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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Encontra alguém que nunca tenha andado de avião

28.12.17, Triptofano!

Quando recebi o texto da Joana acerca de nunca ter andado de avião não pude deixar de me rir porque instantaneamente me lembrei do senhor meu irmão, que também nunca andou e acho que tinha de ser raptado e sedado para o fazer, tal é a carga de nervos que o assola só de pensar no assunto.

 

Cá eu fui abençoado com uma tranquilidade fora do normal a meu ver.

 

Ainda não descolou o avião já estou eu a dormir de boca aberta, babando-me em todas as direcções, para acordar quando pressinto que o carrinho da comida se está a aproximar, voltando a babar-me profundamente quando acabo a minha refeição.

 

~

 

"Fui convidada pelo Triptofano para participar num desafio que me pareceu super giro e interessante! Muito obrigada pelo convite!
 

Então é assim, eu nunca andei de avião!! E porquê?! Simples!

 

Pessoas - terra, aves - ar, peixes - água!! Não queiram mudar a Natureza!!


Não me venham cá dizer que o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo!! Eu não caio nessa! Pensem lá comigo! Têm um acidente de carro, pode abrir o airbag e pum, ainda têm possibilidade de sobreviver! No avião, basta um pássaro aparecer à frente do avião, e pronto, lá vamos todos nós com os porcos! Eu tenho muito amor à vida, meus amigos!!
 

Pior: o tempo que demoram até sair de casa, ir para o aeroporto, esperar 5 horas para embarcar e com sorte nenhum barbudo esqueceu-se de uma mochila e não adiam o voo para o dia seguinte!

 

Depois destas coisas todas, 10 horas mais tarde, lá entram no avião! Confiam que o piloto não é maluco e não se vai pôr a fazer manobras à Red Bull Air Race!

 

Depois, dá-vos a vontade de "aliviar", com alguma sorte não há ninguém na casa de banho!

 

E, por fim, não menos importante, veem todo o caminho a ver a magnífica e absoluta.... Nada!!! Céu com céu!! Pronto, passadas umas 10 horas para embarcar, mais a viagem, mais umas 3 horas para desembarcar e, com sorte, não perdem as malas todas, lá chegam ao vosso destino!!
 

Eu, saio de casa, ponho-me no carro e lá vou eu!! O tempo que vocês demoram a embarcar, já eu estou a chegar!!


Por isso, não, nunca andei de avião!! Talvez um dia, ou não....."

 

 

Muito obrigado Joana por teres participado no desafio e espero que um dia te possa dizer um olá de dentro de um avião, preferencialmente um que esteja a voar em segurança . Não se esqueçam de visitar o interessantíssimo blog da Joana aqui, e se tiverem curiosidade de ler as restantes histórias basta irem aqui! 

Encontra alguém que tenha publicado um livro (ou mais)

27.12.17, Triptofano!
Encontrar alguém que tenha lançado um livro. Quando percebi que tinha de descobrir alguém que tivesse feito uma proeza deste tamanho comecei a ver a minha vida a andar para trás. Mas quem raio é que poderia ter lançado um livro?
 
Depois lembrei-me que a Hipster Chique já o tinha feito. E que eu tinha estado na apresentação do livro dela. E que tinha sido fantástico. E que provavelmente eu não deveria ter deixado de fazer a medicação para a memória que o médico me prescreveu!
 
~
 
"Lancei um livro e foi e está a ser um sonho...

 

Lançar um livro fazia parte daquela lista que muitos de nós temos chamada “Bucket List” e que consiste na enumeração de coisas que gostávamos de alcançar ou fazer na vida.

 

E porque é que fazia? Porque já não faz. Eu tenho o orgulho de dizer que risquei da lista “Quero lançar um livro”.

 

Após muita dedicação, trabalho, suor, ranho, cuecas no candeeiro e uns e-mails, lá veio a oportunidade e o livro nasceu. “A Hipster Chique” é o meu bebé e é um orgulho.

 

Eu só tenho de agradecer à Chiado Editora, a todos os que me apoiaram e apoiam, aos meus seguidores no blog que aturam os meus devaneios e aos que abriram as carteiras e que neste momento tem o meu livro em casa, seja para ler, animação no acto de castigo da porcelana sanitária ou para dar lume à lareira porque “A Hipster Chique” é na verdade um livro multifunções."

 

 

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Muito obrigado Hipster por teres participado e ficamos à espera de mais livros para um futuro breve. Não se esqueçam de visitar o hilariante blog da Hipster aqui, e se tiverem curiosidade em ler o resto das histórias basta irem aqui!

 

Encontra alguém que tenha assistido a um jogo de futebol ao vivo

27.12.17, Triptofano!

Aqui está uma coisa que nunca fiz - quer dizer já vi jogos de futebol de salão ao vivo mas não deve ser a mesma coisa.

 

Provavelmente o que aconteceria se me enfiasse no estádio do Sporting (sim sou do Sporting, nada de me arremessarem vegetais pessoas dos outros clubes ok?) era ficar totalmente perdido a olhar para uma zona do campo enquanto o esférico estava na ponta oposta. Por isso acho que vou continuar a ver os jogos (os poucos que vejo) pela televisão.

 

Quem já assistiu a mais que um jogo foi a C.S. que resolveu partilhar uma história com um pingo de nostalgia que me deixou de sorriso nos lábios.

 

~

 

"Eu escolhi falar sobre uma ida ao futebol e é isso que irei fazer, mas antes vou recuar no tempo.
 
Algures entre 1997 e 1998 a adolescente que havia em mim compreendeu que o desporto que o meu pai gostava de acompanhar, fervorosamente, era feito por jovens jeitosos, entre eles havia um que se destacava: Nuno Gomes. Foi para o ver durante 90 minutos que eu comecei a ver os jogos do Benfica. E a verdade é que após uma meia dúzia de perguntas ao meu pai eu já sabia o que era um fora-de-jogo e para que servia o quarto árbitro.
 
Quando dei por mim, eu já estava completamente embrenhada no futebol. Já não era só a carinha laroca do n.º 21 do Benfica. Era o Benfica em si, com toda a sua história, (que eu fiz questão de descobrir), e era a emoção que o futebol nos é capaz de transmitir.
 
Passei a ver religiosamente todos os jogos com o meu pai, comentava os lances e sabia bem do que falava e um dia fui à Luz. Ele levou-me à Luz. Perdemos, mas valeu a pena.
 
Caramba! Foi deslumbrante. O antigo estádio do Benfica fascinou-me e eu fiquei ainda mais envolvida. Benfiquista para sempre.
 
Depois da primeira ida à Luz seguiram-se muitas outras. Eu e o meu pai. Bela dupla que nós fazíamos. Tenho recordações maravilhosas desses tempos. Vi, ao vivo, o último jogo do antigo estádio e tive a sorte de estar na inauguração do atual.
 
Há muitos anos que não vou à bola. A certa altura afastei-me, mas às vezes tenho muitas saudades.
 
Já disse ao meu pai que temos de repetir, como nos velhos tempos.
 
Talvez em 2018 vá à bola..."
 
 

 

Querida C.S., muito obrigado por teres participado no desafio e espero que 2018 seja o ano em que voltes à bola na companhia do senhor teu pai! Não se esqueçam de visitar o blog formidável da C.S. aqui e se tiverem curiosidade em ver as outras histórias basta clicarem aqui!

 

Encontra alguém que cante no duche frequentemente

27.12.17, Triptofano!

Se cantar no duche fosse uma modalidade olímpica certamente que eu daria orgulho a Portugal arrebatando uma medalha de ouro.

 

Foi por isso que quando soube que A Desconhecida também é praticante assídua deste desporto que comecei logo a imaginar um dueto entre nós. Eu agarrado ao gel de banho, ela ao amaciador, numa performance musical de deixar os vizinhos loucos de emoção.

 

Obviamente que teríamos de arranjar uma box de chuveiro maior do que a que eu tenho em casa, já que se ela é pequena só para mim quanto mais para dois.

 

Mas querida Desconhecida, sabes que eu gosto muito de ti, mas caso formemos um dueto musical lembra-te que eu sou a Beyonce e tu és na melhor das hipóteses a Kelly Rowland, que eu sou a Diana Ross e tu uma das outras duas que integravam as Supreme, que eu sou a Iggy Azalea e tu a Anitta....

 

Não é que eu ache que seja superior, mas a idade é um posto, e como já estou a caminhar para velho as minhas hipóteses de estrelato já são poucas por isso nada de me roubares o protagonismo ok?

 

~

 

"Ora bem, não nasci numa família de cantores, nem sequer numa família de artistas... 

Quer dizer, depende do que vocês interpretarem da palavra "artista"... 😁 

 

Todos nós o somos... Enfim...

 

Aqui a menina Desconhecida adora ouvir música, a qualquer hora do dia. E como é claro, adora cantar...

 

Só para terem uma ideia, no outro dia acordei às 05h30 para ir para a universidade, e a primeira coisa que fiz foi ligar o YouTube, colocar musiquinha e cantar...

 

Outro dos locais onde gosto de ouvir música e cantar, é a tomar banho... Não sei bem porquê, mas tudo soa melhor no duche...

 

E desde o dia em que o meu professor de música me avaliou com 16 valores na aula de canto...

 

MEU DEUS... Sou cantora e ninguém me disse nada, acho que vou passar do duche, para o palco....

 

ME AGUARDEM... "

 

 

 

Querida Desconhecida, se por acaso o sucesso sorrir a ti e a mim não, se faz favor não esquecer que tenho óptimas qualidades de groupie ok? Não se esqueçam de visitar o fenomenal blog da Desconhecida aqui, e se tiverem curiosidade em ler as restantes histórias basta irem aqui!

 

Encontra alguém que vá a pé para o trabalho/escola

27.12.17, Triptofano!
Há pessoas neste país com sorte e que podem ir a pé para o trabalho.
 
Uma dessas pessoas é o P.A. (quer dizer eu digo com sorte porque suponho que ele não tenha que andar 6 kms todos os dias para chegar ao trabalho ou coisa que o valha).
 
Depois há outras pessoas, menos sortudas, nas quais eu me incluo, que a sua sina é basicamente correrem de casa para o comboio, fazerem uma viagem de 45 minutos a suar em bica enquanto todos os outros passageiros estão tapados até às orelhas, para depois voltarem a correr até ao trabalho e quase terem um piripaque, simplesmente por não perceberem que se acordarem todos os dias à mesma hora vão estar sempre atrasados para o emprego.
 
~
 
A rapariga no Autocarro
 

Finalmente a semana passada passou.

 

Finalmente porque foi uma semana longa, cansativa e desgastante. Mas felizmente nem tudo foi mau.

 

A avaliar pelo título, o texto de hoje podia ser uma versão Lisboa Viva do livro < A Rapariga do Comboio > de Paula Hawkins. Ou um claro apelo ao uso da Carris sobre a CP. Mas na realidade só o estou a escrever, não pela referência ao livro, ou para alimentar derbys lisboetas de transportes públicos, mas sim pela rapariga que conheci esta semana.

 

Ao longo da nossa vida, muitas são as raparigas no autocarro que conhecemos. Mesmo sem nunca falarmos, muitas são as pessoas que cruzam diariamente rotinas connosco, umas que nos apercebemos primeiro, outras que se apercebem antes de nós próprios.

 

 

Vamos coleccionando caras, aprendendo a reconhecê-las nos dias seguintes. Seja desde novos a caminho da escola, seja depois para a faculdade ou trabalho. Quem não tem a memória daquele senhor ou senhora que surge, todos os dias, no mesmo metro/autocarro/rua, na mesma carruagem e, se possível, sempre no mesmo lugar? Ou, para quem faz esta travessia, sempre no mesmo barco, a caminho de Lisboa?

 

Quem nunca fixou a cara de uma pessoa que se cruza consigo todos os dias na rua? 

 

Esta semana "conheci" a rapariga no autocarro. E ela "conheceu-me" a mim.

 

Esta semana chata e cansativa que me obrigou a esticar horários, a ligar noites com manhãs e manhãs com noites fez com que chocasse pela primeira vez com outras rotinas, com outras pessoas.

 

Neste novo horário cruzei-me pela primeira vez com ela. Passo todos os dias por aquela escola mas normalmente já deu o toque de entrada. A semana passada não. Fui bem mais cedo.

 

Tão cedo que o autocarro de transporte de alunos que nunca antes tinha visto, estava ali parado, bem em frente à escola, de porta aberta e com o motorista a preparar a rampa para poderem descer os alunos. Sendo novidade, acabo por olhar por aquela porta aberta e lá estava ela, sentada na sua cadeira de rodas, à espera da sua vez. À espera de ajuda para ir à escola.

 

Olhou-me também. E dos seus não mais de 10 anos de idade sorriu e acenou-me.

 

Eu estava cansado, exausto do fim-de-semana, também ele passado a trabalhar, mas ali, naquele instante, passou.

 

Sorri quando nem pensava em sorrir. Sorri quando há dois segundos atrás só pensava no dia chato que me esperava.

 

Sorri e acenei de volta.

 

Ela riu. E eu ri.

 

No dia seguinte, repetiu-se. Voltámos a cruzar-nos agora já cá fora e reconhecemo-nos. Toca a acenar e a sorrir com fartura!

 

Quarta-feira vi o autocarro a chegar e fiz questão de abrandar o passo e com isso perder, para ganhar, uns instantes. Ela viu-me pela janela e de lá acenou. Acenei de volta. 

 

Quinta-feira, não a vi.

 

Sexta-feira, perguntei-lhe o nome.

 

Obrigado Inês.

 

P.A.

 

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Texto e Imagem retirado deste link:

http://aminhanamoradaapanhouobouquet.blogs.sapo.pt/a-rapariga-no-autocarro-99401

 

 

Obrigado por teres participado neste desafio P.A. Não se esqueçam de visitar o blog do P.A., um local de paz e reflexão como ele próprio o define, aqui, e se tiverem curiosidade em ler as restantes histórias basta irem aqui!

Encontra alguém que saiba falar três línguas (ou mais)

27.12.17, Triptofano!

Quando a Happy recebeu o desafio À Descoberta dos Bloggers, as opções que restavam já não eram muitas, mas atrevo-me a dizer que ainda bem, porque de outra forma talvez não tivesse tido o privilégio de ler esta história fenomenal que ela partilha.

 

~

 

"Falo algumas línguas. Gosto de mostrar o esforço quando vou a algum país. Assim como nós gostamos quando um estrangeiro vem cá e se esforça por dizer algumas palavras em português.

 

Há muitos equívocos que podem acontecer quando comunicamos com alguém.

 

Especialmente se não for na nossa língua. 

 

Especialmente se mesmo que fluentes na outra língua, não se trata do inglês que conhecemos. 

 

Especialmente quando ao inglês do Canadá, se junta uma certa pronúncia regional.

 

Estão a ver a coisa?

 

E foi o que aconteceu numa conversa que tive durante uns bons 15 minutos, com um canadense que me jurava a pés juntos que o cunhado tinha estado em Portugal este ano e que tinha finalmente encontrado uns “djjins” que eram um sonho.

 

Comecei freneticamente a procurar o que poderia ser e lembrei-me da marca de Jeans Salsa. Expliquei-lhe que Salsa era uma marca portuguesa e que tinha em especial atenção a figura feminina e as curvas portuguesas (a acompanhar, fazia aquele gesto das duas mãos a ondular, exemplificando a anca feminina) e repetia female shape.

 

Ele começou a falar menos e eu a falar cada vez mais, entusiasmada pelo facto de um estrangeiro ter gostado de uma marca de calças de ganga portuguesa. E quando começo a falar, entusiasmo-me mesmo! E então comecei a falar (não sei porquê) das calças de ganga brasileiras que assentam que nem uma luva. E repetia o gesto com as mãos.

 

Até que ao fim de uns 15 minutos ele me diz, com uma cara estranha:

 

- I don’t think we are talking about the same thing…(penso que não estamos a falar da mesma coisa)

 

O meu cunhado adorou o vosso gin (ler dgin) – e faz o sinal de bebida, de polegar à boca!!

 

Todos os que estavam à mesa, se desmancharam a rir, porque todos tinham entendido “djins” de jeans e não de gin, tal como eu. Até os americanos presentes. Portanto, estavam embevecidos a ouvir a minha explicação sobre calças de ganga portuguesas, com tantos gestos à mistura e referências às curvas femininas… "

 

 

Muito obrigado Happy por teres participado. Não se esqueçam de lhe fazer uma visita aqui, para descobrirem um blog incrível, e se tiverem curiosidade de descobrir as outras histórias podem encontrar o post do desafio inicial aqui!

Encontra alguém que não tenha nenhuma iCoisa

27.12.17, Triptofano!

Cá em casa nem eu nem o cara-metade somos detentores de nenhuma iCoisa. Quer dizer, minto, acho que anda perdido por aí um iPod super antigo que me foi "oferecido" por um ex-ex-ex-ex-ex-ex-ex-namorado! Mas isso não conta pois não?

 

A Tatiana insere-se no meu grupo e também se assume como uma iExcluída! (Tatiana não ficas chateada comigo por eu te auto-alienar pois não?)

 

~

 

 

"Sou uma das miúdas mais forretas que conheço.

 

Quando o dinheiro me era oferecido para gastar no que bem me apetecia acabava por não ligar tanto, a partir do momento em que sou eu a gerir o que gasto e onde gasto a história muda.

 

Nunca gastei mais de 80€ num telemóvel, sou incapaz disso...

 

Para além de ser imenso dinheiro, eu sou o desastre em pessoa e assim que partisse um telemóvel tão caro, ia chorar cada cêntimo.

 

Em relação a tudo o resto que se assume por iCoisa... Quanto mais dinheiro me pedem por um produto, menos eu o quero dar.

 

No entanto, se me quiserem oferecer um daqueles computador fixos com a maçã mordida, mandem-me um mail, que eu dou-vos a minha morada!"

 

 

 

Obrigado por teres participado Tatiana, e puxando a brasa à minha sardinha, se houver aí um mecenas com fundos ilimitados eu também dou a minha morada para receber algumas prendinhas ok?  Não se esqueçam de visitar o blog da Tatiana aqui e surpreendam-se com uma futura escritora em potência. Se tiverem curiosidade em ler o resto das histórias basta ir aqui!

 

Encontra alguém que não tenha máquina de lavar loiça

27.12.17, Triptofano!

Durante anos e anos vivi sem máquina de lavar loiça. Mas durante esse tempo era detentor de algo mais formidável - uma mãe!

 

Quando finalmente foi expulso de casa e passei a viver com o cara-metade, também nós não tinhamos máquina. E eu tive de arregaçar as mangas e atacar com toda a força a gordura incrustrada dos tachos.

 

Rapidamente comprámos uma máquina de lavar loiça. Basicamente o cara-metade fartou-se de ter de voltar a lavar toda a loiça que eu aldrabava lavava!

 

Quem de momento não possui máquina de lavar louça é a Mi, que me entregou um texto esperançoso de um futuro melhor. 

 

~

 

"Eu tenho um sonho, um sonho desde pequenina.

 

Mais do que um desejo é uma carência. Tem-me atormentado ao longo da vida e felizmente houve alguém com sensibilidade para me ouvir e divulgar a minha história, que talvez possa ser também a tua. 

 

Cada vez que finda uma refeição, cada vez que se junta a família, cada vez….

 

Sinto pânico, paraliso, como se o universo não quisesse que eu me movesse. É uma sensação incrivelmente angustiante! (Tens a certeza que queres continuar a ler?)


Depois vem a negação/aceitação, o momento em que percebo que tem mesmo de ser.

Mas, ainda assim, continuo a recusar-me a ceder, a entregar a vitória, a render-me à vontade dos outros.

 

Então procuro fugir ao meu destino, ignorando-o, amaldiçoando-o e, depois de um berro (ou dois ou três ou quatro), rendo-me ao suplício porque as minhas armas são débeis e a superioridade dos grandes oprime os pequenos.


Levanto-me de armadura em punho, preparo o arame farpado e a poção desengordurante e vou-me a eles: aos dentes afiados, aos discos voadores, aos amputados de fábrica, …, a todos os monstros da sujidade que aparecem de todos os lados.

 

Esfrego, raspo, expurgo, uns resistem outros despedaçam-se. Quando acabo não sinto as minhas mãos, os meus braços, inteiramente todo o meu ser, caio esfalfada no sofá. (É normal que te comovas. Obrigada por começares a compreender a minha dor.)


Não acaba por aqui! O problema é muito mais sério, envolve muitos outros fatores.

 

Não tenho tido tempo para as atividades mais básicas de um jovem como para ver a novela, ir ao Facebook, pois não sei se a Maria e o Manel já foram pais ou se a Lurdes já publicou as fotos da sua viagem a Londres e pior (!) se o Joaquinzinho curtiu a minha foto.

 

Como se isto já não bastasse, só há pouco tempo consegui acabar de ler um livro que ando a ler, afincadamente, há vários meses e é melhor ficar por aqui… (Nem pintar as unhas consigo e quando acontece não dura mais de dois minutos.)


O que mais me custa é saber que existe solução para o meu problema e não poder recorrer a ela. (Eu sei, é chocante!) Isto tudo por culpa de quem, de quem? Quem? Mas quem será?!

 

Dos governantes, claro, de quem mais poderia ser!

 

Se eles reduzissem a minha conta da água e da luz ajudavam-me a concretizar este meu sonho, e que Grande sonho. Esta IVA que só sabe chatear e aumentar, francamente! (Por acaso não tens o número dela?)


- JÁ VOU! Já vou, Pai, lavar a loiça.


Se aos menos tivesse máquina de lavar a loiça…


(Adeus e até um dia.)"

 

 

 

Muito obrigado Mi por teres participado neste desafio com um desafabo tão profundo. Não se esqueçam de visitar o surpreendente blog da Mi (que escreve em conjunto com a Jé) aqui, e se tiverem curiosidade em lerem as restantes histórias é só ir aqui!

Encontra alguém que seja ex-fumador(a)

27.12.17, Triptofano!

Quando convidei a Marquesa para participar neste desafio nunca pensei que um membro da aristocracia se fosse dar ao trabalho de me responder.

 

Mas a Marquesa é uma mulher que não se prende a títulos e mandou-me uma espectacular história relativa ao facto de ter sido ex-fumadora.

 

Também mandou os desejos de Feliz Natal a todos, mas quem se atrasou não foi ela, fui eu que devido aos meus neurónios estarem em greve esqueci-me de avisar que esta história só seria publicada depois do Natal! 

 

~

 

"Sou ex-fumadora


Fumar é parvo! Começar a fumar é estúpido!

Eu comecei a fumar tarde o que só faz desta uma situação ainda mais estúpida! Mais estúpida na medida em que tinha toda a informação, em que não o fiz para me sentir integrada, nem para ser crescida… Na verdade nem sei porque o fiz, talvez para experimentar… A verdade é que comecei a fumar e só isso é parvo e estúpido! Mas é tão fixe!! E é isso que nos torna dependentes e totalmente focados no acto de fumar, de tal forma que se nos tolda o discernimento e faz do fumador um ser desprovido de capacidade de ser razoável… Ou seja, para ser curta, faz do fumador um ser extremamente egoísta, mas isto eu só soube depois.

Eu era daquelas que fumava mesmo. Que saía de casa para comprar tabaco. Que hiperventilava se não tinha tabaco. Fumava um maço por dia, em dias normais, em dias de festa… não queiram saber… Posso-vos dizer que eu era uma boa cliente da Tabaqueira, passo a publicidade. E nunca havia equacionado a possibilidade de deixar de fumar, afinal aquilo era tão bom… sabia tão bem… um enorme prazer e ainda por cima legal! 

Um dia deixei de fumar. 17 anos após a primeiro cigarro fumei o último. "Eh pá… assim de repente?" Perguntam vocês. Sim, assim de repente. "Eh pá, tu és a nossa heroína!…" Muita gente à minha volta pensou o mesmo. "Eh, pá, mas ela fumava comó caraças, saia de casa à noite, a chover se fosse preciso, para comprar tabaco e deixou de fumar….?!?!”. Foi assim mesmo! Um dia deixei de fumar.

Mas não foi um acto heróico, claro que não! Não se me iluminou a alma, não fiquei subitamente lúcida e cheia de força de vontade, não! Também não fiquei doente, nem recebi um ultimato. Então?!?!… Então um dia saí do trabalho, ia a conduzir para casa sossegada da minha vidinha (eu nunca fumava no carro, nem eu nem ninguém fumava no meu carro) e tive um ataque de pânico. Para quem nunca teve um ataque de pânico, esta é uma situação estranha e parece um achaque de quem não tem o que pensar ou fazer… Para quem já teve…”Manos, tamo juntos, vocês sabem o que é!”. E eu tive!

Tive um ataque de pânico e achei que tudo me ia matar… "fónix pá, eu vou finar se comer comida mal passada, vai-se ficar presa na glote, engasgo-me e fui…”, “Chiça, comida cheia de sal… não! Isso vai provocar um ataque cardíaco fulminante e vou falar com os anjinhos a seguir!”…. Já viram o que se segue, certo? Fumar?!?!… Esqueçam! Nunca mais! "Se eu fumar um cigarro a minha família e amigos vai ter uma história para contar. Todos vão conhecer aquela história que reza: Uma prima de um amigo meu, acendeu um cigarro, deu um bafo e pufas!… Finou-se! Caiu inanimada no chão! Fulminante!”… E foi assim que deixei de fumar! Nem todos conhecem a história, só os mais próximos, e como vêem não tem lição nenhuma a ensinar a ninguém! Não há um “façam como eu”… Lamento desiludir-vos, mas isto é tudo o que vos tenho a dizer sobre o deixar de fumar.

Como ex-fumadora tenho-vos a dizer que os fumadores são muito mais chatos do que os ex-fumadores. E digo-o com plena consciência do que estou a dizer. Eu também já fui essa chata egoísta que achava que o meu direito a fumar um cigarro se sobrepunha a tudo e a todos. Hoje sei que não é verdade mas também sei que um fumador é só uma pessoa totalmente dependente de algo e como qualquer dependente tem de satisfazer a sua necessidade sob pena de começar a ressacar. Eu sei que vou ganhar inimigos agora, neste momento. Mas eu incluo-me no vosso grupo, pois eu já fui assim. Não sou uma ex-fumadora que está sempre a reclamar do tabaco dos outros, mas escolho sítios onde não se fume. Detesto, e sempre detestei, o cheiro a tabaco. Detesto o fumo do tabaco. E esta não é apenas uma questão de gosto, o fumo do cigarro dos outros faz-nos mal e eu sinto-o.

Deixar de fumar foi a maior sensação de liberdade que já senti na minha vida e esta é a melhor emoção que sinto em relação a ser ex-fumadora. Traz-me muitas outras coisas boas, melhor bem-estar físico, mais dinheiro (?!?!?!…. deve ser verdade mas não o sinto), mais saúde, etc… Mas o melhor de tudo é a liberdade que eu sinto! Nõ preciso de procurar um sítio para ir fumar, não sinto ânsias por um cigarro, não tenho que ir procurar desesperadamente um local para comprar tabaco e isto é tão mas tão bom!!

Nos primeiros tempos sonhava que tinha voltado a fumar e acordava angustiada e zangada comigo, “porra pá, voltaste a fumar….” depois percebia que era um sonho, ficava feliz mas sentida-me presa, sentia que ainda estava dependente… Hoje não sonho com cigarros, são-me absolutamente indiferentes e sei, posso dizê-lo com toda a certeza que, tão certo como um dia eu ir morrer, não mais voltarei a pegar num cigarro de livre vontade!… “Ahhhh… não digas nunca!”. Digo! Digo mesmo, porque e liberdade que sinto a indiferença que para mim é um cigarro faz-me ter esta certeza.

Não é uma história hilariante, não aprendem muito com ela, mas eu, apesar de tudo, aprendi! Aprendi que os males vêm por bem. Parece um cliché, e talvez seja, mas aquilo que foi uma das piores coisas que já me aconteceu na vida, o ataque de pânico, também foi uma das melhores e não foi só por ter deixado de fumar!

E não se esqueçam: Fumar é parvo!

Feliz Natal!!!!!"

 

 

Muito obrigado Marquesa por teres partilhado a tua história connosco, e certamente que fizeste muita gente pensar sobre o vício do tabaco (e se tiveres ganho inimigos liga-me que eu protejo-te ). Não se esqueçam de visitar o fenomenal blog da Marquesa aqui, e se tiverem curiosidade em ler as outras histórias basta irem aqui!

Encontra alguém que não siga a Pipoca nem a Cocó

27.12.17, Triptofano!

Para quem anda a leste do paraíso a Pipoca e a Cocó são respectivamente a Pipoca mais Doce e a Cocó na Fralda, duas das blogger mais influentes do país.

 

E quem diz isto não sou, ao que parece as duas senhoras foram convidadas ao Parlamento Europeu para debater estratégias sobre como os bloggers podem influenciar as pessoas (foi isso que elas foram lá fazer ou foi só tirar selfies?).

 

Pronto, confesso, estou ressabiado!!! Eu queria ir ao Parlamento Europeu. Eu queria armar-me em importante e falar sobre como é que se influencia os outros através de um post onde apresento cinquenta camisolas felpudas diferentes. O que é que elas têm que eu não tenha? Quer dizer, além das milhares de visualizações por dia....

 

Quem também não segue nenhuma destas duas bloggers é o P.P. que sempre sem papas na língua deixa aqui a sua opinião sobre o assunto!

 

~

 

"Nem Pipoca nem Cocó

 

Nem Arrumadinho nem Lince.

 

Com saia, minissaia, sem ambos os acessórios, com pipocas doces ou salgadas e fraldas sempre limpas, por aqui paira a desarrumação. Modas marcam tendências e de mim, não faz parte integrar séquitos forçados.

 

Um blogue deve ensinar-nos algo, expressar estados de alma e ser dotado de verdade. Em nada me seduzem as “estrelas” que não deixam de ser pessoas como nós, mas que por questões de estatuto têm a vida facilitada nos contactos e parcerias, muitas das quais algo dúbias. O conhecimento e as causas devem mover-nos.

 

Não, os bloguistas citados não foram os primeiros do país. Por questões de vária ordem, o sucesso foi-lhes dado, por plataformas e diferentes meios de comunicação. É certo que, como não seguidor destes espaços, o desafio do Tripofano levou-me a revisita-los. Num deles, até apreciei o estilo de escrita, mas convenhamos, por aqui e em outras plataformas, encontramos bloguistas com menor projeção e inclusive menor nível de formação cuja escrita e valores divulgados são louváveis.

 

Algo que não posso deixar de destacar, e que me provoca algum repúdio, são os blogues que se prendem com a família, expondo pormenores que devem ser do fórum pessoal. Adultos que promovem o seu autofilismo à custa de vivências e filhos que jamais serão perfeitos, ao contrário do que nos levam a pensar. Um deslumbramento com alguns aspetos comuns ao que temos assistido em No Segredo dos Deuses, levado a cabo pela TVI, a respeito de adoções ilegais na IURD e suas consequências.

 

Pelo contrário, por vezes sou capaz de ler o espaço de Inês Mocho, o qual, em meu entender, contempla diferentes níveis económicos e procura o bem-estar, sobretudo feminino. Pena, ainda encontrarmos muito poucos do género destinados aos Homens. Refira-se ainda a não promoção da maquilhagem por parte de pré-adolescentes, cujos produtos adequados pouco encontramos no nosso país e às quais, muitos pais não colocam limites. A tal projeção nas suas crias e o autofilismo revestido.

 

Se o arrumado ou desarrumado vai ao ginásio, por aqui valorizam-se os atos, palavras, verdades, interajuda, opiniões fundamentadas e não exercícios do Ego."

 

 

 

Muito obrigado P.P. por teres participado! (agora és Pablo?, ó homem tu não me troques os neurónios!). Não se esqueçam de visitar o blog do P.P. aqui, um espaço onde ele não tem medo de colocar o dedo na ferida. E se tiverem curiosidade em ler as restantes histórias basta irem aqui!