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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

21
Out17

Baco está ofendido.


Olá!

Eu, o cara-metade, voltei. Espero que estejam todos bem desde que partilhei convosco o nome das mais impronunciáveis folhas comestíveis que há em África! Quem já utilizou Cêlo-sum-zon-maiá põe a mão no ar

 

Mais uma vez a convite do meu querido Trip – mesmo que ele não quisesse, cá estaria eu uma vez que não consigo conter em mim toda a euforia – venho-vos contar a minha epopeia de quando decidi procurar e participar num Workshop de Iniciação à Prova de Vinhos!

 

Sendo Portugal um dos países que melhores vinhos produz no mundo e estando eu – como sabem – demasiado interessado nas lides gastronómicas, tive que - por uma imensa curiosidade que em mim já não cabia e ainda pela preocupação em bem casar o vinho com comida (e alguma vergonha por ser um leigo na matéria) – procurar alguma formação em pomadas de uva.

 

Pasme-se o leitor se achava que este ia ser um texto claramente elucidativo, com o objetivo de criar em si um Enólogo e de lhe dar todas as respostas que ainda Baco hoje procura. A Enologia e a prova de vinhos são parte de uma ciência, como tal, com necessidade de exposição à experiência e à diversidade de conhecimentos e matérias que em si encerra.

 

Para quem como eu conhecia apenas o vinho branco e o vinho tinto e possuidor da eloquente certeza de que o vinho branco se casa com peixes e o tinto com carnes e ainda que carrascão era o vinho que os bons apreciadores não gostam de beber, pude desde logo perceber que afinal não percebia mesmo NADA! Zero, nicles, niente!

 

 

Vamos às lições aprendidas:

 

#1Aprendi que os vinhos se dividem em tintos, rosados e brancos e não, o vinho rosé não é uma mistura de ambos. É um vinho cuja fermentação foi interrompida ao fim de alguns dias e ainda – pasmem-se – que há vinho rosé tinto e branco. Pronto, confusão aumentada.

 

#2 Dentro dos vinhos brancos e tintos há ainda os tranquilos e os espumantes que podem ser secos, meio-doces ou doces, consoante a concentração de açúcar por cada litro de vinho seja inferior a 10g/l, de 10-30g/l ou superior a 30g/l, respetivamente (pronto, comecei a ficar nervoso nesta altura).

 

Ora, é importante nesta fase frisar de que sou ABSTÉMIO! Ou seja, não bebendo álcool, tudo isto fica mais difícil. Mas tudo em prol do conhecimento e, portanto, vamos lá continuar porque afinal provar é diferente de beber.

 

#3 Beber é um ato de puro prazer em que podemos dizer se gostamos ou não de um determinado vinho. Provar, porém, aprendi, já é muito mais complexo: é uma análise organolética, geral, que integra uma crítica a um vinho tendo em conta as suas caraterísticas, os seus defeitos, o seu perfil, a sua composição e processo de vinificação (como da uva se fez vinho) no fundo uma avaliação global das suas caraterísticas.

Apesar de nervoso perante a extensão da ciência, a verdade é que 2h passaram com muitos destes conceitos a bailar no meio da sala, com tudo a fazer muito sentido. Tudo, e eu, exímio estudante, tudo percebia e apreendia enquanto os copos me fitavam com esta imponência:

 

IMG_20170930_145647_HDR.jpg

 

#4 No final deste tempo e com um intervalo para organizar ideias voltámos para a prova propriamente dita. A ideia seria, como fomos preparados, a de executar uma análise visual, olfativa e gustativa ao vinho, começando com os tintos (que estavam diante de nós desde o início do curso) e terminando com os brancos, descrevendo as suas cores, os seus aromas, a presença de taninos (adstringência), acidez e amargor, enfim…

Assim fiz.

 

 

#5 Sob o olhar atento do formador, íamos provando e eu, claro, cuspindo o vinho (que não configura má educação quando se trata de um workshop de iniciação à prova de vinhos). O problema, pasmem-se, é que em 40 pessoas eu era o único a fazê-lo. Senti o silêncio e o ar condicionado a dispersar-se pela sala quando cuspi o vinho: que audível cuspidela, ingrata, excelsa e por mim menosprezada. Obviamente que recolheu dos demais formandos a maior reprovação moral e não-verbal.

A verdade é que estávamos ainda no primeiro copo. Seguiram-se mais seis e muitos mais conceitos continuavam a bailar, com um ritmo e um movimento pendular crescente. Esta é, para que comprovem, a última página dos meus apontamentos que bem ilustra a maior rapidez do meu pensamento do que a da minha escrita neste ponto do Workshop:

  

caderno.jpg

 

Confesso: necessito agora de um psicólogo forense para a reconstituição dos meus pensamentos. Líchias, Francesinhas do Cardoso, Talho do Caniço, vinho novamente, ......

Pior, vinha lá mais:

 

IMG_20170930_174049.jpg

 

 

Quando terminou, agarrei na minha amiga e pedi, com a urgência de quem se abate a olhos vistos, para irmos comer. Era imperativa a destruição de três chamuças, um croquete e duas coxinhas de frango. Era Baco que se ofendia, pela certa, e que saltava de cólera. O vinho era demais e só me lembro de terem rematado com a frase: usem também vinhos brancos com carnes e tintos com peixe.

 

 

Pronto, agora é que decisivamente não percebo mesmo nada!

Cara Metade

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