Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

11
Jan18

Como destruir uma cozinha em 5 minutos


É do conhecimento geral que eu adoro comer. Um dos meus maiores prazeres é sentar-me à mesa e regalar-me com as iguarias que me colocam à frente.

 

Porém, a minha capacidade de cozinhar é inversamente proporcional à minha vontade de comer. Todos os que me conhecem sabem disso, mas eu volta e meio gosto de desafiar o statu quo, e é assim que as desgraças acontecem.

 

Ontem, o cara-metade tinha de fazer um trabalho para entregar até à meia-noite, e eu, qual namorado adorável, ofereci-me para fazer o jantar de forma a ele não perder tempo com a elaboração do mesmo.

 

Liguei a Bimby e comecei a fazer umas pataniscas de grão-de-bico, uma receita extremamente simples onde era praticamente impossível algo correr mal.

 

E não correu.

 

O problema foi quando a minha pessoa se decidiu a fazer massa.

 

Sim, leram bem, massa, esse prato de extrema complexidade que apenas os chefs de cozinha mais experientes se atrevem a fazer.

 

O meu primeiro grande erro foi achar que não precisava da Bimby para nada! Ah, isto é coisa que eu faço num instante numa panela, pensei eu.

 

Peguei numa pequenina, coloquei em cima do bico maior do fogão, e fervi água numa chaleira, já que a meu ver existe uma maior poupança energética se a água já vier quente quando a coloco na panela em vez de a aquecer directamente no bico.

 

Quando começa a ferver, pego na chaleira, cheia até ao topo, e transfiro a água para dentro da panela. Só que durante esta acção metade da mesma cai no chão.

Ignoro, pego no isqueiro e acendo o bico, para continuar o aquecimento da água que conseguiu cair no local devido.

 

Vou então buscar um daqueles panos amarelos de cozinha, e quando me agacho para limpar o chão molhado, reparo que a panela não está bem centrada em cima da chama, o que na minha óptica faria que o processo de aquecimento não fosse tão eficiente.

 

Olho para o recepiente metálico e penso que talvez já esteja muito quente por isso agarrar nele com as mãos nuas estava fora de questão.

 

As pegas de cozinha estavam debaixo de meia dúzia de aventais e não me apetecia tirar tudo do sítio, as luvas de forno não eram do meu agrado porque me tiravam a sensibilidade, não havia nenhum pano de tecido à vista, a única coisa que estava ali à mão de semear era um pedaço de rolo de cozinha que tinha cortado para ir limpando as mãos. Peguei nele e usei-o para proteger-me do eventual calor que a pega pudesse emanar.

 

E claro que lhe deitei fogo. 

 

A minha primeira reacção quando vi o papel a arder foi mandá-lo para o chão.

 

Em pânico aproximei-me dele e constatei horrorizado que ele não se estava a extinguir, continuava lentamente a propagar-se.

 

Soprei devagarinho mas arrependi-me logo - e se alguma faúlha se libertasse e propagasse o incêndio? Não havia nenhum pano perto para poder bater no fogo (se houvesse esta situação tinha sido evitada no início).

 

Pensei em despejar água em cima dele mas lembrei-me que nos filmes há situações que o fogo ainda se descompensa mais após este gesto - lembrava-me que havia alguma particularidade para isto acontecer mas como não sabia qual era não quis arriscar.

 

Ainda ensaiei pisar o papel como se fosse uma beata gigante - mas e se o fogo se propagasse à minha pantufa e todo eu começasse a arder?

 

Só havia uma decisão acertada naquele momento!

 

Ó AMOOOOOOOOOOOOOORRRRRRRRR.

Podias vir-me aqui ajudar RÁPIDO sff?

 

Felizmente o cara-metade soube como agir, basicamente calcou o papel que já se tinha quase extinguido naquela altura do campeonato, e para minha felicidade o pé dele não irrompeu em chamas.

 

Suspirei de alívio e pensei que naquela altura poderia terminar o jantar pacificamente.

Eis que o cara-metade espreita para dentro da panela da massa e pergunta se eu tinha colocado alguma erva aromática.

 

E eu que não, não o tinha feito.

 

Pois que haviam coisinhas pretas a boiar. Pensei que talvez fossem pequenos pedaços de papel que tivessem voado lá para dentro quando ele extinguiu o fogo à pisadela. Ou teria-se dado alguma reacção molecular entre o azeite e o fumo do incêndio que tivesse levado à solidificação do primeiro?

 

Após melhor observação o cara-metade informou-me que eu estava a tentar envenená-lo com gorgulho!

 

Ao que parece aquele pacote de massa tinha sido atacado por uma infestação que tivéramos alguns meses atrás, e tinha-nos escapado.

E eu contente da vida, nem sequer me lembrei de verificar se ele estava em condições, visto ser antigo e estar aberto.

 

Numa questão de 5 minutos consegui uma inundação, um incêndio e uma contaminação microbiana.

 

Não é para todos!

25 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D