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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

25
Set17

A Cozinha Leve Leve


Olá! 

A convite do Exmo. Triptofano, sou eu – o cara-metade – quem vai fazer o post de hoje a propósito da nossa (rica) visita, como já sabem, a São Tomé e Príncipe. Da viagem, dá-vos ele conta: dos hóteis, das praias, das gentes, enfim… Uma experiência única da qual, ele, não vos deixará faltar prosa!

 

Já eu, num registo mais guloso, ah, Eu… Falemos de matabalas, pau-pimenta, temperos, muzongué, calúlú, fruta-pão, esparregado de lússúa, molho de fogo, bananas – pão, ouro, Gran Machel, maçã, prata… todas - enfim… falemos um bocadinho da alquimia e da alma que encontrámos na culinária santomense. Uma certa magia que liga a natureza ao prato, resultado de anos e séculos de miscigenações étnicas e mutações botânicas conseguidas a expensas do leve-leve que carateriza a ilha, da calma na pesquisa e de utilização da natureza no equilíbrio do corpo e do espírito (as caixas de primeiros socorros santomenses, acreditem ou não, precisam de ser regadas e catalogadas com tanta folha e utilização que para lá vai!); e, falemos, claro, da introdução de novos aromas na cozinha do dia-a-dia.

 

Algumas destas utilizações resultam de anos de utilização em calúlús, feijoadas da terra, sôôs ou molhos da culinária típica de São Tomé. Da humildade e da honestidade com que os santomenses põem a comida na mesa, ainda que cheia de sabor. E a resposta é breve: “Porque sempre fizemos assim”. Outras nascem da adaptação de novas receitas aos ingredientes locais dos novos atores da cozinha santomense (como a combinação de chocolate, banana e erva mosquito do João Carlos Silva com os chocolates únicos do Cláudio Corallo). Todas elas, porém, com um potencial de fazer chorar por mais, foram provadas e aprovadas por mim e vou partilhar algumas convosco!

 

Mikókó

 

A folha e a flor do Mikókó, com uma ligação convencionada pelos santomenses aos mesteres afrodisíacos, que tivemos oportunidade de provar numa das famosas omeletes da terra, é de um potencial aromático incrível e talvez a mais utilizada pelos santomenses! Podemos dizer que os orégãos estão para os italianos como o mikókó está para os santomenses. Conhecemo-la (quem conhece!) em Portugal como alfavaca (!), pertence à família do manjericão, e pode ser usada fresca ou seca.

No mercado de São Tomé não há vendedora que se preze que não tenha um bom molho desta erva para vender por poucas dobras, tal é a sua profusão na mata crioula.

Uma das formas em que a experimentamos, para lá das suas utilizações na feijoada à moda da terra, no calúlú, foi numa simples omelete! Só por introduzi-la na sua preparação, com peixe seco para ser mesmo local, ou não, passamos a ter a famosa omelete da terra, aqui servida com fruta pão frita, búzios-de-mar e pimpinela com cêlo-sum-zon-maiá!

 

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Lússua

 

Semelhante ao espinafre em termos de tratamento, a lússua é uma erva bem aromática que pode servir para um esparregado de requinte ou simplesmente salteada. O óleo de palma tem de acompanhar para saber a local, no entanto, é bastante versátil! Aqui vem acompanhada de uma espetada de atum, barracuda e espadarte e arroz com flor de mosquito.

 

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Folha e flor mosquito

 

A fiá mesquito é de uma subtileza incrível. Provámo-la com banana num ceviche reinterpretado pelo João Carlos Silva (que muito surpreendeu, também, pelo azeite baunilhado!) e ainda no arroz que já vimos acima. E mosquito porquê? Precisamente porque a sua folhagem é muito semelhante a este inseto! Pese embora a chatice que tais criaturas representem numa viagem deste tipo (eheh, eu safei-me!!), esta folha foi outra das grandes descobertas 

 

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Cêlo-sum-zon-maiá

 

Ou coentro selvagem. Se nada como um pato, se grasna como um pato, se voa como um pato, então, só pode ser um pato… É o caso deste coentro! Com um cheiro exatamente igual aos coentros que estamos habituados, faz parte do espólio aromático presente na gastronomia do dia-a-dia santomense. Com a diferença de que é, vá lá, fisionomicamente (totalmente) diferente! As duas vezes que provei cêlo-sum-zon-maiá foi na mata, quando o encontrei e conheci com a ajuda do Gaspar, o nosso guia local, e a segunda quando comíamos um creme de fruta-pão com esta folha de guarnição. É incrível o seu sabor.

Imagem retirada de http://oestadodacozinhaportuguesa.blogspot.pt/2011/02/alguns-produtos-de-stome.html

 

Haveria muito, muito mais para vos contar sobre a gastronomia que ali encontrámos. Mas tanto que não acreditariam! Eu próprio ainda estou a digerir muitos nomes e, … resta saber como é que vamos fazer para encontrar as folhas todas quando delas precisarmos!

 

Triptofano, tens alguma ideia ? 

 

Um abraço!

 

P.S: Por insistência do Trip (como até eu carinhosamente já lhe chamo) deixo aqui o meu Instagram caso haja alguém com curiosidade em seguir os meus desvarios culinários.

 

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