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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

28
Nov17

Veterinário em Part Time


A operação da Escovinha correu bastante bem, pelo menos foi o que a veterinária nos disse.

 

Como sabem eu e o cara metade estávamos com o coração nas mãos porque não sabíamos se a nossa pequenita ia resistir à operação por causa da anestesia, por isso quando a tivemos de novo em casa foi um alívio descomunal.

 

A intervenção a que ela foi sujeita chama-se marsupialização, e basicamente consiste em, depois de se ter retirado o conteúdo dos dois abcessos (eram dois em vez de um como pensávamos inicialmente), criar uma bolsa que vai cicatrizar de dentro para fora. Ou seja a ferida não é cosida, mantém-se aberta, mas dentro dela coloca-se uma compressa impregnada com um produto bactericida e germicida, faz-se um par de pontos para ela não sair do lugar, e depois com alguma regularidade visita-se o veterinário para avaliar o processo de cicatrização e mudar a compressa.

 

No caso da Escovinha os abcessos estavam localizados abaixo da mandíbula inferior, e apesar de terem evoluído rapidamente não chegaram a atingir a parte osteo-articular, o que vai tornar a recuperação mais fácil. 

 

 

Escovinha.jpg

 

 

Só que a parte mais complicada ainda estava para vir.

 

Apesar da operação ter corrido muito bem a veterinária disse que os primeiros dias de pós-operatório eram muito delicados, e que se não vigiássemos bem a porquinha ela poderia morrer.

Era muito importante verificarmos se ela fazia cocó e como é que era o aspecto dos mesmos. Cocós pequeninos significavam que ela não estava a comer o suficiente. Ausência de cocó era um sinal de alarme vermelho e teríamos que ir com ela o mais depressa possível para ser consultada.

 

Claro que durante o fim de semana eu e o cara metade fizemos turnos para ver se ela andava a expelir dejectos.

 

Primeiro não a podíamos deixar na gaiola com a irmã, porque senão nunca teríamos a certeza de ser ela a fazer cocó ou não.

Em segundo também não a podíamos deixar sozinha e fazer a nossa vida, porque caso não saibam estes animais gostam de comer as suas próprias fezes.

Ou seja a ausência de excrementos poderia significar que ela os tinha comido, mas sem estarmos sempre a olhar para ela como ter a certeza?

 

Basicamente passámos praticamente 48 horas a tentar hipnotizar a bicha para ela colocar o intestino a funcionar.

 

Mas se a parte da vigilância é extenuante, o que dizer da administração da medicação?

 

Seis medicamentos que a veterinária passou! Seis! Acho que nem eu nos meus piores dias tomei tanta coisa ao mesmo tempo.

 

E para melhorar quatro deles são feitos de manhã e à noite, para aumentar o nosso desespero.

Sim porque a Escovinha não acha muita graça a uma seringa com remédio, quanto mais seis todas seguidas. 

Da primeira vez demorámos uma boa meia hora a conseguir administrar tudo, agora com a prática já vamos sendo mais rápidos.

 

medicacao.jpg

 

 

Damos-lhe tramadol e meloxicam por causa da dor e da inflamação, Primperan e um manipulado de ranitidina feito na farmácia por causa do sistema digestivo, Cebiolon para compensar o défice de vitamina C enquanto ela se alimentar menos bem e para ajudar no processo de cicatrização, e Bactrim comoo antibiótico.

 

Dentro de alguns dias vamos receber o resultado do exame bacteriológico (quando esvaziaram o abcesso mandaram algum material para análise) para perceber se a bactéria é sensível ou resistente ao Bactrim; dependendo do resultado continuamos ou mudamos de antibiótico.

 

E quando eu pensava que já tinha passado por tudo, que mais nada me podia acontecer, eis que descubro que a Escovinha está a fazer poucos cocós e muito pequeninos. Isto deve-se ao facto de alimentar-se ainda com alguma dificuldade e a quantidade de alimento que ingere não ser a suficiente.

 

A solução? Dar-lhe uma "papa" da Oxbow, específica para casos críticos.

Cada saquetazinha custa uma pequena fortuna, e não dura para muito tempo. Mas o pior nem é o dinheiro, é que a "papa" tem de ser dada à seringa.

 

critical care.jpg

 

 

Pois estão a imaginar o drama que é dar um remédio com uma seringa de insulina.

 

Agora imaginem eu e o cara metade, todos cobertos duma nhanha verde, com uma seringa de alimentação na mão, a tentar alimentar a Escovinha como se ela fosse um autêntico bebé!

 

E ela a continuar a não querer colaborar. Supostamente os animais deviam adorar o sabor do produto.....só que não! Honestamente até eu fico agoniado com o cheiro a anis da mistela, por isso posso criticar a Escovinha por também não gostar por aí além?

 

Só peço é que as outras duas porcas não se lembrem também de ficar doentes, que ter de andar a tratar de três ao mesmo tempo era ensandecer-me em tempo record!

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