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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

25
Jul17

Hora do Remédio


Não tenho filhos mas nos últimos dias passei a dar muito mais valor ao que os pais deste mundo fora passam na hora de dar medicamentos às suas crias. Quando em conversa com amigos que já tinham filhos estes me contavam que era sempre um terror a hora de dar o xarope à criancinha eu achava que eles é que estavam a ser uns grandes nabos e não percebiam nada do assunto. Pensava eu que era algo simples do género falar com a criança, explicar-lhe a necessidade de ela abrir a goela e engolir o remédio sem grande fita e pronto, assunto arrumado. Comigo não haveriam birras, nem cuspidelas, nem vómitos em catadupa.

 

Claro que engoli as minhas palavras.

 

Cá em casa além de mim e da cara metade vivem três donzelas que são na realidade umas porcas. Isto porque são porquinhas da índia, mas é-nos mais fácil chamar-lhes de porcas quando nos queremos referir a elas como conjunto. Individualmente respondem (a maior parte das vezes fingem que não ouvem mas pronto) pelos nomes de Escovinha, Priscila e Láska. Há uns dias atrás, durante uma sessão de festinhas e resmungos (são muito resmungonas estas porcas) descobrimos um pequeno caroço nas costas da Priscila. E fizemos aquilo que nunca nenhum pai deve fazer, ir à Internet. Depois de duas horas de choro convulsivo da minha parte devido a todos os diagnósticos que sites pouco fidedignos me davam, a cara metade (que é ligeiramente mais calma do que eu nestas situações) decidiu que era melhor levar as três ao veterinário. Já fazia quase um ano desde a última vez que tinham feito um check-up por isso despachava-se já o assunto.

 

Fomos à veterinária e enquanto ela andava de volta das meninas eu ingenuamente expressei a minha preocupação relativamente à Laska, porca que a meu entender era demasiado selectiva com os alimentos e não comia quase nada. Ao que a veterinária me responde

 

Não come quase nada? Não parece, visto que está obesa!!

 

Desculpe lá mas o IMC da doutora também não está assim fenomenal, não é que eu ande ai a julgar as pessoas pela rua mas também não quero que a doutora fale assim da minha porca. Ela pode estar gorda mas cresce num ambiente onde lhe ensinamos que o físico não é tudo e que os sonhos dela estão à distância da sua ambição!

 

- pensei eu extremamente indignado, apesar de da minha boca só ter saído um Ah pois realmente... enquanto me recriminava por ser um pai negligente que devia ter-se controlado na altura de dar snacks.

 

E elas devem comer imenso pimento, reparei que estão todas vermelhas na parte debaixo do pêlo.

 

Pois comem, e hão-de comer todo o pimento que quiserem porque gostam, e hei-de-lhes dar pimento até elas ficarem engasgadas e ninguém tem nada a ver com isso.

 

- pensei já preste a saltar-me a tampa, ao mesmo tempo que olho para a cara metade e vejo que ela está impávida e serena e percebo que estou a criar drama a mais na cabeça e ainda bem que não respondi porque a pergunta era claramente retórica.

 

Saímos do consultório com um diagnóstico de tricofoliculoma e uma prescrição para anti-inflamatório em solução oral. A veterinária deu-nos também os parabéns por sermos uns pais tão atentos e termos detectado o problema ainda muito no início, o que me encheu de orgulho e fez-me dar graças por não ter espetado antes um tabefe na cara da veterinária.

 

A doutora explicou-nos como dar o xarope à Priscila. Facílimo segundo ela. Básico pensei eu. Vão ver como se lixam pensou certamente a Priscila.

 

Primeiro temos que a arrastar para fora da gaiola. Ela deve ter um sexto sentido e adivinha quando é altura de lhe darmos o remédio. Tentámos suborná-la com salsa mas isso não funcionou. Depois de a termos no colo temos de descobrir onde está a boca dela, que de alguma forma ela parece conseguir sempre tornar inacessível. Por fim fazer com que ela abra a boca para colocarmos a seringa e dar o anti-inflamatório. Durante todo este processo é vê-la a espernear, a guinchar, a tentar morder-nos os dedos.

 

A única coisa que me consola é ela não conseguir cuspir o remédio na minha cara!

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