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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

04
Out17

Um cidadão de segunda


Há uns dias atrás, discutia-se no emprego o casamento homossexual. Não tinha sido eu a abordar o tema, esta tinha surgido devido a uma notícia entre as muitas que circulam na Internet.

 

Neste tipo de troca de ideias aprendi a ouvir primeiro as outras pessoas para perceber se vale a pena argumentar com o meu lado de pensamento ou se é preferível remeter-me ao silêncio. Infelizmente existem indivíduos que pela expressão corporal e linguística mostram-nos imediatamente que são inflexíveis ao diálogo, ou melhor, que não se importam de dialogar desde que a sua opinião basicamente atropele a dos outros. 

 

A discussão iniciou-se com a impossibilidade dos homossexuais casarem pela Igreja. Argumento para aqui, argumento para ali, parecia unânime que o casamento religioso deveria ser exclusivo dos heterossexuais. Afinal quem ama pessoas do mesmo sexo basicamente pega fogo se ousar entrar numa igreja; não me apoquentei com este raciocínio porque sabia que era uma batalha perdida mesmo antes de começar.

 

Estava mais preocupado se iria ouvir opiniões baseadas no sagrado conceito de família, que uma união deveria ser entre um homem e uma mulher - apesar de no local onde laboro após terem conhecido a pessoa com quem estou me terem dito que certamente eu deveria ser a mulher da relação. Andei estes anos todos enganado, a pensar que estava numa relação entre dois homens, não sei de onde é que apareceu a mulher entretanto.

 

A certo ponto o debate de ideias aborda o casamento civil. E um colega diz que não entende sequer para que é que os homossexuais querem esse casamento. Que não é preciso assinar um papel para ter regalias fiscais. Que ele está junto com a namorada há anos e também nunca se casaram.

 

Inspiro fundo.

 

Digo-lhe a ele - e a todos os outros - que se não se pretende casar é uma decisão dele. Porque ele sempre teve escolha, entre casar ou não casar. Os homossexuais até há pouco tempo atrás eram obrigados a não se casar; não havia nada por onde optar.

O cerne da questão não é se o casamento irá trazer benefícios fiscais ou não, não é se o amor verdadeiro precisa de um papel assinado para ser assumido perante os outros ou não.

 

O que tem de se perceber é que não pode, ou não deveria haver, cidadãos de primeira e cidadãos de segunda dentro de um mesmo país. A orientação sexual de alguém não deveria dar acesso a mais ou menos direitos - afinal falamos de algo que é inato a um indivíduo, por mais que certas pessoas queiram à força que seja considerada uma moda, ou um capricho de personalidade (!)

 

Talvez a grande maioria dos homossexuais nunca se queira casar. Mas acredito que a grande maioria queira poder dizer que a escolha foi sua, que pôde optar por não se casar, e não que foi algo imposto por uma qualquer sociedade que para o exterior se apregoa de tão moderna e igualitária mas por dentro continua a segmentar os seus cidadãos em castas surreais.

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