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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

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Como ser 20% mais feliz?

18
Ago17

Quem quer um religião?


Triptofano!

Sempre que vou ao centro comercial evito ao máximo os senhores que estão a vender cartões de crédito. Sei que é o trabalho deles mas como eu definitivamente não quero nenhum prefiro fugir à abordagem visto já ter tido experiências altamente constrangedoras que envolveram vendedores demasiado persistentes.

 

No entanto neste último ano acho que muitos desses vendedores mudaram-se de ramo e agora tentam que compremos uma qualquer religião. É a única forma que tenho para explicar o súbito aumento de angariadores religiosos a que tenho assistido e uma cada vez maior insistência (algumas vezes quase agressividade) por parte deles.

 

Não há dia que não vá para o trabalho que não me cruze com pelo menos um grupo, muitas vezes posicionados em locais estratégicos que obrigam a que a pessoa tenha de passar por eles. Perguntam se achamos que o sofrimento vai acabar, se os nossos entes queridos irão voltar um dia, acenam-nos com uma mão cheia de folhetos ao mesmo tempo que assumem que gostamos de ler, afinal quem é que não gosta de ler?

 

No trabalho já fui convidado por clientes a ir a convívios, partilhar experiências, descobrir a palavra, ao mesmo tempo que me perguntam se posso trocar por notas sacos cheios de moedas resultantes dos donativos dos membros da fé.

 

Quando vou para casa na rua principal existem pelo menos três novas igrejas não convencionais (não convencionais para mim claro) sempre com a referência a Irmãos ou a Filhos ou a Primos de qualquer coisa no nome, com montras de fazer chorar de vergonha muitas lojas de luxo, sempre com música extremamente alta a tentar atrair mais um cordeiro tresmalhado. Quase sempre com alguém muito sorridente à porta a convidar para entrar.

 

Que fique claro que para mim é indiferente a fé que cada um tem, existe liberdade religiosa e cada um deve gozar da mesma. No entanto não sei até que ponto esta cruzada de conversão religiosa dos tempos modernos não está a tomar proporções assustadoras. Sempre pensei que deveria ser a pessoa a procurar a religião e não a religião a quase a arrastar a pessoa. Além de que as notícias que relatam intolerância, segregação e ludibriação monetária dentro de certas organizações religiosas faz com que cada vez fique mais desconfiado relativamente às mesmas.

 

Apesar das minhas reservas tenho a perfeita noção que cada vez mais pessoas abraçam estas novas formas de contacto com o divino. Só me pergunto se a longo prazo os juros deste cartão de crédito religioso não vão ser impossíveis de pagar!

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