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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

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30
Jul17

O peso da minha mochila


Triptofano!

Há algum tempo atrás, não sei precisar quanto, encontrei um post de uma blogger que fazia uma analogia entre o peso dos problemas que carregamos aos ombros todos os dias e o de uma mochila que usamos quando realizamos uma caminhada.

 

Segundo ela a caminhada seria mais difícil quanto maior fosse o peso da mochila e que era da nossa responsabilidade optar sobre o que devíamos ou não por dentro dela. Defendia também que não devíamos pedir ajuda a terceiros para a carregar. É a nossa mochila, os nossos problemas, por isso nós é que temos de aprender a lidar com a situação.

 

E eu fiquei a remoer naquela história. E não consegui perceber de imediato porque é que me tinha deixado tão afectado. Só hoje é que se me deu o clique e não consigo entender porque razão não o tive antes de tão óbvio que era.

 

 

Para mim a analogia da mochila e dos problemas é uma grandessíssima TRETA. Ou talvez o meu problema não seja com a analogia em si mas a forma como ela foi apresentada, que me leva a discordar veemente de alguns pontos.

 

Primeiro que tudo nem sempre somos nós que escolhemos o que devemos ou não devemos colocar dentro da mochila. Eu posso decidir que nem sequer quero usar mochila mas e se por exemplo um familiar meu ficar gravemente doente? Faço o que? Ignoro a situação porque na minha mochila não quero problemas nem tristezas? Claro que não devo tomar as dores dele de tal forma que seja como se fosse eu a pessoa doente, mas a meu ver quando amamos alguém é natural que nos preocupemos com os seus problemas e que eles passem a fazer parte da nossa vida.

 

Em segundo, e isto é que desencadeou o meu estado quase de revolta, nós não temos que carregar a mochila sozinha coisa nenhuma. Passei anos a fazê-lo, a acumular tristezas e problemas, sempre com o pensamento idiota que eu deveria resolver as coisas por mim, que eram coisas que só a mim deviam dizer respeito e que ninguém ia estar disposto a ouvir os meus desabafos. Que os amigos serviam era para os momentos divertidos e que era desrespeitoso da minha parte estar a massacrá-los com os meus assuntos quando eles também tinham a sua vida.

 

Não se carregam mochilas sozinho!

 

Temos amigos e família (e às vezes até perfeitos desconhecidos) que podem partilhar o peso connosco. Não devemos estar acorrentados ao pensamento do "vão achar que sou chato ou que me estou sempre a queixar" porque isso é apenas um medo irracional que temos de que nos neguem o conforto que tanto precisamos. E se alguém nos recusar esse apoio então é porque essa pessoa não pertence à nossa vida como nós não devemos pertencer à dela.

 

Quando fazemos parte da vida de alguém - mas fazer parte de verdade, não apenas para aparecer nas publicações do facebook ou do instagram - trocamos de mochilas para descobrir que ao darmos algum peso da nossa ficamos com muito mais força para transportar algum peso da do outro. Isto não implica deixarmos a nossa mochila no chão e esperar que alguém a leve, significa apenas que os problemas vão ser sempre parte da nossa vida, mesmo que tentemos ao máximo fugir deles, e que a única forma de eles não nos fazerem afundar nas areias movediças em que por vezes a vida se transforma é pela partilha, pela ajuda e fundamentalmente pelo amor que podemos dedicar aos outros e que devemos estar receptivos para nós próprios recebermos.

 

Hoje já não me iludo a pensar que sou uma espécie de super-homem que consegue transportar uma mochila com uma tonelada de pedras lá dentro.

 

É muito peso para a minha mochila.

 

Mas tenho o maior dos prazeres em carregar um pouco da vossa.

 

 

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