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Triptofano

O teu aminoácido essencial!

Em memória de

21.09.17, Triptofano!

Hoje num intervalo entre as visitas pela ilha de S.Tomé e os mergulhos na piscina embrenhei-me numa procura pela Internet de um livro de receitas que o cara metade gostaria de ter.

 

Como aconteceu não sei precisar, mas quando dei por mim estava na página de facebook de um senhor que nunca tinha conhecido. Isto não seria assunto para partilhar aqui no blog não fosse a página ser uma conta memorial - o que significava que o senhor em questão já tinha falecido.

 

Sabia que estas contas existiam - a função delas é permitir que as pessoas encontrem algum conforto ao visitar o perfil, para relembrar e celebrar a vida daquele ser humano que já não se encontra entre nós - mas nunca me tinha deparado com nenhuma.

 

Envergonho-me em partilhar isto convosco mas apoderou-se de mim uma curiosidade mórbida acerca dos motivos que levaram a que aquela pessoa tivesse morrido.

 

Vi fotos, li comentários, vasculhei publicações antigas. Descobri o que queria mas não parei por aí, embrenhei-me mais e mais na vida e na luta daquele homem. Uma luta que ele acabou por perder.

 

Pergunto-me se ele foi feliz, se amou e se foi amado de volta.

Se os amigos que sorriem com ele nas fotos se mantiveram do seu lado nos momentos mais complicados.

Se teve medo durante o processo, se havia alguém para lhe consolar as lágrimas de desespero que porventura os seus olhos tenham vertido.

Pergunto-me se a vida que levou valeu a pena.

 

Dou conta que já não penso apenas nele, reflicto na minha própria existência.

Se o caminho que percorro é o que me dará conforto um dia ao olhar para trás.

Se dou o suficiente de mim aos outros e se estou pronto para receber tudo o que os outros me quiserem dar.

Se as guerras e lutas que travo são realmente merecedoras do meu esforço ou se me devia concentrar em semear flores que ao florirem embelezassem este mundo.

 

Obrigo-me a parar de ver o perfil daquele homem cuja foto me sorri, num riso eterno que nunca se gastará.

Fecho a página.

Sinto um peso na alma.

Naquele momento é como se tivesse perdido um grande amigo.

Doce Doce Doce

20.09.17, Triptofano!

Quando dei a conhecer a minha decisão de última hora de viajar para S.Tomé e Príncipe várias pessoas disseram-me que tinha de levar doces para as crianças locais, era algo quase obrigatório de fazer porque o brilho nos olhos dos petizes era impagável.

 

Porém avisaram-me também para estar preparado para uma multidão em ponto pequeno a gritar Doce Doce Doce mal me vissem, com as mãos estendidas e os dentes batendo furiosamente na ânsia de mascarem uma pastilha Gorila. Fiquei ligeiramente preocupado porque o meu cérebro começou logo a imaginar hordas de crianças com baixos níveis de açúcar agarrando-me pelas pernas e exigindo-me rebuçados de mentol. Obviamente que nesta altura do campeonato já devia saber que quem conta um conto acrescenta um ponto, e que as coisas às vezes não são bem assim.

 

Fiquei renitente com a história de levar doces para os mais pequenos.

É agora que acham que eu sou uma pessoa com uma pedra no lugar do coração.

Mas desde que descobri que em Marrocos as crianças que pediam nas ruas eram alugadas para angariarem dinheiro para terceiros - e que o aluguer da criança era tanto mais caro quanto mais deficiência esta tivesse de forma a causar mais pena - jurei a mim mesmo que nunca mais daria dinheiro a uma criança.

 

Também no Senegal o guia me pediu para não dar dinheiro às crianças que davam flores aos turistas. Ganhando aquele dinheiro relativamente fácil os pais iriam colocar as crianças a dar flores todo o dia em vez de as mandarem à escola. O problema é que não se é pequeno e amoroso para sempre, e quando já não se consegue arrecadar dinheiro vindo dos turistas benevolentes vai-se fazer o quê?

 

É verdade que no caso das crianças de S.Tomé os doces são directamente para elas. E isso não irá afectar a sua ida à escola! No entanto resolvi na mesma não levar guloseimas algumas.

 

Quando cheguei ao Pestana São Tomé tive a certeza que a minha decisão tinha sido a mais acertada. Na secretária um pequeno documento pedia ao viajante que não oferecesse doces às crianças - em média as crianças de S.Tomé e Príncipe possuem 3 cáries dentárias e apenas uma minoria têm acesso a cuidados de saúde dentária! 

 

Provavelmente muitos estão a pensar que apenas um doce não vai fazer mal nenhum, e claro que não faz. Mas tal como nós muitas outras pessoas visitam estas maravilhosas ilhas e já imaginaram se cada turista oferecer uma gulodice a uma mesma criança?

 

Qual a solução então?

 

Oferecer coisas que sejam úteis para o desenvolvimento ou para a saúde dos mais pequenos. Lápis, canetas, blocos, escovas e pastas de dentes, tudo isto são coisas úteis e que deixam uma criança feliz.

 

No entanto o preferível é não dar directamente às crianças e sim a uma instituição que faça a distribuição consoante as maiores ou menores necessidades das mesmas.

 

A adopção desta prática evitaria outro problema que é o da doação aleatória, ou seja dar a uma criança apenas porque ela chegou primeiro, independentemente de ela ter mais ou menos necessidade que outras.

Além de que quando damos devemos ter a certeza que chega para todos os que ansiosamente tentam receber algo.

Já imaginaram o que eram estarem numa festa e um vosso filho ver todas as crianças a receber balões e quando chegasse a vez dele já não haver nenhum?

Agora visualizem visitarem uma roça onde funciona uma escola, e dezenas de crianças dirigirem-se para vocês para receberem algo que estão a distribuir, qual é o critério que vão usar na entrega? Quem tiver o ar mais giro? Quem esticar mais os braços?

 

Podem pensar que é um exagero da minha parte e que com este post pretendo dissuadir as pessoas de dar o que quer que seja, mas não. Somente gostaria que reflectíssemos nas consequências, positivas e negativas, de actos que para nós podem apenas estar cheios de boas intenções, mas que às vezes acarretam sérios problemas.

 

Só peço que se na mesma quiserem dar doces às crianças que se lembrem que nem os doces são pedaços de pão nem as crianças são pardais.

Atirar rebuçados em vez de os distribuir directamente na mão é basicamente deitarmos fora toda a humanidade que nos resta.

Choca-me mais ver certas atitudes dos turistas do que as condições singelas em que os locais vivem.

 

Apesar de todo o meu esforço de argumentação a minha mãe trouxe caramelos para distribuir pelas crianças.

Ontem encheu os bolsos decidida em trazê-los vazios.

Voltou espantada e um pouco desiludida.

Nenhuma criança lhe pediu Doce.

Apenas a brindaram com grandes sorrisos tímidos.

 

As minhas férias #2

19.09.17, Triptofano!

O Ilhéu das Rolas é um local excepcional para descansar, no entanto se forem como eu que gostam de andar de um lado para o outro e a paz e sossego aborrece-vos após pouco tempo então aconselho-vos a estarem uma noite apenas no ilhéu, pessoalmente acho que é mais que suficiente.

 

Infelizmente na altura em que fui não havia equipa de animação no Pestana Equador, o que tornava os dias mais molengas a passar, e sem pulseirinha de tudo incluído a opção de beber até ficar meio inconsciente na toalha também saía da equação, visto os meus fundos monetários serem escassos.

 

Porém, existem três coisas, além da magnífica piscina do hotel, que fazem com que a visita ao ilhéu seja imprescindível.

 

O Marco do Equador

 

É impossível não ficar com um arrepio na espinha quando chegamos ao local onde o mundo se divide em dois. Um pé fica no hemisfério norte e outro fica no hemisfério sul - esta é a posição típica para a foto mais tirada em qualquer marco do equador por este mundo fora. Além da simbologia do local a vista é de fazer perder o fôlego, se ainda tínhamos algum depois da subida que tivemos de fazer para ali chegar.

 

Equador.JPG

 

 

A Praia Café

 

É a praia mais bonita do ilhéu e a mais segura para tomar banho, sem termos de nos preocupar em pisar ouriços que podem automaticamente estragar as nossas férias de sonho.

Nos areais da praia, resguardados pela sombra das árvores, locais cozinham peixe e moluscos acabados de apanhar, enquanto brindam com a cerveja típica do país, a Rosema.

 

Praia Café.JPG

 

 

As Pessoas

 

Podemos numa primeira instância achar que as pessoas são tristes por não terem água potável, ou pela simplicidade das suas casas, ou pelo facto de precisarem de ir de barco à ilha principal sempre que estiverem doentes, mas acredito pelos seus sorrisos e brilho do seu olhar que apesar das adversidades a maior parte delas são bem mais felizes que muitos de nós, que rodeados de todas as comodidades que o mundo moderno nos pode oferecer, nos esquecemos do que é mais importante, o carinho, a amizade, a família!

 

Tatuagem com feto.JPG

 

 

Deixo-vos uma dica para um passeio ainda mais inesquecível. Quando forem e voltarem do ilhéu tentem não ir no barco branco que o hotel disponibiliza. É maior, mais robusto e seguro, mas a viagem numa das canoas azuis que ao cortar as ondas mais fortes abana por todo o lado enquanto somos banhados com água salgada proporciona uma adrenalina difícil de recusar.

O poder do buffet

18.09.17, Triptofano!

Não sei se acontece apenas comigo mas um buffet exerce sobre a minha pessoa um poder que só posso classificar como paranormal.

 

Confesso que sou um bom garfo, ou seja como bastante bem, infelizmente para o meu perímetro abdominal não sou daquele tipo de pessoas que com meia dúzia de grãos de arroz e um punhado de ar aromatizado fica saciado.

 

Quando vou a um restaurante à la carte escolho uma entrada (se esta tiver bastante bom aspecto porque senão não como apenas por comer), uma dose bem servida dum prato que me apeteça naquele dia - nada de meias-doses, tremo só de ouvir esse termo - e se estiver particularmente guloso a sobremesa mais doce que existir nas redondezas. Ora isto é suficiente para me fazer sair do restaurante literalmente a rebolar, por isso acho que não me posso classificar como poço sem fundo.

 

Porém, aquando a presença dum buffet, existe uma dilatação inexplicável do meu estômago porque de um momento para o outro parece que tenho capacidade de enfiar quantidades indescritíveis de comida dentro dele. Ou isso ou numa estranha reviravolta evolucionista que nem Darwin conseguiria explicar o meu sistema digestivo evolui por breves horas para o de uma vaca, ficando eu munido de quatro estômagos.

 

Não se come sopa desde o Natal passado? Se houver no buffet come-se, repete-se e ainda se vai buscar um pãozinho para molhar naquele restinho que temos demasiada vergonha em sorver diante das outras pessoas!

 

18 variedades diferentes de entradas? Se não se conseguir enfiar tudo num prato coloca-se em dois, que isto de uma pessoa levar um, comer e voltar para encher de novo é uma perda de tempo. Salada de grão e bacalhau ao pé de croquetes de alheira e de banana pão frita tudo envolto no molho cocktail dos camarões que atacámos sem dó nem piedade poderia ser algo a que torceríamos o nariz se nos apresentassem num restaurante à la carte, mas no mundo do buffet tudo é permitido, e a promiscuidade de sabores não é olhada de lado!

 

Queremos carne, peixe ou vegetariano? Na realidade a pergunta é saber o que se coloca onde na pilha de comida que levamos para a mesa. A carne com batatinhas assadas vai em cima ou no meio? O peito de frango com arroz thai equilibra-se na posta de pescada com legumes a vapor que em casa não comemos mas subitamente parecem tão apetitosos? Criticámos de morte aquele colega vegetariano que impediu que o jantar de anos da empresa fosse no rodízio de picanha mas enfiamos cuscuz de beringela dentro do macarrão com queijo com a perícia dum acrobata de circo chinês.

 

Tudo isto me aconteceu quando me aproximei do buffet do Pestana Equador no Ilhéu das Rolas. Todo o bom senso que havia em mim foi atirado ao mar e com um tijolo agarrado à perna.

 

Mas o pior foi na sobremesa. Podia já estar cheio que estava; podia não aguentar mais nada que não aguentava, mas ninguém me ia tirar o meu direito de enfardar sobremesa. E lá fui eu, meio andando meio rebolando encher o prato com pudim, tiramisù, doces não identificados mas que não ia perder a oportunidade de provar, uma tacinha de mousse de chocolate, entre outros perigos para a minha futura diabetes. E foi aí que vi um cacho de bananas pequeninas tão bonitas, tão perfeitinhas que não resisti. Sonhando logo no quão deliciosas elas deviam ser, equilibrei o prato das sobremesas numa mão, e com a outra comecei a puxar uma das bananas.

 

Puxei mas a desgraçada não se queria soltar do cacho. Desisti e peguei noutra banana, puxei e voltei a puxar e nada. Já meio chateado, pousei o prato na mesa porque a gelatina estava perigosamente a querer saltar para o chão e lancei-me sobre outra banana indefesa. Estava eu a meio da minha operação quando um empregado vem muito solicitamente mas ligeiramente com ar de pânico na minha direcção e diz-me:

 

Se o senhor quiser bananas tenho todo o gosto em arranjar-lhe algumas. Mas deixe as de exposição se faz favor, é que são de plástico!

As minhas férias #1

17.09.17, Triptofano!

Neste preciso momento estou a escrever este post na varanda de uma das pequenas moradias que constituem o Pestana Equador situado no Ilhéu das Rolas na ilha de São Tomé.

 

Infelizmente quando nos dizem que existe wi-fi no hotel todo é verdade que existe sinal, mas não esclarecem que a quantidade de sinal pode ser apenas um trémulo tracinho que em cada dois minutos desaparece. Foi isso que me aconteceu quando ontem à noite antes de me deitar pensei em vir actualizar o blog. Sinal de wi-fi sim senhor, força desse sinal mais fraca que a minha capacidade para fazer elevações - se um dia se quiserem rir a bom rir peçam-me para fazer elevações, é hilariante de se ver.

 

Ora como não há sinal de jeito na minha habitação, hoje de manhã mal o sol raiou, deixei a minha belíssima cama já meio inundada com a minha baba e a do cara metade, e dediquei-me a percorrer o hotel para descobrir onde é que haveria um sinal mais forte. Surpresa das surpresas, é ao pé da moradia onde a minha mãe se encontra alojada - pelo menos não tive que me ir sentar no alpendre de algum desconhecido.

 

Como tenho recebido muitos comentários que manifestam a possibilidade de me excluírem da blogesfera se ousar postar fotos a fazer pirraça decidi só colocar imagens culturais, como esta das mulheres de S.Tomé a lavarem a roupa num rio.

 

São Tomé.jpg

 

Mas depois pensei, então e a cultura gastronómica? Seria um delito da minha parte privar-vos de visualizarem o belo do coco que recebi quando cheguei ao hotel.

 

Boas Vindas.jpg

 

Claro que assim sendo também não podia deixar de falar sobre os perigos do sol. Sabem que se deve aplicar protector solar a cada duas horas e reforçar após a ida a banhos? Como podem ver as minhas pernocas estão muito protegidas, para evitar qualquer escaldão!

 

Pernas.jpg

 

E para finalizar uma curiosidade sobre o Pestana Equador. Sabiam que a piscina do hotel é a maior piscina de água salgada da África Ocidental? Agora digam lá se não sou um querido por partilhar estas coisas todos convosco?

 

Piscina Pestana Equador.jpg

 

P.S: Muito obrigado por nos comentários me terem alertado para dois lapsos no meu texto. O Hotel chama-se Pestana Equador e não Pestana Equatorial e possui a maior piscina de água salgada da África Ocidental. O que é que eu seria sem os leitores atentos? Muito obrigado :)

 

 

 

 

E o José, onde vai?

16.09.17, Triptofano!

Quando este post for publicado se tudo tiver corrido mediante o planeado já terei chegado ao meu destino de férias - S.Tomé e Princípe. Digo mediante o planeado porque existe a probabilidade de ficar a ressonar como um porco e perder o avião - alguém me consegue explicar porque é que fazem voos depois da meia-noite para uma pessoa ir para o aeroporto assim feito zombie?

 

Um dos grandes dramas sempre que vamos de viagem é onde é que levamos o Macaco José!?! 

 

Macaco José pronto para viajar.jpg

 

 

O meu primeiro pensamento é sempre levá-lo comigo pela mão! Até já pensei em arranjar-lhe um passaporte em miniatura para ele também ter os carimbos das viagens. No entanto depois fico com o receio que os senhores da companhia aérea possam achar que eu sou mentalmente debilitado ou coisa parecida e impedirem-me de embarcar. Sim eu sei que não existe nenhuma lei que impeça adultos de levarem macacos de peluche com eles num voo mas acho que é melhor não arriscar.

 

A segunda opção é o José ir dentro da mala de porão. Mas e se a mala se perde? E se os cinquenta cremes que levo dentro dela dão para rebentar e o José morre afogado em ácido hialurónico e vitamina C? E se fica com frio? E se alguma mala bate com mais violência na nossa e ele fica com um torcicolo? 

 

A terceira e última opção tem sido a vencedora - levar o José dentro da mala de mão. Permite-nos estar de olho nele, ir conversando com ele e de alguma forma aparentarmos ser pessoas normais aos olhos dos outros passageiros.

Porém existe uma coisa que me apoquenta nesta opção - o controlo de Raio-X. Até hoje o José tem passado de forma tranquila por este controlo, mas imaginam o que seria se um dia me dizem que suspeitam que o José é uma mula de droga e vão ter de o abrir para verificar o seu recheio?

 

Era ver-me a gritar um alucinante NÃÃÃÃÃÃOOOOO enquanto lágrimas me corriam pelos olhos e todo eu me lançava numa placagem contra o agente de segurança de forma a impedir que o José fosse dilacerado por uma qualquer lâmina não desinfectada. 

 

Probabilidades de ser preso depois de tamanha performance teatral? 99.99%

 

Uma mosca no lugar errado

15.09.17, Triptofano!

"Na realidade o chinelo ainda seria o menos, agora imaginem que deixava cair lá o passaporte, é que não havia forma de o poder deixar lá, tinha mesmo de o ir buscar. Felizmente nunca fui destrambelhado o suficiente para o levar perto sequer da latrina."

 

Ficaram curiosos?

 

Se quiserem saber mais sobre a história de uma certa latrina em África então visitem o blog da Chic'Ana (que só por acaso é um dos blogs que eu mais gosto de seguir na blogesfera devido ao sentido de humor da autora e por todo o carinho e amor que ela coloca em cada texto) que para minha grande felicidade me convidou para participar na sua rubrica One Smile a Day.

 

Se gostarem não se esqueçam de vir aqui deixar um comentário! 

Temos viagem....e uma úlcera gástrica!

14.09.17, Triptofano!

Eu sou uma pessoa calma.

 

Pronto na realidade eu ambiciono ser uma pessoa calma apesar de às vezes ainda ser apanhado na curva pelo stress.

E posso-vos assegurar que o cancelamento da viagem a Cuba e a tentativa de encontrar um novo destino de férias causou-me stress suficiente para desenvolver uma úlcera gástrica, e com alguma sorte uma esofágica mas assim pequenina.

 

Horas passadas na agência de viagem, outras tantas agarradas ao computador e ao telemóvel, eternidades a pensar em soluções - tudo isto foi o que o cara metade teve de passar para me conseguir levar a algum sítio de férias.

Porque aqui o menino como é atado se dependesse dele provavelmente íamos semana e meia para a Caparica e já era bem bom!

 

Sim o cara metade é que trata de tudo mas as úlceras sou eu que as desenvolvo, chama-se stress por osmose! 

Ele stressa, eu stresso mais, ele desespera, eu arranco os cabelos, ele olha para mim com ar de quem estou a fazer drama em demasia, eu quero lá saber que uma pessoa nasceu para ser actor principal e não para ter papéis secundários nesta peça chamada vida.

 

Mas voltando ao drama das férias, primeiro conseguimos que a agência de viagens nos devolvesse a totalidade do dinheiro, um alívio para nós já que mesmo que não fossemos a lado nenhum não ficávamos prejudicados financeiramente.

 

Em seguida tivemos que arranjar novo local para ir de férias.

Ora entre a mãezinha, o cara metade e eu já se visitou uma mão cheia de países por isso algumas opções foram automaticamente descartadas.

Depois a mãezinha não ia se fosse para fazer só praia, o cara metade não queria ir se não desse para descansar, eu só pensava em hibernar e acordar daqui a uma semana.

 

Chegou-se a consenso em termos de países - metade deles precisavam de vistos que não tínhamos tempo para tirar, outra metade estavam tão caros que ficavam totalmente fora do orçamento.

 

No entanto havia um país dentro do orçamento, sem necessidade de visto, que dava para descansar e tinha paisagens de sobra para a mãezinha encher os olhos. 

 

Tenho o prazer de vos anunciar que vamos para:

 

S.Tomé!!!!!

 

Não inclui o Príncipe porque parece que é destino para classe média alta e nós andamos a roçar o média baixa já com alguma muito boa vontade.

 

Mas obviamente que os problemas ainda não estavam todos resolvidos!!

E a malária?

 

Na agência dizem que é facultativo, existem muito poucos casos na ilha.

A mãezinha diz que sem profilaxia não vai, o cara metade chuta a decisão para mim.

É tarde demais para fazer o Mephaquin, além de que não nos apetecia andar com efeitos secundários malucos novamente.

Há tempo para fazer o Malarone, mas além de ser caro que dói os efeitos secundários também parecem ligeiramente chatos.

 

Telefonema para aqui, e-mail para acolá descobrimos que estamos a tempo de fazer a doxiciclina, sem efeitos secundários por ai além a não ser a probabilidade de ficarmos mais susceptíveis a queimaduras solares.

Suspiro, mal por mal seja este que façamos, só temos que ter cuidado em reforçar a quantidade de protector solar que teremos que aplicar diariamente.

 

Por isso muito obrigado a todos os que rezaram por mim e deram-me forças para conseguir encontrar um novo destino de férias!

Vou-me lembrar de vocês quando estiver a apanhar banhos de sol e prometo não colocar aqui no blog muitas daquelas fotos que apenas servem para meter inveja a quem está a trabalhar!

 

Se alguém quiser/precisar de alguma coisa de S.Tomé esteja à vontade para me pedir!  E contem com actualizações aqui no blog, a não ser que o suposto wi-fi gratuito em todo o hotel seja uma aldrabice! 

Vou de Férias ..... NOT

13.09.17, Triptofano!

Hoje supostamente era o último dia que estaria aqui em frente do computador a escrever um post antes de ir de férias. Já tinha agendado algumas publicações para o blog não ficar às moscas e queria postar algumas fotos durante a viagem para tentarem adivinhar por onde andava.

 

Estava quase tudo preparado, mala semi-arrumada, sogra a preparar-se para vir tomar conta da casa e das porquinhas enquanto estivéssemos fora, o macaco José já tinha ido tratar de renovar o passaporte, era só termos de madrugar amanhã e ir para o aeroporto.

 

Aposto que muitos já adivinharam qual era o meu destino de férias. Cuba!

 

Há anos que a minha mãe me pedia para irmos a Cuba, e que queria visitar, e que se morresse antes de ir eu ia ficar com remorsos, e que eu devia respeitar os desejos duma senhora de idade e mais uma data de argumentos que incrivelmente conseguiam que eu ficasse com a consciência pesada.

 

Por isso este ano eu, o cara metade e a minha mãe íamos rumar para Cuba. Claro que isto eram os planos antes do furacão Irma aparecer. Tantos anos sem um furacão assolar Cuba e precisamente na altura que a pessoa paga os olhos da cara por uma viagem para esse país é que chegam uns ventos doidos e nos estragam os planos.

 

Passámos dias a ver o rasto de destruição que o furacão deixava. E apesar de ficarmos com os corações apertados devido a todos aqueles que perderam tudo o que tinham sentíamos-nos aliviados porque as zonas para onde íamos (Havana, Cienfuegos e Varadero) não tinham sido muito fustigadas.

 

Porém anteontem recebemos a informação que parte de Havana estava inundada. Pensei que pronto, um bocadinho mais de água um bocadinho menos não seria isso que iria estragar a nossa viagem. Se não desse para andar de havaianas ia-se de galochas mas não era isso que nos ia impedir.

 

Ontem disseram-nos que a viagem estava cancelada. Sem luz nem água canalizada na capital e com estradas intransitáveis para fazer as viagens de conexão não fazia sentido o circuito continuar de pé. Confesso-vos que nem consegui estar focado no dia de trabalho com a notícia, uma pessoa faz tantos planos, está tão mentalizada que vai para um resort tudo incluído encarnar uma lontra e depois tiram-nos o tapete debaixo dos pés.

 

É verdade que é preferível assim do que irmos e não conseguirmos fazer uma viagem minimamente em condições. E também tivemos muita sorte em não estarmos já lá quando o furacão apareceu.

 

Mas pronto fico um pouco desgostoso.

 

E agora, vou ter férias ou não?