Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Triptofano

O teu aminoácido essencial!

O filme que me fez chorar em 2017

12.12.17, Triptofano!
Para ser franco não é uma tarefa muito complicada fazer-me chorar, na realidade rio-me tão facilmente como fico com a lágrima no canto do olho.
 
Não é rara a vez que, quando estou no comboio, começo a divagar nos meus pensamentos e crio mentalmente as minhas próprias histórias melodramáticas que me fazem ficar com os olhos todos vermelhos e o nariz a pingar. Certamente que é por causa disto que nunca ninguém se senta nos bancos ao pé de mim - antes ainda suspeitava que podia estar relacionado com o meu odor corporal, mas depois de múltiplas perguntas aos colegas de trabalho convenci-me que as minhas glândulas sudoríparas não me andavam a pregar partidas de mau gosto.
 
O filme é de 2014, mas só este ano é que tive a oportunidade de ver a delícia que é A Família Bélier.
 
 

"Todos os elementos da família Bélier sofrem de surdez, excepto Paula, a filha adolescente. Desde pequena que se habituou a ser porta-voz de cada um deles, fazendo a ponte de comunicação com o resto do mundo. A vida deles é simples e feliz. Graças à ajuda de Paula, a sua surdez nunca foi incapacitante. Mas tudo muda quando o professor de música de Paula descobre o seu enorme talento para cantar e a incita a participar num prestigiado concurso em Paris (França). Para uma adolescente comum, tudo seria relativamente simples mas, para Paula, esta decisão implica deixar a família entregue a si mesma. Sentindo-se dividida entre aquilo que considera ser o seu dever e o que deseja para si, Paula tem de tomar a difícil decisão de se manter por perto o resto da vida ou caminhar em direcção aos seus sonhos…" em Cinecartaz.

 
 
É um filme suave, engraçado, com muitos momentos repletos de piada, mas com uma carga emocional poderosíssima, que se revela no seu todo aquando a actuação musical de Paula.
 
E foi neste momento, em que Paula canta Je Vole, que abri as torneiras e comecei a chorar compulsivamente. Eu e o cara-metade, que sentadinho no sofá ao pé de mim também ficou todo fungoso, apesar de dizer que não, que eram as alergias ao pêlo das porquinhas (aldrabão este rapaz!).
 
Se ainda não tiverem visto o filme então recomendo que não vejam o vídeo a seguir, para não corromperem o momento. Mas se forem assim muito curiosos, pronto, deleitem-se com esta pequena maravilha.
 
 

 

A minha prenda de anos

07.12.17, Triptofano!

Todos os anos o cara-metade queixa-se que é um castigo oferecer-me uma prenda. Isto pelo facto de eu basicamente nunca nutrir o desejo por algo em especial.

 

Este ano não foi diferente, sendo que faltava ainda um mês para a data e já ele me perguntava o que eu queria. Invariavelmente a minha resposta é que não precisava de nada, já tinha tudo o que me fazia falta.

 

Obviamente que de vez em quando sonho com um novo computador ou telemóvel, mas além de serem itens extremamente caros na verdade não preciso de nenhum deles, os que tenho ainda estão para as curvas e nos tempos em que vivemos não há cá espaço para caprichos.

 

Só que o cara-metade queria mesmo oferecer-me uma prenda, por isso depois de muita insistência da parte dele e de muito pensar da minha parte, disse-lhe que havia algo que eu achava piada mas nunca tinha tido a oportunidade de comprar. E essa coisa era um cockring.

 

Para quem não sabe o que é, o cockring é basicamente um anel para o pénis, que é colocado na base do mesmo. Pode ser feito de vários materiais (borracha, metal, cabedal) e tem diversos objectivos, sendo o mais comum o prolongamento da erecção e aumento da sua rigidez. 

 

Para mim, simplesmente achava piada em ter um, felizmente as minhas erecções estão saudáveis e recomendam-se mas também nunca neguei uma ajuda extra.

 

O cara-metade torceu um bocadinho o nariz, especialmente quando eu lhe disse que era preciso fazer umas medições para poder acertar no tamanho do anel, e eu convenci-me que ele iria pesquisar por outra prenda. Ainda para mais, como nos dias que se seguiram ele não apareceu ao pé de mim com nenhuma fita métrica mais seguro fiquei que ele tinha optado por outra solução.

 

Ora qual o meu espanto quando, no dia dos meus anos, ele presenteia-me não com um, não com dois, mas com três cockrings feitos de metal. Tudo isto para não ter trabalho em tirar-me as medidas (homens são mesmo uma espécie preguiçosa!).

 

 A minha primeira impressão dos bichos foi que eram mais pesados que eu tinha pensado, na realidade quase que dava para ir jogar à malha com eles e meter inveja aos velhotes que estão sempre ao pé do mercado em galhofeiras competições.

 

Estava eu a tentar perceber qual seria o tamanho correcto para mim quando o cara-metade começa a debitar-me a informação que a senhora da loja onde ele os foi comprar lhe tinha passado.

 

Primeiro, para segurança dos meus genitais, só podia usar o anel no máximo durante vinte minutos de cada vez.

Confesso que fiquei um pouco desapontado, porque uma das minhas fantasias, chamemos-lhe assim, era ir trabalhar com ele posto.

Não me perguntem porque é que eu gostaria de o fazer, acho que era fofinho sei lá. Mas pronto, vinte minutos muitas vezes não me dá sequer para chegar ao comboio, quanto mais ao trabalho.

 

Em segundo, se enquanto o tivesse posto sentisse um dos testículos a ficar muito frio ou notasse que ela estava a obter uma tonalidade azul tinha que o retirar imediatamente, porque senão poderia ficar sem ele.

E caso não conseguisse logo tirar o anel, a melhor forma seria colocar água fria ou mesmo gelo na zona genital para diminuir o inchaço.

 

Ora uma coisa que acho que todos os homens não querem pensar é na hipótese de ficarem órfãos de testículo. Porque pronto, eles estão ali pendurados, sem chatear ninguém, porque raio haveria de um deles cometer suicídio e deixar o outro abandonado à sua sorte?

 

Ainda estava eu a pensar em como seria o procedimento para me retirarem um testículo morto por hipotermia quando o cara-metade me diz que para colocar o anel é necessário primeiro muita lubrificação.

Começa-se então passando um testículo, depois o outro e no fim pega-se no pénis, e como se ele fosse uma lampreia escorregadia faz-se com que ele passe através do aro.

 

Pois minha gente, neste momento da descrição toda a minha excitação em experimentar o novo brinquedo foi-se.

Porque eu gosto muito do meu pénis, tenho apreço por ele, afinal é um companheiro de vida.

E olhar para ele como se fosse uma lampreia escorregadia não dá para mim.

Por muito que tente é uma imagem que não encaixa.

E pensar nele como uma enguia oleada também não é a melhor solução.

 

Se ainda fosse como um Calippo de morango derretido a coisa talvez ainda passasse, mas assim não compro a ideia.

 

Fiquei muito agradecido ao cara-metade por me ter oferecido aquilo que eu queria, eu é que me apercebi que afinal se calhar estou muito velho para o mundo fetichista.

Ou talvez devesse ter pedido para ele me comprar um daqueles de cabedal com botõezinhos.

Pelo menos tinha a certeza que se a minha lampreia começasse a deixar de respirar sempre conseguia resolver o assunto sem ter que ligar para o INEM.

 

 

112 qual é a sua emergência?

 

 

 

Ah pois e tal, é que eu acho que sufoquei acidentalmente a minha piloca....

 

Parabéns a mim!

05.12.17, Triptofano!

E pronto, estou um ano mais velho.

 

Hoje faço 31 anos, e começo a pensar seriamente se me devo manter nesta idade na próxima meia década ou se assumo o passar do tempo.

 

Pelo facto de estar um frio de rachar fora de casa, e a única coisa que apetece é ficar coladinhos aos lençóis térmicos, resolvi partilhar convosco uma foto assim mais quente (nada de pensamentos pecaminosos está bem?).

 

Pode ser que até sirva de inspiração à Ana Malhoa para fazer o Ampulheta II!

 

Ampulheta.jpg

 

O único livro que li em 2017

04.12.17, Triptofano!

Eu podia vir para aqui dizer que durante este ano tinha lido uma quantidade astronómica de livros.

 

Que tinha devorado milhares de páginas de literatura nacional e internacional.

Que o meu companheiro de viagens de comboio tinha sido A República de Platão e que as férias tinham sido passadas a ler a Anna Karenina de Leo Tolstoy.

 

Só que isso seria mentir com quantos dentes eu tivesse na minha boca.

A verdade é que este ano li somente um livro. 

 

E não o teria acabado se não fosse a Equipa do Sapo Blogs a lançar o desafio da tag "o melhor de 2017", começando-se pela literatura.

 

Quando percebi que tinha praticamente passado um ano e continuava a ler o mesmo livro, num alucinante ritmo de 20 páginas por mês, peguei nele e ataquei-o furiosamente (figurativamente falando claro!).

 

Acordava mais cedo para ler, deitava-me mais tarde para ler, usava o tempo morto na casa-de-banho para ler, nas viagens do comboio, na pausa para almoço no trabalho, tudo eram boas alturas para conseguir finalmente acabar o livro.

Demorei três dias, mas quando terminei tive uma sensação de bem-estar interior incrível. Como se tivesse resolvido um assunto pendente de à muito tempo.

 

Por isso, o melhor livro que li em 2017 foi também o único, mas mesmo que assim não fosse O Vírus Mona Lisa de Tibor Rode tinha grandes probabilidades de ter sido o meu escolhido.

 

Gostei da fluidez da escrita, da capacidade do autor de conjugar várias histórias, no tempo presente e passado, saltando entre elas sem que tudo ficasse demasiado confuso ou incoerente. 

Não existem páginas mortas, conteúdo desnecessário apenas para fazer volume ao livro, tudo existe com um propósito, e a divisão da obra em pequenos capítulos torna-a de fácil leitura.

 

Pessoalmente gostaria apenas que a história tivesse mais algumas reviravoltas, acaba por a certo ponto ser bastante previsível o desenrolar da mesma; mas por outro lado, apesar de ser um thriller ficcional, a mensagem final que passa acerca da beleza e do impacto que ela tem na nossa vida faz-nos pensar até que ponto somos escravos dela.

 

E neste tipo de literatura é incomum acabar-se um livro e ficar-se a reflectir sobre algo que diariamente condiciona a vida de milhões mas poucos se apercebem verdadeiramente da dimensão desse controle.

 

 

o vírus mona lisa.jpg

 

"Nos Estados Unidos, as participantes num concurso de beleza desaparecem misteriosamente. Mais tarde, algumas delas aparecem totalmente desfiguradas. Em Milão, o mural A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, é destruído, tal como em Leipzig uma das torres da Câmara Municipal. Entretanto, alguém espalha um vírus informático em todo o mundo, que altera sistematicamente os ficheiros de fotografias para desfigurar os rostos humanos."

 

E vocês, leram mais que um livro este ano? 

Paisagens de 2017

01.12.17, Triptofano!

A Equipa do Sapo pediu e eu aceitei o desafio. Quer dizer, mais ou menos.

 

O objectivo era escolhermos a paisagem mais deslumbrante que tivéssemos fotografado em 2017.

Só que eu não consegui escolher só uma.

 

E na realidade as fotos foram tiradas pelo cara metade, que me está sempre a dizer que eu faço enquadramentos péssimos e ele é que sabe trabalhar com a máquina, muito embora ele ter feito um curso online de fotografia não o torne no supra sumo da arte em questão, mas isso é outra conversa.

 

Por isso aqui ficam as paisagens mais deslumbrantes com que me deparei em 2017.

 

 

Almourol.JPG

 

Para começar, o Castelo de Almourol, situado na Freguesia de Praia do Ribatejo em Santarém. 

 

Apesar de estar tão perto nunca tinha visitado o local, e desde criança, a partir do momento em que li um dos livros da colecção Uma Aventura cuja história tinha como um dos cenários o Castelo, que ambicionava visitá-lo.

 

Não fiquei decepcionado, desde a paisagem, à viagem de barco e à exploração da edificação, o Castelo de Almourol mereceu figurar neste top de paisagens.

 

 

Fundação Champalimaud.JPG

 

É bem verdade que a vida é feita de pequenos detalhes, e pequenos detalhes dão origem a grandes e belas paisagens.

 

A Fundação Chapalimaud é um local com uma simbologia muito forte para mim, e apesar de ser visitada com alguma frequência, há sempre um ângulo diferente pelo qual a sua observação nos pode surpreender e enfeitiçar ainda mais.

 

 

Nyhavn, Copenhagen.JPG

 

Nunca pensei poder gostar tanto de um país europeu como gostei da Dinamarca, não tendo qualquer problema em imaginar-me a viver tranquilamente lá - desde que pudesse falar em inglês claro.

 

Muito embora a cidade de Copenhaga esteja recheada de locais lindíssimos, o que mais me atraiu o olhar foi Nyhavn, um canal onde numa das suas margens viveu durante muitos anos o famoso escritor Hans Christian Andersen.

 

Apesar de hoje ser um local extremamente turístico, recheado de cafés e restaurantes, sente-se na voz uma nota de orgulho quando se conta aos visitantes que aqueles edíficios há algumas décadas atrás tinham como função albergar um tipo de negócio bastante diferente - o da prostituição!

 

 

Ponta Baleia.JPG

 

 

É difícil apenas escolher um local de São Tomé, uma ilha tão rica em paisagens naturais, mas Ponta Baleia ficou-me na memória, pela sua beleza agressivamente imaculada, onde pudemos apanhar um emocionante barco até ao Ilhéu das Rolas, desafiando a força das marés, quebrando uma massa de água mais forte que uma parede de cimento.

 

O fascínio das coisas simples é por vezes aquele que mais perdura.

 

 

E vocês, já partilharam as vossas paisagens favoritas de 2017? 

Pág. 5/5