartão de dador. Volta e meia lembro-me que podia ir ajudar a salvar uma vida, perder uma hora do meu dia, doar algum do líquido vermelho que me corre nas veias.

 

Só que depois lembro-me que estou farto de ter que mentir para poder ajudar alguém que possa vir a precisar da minha dádiva.

 

Tudo porque sou homossexual.

 

Minto, na realidade o problema não é a minha homossexualidade, mas sim o facto de ter relações sexuais com homens. Porque se fosse abstinente aí não haveria problema algum  - teria era de o ser por um período igual ou superior a 12 meses.

 

E se há quem por escolha ou por imposição do destino esteja nessa situação, a cadência da minha vida sexual obriga-me a estar afastado das dádivas de sangue.

 

A Direcção-Geral de Saúde, presentemente, incluí os Homens que tem Sexo com Homens (HSH) nas sub-populações com risco infeccioso acrescido, juntamente com os trabalhadores do sexo e com os utilizadores de drogas.

Houve uma altura, um par de meses, onde aos HSH foi-lhes retirado esta classificação, para júbilo de todos aqueles que lutam pela igualdade independentemente da orientação sexual.

 

Foi sol de pouca dura.

 

Actualmente, se quiser fazer uma dádiva de sangue e assumir que tive um relacionamento sexual com outro homem, terei que esperar 12 meses até poder fazer uma reavaliação enquanto possível dador. Não interessa se foi um encontro sexual esporádico ou se tenho relações com o mesmo homem há 20 anos. Se tiver sexo com um homem tenho que aguardar 1 ano - em abstinência.

 

No caso de um homem heterossexual, o período de espera é de 6 meses, e isto apenas se tiver trocado de parceiro sexual. Caso não tenha havido mudança no parceiro, não há necessidade de abstinência - e depois da troca também não, desde que não volte a haver mudanças.

 

Talvez considerem que só os heterossexuais sejam capazes de ter relações monogâmicas duradouras.

 

A questão que se impõe é se devo mentir para ter acesso à possibilidade de doar sangue?

 

O que é mais importante, poder fazer a diferença e ajudar a salvar uma vida ou assumir quem eu sou com orgulho mesmo que isso me afaste de um acto tão nobre como é o da doação de sangue?

 

Desta vez, infelizmente, escolhi não ser um super-herói!

27
Mar18

Morre com memórias não com sonhos


O sonho é a coisa mais destrutiva do Universo. Com um potencial de devastação maior que um terramoto, que um meteorito, que uma bomba de hidrogénio ou que um míssil intercontinental.


Não existem campanhas políticas, referendos, manifestações ou discursos de personalidades públicas que possam levar à cessação do acto de sonhar. É algo incontrolável, e a falta de controlo é por si só algo muito perigoso.


Os sonhos cada vez estão maiores, mais complexos, mais exigentes. Antigamente era suficiente sonhar-se com uma família, um emprego decente, uma vida saudável, em suma, com uma felicidade serena.


Hoje os sonhos estão noutro patamar. Precisamos a todo o custo de ser os maiores, os melhores, os mais rápidos, os mais bonitos, os mais fortes, os mais santos, os mais qualquer coisa desde que sejamos mais do que os outros. Afinal os nossos sonhos não são mais importantes do que os dos demais?!


Mas de onde surgiram eles? Da nossa cabeça? De uma voz que nos sussurra ao ouvido? Das palavras brilhantes num monitor? Das letras desbotadas de um livro?


Independentemente da sua origem, a sociedade impele-nos para os concretizar. Porque não podemos morrer com arrependimentos, não podemos conceber sequer a ideia de não termos tentado atingir aquele patamar idílico que visualizámos.


Por isso comemos, e vomitamos, e cortamos-nos, e rezamos, e choramos, e alheamos-nos de tudo o que está ao nosso redor, porque ambicionamos atingir uma vida que está quase ao nosso alcance, mas continua tão longe, e a porcaria da vida que temos de momento não serve para nada, porque temos é de continuar a almejar morrer apenas com memórias, e sem sonhos por concretizar.


Pois eu prefiro morrer com sonhos, em vez de com a memória de uma vida que nem sequer cheguei a viver.

26
Mar18

Há Sushi na Fábrica


Existem modas que apareceram com alguma força mas rapidamente foram esquecidas.

O ceviche, o poké, os restaurantes de fondue, todos eles tiveram o seu pico mas depois gradualmente foram perdendo o seu ímpeto até serem quase ou totalmente esquecidos pelo grande público.

 

Mas o sushi veio para ficar.

Por mais anos que passem acredito que o amor ao sushi não vai desaparecer assim tão facilmente. Podem relacionar o consumo do mesmo ao aumento de H.pylori no estômago, a um excesso de metais pesados no organismo, à contaminação cruzada por antibióticos, ou a tantas outras coisas que já ocuparam folhas e folhas de revistas e jornais que, quem gosta deste tipo de culinária japonesa, como eu, vai manter-se fiel durante uma longa temporada, mesmo que outras modas vão periodicamente aparecendo no panorama alimentar.

 

É este meu amor por sushi que me faz sempre procurar novos locais. Apesar de ter os meus favoritos aos quais recorro quando quero ter uma refeição segura, pressigo sempre aquela sensação de surpreendimento e deslumbramento do palato que por vezes certos restaurante me dão a felicidade de obter.

 

Como há uns posts atrás relatei, fui a um Escape Game no LxFactory. E o que é que ficava mesmo ao lado do Escape? O Sushi Factory, um restaurante que já várias pessoas me tinham falado, como se fosse o último reduto no mundo para comer arroz e peixe cru de qualidade.

 

No Sushi Factory há duas opções, ou pedir à la carte ou pedir o all you can eat, que promete que vamos sair a rebolar com sushi.

 

E na verdade saí; não me posso queixar da quantidade que me foi servida nem da qualidade. O sushi era fresco, bem confeccionado, com uma apresentação irrepreensível e bastante variadade. Até aqui tudo bem, os sabores eram equilibrados e havia uma ou outra surpresa que fizeram as minhas papilas gustativas cantar de alegria.

 

Só que podia ter saído ainda mais a rebolar. Não fosse o meu estômago ter tido tempo suficiente para dar informação ao meu cérebro de que estava cheio, visto que o tempo entre cada prato de sushi que vem para a mesa ainda é assim para o grandito. E claro que eu percebo que é um negócio, e obviamente que se conseguirem com que o cliente fique saciado mais depressa maior é a rentabilidade que vão ter. Mas eu não gosto de esperar muito tempo por comida, especialmente quando não vejo razões logísticas para isso acontecer.

 

Se fosse apenas este detalhe o Sushi Factory teria ficado na minha lista de restaurantes preferidos, mas houve mais duas coisas que me fizeram comichão durante o jantar.

 

Primeiro a música. Já é mau quando vamos a um bar e temos de gritar para ser ouvidos por pessoas que estão a menos de meio metro de nós. É inadmíssivel quando isso acontece num restaurante. Ainda por cima num restaurante amplo e de grandes dimensões como é o Sushi Factory.

 

Em segundo o serviço. Sim senhor que fomos bem atendidos, que todos eram muito simpáticos, mas, apesar de achar que independentemente do preço que pagamos o atendimento deve ser impecável, quando a conta é um pouco mais alta também estamos à espera que as falhas sejam muito menores. Uma das pessoas que foi connosco não gostava de fruta no sushi. Após verificar que a primeira travessa vinha com fruta pediu-se que o próximo não tivesse. Que sim tudo bem. E o que é que aconteceu? Ainda veio mais fruta no sushi...Além de nos informarem que os próximos rolos tinham por exemplo abacate e atum, e quando chegavam, o abacate tinha sumido! Ah pois e tal, é que esgotou...

 

São estes pequenos detalhes que não devem acontecer em qualquer restaurante, muito menos num claramente direccionado para um segmento médio/alto. 

 

E já agora, senhores que fazem o menu, por favor retirem imediatamente aquele topping de morango extremamente artificial que me serviram, é que só está lá a fazer barulho gustativo!

 

Se eu voltava ao Sushi Factory? Estando ali pela zona voltava porque no fim de contas o sushi é de bastante boa qualidade, mas dirigir-me lá de prepósito não acredito que fosse!

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Sushi Factory Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

24
Mar18

RuPaul's Drag Race: Season 10


Depois da All Stars 3 eis que chega finalmente a Season 10 da RuPaul's Drag Race. É incrível como é que já se passaram dez anos desde a primeira temporada, e mais espantoso ainda como é que de ano para ano o programa fica cada vez mais popular.

 

Já vi o primeiro episódio e gostei bastante, apesar de achar que tanto na Season 9 como nesta Season as Queens que foram seleccionadas são, não sei, um bocadinho sem sal, talvez lhes falte uma boa dose de carisma. O que cada vez é mais notório é que existem concorrentes que são escolhidas apenas para fazerem barulho visual, porque logo do início percebe-se que a probabilidade de avançarem no concurso é quase nula!

 

E vocês, acompanham o programa? Quais são as vossas Queens favoritas de todos os tempos? 

 

 

23
Mar18

Escape Game: 0 | Triptofano: 4


Quem acompanha o blog sabe que eu e os Escape Games temos uma relação de amor-ódio.

 

De amor porque adoro o desafio de estar preso num local e num tempo estipulado, ter de encontrar forma de sair, sendo que para isso tenho de colocar o cérebro a trabalhar furiosamente e a obrigar-me a pensar fora da caixa, que é algo extraordinário para quem tem um trabalho menos criativo como o meu.

 

De ódio porque eu não sou uma pessoa calma. Eu gostaria de ser uma pessoa calma mas não o sou. No dia anterior ao jogo ando aos saltinhos excitado a pensar como é que vão ser os desafios, e a quantidade de papel higiénico que gasto aumenta de forma astronómica tal é a sensibilidade com que o meu intestino se apresenta.

No próprio dia, bem, nem vale a pena falar, acho que vai haver uma altura em que terei de injectar uma tintura de valeriana ou similar para poder estar um bocadinho mais relaxado.

 

Como já há muito tempo que não ia a um Escape, ontem eu e o cara-metade, mais um casal amigo, aventurámos-nos no LX Escape.

Tínhamos marcado a Sala Red, mas depois de conversar com a nossa super simpática Game Master acabámos por ir para a Sala Rain, que supostamente é mais difícil. Se era para ser um desafio, então que fosse um desafio à séria.

 

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"A 12 de Novembro de 1940, aos 29 anos, é encontrada morta na casa de banho do club onde actuava. Autoridades da época encerraram o local e levaram a cabo longos interrogatórios, questionando funcionários e clientes. As suspeitas recaíam principalmente em Charles West, o marido desertor que afinal nunca esquecera Sally e a culpava pelo seu próprio fracasso. Mas verdade é que entre colegas invejosas e clientes não correspondidos, Sally somava inimigos. Até o seu padrasto britânico, denunciado por maus tratos num secreto diário, foi interrogado.

No entanto, a investigação acabou por ser encerrada por falta de provas conclusivas. A morte de Sally ficou por explicar até hoje."

 

Spoiler

Spoiler

Spoiler

 

Qual foi a grande e crucial diferença que marcou este jogo?

 

O facto de eu quase ir começando a chorar - sim, eu sei que se calhar sou um bocadinho competitivo demais. Mas é que o que sucedeu foi que no início informaram que tinha de haver um líder de equipa, e sugeriram que este fosse a pessoa com mais experiência, que calhou a ser eu.

 

Então, de uma forma muito amável, a Game Master levou-me primeiramente para dentro da sala, e acorrentou-me um dos pés. Ora quando os meus colegas entraram, apressei-me a pedir-lhes que encontrassem a combinação para me soltarem!

 

Mas e até isso acontecer? Andaram para um lado, para o outro, enfiaram-se em tudo o que era sítio, viram pistas, debateram, ficaram calados, olharam para o chão, para o tecto, e eu ali, sem poder sair do sítio, já quase a ponderar serrar a perna para ir poder ter com eles e ver as coisas com os meus próprios olhos, porque é desesperante querer ir ajudar a equipa e estar ali sem podermos sair do sítio.

 

Porque é que eu ia começando a chorar? Do nervoso claro! E vocês estão a pensar, porra este homem não bate bem da pinha. E pronto, confesso que talvez não bata, mas quinze minutos depois de termos entrado ainda não tínhamos avançado nada, e eu só pensava que ia ficar uma hora preso a um lavatório, o que me levou a gritar e a barafustar um bocadinho com os meus parceiros de equipa, que certamente equacionaram a possibilidade de me enfiarem um trapo na boca para me silenciarem!

 

Fim do Spoiler

Fim do Spoiler

Fim do Spoiler

 

Apesar de todo o nervosismo, gostei deste Escape Game, mas compreendo que possa não agradar a toda a gente. Esta sala (a Rain) não é tão intuitiva, ou seja não é do tipo, abri uma porta, agora vou abrir a que está a seguir, e depois vou abrir a outra que vem depois e por aí adiante. Aqui as coisas estão um bocadinho mais baralhadas, a própria disposição da sala torna a forma de jogar diferente e faz com que o pensamento tenha de ser organizado de uma forma distinta. Mas continua a ser um óptimo jogo, e o mais importante, é que conseguimos sair ainda com uns 17 minutos de sobra, algo que muito me surpreendeu já que pensei que finalmente ia ser vencido por um Escape Game.

 

Continuo imbatível! Será que isto significa que se um dia for parar à prisão também me consigo safar utilizando única e somente uma lima e uma peruca ruiva? 

 

22
Mar18

Proteína Pós-Treino


Treino talvez seja assim uma palavra muito ousada para o que eu faço na piscina, mas na realidade, talvez também para conseguir manter-me psicologicamente estável, cada vez mais desafio os meus limites quando nado.

 

Ou tento fazer duas piscinas no mínimo de respirações, ou faço vinte piscinas seguidas, ou treino as cambalhotas à frente ou atrás, mas o que tem acontecido é que encaro cada vez com mais agressividade o acto de nadar. Já não me contento com andar tranquilamente de um lado para o outro, quero ser mais rápido, mais forte, mais resistente.

 

E apesar do perímetro abdominal continuar praticamente igual, já me disseram que o meu tronco está mais largo, o que poderá não ser o ideal que isto a vida está difícil para andar a comprar camisas e t-shirts novas.

 

O que não está igual é a minha recuperação muscular. Cada vez mais sinto dificuldades em voltar à piscina no dia a seguir sem dores, devido ao esforço que coloco a mim mesmo. Por isso é que andei a investigar se consumir proteína pós-treino tinha alguma vantagem ou não.

 

Aparentemente, o exercício vai estimular os músculos a produzirem uma maior quantidade de proteínas musculares, o que vai levar a que ele recupere e cresça mais forte de forma a poder encarar o próximo treino sem se cair para o lado. É este processo que desencadeia o aumento da nossa força e da nossa resistência, além de dar uma melhor definição à silhueta. Ao consumir-se a quantidade certa de proteína após um treino, vai-se conseguir iniciar mais rapidamente todo o processo de recuperação e crescimento muscular, e maximizá-lo.

 

De momento ainda não estou suficientemente embrenhado neste mundo para começar a investir em proteína específica, nem a fazer contas de quantidades, mas resolvi aumentar a ingestão de proteína através de um Batido Energético de Banana e Chocolate.

 

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A receita tirei-a do site do Cookidoo, da Bimby, mas é tão simples que qualquer um pode a fazer.

 

Ingredientes

2 bananas (cortadas em pedaços e previamente congeladas)

3 colheres de sopa de flocos de aveia

3 colheres de sopa de manteiga de amendoim

15 g de chocolate preto (mínimo 70% de cacau)

550-650 ml de bebida de amêndoa

 

Para preparar basta juntar tudo, triturar na velocidade máxima do vosso robot durante 1 minuto e meio, e está pronto! Além de ser uma bebida muito rica em proteína é deliciosa.

 

E vocês, tem alguma dica para conseguirem treinar mais e melhor?

 

 

19
Mar18

Como se já conseguisse respirar


 

Hoje foi o início de um novo ciclo para mim.

 

O ser humano tem muito destas coisas, destas pequenas celebrações pessoais, quais ritos de passagem que marcam a transição de um ano lunar para outro.

 

Eu não sou excepção, ou parte de mim não fosse inegavelmente humana, enquanto a outra, bem a outra ainda estou na dúvida sobre que origem terá.

 

Mas dizia eu que hoje celebrei comigo mesmo o início de uma nova era, uma nova fase da minha vida que espero me traga mais sabedoria, mais abertura de mente e espírito, e sobretudo, mais cautela.

 

Certamente que todos os que me estão a ler neste momento já passaram por algo semelhante à espiral onde me encontrei preso demasiado tempo. Encontramos alguém na nossa vida com quem temos empatia, e que rapidamente, talvez rápido demais, consideramos nosso amigo.

 

E depois, lentamente, certamente lentamente demais, começamos a perceber que aquela pessoa não é a correcta para nós. Que afinal aquele indivíduo é não mais que uma sanguessuga vampira da nossa energia, que nos drena a vitalidade enquanto esboça um sorriso. Mas nós até percebermos que a relação simbiótica em que nos encontramos não é mais do que uma descarada parasitose tóxica, vamos definhando, e culpando-nos a nós mesmos do estado em que estamos, até finalmente, conseguirmos abrir os olhos.

 

Quando a verdade nos atropela o nervo óptico chegando num micro-segundo ao cerebelo, o sentimento que nos invade é o da incredulidade. Porque no fim de contas o parasita sempre foi parasita, nós, hospedeiro pachorrento e desprovido de maldade, é que aceitámos de forma indirecta a relação unilateral que quase nos levou à exaustão, física, mental, económica (...)

 

E quebrar uma relação desta índole?

Não é fácil!

O rancor tolda-nos a voz. A tristeza cria manchas de humidade nos nossos pensamentos. Os nossos gestos possuem a embriaguez de uma janela perra mal oleada. E a vitimização do outro lado é uma certeza. Porque nós somos os maus da fita. Nós é que estamos a criar mau-estar onde antes só havia bonança. Acabamos por ser presos e decapitados porque ansiamos a nossa liberdade, a porra da nossa liberdade.

 

Hoje é como já conseguisse respirar. Tiraram-me duas placas de cimento de cima do peito, e a minha caixa torácica deixou de apenas comportar um pequeno fio de ar que me permitisse fazer as trocas metabólicas necessárias para a sobrevivência, para se expandir agora em todo o seu fulgor.

 

Já sabia que se tinha ido embora. Com um sorriso cínico na cara. Com promessas por realizar. Com a certeza de que o problema estava nos outros, a eterna vítima. Mas quem sabe fosse mesmo uma vítima, mas apenas de si mesmo.

 

Porém, só hoje, quando a sua ausência foi constatada pelos meus sentidos e me confirmado enésimas vezes que não voltaria, é que senti que voltava a viver.

 

Hoje começou um novo ciclo para mim. E de momento, só isso me interessa.

 

16
Mar18

Ohana by Naz


Um oásis de pacificidade no meio do stress deste mundo empresarial.

 

Se não foram estas as palavras, foi pelo menos esta a mensagem que Naz, a proprietária do Ohana by Naz, quis transmitir quando nos explicou o que tinha idealizado para aquele espaço.

 

Aos domingos, eu e o cara-metade gostamos de ir ao brunch, mas o que se torna complicado é a escolha. Ou os que queremos estão fechados, ou não têm opções que nos façam o estômago estremecer de contentamento ou simplesmente possuem uma relação preço-oferta que nós consideramos desajustada.

 

Foi por um feliz acaso, que demos com a publicação da Time Out, onde a descrição do Ohana nos cativou imediatamente.

 

"Anaisa Rashul (Naz) é portuguesa, viveu em Moçambique, na África do Sul e no Dubai, tirou o curso de nutrição holística em Nova Iorque, trabalha como healthcoach, dá uma perninha na arquitectura de interiores e outra na restauração."

 

É verdade que a comida saudável está na moda, e que muitos gostam de seguir o último grito no que toca a regimes alimentares. Mas comer bem, de uma forma que respeite o nosso organismo, não deveria ser um capricho ditado pela última tendência, mas sim uma prioridade.

 

Não atiro muitas pedras porque tenho metros quadrados de telhados de vidro, e a principal razão para não mudar para melhor é a preguiça, o hábito enraizado, aquele inércia de sair da zona de conforto.

 

O Ohana fica no Parque das Nações, mesmo no centro duma stressante zona empresarial, e se não é um oásis de calma e serenidade, então as ilusões ópticas estão cada vez mais realistas.

 

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O espaço não é muito grande, e a afluência é bastante, mas incrivelmente há uma sensação de paz e conforto que nos invade que muitas vezes não encontramos em locais com o dobro do tamanho e metade dos clientes.

 

Talvez seja por causa da decoração do espaço, da música ambiente, das cores escolhidas para as louças, da simpatia dos colaboradores (é incrível como nos esquecemos que as pessoas conseguem ser realmente simpáticas, parece que já nem é normal isso acontecer) ou uma mistura de todos estes elementos.

 

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 Dizem que um bom líder não ordena, inspira através dos seus próprios actos, e ao conhecer-se Naz entende-se porque é que todos à sua volta parece que caminham em cima de nuvens extra-fofas.

Com uma atenção ao detalhe e à satisfação do cliente fora do normal, a proprietária do Ohana é portadora de uma palpável paixão que transmite para aquele espaço!

 

Mas e a comida?

 

Para satisfazer os estômagos mais exigentes, o buffet está dividido em duas zonas.

Uma mais direccionada para a vertente do pequeno-almoço, onde podemos preparar as nossas tigelas de cereais enriquecidas com fruta fresca, frutos secos e envolvidos em iogurte grego ou, submersos em leite de vaca ou bebida de soja.

Os croissants são uma aposta segura, fresquinhos e deliciosos, podendo e devendo acompanhar as french toasts e as papas de aveia com maçã caramelizada.

 

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A outra secção está mais ligada ao almoço, mas não esperem encontrar carne ou peixe, afinal este é um espaço ovo-lacto-vegetariano.

Quem acha que só fica saciado com uma proteína animal desengane-se.

 

Os ovos com salsicha (vegetariana), o korma de manga, o arroz basmati com sementes de abóbora e o milho tandoori (e que delicioso estava este milho, logo eu que não sou grande apreciador) deixam qualquer um mais que satisfeito.

 

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As bebidas neste brunch são cobradas à parte, e a minha escolha para acompanhar a refeição recaiu num ingrediente muito em voga, a curcuma, Um delicioso sumo Yellow Sun, com pêra, ananás e curcuma, ao qual pedi para adicionarem uma pitada de pimenta-preta (a piperina aumenta a absorção no organismo da curcumina), pedido que me foi aquiescido com um sorriso - são estes detalhes pequenos que fazem uma grande diferença no impacto global da nossa experiência.

 

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Mas quando chegou a altura do café, e o mesmo foi servido, torci o nariz. Estavam a apresentá-lo em copos de plástico, ainda por cima amachucados. Só que o que começou com uma ponta de desconforto metamorfoseou-se numa paixão assolapada. Afinal os copos eram de cerâmica, da Revol, e imitavam um copo amachucado, o que lhes dava imediatamente todo outro charme! (engraçado como é o ser humano, estava chateado por ser um copo amachucado, mas fiquei todo contente quando descobri que era uma imitação intencional!).

 

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Alguns pequenos detalhes a melhorar no brunch. Pessoalmente achei que os ovos tinham um bocadinho de óleo a mais, o Yellow Sun podia ser um bocadinho menos doce e, na zona das frutas frescas, algumas fatias de melão estavam demasiado verdes.

 

Mas se estas pequenas coisas me impediriam de voltar ao Ohana?

Nem pensar!!!

Seria extremamente feliz se pudesse almoçar lá todos os dias, longe do reboliço do mundo exterior.

 

 

Ohana by Naz Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

15
Mar18

O concurso que foi feito para mim


Hoje em dia há concursos para todos os gostos. O melhor cozinheiro, o cabeleireiro mais exímio, a fashionista com mais habilidade para conjugar visuais, basta pensarem que certamente já existe.

 

Mas eu, pessoa dotada de uma incapacidade notável em todos os campos chamados artísticos, sempre me senti excluído porque não havia nenhum concurso no qual eu pudesse concorrer e ter alguma chance de ganhar. Afinal ainda não inventaram o farmacêutico mais rápido a aviar receitas a velhinhas que não se decidem se querem a caixinha azul comprimida ou a vermelha espalmada - talvez até tivesse algum sucesso ver inocentes especialistas do medicamento a ter um colapso nervoso perante as câmaras de televisão.

 

Só que agora tudo mudou. Estreou há um par de dias no Netflix o Nailed It, um programa onde pasteleiros amadores, com uma capacidade assim duvidosa para fazer sobremesas, tentam criar cópias de obras de arte comestíveis. 

 

Já vi alguns episódios e o programa é uma risada do início ao fim, começando pela apresentadora e acabando em alguns dos bolos que os participantes apresentam. 

 

Agora é só esperar que tragam o formato para Portugal, porque eu sou um concorrente perfeito para o programa. Gosto de fazer sobremesas, visualizo coisas perfeitas na minha cabeça, atiro-me de cabeça à tarefa, mas depois o resultado final, bem, digamos que acaba por ser uma interpretação livre da fotografia original.

 

Mas geralmente o sabor fica bom. Ou pelo menos as pessoas dizem que sim, a não ser que me tenham mentido durante estes anos todos.

 

 

 

14
Mar18

Tag 100 Perguntas que nunca ninguém te faria 3/10 - As Respostas


Pois é minha gente, se eu faço as perguntas também tenho que as responder, eu bem que estava a ver se conseguia passar despercebido, mas pronto, o mais justo é eu dar-vos a conhecer as minhas respostas a este novo bloco de dez questões que supostamente nunca ninguém se lembraria de fazer a alguém!

 

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  1. Na tua vida adulta, qual foi o valor mais baixo que já tiveste na tua conta bancária? - Houve uma altura, quando comecei a trabalhar e vivia na casa dos papás, que simplesmente não controlava a minha conta bancária. Eu fazia o que queria, comprava o que queria, tinha um Personal Trainer no Holmes Place, ia à Lacoste das Amoreiras, enfim vivia a vida como se fosse milionário. Até que um dia fui comprar um perfume para oferecer. E o meu cartão deu não autorizado. Felizmente que tinha o cartão de crédito do meu pai à mão e utilizei-o para fazer o pagamento da prenda. Quando depois fui verificar o saldo da minha conta descobri que estava quase quase a bater no zero. A partir desse instante tornei-me uma pessoa muito mais comedida nas despesas!
  2. Já algum suposto grande amigo te desiludiu a ponto de terminares a amizade? - Sim, bastante recentemente uma pessoa que eu tinha em grande consideração revelou-se indigna da minha amizade por causa de um acumular de atitudes que para ela continuam a ser perfeitamente normais - ou seja, eu é que estou errado. É verdade que em cada história há dois pontos de vista, e provavelmente ela não mudou e sempre foi assim, eu é que não vi e agora que cresci não gostei de ver o que antes me tinha passado ao lado. Infelizmente a tentativa de diálogo foi infrutífera por isso para bem da minha sanidade mental o melhor foi mesmo romper com a amizade.
  3. Se fosses um fruto qual serias? - Uma romã. Foi esta a resposta que dei à minha psicoterapeuta quando ela me questionou acerca das minhas preferências metamórficas. Escolhi uma romã por ser extensamente segmentada, o que acho que me representa, já que eu sou muitas partes encerrado num corpo físico que representa o Todo. O que não entendi foi o facto de ela ter dito que compreendia eu ser uma romã, já que eram um fruto fácil de abrir. Agora esclareçam-me uma dúvida, sou eu que não sei abrir romãs ou a senhora tinha snifado alguma coisa antes da consulta?
  4. Se tivesses que participar na Casa dos Segredos, irias entrar com que Segredo? - Se era para desgraçar por completo a minha reputação então tinha que ser com uma revelação bombástica. Como nunca cheguei a ser uma estrela porno de renome internacional e tive demasiado medo para me aventurar no acompanhamento de luxo, teria que me ficar pelo "Estive noivo de um homem 40 anos mais velho que eu."
  5. Imagina que estás a concorrer ao Master Chef. És líder de equipa e por causa do teu comando a tua equipa é a derrotada. Tens o poder de escolher se queres participar numa prova eliminatória ou enviar um colega. O que farias? - Enviava um colega. Eu bem sei que teoricamente quem comanda uma equipa é o responsável máximo pela mesma e deve assumir responsabilidades, mas estamos num jogo, e o objectivo é tentar chegar o mais longe possível, por isso se havia a possibilidade de eu me safar e continuar em competição, peço muita desculpa mas mandava alguém no meu lugar. Assim como assim certamente que essa pessoa teria sido a responsável pela derrota da equipa, porque comigo a liderar o que quer que seja a única hipótese de as coisas correrem mal é haver alguém muito azelha a sabotar-me!
  6. Estás a dormir completamente nu. De repente, um bando de bombeiros entra de rompante no teu quarto porque o prédio está a arder. Qual seria a tua primeira reacção? - Questionar quão longe estava o fogo do quarto! Se estivesses mesmo ali ao virar da esquina então era agarrar no lençol e toca a andar dali para fora. Se ainda tivesse algum tempo de manobra era pegar no telemóvel e fazer assim um vídeo viral comigo nu e com os bombeiros jeitosos no background. Se a Kim Kardashian ficou famosa a fazer um vídeo mais ou menos parecido porque raio é que eu não posso também?
  7. Qual foi a coisa mais tonta que fizeste, sabendo de antemão que não ia correr bem, mas mesmo assim fizeste e não correu bem? - Primeiro que tudo, toda a gente aqui sabe o que são poppers? Ora bem, os poppers são qualquer líquido que pertença à família dos nitritos e que são utilizados para fins recreativos, com o objectivo de intensificar o prazer sexual. Estes líquidos não são ingeridos mas sim cheirados. Houve uma vez, estava eu com um moço, e ele passa-me para a mão um frasquinho com este líquido. E aqui o Triptofano, burro como tudo, em vez de se sentar direito não, permanece deitado, e inclina o frasco para dar uma cheiradela. Obviamente que o ângulo corporal juntamente com a força da gravidade fizeram com que o líquido escorresse todo para dentro do meu nariz causando-me uma queimadura excruciantemente dolorosa. Foi a última vez que usei tal coisa. 
  8. Qual era a tua paixoneta de infância? - Não me lembro do nome do senhor, mas só sei que estava perdidamente apaixonado por ele. Era um apresentador de um programa de televisão, acho que da RTP, e se não me engano era sobre curiosidades e novidades tudo direccionado para jovens. A única coisa que eu me recordo perfeitamente, é que no fim de cada programa ele despedia-se entrelaçando as mãos e colocando os dois polegares para cima. Se alguém souber de quem eu estou a falar por favor não me deixem na ignorância.
  9. Qual seria a pior forma de morreres? - Desde pequeno que tenho uma idealização tenebrosa da minha morte. Estou eu muito feliz e contente a passear de helicóptero quando PUMBA, há uma avaria e tenho que aterrar de urgência. O problema é que a aterragem vai ser num daqueles lagos que há em África, onde a bicharada vai toda beber água, e esse lago está repleto de crocodilos. Conclusão, caio no lago e num abrir e fechar de olhos sou devorado por um réptil gigantesco. Será que este presságio algum dia vai-se realizar?
  10. Qual foi o período máximo de tempo que mantiveste a tua árvore de Natal montada após o término das festividades? - Este ano estou a bater recordes. Como acho que nunca tiro todo o partido da beleza da árvore durante o Natal, no presente dia a mesma ainda está montada para dar um toque de graça à minha sala!

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