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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

18
Set17

O poder do buffet


Não sei se acontece apenas comigo mas um buffet exerce sobre a minha pessoa um poder que só posso classificar como paranormal.

 

Confesso que sou um bom garfo, ou seja como bastante bem, infelizmente para o meu perímetro abdominal não sou daquele tipo de pessoas que com meia dúzia de grãos de arroz e um punhado de ar aromatizado fica saciado.

 

Quando vou a um restaurante à la carte escolho uma entrada (se esta tiver bastante bom aspecto porque senão não como apenas por comer), uma dose bem servida dum prato que me apeteça naquele dia - nada de meias-doses, tremo só de ouvir esse termo - e se estiver particularmente guloso a sobremesa mais doce que existir nas redondezas. Ora isto é suficiente para me fazer sair do restaurante literalmente a rebolar, por isso acho que não me posso classificar como poço sem fundo.

 

Porém, aquando a presença dum buffet, existe uma dilatação inexplicável do meu estômago porque de um momento para o outro parece que tenho capacidade de enfiar quantidades indescritíveis de comida dentro dele. Ou isso ou numa estranha reviravolta evolucionista que nem Darwin conseguiria explicar o meu sistema digestivo evolui por breves horas para o de uma vaca, ficando eu munido de quatro estômagos.

 

Não se come sopa desde o Natal passado? Se houver no buffet come-se, repete-se e ainda se vai buscar um pãozinho para molhar naquele restinho que temos demasiada vergonha em sorver diante das outras pessoas!

 

18 variedades diferentes de entradas? Se não se conseguir enfiar tudo num prato coloca-se em dois, que isto de uma pessoa levar um, comer e voltar para encher de novo é uma perda de tempo. Salada de grão e bacalhau ao pé de croquetes de alheira e de banana pão frita tudo envolto no molho cocktail dos camarões que atacámos sem dó nem piedade poderia ser algo a que torceríamos o nariz se nos apresentassem num restaurante à la carte, mas no mundo do buffet tudo é permitido, e a promiscuidade de sabores não é olhada de lado!

 

Queremos carne, peixe ou vegetariano? Na realidade a pergunta é saber o que se coloca onde na pilha de comida que levamos para a mesa. A carne com batatinhas assadas vai em cima ou no meio? O peito de frango com arroz thai equilibra-se na posta de pescada com legumes a vapor que em casa não comemos mas subitamente parecem tão apetitosos? Criticámos de morte aquele colega vegetariano que impediu que o jantar de anos da empresa fosse no rodízio de picanha mas enfiamos cuscuz de beringela dentro do macarrão com queijo com a perícia dum acrobata de circo chinês.

 

Tudo isto me aconteceu quando me aproximei do buffet do Pestana Equador no Ilhéu das Rolas. Todo o bom senso que havia em mim foi atirado ao mar e com um tijolo agarrado à perna.

 

Mas o pior foi na sobremesa. Podia já estar cheio que estava; podia não aguentar mais nada que não aguentava, mas ninguém me ia tirar o meu direito de enfardar sobremesa. E lá fui eu, meio andando meio rebolando encher o prato com pudim, tiramisù, doces não identificados mas que não ia perder a oportunidade de provar, uma tacinha de mousse de chocolate, entre outros perigos para a minha futura diabetes. E foi aí que vi um cacho de bananas pequeninas tão bonitas, tão perfeitinhas que não resisti. Sonhando logo no quão deliciosas elas deviam ser, equilibrei o prato das sobremesas numa mão, e com a outra comecei a puxar uma das bananas.

 

Puxei mas a desgraçada não se queria soltar do cacho. Desisti e peguei noutra banana, puxei e voltei a puxar e nada. Já meio chateado, pousei o prato na mesa porque a gelatina estava perigosamente a querer saltar para o chão e lancei-me sobre outra banana indefesa. Estava eu a meio da minha operação quando um empregado vem muito solicitamente mas ligeiramente com ar de pânico na minha direcção e diz-me:

 

Se o senhor quiser bananas tenho todo o gosto em arranjar-lhe algumas. Mas deixe as de exposição se faz favor, é que são de plástico!

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