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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

08
Out17

Amor


If you can't love yourself, how in the hell you gonna love somebody else?

 

Correndo o risco de me inserir num cliché mas há poucas séries que me dêem tanto prazer visionar como a RuPaul's Drag Race. Abreviando para quem não conhece a mesma, trata-se de uma competição onde se procura o carisma, singularidade, coragem e talento de uma drag queen, para suceder ao título de "America's Next Drag Superstar", estando a apresentação a cargo de umas das drag queens mais famosas de sempre, RuPaul.

 

É também RuPaul que no fim de cada episódio evoca o mantra com que inicio este post, e durante anos sempre o vi como uma referência ao Body Positive, um movimento que encoraja as pessoas a amarem e a aceitarem os seus corpos, mesmo que eles não se encaixem no padrão de beleza vigente, porque afinal a beleza é algo bastante subjectivo.

 

Só há pouco tempo percebi que este amor por nós mesmos não se prende somente ao lado físico.

Como saberão, as relações, sejam elas de que tipo forem, são interacções complexamente frágeis, que necessitam de ser constantemente alimentadas para não mirrarem e morrerem. Infelizmente como somos seres humanos perfeitamente imperfeitos, há alturas que erramos, que dizemos aquela palavra que deveríamos ter calado porque não era sentida, que temos um gesto mais brusco por falta de paciência com a vida, que descarregamos sobre a pessoa que mais amamos porque no fim de contas é ela que está mais a jeito, mesmo que saibamos o quão errado isso é.

 

Normalmente depois destes desvios comportamentais pesa-nos a consciência; sim, pasmem-se muitos ao ler estas palavras, ainda há quem tenha consciência.

E é aqui que muitas vezes não sabemos como nos podemos voltar a amar.

 

Mesmo que a pessoa que foi vítima da nossa crueldade nos perdoe, nos diga e volte a dizer que não há problema, que são coisas que acontecem, que todos temos momentos que nos arrependemos de uma forma ou de outra; são nestas ocasiões que a falta de orgulho nos nossos actos nos impede de amar a outra pessoa.

Porque não nos sentimos dignos desse amor.

E quanto mais o outro lado perdoa, reconforta, acarinha, mais nós nos fechamos sobre nós mesmos, porque não conseguimos compreender como é que alguém nos ama tanto quando nós sentimos uma mescla de vergonha e nojo dos nossos actos.

 

Por vezes esta incapacidade de nos perdoarmos instantaneamente leva a que do outro lado haja uma fricção ainda maior.

Afinal se nos perdoam, se nos amam, se nos asseguram que tudo está bem, que mais queremos nós? Porque não conseguimos olhar de frente quem nos dá a mão, porque é que os nossos lábios se cerram ao ouvir as palavras acetinadas de quem está a meio metro de nós?

 

O amor é belo mas exigente, e quanto maior o amor que sentimos maior é a exigência a que nos sujeitamos.

Por isso quando erramos tendemos a castigar-nos em nome do amor. A auto-mutilar-nos na profundidade das nossas sinopses.

Até ao momento em que nos conseguirmos perdoar e voltar a acreditar que somos merecedores do amor que alguém nos entrega de coração aberto.

E só nesse momento é que estamos prontos para voltar a amar.

 

 

 

O LEITOR DECIDE.png

 

 

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