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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

O farmacêutico responde : Medicamento Genérico ou de Marca?

Qual a diferença entre um medicamento genérico e um de marca?

11.02.18, Triptofano!

O farmacêutico responde : Genérico ou de Marca?

Para iniciar esta nova rubrica aqui do blog vou tentar responder à pergunta de um milhão de euros: Medicamentos genéricos ou de marca?

Tanto a Paula Rocha como o P.P. me questionaram acerca de qual a melhor decisão a tomar, e neste post vou tentar lançar alguma luz sobre o assunto, evitando usar linguagem demasiado técnica para tornar a leitura fácil e agradável.

Quando na farmácia onde trabalho me perguntam qual é a razão dos medicamentos genéricos serem tão mais baratos que os de marca explico que é tudo uma questão de retorno do investimento financeiro que foi feito.

O medicamento de marca até ser lançado no mercado necessita de passar por várias etapas, desde os ensaios in vitro aos in vivo, o que custa bastante dinheiro, sendo que no fim do processo pode até acontecer que não haja autorização para a sua comercialização. 

O medicamento genérico é basicamente uma cópia, sendo que não há necessidade de haver tanto investimento em estudos, visto que estes já foram realizados pelo produto original.

É como desenvolvermos uma receita de bolo de chocolate em casa. O mais provável é gastarmos uma grande quantidade de ingredientes até acertamos com a receita perfeita, e toda essa matéria-prima inutilizada (ovos, farinha, sal...) foi despesa que saiu do nosso bolso. Agora imaginem um vizinho chegar e pedir-vos a receita final? Ele conseguiria obter o mesmo bolo com muito menos trabalho e menos gastos do que vocês.

Por isso é que quando sai uma nova molécula para o mercado há um período de 10 anos (que em certos casos pode ser prolongado) em que não pode haver concorrência por parte dos genéricos. Isto de forma a que a empresa que desenvolveu o fármaco possa lucrar com ele, lucro este muitas vezes redireccionado para a pesquisa de novos medicamentos.

E os medicamentos genéricos são iguais aos de marca?

Pegando no exemplo do bolo de chocolate.

Tanto o genérico como o de marca tem chocolate na sua composição (apesar de poder haver ligeiras diferenças no chocolate, mas isso vemos mais à frente), a maior diferença pode residir na farinha.

Um pode ter farinha de trigo e o outro de centeio. Na maior parte das vezes não é isso que fará diferença no produto nem causará algum efeito secundário imprevisível em quem o toma.

Na realidade pode acontecer um indivíduo fazer alergia ao produto de marca e não ao genérico.

Concluir-se-ia então que o medicamento genérico é igual ao de marca.

Só que na realidade isso pode não ser exactamente assim.

Agora se quisesse ser rigoroso teria de falar de estudos de biodisponibilidade e bioequivalência, mas vamos sintetizar esta parte - quem quiser ter mais informação sobre estes termos pode ler o documento do Colégio de Especialidade de Assuntos Regulamentares da Ordem dos Farmacêuticos, documento do qual retirei as próximas informações que vou partilhar convosco.

Apesar de estudos mostrarem que a diferença real na exposição à substância activa entre os genéricos e os medicamentos inovadores ser normalmente inferior a 5%, a verdade é que o intervalo de aceitação varia dos 0.80 aos 1.25, sendo este intervalo reduzido para 0.90 a 1.11 quando se fala de substâncias com um intervalo terapêutico estreito, como por exemplo a ciclosporina ou a levotiroxina (talvez quem tome estes medicamentos já tenha visto nas suas receitas uma excepção A referente a margem terapêutica estreita, excepção que os médicos utilizam de forma a impedir a troca do medicamento por outro).

Estes intervalos de aceitação asseguram que "possíveis diferenças nas formulações do medicamento genérico e de referência e que os excipientes ou processo de fabrico não afectam a exposição sistémica da substância activa de forma clinicamente relevante".

Mas na realidade, a verdade é que quando tomamos um medicamento genérico podemos estar expostos a 20% a menos ou 20% a mais de substância activa.

Outro parâmetro que não é determinante na aprovação do genérico, mas pode fazer a diferença para quem toma o medicamento, é o tempo que a substância activa leva a atingir a sua concentração máxima no organismo. 

Imaginem que tomam um medicamento para as dores, a exposição da substância activa até pode ser exactamente igual, mas se o genérico demorar 20 minutos a entrar todo em circulação e o de marca demorar 2 minutos obviamente que vamos sentir a diferença.

Porque é que existem então estas diferenças?

Lembram-se de vos dizer que o chocolate do bolo podia não ser exactamente igual?

Vejamos o caso dos suplementos de magnésio, podem ter duas ampolas com a mesma quantidade de magnésio, mas numa temos cloridrato de magnésio e noutra pidolato de magnésio.

Apesar de à partida serem equivalentes, a taxa de absorção no organismo não é garantidamente igual, nem sequer a velocidade da mesma.

E se por acaso forem cápsulas moles de magnésio? Formuladas para se dissolverem no intestino delgado? E se a gelatina de uma delas dissolver-se em dois minutos aquando o contacto com essa parte do aparelho digestivo e a outra demorar 15? E se uma delas começar a deteriorar-se ainda no estômago?

Tudo isto são exemplos inventados só para ser mais fácil perceberem quais as razões para um medicamento ter uma exposição maior ou menor, mais rápida ou mais lenta de uma substância activa em comparação a outro.

Quais são os conselhos então que vos posso dar relativamente a escolherem entre um medicamento de marca e um genérico?

Perguntem o preço. Hoje em dia alguns medicamentos de marca já são do mesmo preço ou mesmo mais baratos que muitos genéricos. Pessoalmente acho que uma diferença de dois ou três euros mensal entre marca e genérico é suportável. Convêm sempre fazer ao conta ao mês, se o original custa mais cinco euros mas dá para dois meses então dois euros e meio é uma diferença admissível. Mas cada um define o valor que se sente confortável a pagar.

Mantenham-se no mesmo genérico. Há diferenças absurdas de preço entre certos medicamentos de marca e genéricos. Quarenta e mais euros. Nestes casos a minha opinião é experimentar o genérico e perceber se ele é eficaz. Se for tentar ao máximo manter esse laboratório, já que de um laboratório para o outro podem haver diferenças.

Perceber para que é que estão a tomar o medicamento. É um antibiótico? Uma medicação de emergência para as dores? Talvez neste caso vos sugira o de marca. Um tratamento para o colesterol ou para o ácido úrico cujos valores estão controlados? Então porque não experimentar o genérico? (se a diferença de preço for substancial!)

Estar atento aos pequenos detalhes. Vão tomar umas saquetas para o estômago, o medicamento de marca sabe a menta que vocês odeiam, mas o genérico sabe a laranja que é menos mau. É importante a adesão à terapêutica, de nada vale estarem a levar o original se depois não o vão conseguir tomar.

Compraram uns comprimidos efervescentes para a tosse. O original vem em blisters individuais, o genérico num tubinho todos juntos. É certo e sabido que mal abram o genérico todos os comprimidos vão ser expostos à oxidação pelo ar diminuindo a sua eficácia, por isso talvez seja melhor optarem pelo que está melhor acondicionado.

Escolham um bom genérico. Aqui está uma escolha por vezes difícil, porque quando as pessoas dizem que não querem medicamentos que venham da Índia ou da China não significa que os laboratórios que produzem na Europa não tenham importado a matéria-prima da Índia ou da China. O meu conselho é optarem por um laboratório que esteja há muitos anos no mercado, o que acaba sempre por dar alguma segurança. Em alguns casos, há laboratórios que produzem medicamentos de marca e também produzem genéricos, sendo o produto final igual, só que embalado numa caixa diferente. Perguntem ao vosso farmacêutico quais são as opções existentes mas não se esqueçam que o genérico mais caro não é obrigatoriamente o de melhor qualidade.

Perguntem ao vosso médico por alternativas. Quando um genérico é lançado normalmente o medicamento de marca fica mais caro, não porque o preço aumentou, mas porque a comparticipação que o Estado dá a esse medicamento diminui. Quanto mais barato for o genérico mais pequena será a comparticipação. Uma hipótese é descobrirem se a substância activa que vocês tomam existe noutras formas farmacêuticas. Tomavam os comprimidos, será que existe em gotas? Em pó para dissolver na água? Em comprimidos orodispersíveis? Pode acontecer que essas formulações ainda não tenham medicamento genérico e o vosso médico concorde com a mudança.

Usem os sistemas de complementaridade. Todas as semanas apanho alguém que nunca usou o cartão da Multicare ou dos Bancários. Informem-se sobre se tem direito a alguma complementaridade extra para utilizar na compra de medicação, seja para apresentar directamente na farmácia ou para serem reembolsados após a compra. Talvez aquele medicamento de marca caríssimo fique mais acessível.

Cada caso é um caso. Tenho utentes que só se dão bem com os medicamentos de marca. Outros que sempre tomaram genéricos e nunca tiveram problemas. Pessoas que não se deram bem com o original e o genérico funcionou maravilhosamente. Em suma, não existem dois casos iguais, e o mais importante é estarem atentos de forma a perceberem se o medicamento que compraram está a ser eficaz ou não. E todas as dúvidas que tiverem entrarem em contacto com o vosso farmacêutico ou médico, que são as pessoas mais habilitadas para vos esclarecerem.

 

Espero que este post tenha sido útil na dissipação de algumas dúvidas e já sabem, outras questões que tenham é só deixar na caixa de comentários!

Ah e Tal e a História das Calças?

10.02.18, Triptofano!

Se bem se lembram (e se não se lembram podem ver aqui), eu estava a travar uma luta contra umas calças de fato para ver se me conseguia espremer para dentro delas a tempo de ir a um baptizado.

 

Ora que o baptizado foi no sábado passado, e perguntam vocês, conseguiu a minha pessoa perder peso suficiente para me enfiar nas calças?

 

Pois que a resposta foi que não!

 

Eu bem que tentei, rezei a todos os santos, bebi muitos líquidos, fugi dos doces como o vampiro foge da cruz, mas no fim só consegui perder uns dois quilitos, que se mostraram insuficientes na altura de experimentar as ditas cujas.

 

A única coisa boa foi o facto da mãe da menina a ser baptizada ter-me informado que não era preciso ir de fato, o dress code era informal, por isso fui comprar umas calças chinos todas catitas, que modéstia à parte me ficam assim a matar, e acabei por aceitar o meu fracasso.

 

No entanto, perder uma batalha não significa perder a guerra, e não me chame eu Triptofano da Silva se não hei-de conseguir enfiar-me dentro daquelas calças do demo até ao final do ano.

 

De momento estou a dar-lhe forte e feio na natação, comecei no início deste mês e tenho ido praticamente todos os dias, menos na quinta-feira devido a alguém ter vomitado na piscina tornando-a inacessível. (pelo menos não vomitaram em cima de mim, que acho que se isso acontecesse tinha que me exfoliar todo durante uma semana!)

 

Ontem fiz 40 piscinas de crawl e 10 de bruços, uma boa evolução para quem no início fazia seis piscinas e quase que tinha um ataque cardíaco.

 

Vou-vos pondo ao corrente da minha luta contra a gordura abdominal, e quando finalmente conseguir fechar o fecho daquelas calças partilho o vídeo, que espero que se torne mais viral do que a nova sensação da Jojo Maronttinni! 

 

Desafio das 52 Semanas - Semana 6

09.02.18, Triptofano!

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Semana 6: Os super poderes que eu gostaria de ter se fosse um super herói seriam…

 

O Poder do Engate

 

Este super poder tinha-me dado um jeito fantástico quando era solteiro, porque sejamos honestos, quem nunca viu uma pessoa assim linda de morrer na rua e não desejou saber se tinha hipóteses ou não com ela? O poder do engate manifestar-se-ia através do aparecimento de um valor percentual em cima da cabeça do nosso "alvo" de forma a percebemos qual era a probabilidade de sermos bem sucedidos numa aproximação romântico-sexual. Numa forma mais avançada desta capacidade, que poderíamos desbloquear utilizando uma daquelas pedras evolutivas que se usam nos pokémons, surgiriam frases de flirt que aumentariam a probabilidade de sermos bem sucedidos. Queres tomar uma cerveja comigo? mais 10%. Adoro o cheio dos teus sovacos! mais 30%. A minha música favorita de sempre é a Ampulheta!!!! é melhor começar a preparar a carteira para pagar a multa por sexo na via pública.

 

A Clonagem Ética

 

Sim, temos que referir que esta clonagem seria ética de forma a não sermos processados por algum comité científico ou coisa que o valha. Este super-poder basicamente dar-me-ia a possibilidade de criar múltiplos clones meus que estariam todos ligados através de um evoluído sistema límbico. Assim, ao mesmo tempo que ressonava de boca aberta quase que me afogando na minha própria baba, estaria a limpar a casa e a trabalhar em três locais diferentes de forma a conseguir ter verba para as férias. O grande problema era no fim do dia perceber qual era a versão original de mim mesmo, o que poderia levar a uma pequena crise existencial.

 

Tele-Transporte

 

O despertador não tocou. Em menos de cinco minutos tomámos banho, vestimos a primeira roupa não fedorenta que encontrámos, abrimos a boca o mais possível de forma a encaixarmos um pedaço de pão e meia maçã e corremos porta fora para apanhar o comboio de forma a evitar chegar atrasados ao trabalho.

Tudo isto seria evitável se fosse possível tele-transportar-mos-nos para onde quiséssemos. Bastava fechar os olhos, visualizar o espaço, e pufa, lá estávamos nós, sem stresses, sem correrias, e melhor que tudo, sem cheiro a suor impregnado na nossa pessoa, metade dele oriundo dos nossos poros, outra metade vinda dos colegas de transportes públicos que fizeram questão de se roçar em nós.

A única questão seria como é que esta forma de viajar seria taxada pelo Estado!? Haveria uma via verde do tele-transporte ou tínhamos que comprar um passe mensal recarregável no multibanco?

 

Controlo Total dos Esfíncteres

 

Imaginem eu poderoso, vestido de licra e fita fluorescente na cabeça, a lutar contra um gangue perigoso de assaltantes! No momento em que estou a dar um rotativo na cara de um deles dá-me uma vontade incontrolável de fazer xixi. Faço um movimento de fuga alongado em direcção ao chão e percebo que tenho cocó mesmo à portinha. Vou fazer o quê? Pedir aos bandidos que esperem um bocadinho enquanto eu vou à casa-de-banho aliviar-me?

Infelizmente a vida do combate ao crime não é como os episódios da Sailor Moon, onde ela demorava vinte e cinco minutos a fazer a transformação total - mas pronto ficava com umas nails impecáveis temos que ser honestos - e enquanto isso os monstros entretinham-se no facebook ou no whatsapp. Na vida real um esfíncter controlado pode ser a diferença entre sucesso ou o fracasso total, por isso eu adorava ter a capacidade de os ter sobre o meu total domínio.

Quando quisesse libertar toda a acumulação de secreções, era só fazer como Espanha faz às barragens quando há chuvas demasiado fortes - abrir as comportas e assobiar para o lado em caso de inundação.

 

Fingir que se está a ouvir o outro enquanto se sorri.

 

Aquela pessoa chata. Aquela conversa que já ouvimos milhares de vezes. Aquela vontade de tomarmos um comprimido de arsénio só para não sermos massacrados auditivamente com aquele timbre de voz coitadinho.

Tudo seria mais fácil se na nossa cara se esboçasse um eterno sorriso, que iria contribuir para um uso de botox bastante precoce, enquanto os nossos ouvidos bloqueassem qualquer som que aparentasse semelhanças com uma conversa chata e desinteressante.

Ah esperem, mas eu já consigo fazer isso. Na realidade ainda hoje coloquei este extraordinário poder em prática, tendo ficado com dores nas bochechas de tanto sorrir apesar de não me lembrar porque é que o estaria a fazer - às vezes pode ser problemático se vos estiverem a contar sobre uma doença grave que o pai da tia em segundo grau da pessoa está a sofrer.

 

Afinal sou um super-herói e nem sabia!

 

Há Patos em Lisboa

09.02.18, Triptofano!

Se perguntarem a um Lisboeta (ou mesmo a alguém de fora) qual é o pássaro mais abundante na capital, a resposta vai ser o Pombo.

 

Alguns, talvez traumatizados por um encontro em primeiro grau aquando a ingestão de batatas fritas de uma cadeia de fast food, irão dizer que o número de Gaivotas também está a aumentar exponencialmente.

 

Porém há outra espécie de ave que está a reinvindicar o seu espaço em Lisboa, o Pato! E não, não se trata de uma questão de emigração descontrolada que tenha passado pelas barbas do SEF, nem uma reprodução colossal dos patos da Gulbenkian.

 

Os patos que estão a tomar conta da cidade são de plástico, não necessitam de quantidades industriais de pão e podem coabitar tranquilamente connosco na banheira.

 

É da Lisbon Duck Store que saem os patos que estão a conquistar a cidade, mais os estrangeiros que os locais infelizmente, mas em suficiente número para a loja estar aberta e dar-se ao luxo de só vender os patudos.

 

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Grandes, pequenos ou em miniatura, há patos para todos os gostos. Entrar na loja é um voltar à infância, sendo que a disposição da loja, a luz e o efeito visual dos patos faz a certa altura pensar que estamos numa loja de doces, e que nos apetece dar uma trinca em cada uma das aves sorridentes.

 

Com um sorriso do tamanho do mundo foi como fui recebido na Lisbon Duck Store, onde conversei alegremente sobre a minha vontade de levar metade do stock para casa, enquanto me mostravam as novidades recém-chegadas, o Pato Ronaldo, o Pato Selfie, os Patos inspirados no Star Wars, e os Patos Unicórnios, os campeões de vendas.

 

Comprei um Pato Chef para dar ao cara-metade como forma de o congratular por ter terminado o curso - na realidade hoje é o último exame, mas eu quando compro prendas não me consigo controlar e tenho de as dar logo - e a reacção dele não podia ter sido melhor.

 

Agora qualquer dia volto à loja para comprar um Pato Farmacêutico, afinal os patos nasceram para viver em bandos!

 

O farmacêutico responde!

08.02.18, Triptofano!

Todos os dias no meu trabalho respondo às mais variadas perguntas.

 

Desde segurança de medicamentos, passando por dúvidas relativamente a suplementos, a interacções alimentares, conselhos de dermocosmética, tudo o que vocês possam imaginar já me foi perguntado.

 

A farmácia acaba por ser um local seguro onde as pessoas colocam as suas questões que às vezes por vergonha ou falta de tempo não colocaram no médico e para terem a certeza que a informação que obtiveram na Internet está correcta, visto haver demasiada informação sem bases científicas a circular em vários sites.

 

Por isso pensei, e porque não colocar-me ao dispor de todos os que visitam este espaço para poder ajudar nas dúvidas que possam ter?

 

Assim nasce O Farmacêutico Responde.

 

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Se tiverem alguma questão sobre medicamentos, suplementos, cosmética ou o que quer que seja que se enquadre dentro da minha área de actuação profissional partilhem-na nos comentários ou enviem-me um e-mail para triptofano86@gmail.com.

 

As respostas serão depois divulgadas aqui no blog, tendo sempre em conta o anonimato de quem coloca a questão se for esse o desejo da pessoa.

 

Por isso já sabem, se tiverem dúvidas que eu vos possa ajudar força, não se acanhem. Mesmo que achem que é uma pergunta assim totalmente louca lembrem-se, eu já ouvi de tudo o que vocês possam imaginar! 

Nota-se no meu rosto?

07.02.18, Triptofano!

Para terminar o curso que frequentei na universidade é obrigatório fazermos seis meses de estágio, que podem ser divididos em seis meses em farmácia comunitária, ou quatro meses nesta e dois em farmácia hospitalar.

 

De forma a poder ter o máximo de experiência que me pudesse preparar para o mercado de trabalho resolvi experimentar as duas áreas, sendo que fiquei colocado na farmácia hospitalar da Maternidade Alfredo da Costa.

 

Foram dois meses muito enriquecedores, tendo aprendido como é que se preparam bolsas de alimentação parentérica, feitos rondas pelos serviços de neonatologia, dispensado medicamentos para o tratamento do cancro da mama e tendo entrado em contacto com a realidade da interrupção voluntária da gravidez.

 

Mas o que me custou mais foi a questão do HIV na gravidez.

 

A todas as mulheres grávidas é solicitado a realização de um teste para o conhecimento do seu estado serológico. No caso de ser positivo é imperativo começar a fazer tratamento imediatamente de forma a impedir a passagem do vírus para o feto, o que felizmente tem uma percentagem altíssima de sucesso, sendo que o risco de infecção mãe-filho é maior durante o parto em si, optando-se muitas vezes pela realização de cesariana ao invés do parto vaginal, de forma a diminuir esse risco.

 

Só que eu não estava preparado para lidar com esta situação. Não me prepararam na faculdade, e ali no hospital fiz apenas um atendimento acompanhado a uma grávida que já estava a ser seguida há alguns meses.

 

Foi por isso um choque quando me deixaram sozinho e disseram que tinha de receber uma gestante que ia levantar a sua medicação anti-retroviral.

 

Pensei que por mais inseguro que estivesse que acabaria por ser um atendimento relativamente fácil, a senhora já estaria dentro do assunto e acabaria apenas por ter de reforçar a adesão à terapêutica.

 

Mas não.

 

Aquela mulher que recebi naquele espaço impessoal manchado de tristezas tinha acabado de saber que era portadora de um vírus que nunca lhe tinha sido apresentado.

 

Senti o seu desespero, a sua ansiedade, o seu olhar que fugia por todos os cantos e evitava o meu.

 

A minha voz tremia-me porque inconscientemente estava a absorver todo o cataclismo sentimental que aquele ser humano sentado à minha frente transbordava.

 

Expliquei-lhe como era o tratamento, a importância de o fazer de forma correcta e os riscos que traria para ela e para o bebé se não o fizesse.

 

Não sei se reteve alguma das palavras que disse. 

 

Fitou-me.

 

Um olhar para além de triste.

 

Vai-se notar no meu rosto?

 

Fui apanhado de surpresa com a pergunta.

Ela voltou a insistir, se se ia notar no rosto dela, se as pessoas iam perceber que tinha a doença apenas por olharem para a sua face.

 

Assegurei-lhe que não, que a medicação tinha evoluído bastante, que apenas os antigos fármacos é que causavam alterações na fisionomia da face do doente.

 

Podia ter terminado a conversa por aqui.

 

Mas perguntei-lhe do que é que ela tinha medo, se receava a opinião de alguém caso soubesse.

 

Estou casada pela segunda vez - disse-me. Provavelmente apanhei a doença do meu primeiro marido, e se o meu companheiro actual descobre expulsa-me de casa e eu não tenho como sobreviver. Vou acabar a viver debaixo da ponte...

 

As palavras dela bateram-me de frente.

Por um lado sabia que era injusto outra pessoa estar a ser mantida na ignorância e a correr o risco de ser infectada por uma doença miserável, caso já não o tivesse sido.

Por outro era impossível não sentir o sofrimento daquela mulher, não compreender o desespero da sua atitude, não fechar os olhos à sua decisão egoísta.

 

A dualidade de sentimentos invadiu-me. Não soube mais o que lhe dizer. O silêncio que se criou entre nós os dois era palpável de tão denso que era.

 

Naquele instante soube que aquela conversa iria perseguir-me por muitos anos.

 

E sei que ela se apercebeu de tal. Notava-se no meu rosto.

Seguir em frente...

06.02.18, Triptofano!

Seguir em frente.

 

Um movimento tão fácil tal como a expressão indica.

Simplesmente é seguir em frente.

Deixar o ponto em que se está parado, mover o nosso centro de gravidade para a frente e ir.

 

Mas são as pequenas coisas, as aparentemente mais descomplicadas, que no fim se revelam como as de maior monstruosidade.

 

Quantos de nós não estamos presos ao chão por pesadas âncoras ferrugentas que nos impedem de prosseguir a nossa viagem de forma plena?

Quantos de nós passamos anos da nossa vida a lidar com situações do passado que teimamos em trazer para o presente, simplesmente para nos causarem transtorno e dor?

 

A solução é simples - seguir em frente.

 

Mas por ser tão banalmente fácil é que acaba por ser às vezes tão inatingível.

 

Para mim o segredo, quando o assunto é relativo a outros, sejam eles amigos, familiares, colegas, amantes, é perceber que não podemos, ou pelo menos não devemos, esperar dos outros aquilo que nós projectamos que eles façam.

 

E quando interiorizarmos esse mantra automaticamente vai sair um peso enorme das nossas costas.

 

E muitos dos assuntos pendentes que temos na nossa vida vão flutuar em direcção à estratosfera quais gigantescos balões de hélio que fugiram das nossas mãos.

 

Aquele favor não retribuído, aquele acto mesquinho, a falta de sensibilidade perante uma situação delicada em que estávamos, tantas são as acções dos outros que nos podem magoar e criar ressentimento.

 

Se interiorizarmos o facto, desconcertante mas verdadeiro, que os outros são indivíduos singulares potencialmente diferentes de nós, perceberemos que as acções de outra pessoa podem ser totalmente válidas para ela, mesmo que nós não a entendamos.

 

Significa isto então que temos de aceitar todos os gestos daqueles que nos são próximos?

 

Pois que esta "filosofia" não implica sermos pisados a torto e a direito, sempre com um sorriso no rosto.

 

O que acontece é que nós temos o poder de aceitar ou não as acções de certo indivíduo.

Aceitando que a outra pessoa pode tomar as suas decisões automaticamente também nos damos o poder de dizer se queremos ou não receber no nosso círculo aquela pessoa e de forma mais ou menos indirecta as suas decisões.

 

Temos nas nossas mãos a capacidade de valorizar ou não certa atitude. De perceber se ela nos causa dano ou nos é indiferente. Se queremos aceitar aquele ser humano ou se na verdade os caminhos são diferentes, e cada um deve seguir o que mais se adequa a si naquela fase da vida.

 

Assim podemos seguir em frente, sem rancores, sem mágoas nunca saradas, sem feridas constantemente a purgar. Sabendo que a nossa decisão, qualquer que ela seja é correcta, pois ela para nós foi naquele momento a mais acertada.

 

No fim do dia o mais importante é estarmos em equilíbrio connosco mesmo, as opiniões que os outros possam ter acerca de nós não passam de isso mesmo, opiniões, e só nos podem fazer dano se em algum momento nós lhes dermos importância suficiente para se imiscuírem no nosso ADN.

Cinco Coisas Boas - Semana Número 1

06.02.18, Triptofano!

Eis que venho um bocadinho de nada atrasado para responder a esta Tag proposta pela Fátima que tem como objectivo percebermos que existe magia nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia.

 

Resolvi não ser demasiado literal relativamente às coisas que alegraram a minha semana e ao invés mostrar-vos umas bandas desenhadas que de alguma forma estão relacionadas com as situações que me fizeram sorrir.

 

Deixo a interpretação das mesmas a cargo da vossa imaginação.

 

Segunda-Feira

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Terça-Feira

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Quarta-Feira

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Quinta-Feira

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Sexta-Feira

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A melhor sopa que alguma vez comi

05.02.18, Triptofano!

Lisboa está na moda. Na realidade Portugal está na moda.

 

E graças a este estatuto recém-adquirido de país celebridade a oferta gastronómica mais que duplicou. Em cada espaço livre multiplicam-se os restaurantes, as estrelas Michelin reproduzem-se, há cada vez mais Chefs de renome e o termo cozinha de autor passou a estar na boca de todos.

 

Comer já é muito mais do que a satisfação de uma necessidade básica. É uma experiência, e todos andamos à procura daquela refeição que nos vai ficar na memória durante meses a fio, quiçá anos.

 

Nos restaurantes os pratos apresentados cada vez tem elementos de complexidade maior.

Espumas, esferas, fumos, truques de ilusionismo, cozinha molecular, sous-vide, fusões culturais, minimalismos maximizados no sabor, tudo vale para atrair e impressionar os clientes. 

 

O que acaba por criar um fosso similar ao que existe no Brasil entre as classes sociais; há os restaurantes de topo onde facilmente deixamos numa noite meio salário mínimo, e os mais simples e carteira-friendly que são classificados como espaços para enganar a fome, e onde ninguém espera nenhuma iguaria digna de recordação.

 

Mas fazer generalizações é perigoso, e prova disso foi que a melhor sopa que alguma vez comi na vida foi num restaurante que não aparece em guias especializados nem é taggado em múltiplas fotos no Instagram.

 

O Restaurante de Aplicação da Escola Profissional Alda Brandão de Vasconcelos no Hotel Sarrazola House é um local despretensioso, simples mas acolhedor, onde alunos do décimo ao décimo segundo ano de diversos cursos profissionais colocam em prática os conhecimentos adquiridos nas aulas.

 

Todas as terças e quintas-feiras servem almoços, mas na primeira sexta-feira de cada mês há um jantar temático.

 

Entre amigos deliciei-me com vários pratos carregados da identidade cultural argentina, num regime buffet.

 

No meu prato desfilaram empanadas tucumanas, locro de galinha (um prato tipicamente comido no 25 de Maio), chipá de provolone com tomate confitado, choripán com compota de cebola roxa e aioli, pionono, alfajor (uma bolacha recheada com doce de leite) e pastafrola (uma tarte de marmelada), tudo acompanhado com um aromático chá de erva mate, tão típico daquela região.

 

Mas o melhor foi a sopa. A Sopa de Puchero não é apenas uma sopa, é uma refeição completa por si só. Com uma base de legumes, é enriquecida com pernil, morcela e acelga, sendo acompanhada por maçaroca de milho grelhada.

 

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E não fui apenas eu que me rendi aos sabores de um prato que costuma ser catalogado como desinteressante - quantos de nós não torcem o nariz quando alguém sugere uma entrada de sopa num restaurante?

 

Os meus amigos adoraram, sorvendo cada gota até ao final. Uma delas, genuína não-apreciadora de morcela, não cabia em si de espanto pelo facto de tal enchido lhe saber pela vida. Até a bebé que nos acompanhava largou um grande sorriso ao provar meia colher de tamanha iguaria.

 

Diz o Chef que o segredo é o facto da água que se usa na confecção do prato ser a mesma da cozedura das carnes, o que enriquece o prato em termos de deslumbramento do palato.

 

Para mim o amor e a dedicação também devem ter um papel fulcral no resultado final.

 

Mas o mais importante é descobrir que as maiores surpresas podem vir dos locais menos esperados, e que as melhores experiências não necessitam obrigatoriamente de ser as mais publicitadas.

Sarrazola House Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

Desafio das 52 Semanas - Semana 5

02.02.18, Triptofano!

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Semana 5 - Fazem parte da minha wishlist

 

Quando vi o desafio desta semana fiquei sem saber o que havia de escrever - afinal a minha wishlist de momento está centrada nos objectivos para 2018, e acho que já são suficientes para me deixarem ocupado durante uns tempos.

 

Mas como desafio é desafio, resolvi adiantar trabalho e depois de muita reflexão vou vos dar a conhecer os meus 12 desafios para 2019!

 

  1. Ter aulas de dança no Varão. Desde a viagem de finalistas ao Brasil que fiquei com a certeza que estava a passar ao lado de uma fantástica carreira de dançarino exótico profissional do varão, já que num dos bares onde fomos havia dois à disposição de quem quisesse experimentar. Enquanto as animadoras se entretinham num deles eu timidamente agarrei-me ao outro, rodei, desci, subi, e quando dou por ela toda a gente estava a olhar para mim e a aplaudir, o que me fez ter a certeza que tinha encontrado o meu talento secreto. Agora trepar pelo poste acima é que não, que sou fraquito de braços.
  2. Visitar a Etiópia e as igrejas escavadas na rocha de Lalibela - uma das viagens que há mais anos tenho vontade de realizar. Ainda por cima é possível em certa zona do país alimentar as hienas à mão. Já imaginaram a foto que seria eu com uma perna de frango na boca e a hiena a ir lá buscá-la? Pior era se ela me arrancasse metade da cara mas o que é a vida sem um pouco de emoção?
  3. Voltar à faculdade para estudar. Quase dez anos depois acho que está na altura de continuar com o meu desenvolvimento académico. Mas gostava de fazer uma coisa diferente, como enveredar pela área da sexologia, um tema que me fascina.
  4. Aprender a meditar com quem perceba realmente do assunto. Apesar de hoje em dia já existirem apps para tudo e pouco há que não se possa fazer no aconchego do lar, o que eu gostava mesmo era de frequentar um curso presencial que me ensinasse a conseguir ser uma pessoa mais centrada, calma e ponderada.
  5. Andar de avestruz! Não sei dizer o porquê, mas desde que era miúdo o meu sonho era andar a todo gás montado numa avestruz. Bem sei que eu estou um bocado para o pesadote por isso talvez fosse melhor para a saúde dos bichos montar-me em duas - uma nádega minha para cada uma das avestruzes. Vocês podem pensar que isto é um sonho alucinado mas descobri que na África do Sul é possível ter esta experiência.
  6. Aprender um dos seguintes: Língua Gestual Portuguesa, Braille ou Crioulo (de que país não sei, talvez da Guiné!). Qualquer um deles seria um desafio e criaria sem dúvida alguma novas ramificações neuronais no meu cérebro.
  7. Começar a frequentar aulas de Spinning. Só fiz uma vez, tive uma história que ainda hoje me faz rir e que partilharei brevemente com vocês, mas adorei. Uma pessoa fica toda suada, com o rabo dormente e com os músculos das pernas a tremer mas é uma actividade fantástica. Então se o professor for assim daqueles que puxa por nós e a banda sonora estiver adequada é uma experiência maravilhosa.
  8. Tirar um curso de Astrologia, de preferência na Quiron. Sim vocês neste momento devem estar a pensar que das duas uma, ou me despedi ou descobri como ter dias com 48 horas, para conseguir conciliar tanto estudo!
  9. Voltar a andar de bicicleta (sem ser a do spinning!). Já deu para perceber que eu tenho um problema relacionado com tudo o que é coisas com rodas. Eu não conduzo automóveis e bicicletas é algo que também não nutre muito amor pela minha pessoa. Estranho porque quando era novo adorava andar, mas agora só de pensar começo logo a sentir suores frios nas costas.
  10. Escrever um livro erótico. Quais 50 Sombras de Grey quais quê. Em 2019 vou escrever o livro erótico do ano - agora publicar é que já não sei, li uma notícia que era preciso um dinheirão para conseguirmos que nos imprimissem umas quantas cópias, por isso se calhar fico pela divulgação boca a boca. Até podemos fazer tertúlias comigo a ler excertos do livro, que acham? O nome será "Perdendo os Limites..."
  11. Fazer swing. Mais detalhes sobre a realização ou não deste desafio irão constar na minha auto-biografia semi-autorizada, que isto uma pessoa tem de lucrar de alguma forma ou não é? Se nos próximos dias não aparecer aqui no blog é porque o cara-metade leu isto, não achou piada, e proibiu-me de usar a Internet!
  12. Fazer parte da Equipa de Natação Gay da associação desportiva Boys Just Wanna Have Fun. Sim existe uma equipa de Natação Gay (ou pelo menos havia, que isto de um momento para o outro tudo muda!). Se este ano conseguir aperfeiçoar a minha resistência dentro de água para o ano quero levar as coisas para um nível mais sério (e de preferência rodeado de rapazes giros - mas não tão giros como o cara-metade claro!).