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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

29
Jul17

Prazer a Três


O prometido é devido. Ontem revelei que tinha preparado um post sobre conversas sexuais com a minha mãe e como acho que é um tema que qualquer indivíduo mentalmente saudável deve abordar (de forma anónima claro) num blog público então vamos a isso.

 

Primeiro que tudo tenho a dizer que acho bastante constrangedor falar de sexo com os meus pais. E quem diz falar, diz ouvir, ou ver, ou outra coisa que esteja relacionada com o acto. Como aquelas alturas em que estamos a visualizar um filme chatíssimo de três horas e meia sobre o conflito bélico entre os Estados Unidos da América e o Vietname e no preciso momento em que a nossa mãe entra na sala para nos oferecer um lanchinho o ecrã da televisão começa a transmitir algo que poderia estar a concurso para melhor Curta Pornográfica Amadora 2017. A nossa mãe olha para nós, nos olhamos para ela, ela olha para o televisor e no fim não há lanchinho para ninguém.

 

 

Há uns dias atrás estava a almoçar com a minha adorada mãe e a tentar perceber como é que poderia colocar três quartos do meu cérebro em hibernação, já que os últimos 45 minutos tinham sido um monólogo da parte dela acerca de como o Paulo Futre era tão charmoso e que de certeza que não precisava de Libidium Fast coisa nenhuma.

 

A certa altura ela decide mudar de conversa e começa a falar sobre tratamentos de radioterapia. Ligeiramente mais depressivo mas pelo menos era um tema de conversa no qual eu poderia emitir uma opinião que não se cingisse a um esgar de desespero. Ora conta-me a minha mãe que certas senhoras quando têm tumores na zona genital e fazem tratamentos de radioterapia têm de usar um dildo para evitar que as paredes da vagina colapsem e não se colem uma à outra.

 

Têm de usar o quê? - pensei eu enquanto me engasgava com uma batata assada!

Como raio é que a minha mãe sabia o que era um dildo? Sei que as pessoas não são ignorantes mas com quase 70 anos nunca pensei que ela conhecesse o termo, vibrador já considero do conhecimento geral, agora dildo? Talvez tivesse lido algures e retido a palavra sem perceber o seu significado.

 

Percebi que estava errado no segundo seguinte quando ela começou a dissertar sobre o material do dildo, o tamanho do dildo, que também poderia ser usado um vibrador mas que não era necessária a componente de vibração. E eu só pensava

 

A minha mãe tem um brinquedo sexual. A minha mãe vai falar do seu brinquedo sexual. A minha mãe vai trazer-me o brinquedo sexual e pedir para eu lhe tocar e eu não tenho gel desinfectante aqui ao pé. A minha mãe vai querer mostrar-me como usa...

 

neste momento do pensamento esbofeteei-me porque estava a chegar a um ponto de não retorno. A minha mãe ignorou porque há muitos anos que pensa que eu devo sofrer duma forma ligeira do Síndrome de Tourette.

 

Enquanto esfregava o meu rosto recém-agredido a conversa mudou para a percepção que ela tinha das mulheres que usam brinquedos sexuais.

 

Não concordo que uma mulher que esteja num acto sexual com um homem use um brinquedo - dizia ela. Se eu fosse homem ia-me sentir uma nulidade se a minha mulher tivesse que se satisfazer com um terceiro elemento.

 

Encarnei a Marta Crawford que há em mim e expliquei-lhe que a opinião dela era ligeiramente machista já que os homens não tem que ser etiquetados como os mestres do orgasmo e que isso apenas aumenta a pressão sobre os mesmos. Que o mais importante é haver comunicação, que um brinquedo sexual é uma óptima forma de fugir à rotina além de permitir explorar mais e melhor o prazer não só da mulher como do homem. Que em pleno 2017 não há razões para sermos sexualmente insatisfeitos se há tantos recursos que podemos usar harmoniosamente enquanto casal.

 

Pois,- teimou ela - mas eu acho que se realmente querem usar que usassem o brinquedo quando o homem acabasse o trabalho e saísse do quarto. Assim ele não se sentia mal.

 

Não pude de soltar uma ligeira gargalhada e dizer-lhe que se ele voltasse ao quarto e encontrasse a mulher a acabar o serviço com uma ajuda externa então se calhar é que a auto-estima dele ia pelo cano abaixo.

 

Então que continuem com o marido mas arranjem um amante por fora que saiba fazer melhor o trabalho se não estão satisfeitas.

 

Percebi naquele momento que a minha mãe teria dado uma péssima terapeuta sexual mas uma óptima comentadora de um qualquer programa das tardes da TVI.

 

Já que estamos a falar sobre isto e antes que me esqueça - recomeçou a minha mãe olhando-me com uma expressão de infinita bondade - quando lá fui a tua casa encontrei um vibrador azul dentro de uma gaveta e aproveitei para tirar-lhe as pilhas e enfiei-as num saquinho. Ouvi dizer que elas podem rebentar e não queria que quando o fosses usar descobrisses que estava estragado.

 

Fiquei sem pinga de sangue.

 

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