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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Podia ter sido uma Disgraça mas não foi

18.01.18, Triptofano!

Sabem aquele amigo mais alternativo, que conhece sempre uns locais mais underground que nós nunca ouvimos falar mas que na realidade andamos em pulgas para pelo menos uma vez na vida colocarmos o pé lá dentro?

 

No meu caso esse amigo é a A., com quem já não falava há uns bons anos, simplesmente porque a vida nos tinha levado em direcções diferentes.

 

Foi para minha surpresa, e alegria, que no fim do ano passado, recebi um e-mail dela a convidar-me para ir ao cinema - tinha ganho convites para um filme que prometia ser bom. No dia seguinte recebo novo e-mail, com um pedido de desculpas, afinal os bilhetes tinham de ter sido levantados até uma certa hora mas ela havia-se esquecido. Só que ela tinha um plano B.

 

Convidou-me para ir jantar e ver um filme num local chamado Disgraça. A isso acrescia assistirmos a um ensaio de um grupo de percussão.

 

Ora eu nunca tinha ouvido falar de um local chamado Disgraça. Na realidade pensei que ela estava a gozar comigo, e só quando confirmei na Internet que o sítio realmente existia é que me convenci que não estava a ser vítima de nenhuma partida.

 

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A Disgraça auto-classifica-se como um centro anticooltural de DIY ( do it yourself - faça você mesmo) que pretende criar um espaço seguro horizontal sem racismo, especismo, homofobia e sexismo.

 

O espaço físico que eles ocupam é assim algo do outro mundo. No andar térreo encontramos uma biblioteca anárquica, e quando se vai descendo somos emergidos num mundo de pinturas e cartazes com mensagens feministas e anti-homofóbicas e anti-racistas e tudo e tudo e tudo.

 

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Num dos pisos encontramos a cantina comunitária que é dirigida por voluntários. A comida é totalmente vegan, sendo que naquela noite o meu jantar foi empadão de seitan e cogumelos com esparregado de espinafres. Para quem quisesse havia também creme de cebola e vinho tinto de pacote, daquele que nos faz estalar a boca e o cérebro, servido em copos grossos de plástico.

 

Duas particularidades deste espaço de refeições - primeiro os preços são vergonhosamente baixos tendo em conta a quantidade absurda com que nos enchem os pratos.

 

Em segundo não estejam à espera que o vosso prato seja igual ao do vosso colega de mesa, há um melting pot de loiça inimaginável. E no fim da refeição todos lavam os seus pratos e talheres, algo a que não estamos acostumados a fazer quando vamos comer fora.

 

O espaço para degustação do jantar é enorme, praticamente um piso inteiro, com cadeiras de cada nação e mesas de diferentes tamanhos - aqui o isolamento é algo que não é comum. Encontra-se também vários jogos de tabuleiro espalhados pelo espaço, para aqueles cuja digestão é apenas bem feita com uma partida de Quem é Quem?

 

Foi nesse mesmo espaço que assisti ao filme A Estratégia do Caracol, uma película Colombiana que retrata, com algum humor, a luta dos moradores de um dos bairros mais pobres de Bogotá afim de evitarem a demolição da casa onde moram, ordenada pelo seu proprietário, um milionário sem quaisquer escrúpulos.

 

Mas o momento alto da visita a este espaço mais alternativo de Lisboa foi o ensaio do grupo de percussão.

 

Quando aceitei o convite pensei, na minha inocência, que ia sentar-me num banquinho a ver um grupo talentoso de pessoas a ensaiar.

E na realidade encontrei um grupo talentoso de pessoas, só que afinal o ensaio era uma abertura a novos membros, por isso era esperado que eu participasse.

 

Eu, a pessoa mais sem ritmo e noção de musicalidade da história da humanidade. Eu que só não fui chumbado às aulas de Educação Musical porque os professores tinham pena de mim. Eu que quando faço aquele jogo de trautear as músicas ninguém faz a porra de ideia o que é que eu estou a tentar "cantar".

 

Obviamente que disse logo que não, que ia ficar só a ver, que não tinha ritmo nenhum. Mas não tive qualquer hipótese, disseram-me logo que aquele espaço era um local de inclusão às pessoas arrítmicas, por isso eu iria também tocar. E as pessoas foram tão simpáticas comigo, tão educadas e maravilhosas que eu não consegui dizer que não.

 

Calhou-me um pandeiro e durante uma hora e meia dei nele com todo o meu empenho (por favor não façam piadas porcas ok?)

 

O que eu pensava que ia ser um suplício tornou-se uma experiência maravilhosa, e agora compreendo porque é que tanta gente diz que a música é terapêutica.

 

Enganei-me várias vezes, saí do ritmo, tive de muitas vezes copiar os gestos da minha vizinha a quem tinha também calhado um pandeiro, que sempre com um sorriso me auxiliava na tarefa de encontrar alguma da minha musicalidade

.

Mas adorei, apenas posso dizer que ADOREI!

 

 

Apesar de em tão pouco tempo eu e os outros iniciados (éramos por volta de uns 10) termos sido bombardeados com imensa informação - fizemos mais que uma melodia, saímos e entrámos da sonoridade do grupo, aumentámos e diminuímos o volume da nossa batida, entrámos num estado de loucura musical, tudo respeitando as firmes indicações do nosso maestro - no fim senti que estive à altura do desafio, e a minha alma estava mais leve, parecia que os pesos do dia-a-dia tinham sido levados para o espaço juntamente com as notas musicais que eu arranquei do meu instrumento.

 

Só tenho que agradecer aos Ritmos de Resistência por me terem acolhido tão bem e terem tido a paciência para me mostrarem que afinal há ritmo dentro de cada um de nós, só que às vezes há resistência por parte dele para se mostrar ao mundo!

 

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O Leitor Decide #5

18.01.18, Triptofano!

2018 ainda não tinha sido palco de nenhuma rubrica O Leitor Decide, por isso preencho esta lacuna com mais duas histórias das minhas para vocês optarem entre.

 

Sei que as fotos são sempre uma adição gira para este segmento, mas desta vez, infelizmente, não houve a oportunidade de nenhum dos registos ter sido captado em fotografia para a eternidade.

 

Porém, há um tema comum a ambas as histórias, que é o Banho!

 

Por isso, querem saber mais sobre:

 

 

A) Um dia de felicidade na praia quando o Triptofano era assim muito pequenino

 

ou

 

B) Uma seringa que virou o meu mundo do avesso no trabalho

 

 

Fico à espera de receber os vossos votos nos comentários