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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

21
Dez17

Triptofano : 1 | Brunch : 0


Somente alguém que me conheça bastante mal é que não sabe da mutação genética da qual eu sou detentor que ao invés de um me abençoou com quatro estômagos totalmente funcionais e de grande capacidade.

 

No domingo passado, após ter ido fazer o escape game com os colegas de trabalho - aquele em que miraculosamente conseguimos sair com todos os membros intactos sem ninguém ter começado a gritar histericamente - rumei com eles em direcção ao brunch do Grande Real Villa Itália, um hotel todo bonito em Cascais perto da Boca do Inferno.

 

Quando chegámos, os empregados foram muito afáveis connosco, sorriram-nos e encaminharam-nos para a nossa mesa. Obviamente que não me conheciam, porque caso já soubessem da minha fama tinham arranjado uma desculpa esfarrapada do género da cozinha ter sido invadida por baratas de outra galáxia, para não me aceitarem no restaurante.

 

É que ao contrário de muitos locais onde se paga e vem uma quantidade pré-definida de comida, que muitas vezes nem dá para encher a cova do dente, ali era regime buffet, ou como eu lhe gosto de chamar, regime "comer tudo o que se consegue aguentar sem vomitar".

 

Estão fartos de levar a vossa cara-metade a um destes restaurantes "coma tudo o que possa" e ficarem irritados por ela se contentar com um crepe chinês e meia concha de massa com frango?

 

Deixem-na em casa e levem-me a mim; além de ter histórias que garantem horas de entretenimento podem estar seguros que eu irei dar prejuízo ao restaurante!

 

Temos que admitir que o grande objectivo de ir comer a um sítio onde se pode reabastecer é ter a certeza que o dinheiro foi bem gasto.

Aumentámos o colesterol para 300 e sentimos duas veias coronárias a entupir naquele instante?

O que interessa é que os 12,50€ que nos saíram da carteira foram bem rentabilizados.

 

Mas voltando ao brunch propriamente dito.

Após uma empregada sorridente ter mostrado todas as estações de comida, comecei calmamente a abastecer-me de víveres.

 

Um dos meus segredos no que toca a ingerir o meu peso em comida é fazê-lo de forma tranquila.

Se começo a querer enfiar o dente em tudo ao mesmo tempo fico rapidamente stressado e o estômago contrai-se, reduzindo drasticamente o seu volume.

Por isso, calma e tranquilidade são as palavras de ordem.


Comecei então primeiro por uma sopinha, para forrar o estômago, um delicioso creme de couve-flor com amêndoa tostada.

 

WP_20171217_13_37_50_Pro.jpg

 

 

Depois, uma novidade que nunca tinha encontrado em nenhum outro brunch.

Uma estação de Poké Bowls!

Para quem não conhece, as poké bowls são um prato oriundo do Hawai com uma forte inspiração japonesa, já que a melhor forma de o descrever é como se fosse um sushi desconstruído.

 

Optei por uma poké de sabores mais tradicionais, com arroz, atum, alga e rabanete, juntando um toque fresco de manga.

 

Estava tão boa mas tão boa, que comi uma segunda também com atum, mas com abacate e um toque picante de malagueta.

 

Havia também a hipótese de comer bowls quentes com noodles, mas eu fiquei pelo belo do arroz.

 

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Nesta altura muitos de vocês se calhar já estavam preparados para ir para a sobremesa, mas eu ainda estava a aquecer.

Com a ajuda de um saboroso sumo de beterraba, muita água e um belo vinho branco passei para a secção seguinte, a das "coisas saudáveis".

 

Tomates confitados, uma reinterpretação da salada grega recorrendo ao uso do feijão verde (que eu pessoalmente comi mas não fiquei fã), uns wraps vegetarianos e outros com carne e umas mini-saladas com frutos secos, foram as minhas escolhas.

 

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Depois de ter tranquilizado a minha consciência com a ingestão de alimentos mais ou menos saudáveis, que me iriam garantir uma esperança de vida pelo menos até aos quarenta anos, decidi atacar a zona amarela, que para quem não sabe é zona onde se concentram todos os fritos.

 

Folhadinhos de chouriço, chamuças, peixinhos da horta, empadas, quiche, tacos para rechear com guacamole e enfeitar com muito queijo, tudo com uma uniformidade de tom amarelo - não percebo porque raio é que insistem em dizer que o amarelo é a cor da fome!

 

Para acompanhar uns belos de uns nachos que supostamente era para serem tirados para o prato. Só que como pinças nem vê-las acabei por trazer o saco todo - afinal entre despejá-lo para o prato ou trazê-lo para a mesa o resultado acabaria por ser o mesmo.

 

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Nesta altura os empregados do restaurante já olhavam para mim com um ar apreensivo, dando ordens furiosas para a cozinha para tratarem do reabastecimento de todas as secções que eu já tinha saqueado.

 

E de forma a não me desiludir a mim mesmo, fiz uma incursão às zonas que não tinha ainda visitado, resultando o meu prato num misto quente e frio.

 

De um lado umas batatinhas no forno (como eu adoro carbohidratos minha gente) acompanhadas por uma posta de salmão - sim não me enganei, o acompanhamento é a proteína no meu caso.

 

Do outro o belo do sushi, fresquinho e delicioso.

 

 

Para rematar uma salada fria de quinoa e romã.

 

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Confesso que quando coloquei a última batata à boca senti-me extraordinariamente cheio, mas ao lembrar-me que ainda havia sobremesa endireitei-me, chocalhei o estômago de forma a compactar o bolo alimentar que já lá se encontrava, e consegui libertar um espaço aproximado de 12% do volume total do meu estômago, que seria rapidamente preenchido.

 

Dois crepes, um com molho de chocolate e outro de baunilha, uma cornucópia com um recheio demasiado doce até para mim, uma panna cotta de frutos vermelhos, um tiramisú, um pastel de nata com uma colherada de nutella e um donut com um punhado de avelãs (só para a absorção dos açúcares simples não ser tão rápida) encerraram a refeição com chave de ouro.

 

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Como a minha foto neste momento já está divulgada em todos os hotéis das redondezas com o símbolo de proibido impresso por cima, posso ser honesto e referir as coisas negativas deste brunch.

 

A comida sim senhor muito boa, sem nada a apontar. Mas a organização, deixem-me que vos diga, que para um restaurante de um hotel de 5 estrelas é lamentável.

 

Primeiro que tudo não havia placas de identificação dos alimentos em lado nenhum.

Uma pessoa tinha que andar a tentar adivinhar o que é que estava a comer - o que para quem tem certas restrições alimentares não é de todo um jogo muito agradável de se fazer.

 

Em segundo havia falta de talheres nos locais onde eles eram necessários.

 

Não faz o mínimo sentido servirmos-nos de uma daquelas saladas em copinhos e termos que ir buscar uma colher à zona das sobremesas que fica na outra ponta da sala.

 

Ainda mais ridículo é colocarem na mesa uma colher de sobremesa que não entra na totalidade nos copos da dita cuja.

 

Ou a pessoa tem que se levantar outra vez para ir busca uma colher mais pequena na outra ponta da sala ou decide mandar as boas maneiras pela janela fora e usar o cabo da colher para raspar o fundo do doce. Que isto não estamos em tempos de desperdício!

 

Espero sinceramente que haja mudanças na forma como o brunch é servido, porque apesar de ter potencial para ser um dos melhores de Lisboa e arredores, não alcança o estrelato porque a experiência acaba por ser assombrada por estes pequenos detalhes, facilmente ultrapassáveis é certo, mas que não deviam existir num local que se pretende ser de calibre elevado, por assim dizer.

 

De qualquer das formas saí satisfeito e praticamente a rebolar, com o sentimento de missão cumprida por ter feito o meu melhor para conseguir rentabilizar o valor da refeição!

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