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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

29
Nov17

Obrigado!


Escrevo este post com o propósito de agradecer. 

 

Agradecer a todos os que me deram apoio nestes dias mais difíceis, que despenderam uma parte do seu tempo para me dar suporte, força e carinho.

 

A todos vocês que passaram aqui por este cantinho, que deixaram uma palavra amiga nos comentários, que me enviaram um e-mail ou mandaram mensagem, o meu obrigado, do fundo do coração.

 

Sei que não é suposto agradecer este tipo de amor, que é dado de coração aberto sem esperar nada em troca, mas sinto-me na obrigação de o fazer, para que percebam que as vossas atitudes impactaram de uma forma tão positiva na minha vida que não podem imaginar, e que estou tão agradecido e honrado por isso.

 

Quero que saibam que também estou aqui para vocês - e quando digo isto não é apenas da boca para fora, sinto-o no meu cerne.

Sei que muitas vezes não visito os vossos espaços, ainda sou muito desorganizado no que toca aos afazeres do meu dia-a-dia, e que por causa disso pode-me escapar algo importante da vossa vida, mas por favor, mandem-me um e-mail, uma mensagem, telefonem, apareçam-me de surpresa no trabalho....o que vocês quiserem!

 

E já que estou numa onda de agradecimentos queria também dirigir o meu mais profundo obrigado a todos aqueles que me referenciaram paras os Sapos do Ano 2017.

 

Foi uma grande alegria saber que havia quem considerava que aqui este cantinho era digno de ganhar um prémio, mas ainda mais extasiado fiquei quando descobri que estava no top 5 dos blogs na categoria de Humor.

 

Honestamente nunca pensei que tal fosse possível, além de que não colocaria o meu blog nessa categoria mas sim na Generalista, mas pronto só tenho que estar agradecido.

Fiquei também muito contente por ver blogs que adoro entre os mais nomeados, mas uma parte de mim entristeceu-se ao descobrir que alguns dos meus preferidos não tinham chegado ao top.

 

Agora só quero dirigir uma palavra a todos aqueles que não deram o seu voto aqui ao Triptofano. 

 

Porquê?

 

Eu não sou bom suficiente para vocês é isso?

Ou vocês não apoiam o meu estilo de vida?

 

Fiquem a saber que o AnaMalhoasexualidade é uma forma de vida tão digna como todas as outras, ok?!

 

O que é que vocês querem mais?

São nudes?

É que se forem nudes é só darem-me o vosso endereço de e-mail que eu mando.

Mas em troca tem de votar em mim!

Está combinado?

28
Nov17

Veterinário em Part Time


A operação da Escovinha correu bastante bem, pelo menos foi o que a veterinária nos disse.

 

Como sabem eu e o cara metade estávamos com o coração nas mãos porque não sabíamos se a nossa pequenita ia resistir à operação por causa da anestesia, por isso quando a tivemos de novo em casa foi um alívio descomunal.

 

A intervenção a que ela foi sujeita chama-se marsupialização, e basicamente consiste em, depois de se ter retirado o conteúdo dos dois abcessos (eram dois em vez de um como pensávamos inicialmente), criar uma bolsa que vai cicatrizar de dentro para fora. Ou seja a ferida não é cosida, mantém-se aberta, mas dentro dela coloca-se uma compressa impregnada com um produto bactericida e germicida, faz-se um par de pontos para ela não sair do lugar, e depois com alguma regularidade visita-se o veterinário para avaliar o processo de cicatrização e mudar a compressa.

 

No caso da Escovinha os abcessos estavam localizados abaixo da mandíbula inferior, e apesar de terem evoluído rapidamente não chegaram a atingir a parte osteo-articular, o que vai tornar a recuperação mais fácil. 

 

 

Escovinha.jpg

 

 

Só que a parte mais complicada ainda estava para vir.

 

Apesar da operação ter corrido muito bem a veterinária disse que os primeiros dias de pós-operatório eram muito delicados, e que se não vigiássemos bem a porquinha ela poderia morrer.

Era muito importante verificarmos se ela fazia cocó e como é que era o aspecto dos mesmos. Cocós pequeninos significavam que ela não estava a comer o suficiente. Ausência de cocó era um sinal de alarme vermelho e teríamos que ir com ela o mais depressa possível para ser consultada.

 

Claro que durante o fim de semana eu e o cara metade fizemos turnos para ver se ela andava a expelir dejectos.

 

Primeiro não a podíamos deixar na gaiola com a irmã, porque senão nunca teríamos a certeza de ser ela a fazer cocó ou não.

Em segundo também não a podíamos deixar sozinha e fazer a nossa vida, porque caso não saibam estes animais gostam de comer as suas próprias fezes.

Ou seja a ausência de excrementos poderia significar que ela os tinha comido, mas sem estarmos sempre a olhar para ela como ter a certeza?

 

Basicamente passámos praticamente 48 horas a tentar hipnotizar a bicha para ela colocar o intestino a funcionar.

 

Mas se a parte da vigilância é extenuante, o que dizer da administração da medicação?

 

Seis medicamentos que a veterinária passou! Seis! Acho que nem eu nos meus piores dias tomei tanta coisa ao mesmo tempo.

 

E para melhorar quatro deles são feitos de manhã e à noite, para aumentar o nosso desespero.

Sim porque a Escovinha não acha muita graça a uma seringa com remédio, quanto mais seis todas seguidas. 

Da primeira vez demorámos uma boa meia hora a conseguir administrar tudo, agora com a prática já vamos sendo mais rápidos.

 

medicacao.jpg

 

 

Damos-lhe tramadol e meloxicam por causa da dor e da inflamação, Primperan e um manipulado de ranitidina feito na farmácia por causa do sistema digestivo, Cebiolon para compensar o défice de vitamina C enquanto ela se alimentar menos bem e para ajudar no processo de cicatrização, e Bactrim comoo antibiótico.

 

Dentro de alguns dias vamos receber o resultado do exame bacteriológico (quando esvaziaram o abcesso mandaram algum material para análise) para perceber se a bactéria é sensível ou resistente ao Bactrim; dependendo do resultado continuamos ou mudamos de antibiótico.

 

E quando eu pensava que já tinha passado por tudo, que mais nada me podia acontecer, eis que descubro que a Escovinha está a fazer poucos cocós e muito pequeninos. Isto deve-se ao facto de alimentar-se ainda com alguma dificuldade e a quantidade de alimento que ingere não ser a suficiente.

 

A solução? Dar-lhe uma "papa" da Oxbow, específica para casos críticos.

Cada saquetazinha custa uma pequena fortuna, e não dura para muito tempo. Mas o pior nem é o dinheiro, é que a "papa" tem de ser dada à seringa.

 

critical care.jpg

 

 

Pois estão a imaginar o drama que é dar um remédio com uma seringa de insulina.

 

Agora imaginem eu e o cara metade, todos cobertos duma nhanha verde, com uma seringa de alimentação na mão, a tentar alimentar a Escovinha como se ela fosse um autêntico bebé!

 

E ela a continuar a não querer colaborar. Supostamente os animais deviam adorar o sabor do produto.....só que não! Honestamente até eu fico agoniado com o cheiro a anis da mistela, por isso posso criticar a Escovinha por também não gostar por aí além?

 

Só peço é que as outras duas porcas não se lembrem também de ficar doentes, que ter de andar a tratar de três ao mesmo tempo era ensandecer-me em tempo record!

27
Nov17

Ampulheta


Quem me visita aqui neste cantinho sabe que os últimos tempos tem sido bastante complicados para mim.

 

No entanto, o universo decidiu repor algum do equilíbrio cósmico e encher-me de felicidade ao presentear-me com algo vindo da coisa que eu mais adoro no mundo.

 

Desculpem Mãe e Pai, perdoa-me Cara-Metade, Macaco José não me abandones, pacote de batatas fritas de presunto ainda gosto de ti, mas a Ana Malhoa está em primeiro lugar, destacada e sem competição.

 

A Diva, com letra grande como ela merece, lançou um videoclip do seu novo single, Ampulheta, e todo ele é sensualidade, elegância, beleza, criatividade, e tudo e tudo e tudo.

 

Já ouvi a música umas cinquenta vezes, domino a coreografia da forma que os meus dois pés esquerdos o permitem, o cara-metade já teve que ir buscar uns tampões para não ouvir a minha voz melodiosa a acompanhar o refrão, e todo eu agora sou pensamento da minha pessoa a envergar um véu rendado enquanto rebolo pelo chão, a levar com areias nas trombas, carregado de apliques dourados no corpo, enquanto penso que devia ter levado para a fantasia os óculos porque não consigo perceber se o cavalo está perigosamente perto de mim e míope que sou nem dá ver a gotinha de suor a escorrer pelos corpos musculados dos bailarinos.

 

Podia prolongar-me infinitamente sobre a obra prima que é este novo videoclip da Ana mas prefiro que vocês o vejam e tirem as vossas próprias conclusões.

 

 

 

26
Nov17

Uma luz que se apaga


Ontem a Dona A. faleceu.

 

O seu corpo físico seguiu o caminho do seu corpo espiritual, que já tinha desistido da luta há algum tempo atrás, a partir do momento em que um médico sem moderação lhe disse que um cancro a comia por dentro e nada mais havia a fazer.

 

Recebi a notícia quando ia a caminho do hospital para a visitar.

Sabia que o seu estado de saúde se tinha deteriorado bastante, já não falava e apenas se exprimia com gemidos. Mas gostava de ter estado ao pé dela, de lhe dar um beijo na testa e lhe agarrar a mão, dando-lhe forças para que ela não tivesse medo da passagem para o lado de lá.

 

O destino trocou-me as voltas e eu fiquei de mãos vazias, sabendo que nunca mais iria estar com ela fisicamente.

Uma dicotomia sentimental apoderou-se de mim. A tristeza da impotência da minha humanidade e um vergonhoso alívio por não ter estado perante o último suspiro dela, que me teria ficado gravado na mente de forma ainda mais dolorosa do que aquela que eu imagino.

 

Hoje foi o velório, e chorei, mais por dentro do que por fora. E percebi que quanto mais os anos passam mais tragicamente me vejo despido de muralhas para lidar com a dor e com o sofrimento.

 

Abracei a filha da Dona A. com todo o calor do meu abraço.

Porque é que nos esquecemos que todos precisamos de sentir o calor de um aperto não apenas quando a tristeza nos entra pela porta? Temos medo de demonstrar sentimentos quando estamos bem para percebermos num instante esquecido que quando o infortúnio nos assola somos mais unidos do que separados.

 

Ouvi muitos a dizer que pelo menos ela já não sofria.

Mas que feitiço tem o sofrimento para se passar de uma pessoa para uma mão cheia de outras? Porque com o fim do sofrimento da Dona A. veio a dor eterna de todos aqueles que gostavam dela e cuja ausência vai fazer doer o coração.

O tempo alivia a dor, mas há sempre uma picada que nos lembra que estamos mais sós do que quando começámos.

 

Escrevo estas palavras com os olhos marejados, e num esforço de lucidez tento lembrar-me das únicas palavras que consegui pronunciar numa tentativa de reconfortar a filha de uma mulher especial.

 

Não é um Adeus, é um Até Breve.

24
Nov17

Duodécimos não se vão


Estou tramado - foi o meu primeiro pensamento quando li a noticia que em Janeiro de 2018 os trabalhadores do sector privado iam deixar de receber os subsídios por duodécimos.

 

Há três anos para cá que recebo os dois subsídios em duodécimos - sim, não recebo metade em duodécimos e metade integralmente, recebo tudo repartido ao longo do ano, puseram-me essa possibilidade e eu aceitei-a.

E tenho vivido feliz da minha vida.

 

Agora com esta nova decisão do governo a minha vida vai ficar ligeiramente mais complicada.

É que o meu ordenado não é assim espectacular.

E os duodécimos sempre compunham a coisa.

Ainda por cima cá em casa só eu é que tenho um rendimento fixo; o cara metade está a estudar e de vez em quando faz alguns trabalhos pontuais onde é remunerado.

 

E não, não vivemos acima das nossas possibilidades.

Tomámos as nossas decisões de vida tendo em conta o valor mensal que estou a receber, que dá para pagar as nossas contas e ainda poupar algum dinheiro ao fim do mês.

Só que de um momento para o outro a quantidade de euros disponível a cada mês vai diminuir consideravelmente.

 

Eu sei que no fim do ano vou continuar a ganhar o mesmo, o dinheiro só vai ser repartido de forma diferente.

Também sei que se for organizado em vez de gastar logo os subsídios todos, guardo-os e reparto-os mensalmente para compensar a diferença.

 

O problema vão ser aqueles meses iniciais no processo de transição.

 

Ou será que posso já tirar as minhas férias todas em Janeiro para receber o subsídio?

Ou alegar que se o Natal é quando um homem quiser porque é que não me podem dar o subsídio assim para Fevereiro?

 

Duodécimos, não se vão!

21
Nov17

João XIII


Olá a todos,

 

O Cara Metade volta, como sabem, de quando em vez e cá está ele de novo! 😊

 

Apesar destas últimas semanas terem sido de nos deitar ao tapete, ao ponto de qualquer plano a dois depois do trabalho resulta numa competição para ver quem adormece primeiro (também vos acontece?), algumas das minhas ocupações são absolutamente recompensadoras.

 

Uma delas, a que vos vou contar hoje, aconteceu com a João XIII – Associação de Apoio e Serviços a Pessoas carenciadas que recentemente mudou a sua atividade de apoio aos sem-abrigo e a outras situações de vulnerabilidade social para um edifício da Junta de Freguesia de São Vicente, lá para os lados do Panteão (está na moda aquela zona!).

 

Esta associação, que conta desde há alguns anos a esta parte com o trabalho de muitos voluntários para assegurar a sua missão, está na linha da frente da ajuda a muitas pessoas (e a crescer) que procuram um banho quente, uma refeição digna e uma conversa.

 

Foi na segunda parte em que me envolvi. Convidado para o projeto, abracei a causa e vamos embora. A preparação consistiu numa sopa, prato principal e sobremesa (e ainda pão quentinho para acompanhar!) e por muitas vezes senti que estar ali era dos poucos lugares onde poderia aceder a uma recompensa imediata.

 

Apesar do meu agnosticismo, os “Deus vos ajude” e os “Que nunca nada vos falte!” que fomos ouvindo serviram de alento para o coração.

 

Cozinhar é, sobretudo, proporcionar alegria sobre a forma de comida. Por isso digo que gostava de ser o Chef da felicidade, dos amigos, da alegria e da partilha. 

 

E para vocês?

 

O que significa a comida? A que causas sociais se unem ou uniram?

19
Nov17

A Alma em pedaços


Estes dias tem sido difíceis para mim.

 

Gostava que este blog fosse um registo leve e bem-humorado da vida, mas há situações que me tocam de uma forma mais profunda do que aquela que eu alguma vez gostaria de admitir.

E escrever é uma forma de fazer com que o balão dos sentimentos não me rebente na cara.

 

Hoje fui ao Hospital Fernando da Fonseca visitar a Dona A., a senhora que fazia as limpezas na loja onde trabalho.

De um dia para o outro, uma dor na zona abdominal levou-a a um internamento.

 

O diagnóstico foi mil vezes pior do que alguma vez podíamos pensar.

 

Nódulos no fígado e um tumor maligno na cabeça do pâncreas.

 

Quando o cancro aparece nesta zona, infelizmente o organismo já se encontra de tal forma comprometido que em vez de se fazer sofrer desnecessariamente a pessoa com sessões de quimioterapia, dá-se os melhores cuidados possíveis para se ir vivendo, ou sobrevivendo, sem dores e com algum conforto, conforto este que é muito relativo.

 

Quando soube que a Dona A. tinha sido internada e já não regressaria a casa quis ir logo visitá-la, mas os horários do trabalho não coincidiam com as horas da visita - tudo desculpas esfarrapadas eu sei, quando se quer mesmo faz-se por acontecer.

E passei esta semana com uma angústia no peito, sempre a pensar que estava a adiar algo que não deveria ser adiado, porque e se fosse tarde demais?

Se não a conseguisse ver uma última vez? Se não pudesse sentir o calor da mão dela contra a minha?

 

Hoje fui ao Hospital vê-la.

 

Tinha uma data de piadas ligeiras preparadas para a fazer rir.

Coisas sobre como ela podia voltar a fazer a limpeza da loja porque eu agora tinha uma dieta à base de flores por isso nunca mais ia empestar a casa-de-banho.

 

 

Na realidade estava a enganar-me a mim mesmo.

A assumir que a pessoa que eu ia encontrar era aquela que eu tantas vezes via no trabalho e na rua.

Só com a diferença de estar numa cama de hospital.

 

Entrei no quarto que me indicaram.

 

Com passadas largas dirigi-me ao fundo do mesmo, à procura da cama dela.

Até que alguém chama pelo meu nome. É a neta que com um sorriso aponta para a cama onde a Dona A. repousa.

E a minha alma fica em pedaços. Porque eu vi aquela mulher quando entrei. E pensei que era uma outra mulher qualquer, muito mais velha, tão mais fragilizada.

 

Quando sou forçado a perceber que aquela sombra foi há pouco tempo atrás a pessoa cheia de vida que conheci, choro para dentro.

Afinal estou ali para dar força, não para trazer mais tristeza ao ambiente envolto em penumbra.

 

Sinto que ela deixou de lutar, está apenas a sentir os minutos sucessivos a passarem pela sua existência.

Mas será que sente algo? Com as doses de morfina que lhe são dadas no soro tudo parece ficar mais turvo, como quando usamos óculos com uma graduação diferente da que precisamos.

 

A filha confirma-me os meus receios.

 

 

Apesar de ter forças a Dona A., recusa-se a levantar, a caminhar, muitas vezes a comer sequer. Passa a maior parte do tempo a dormitar, falando de uma forma quase inaudível.

 

Sento-me ao pé dela.

 

Tenho medo que não me reconheça. Ou que ache que eu não devesse estar ali.

Ela abre os olhos e eu inclino-me para receber o toque dos seus lábios na minha face.

 

Com uma força falsa na voz conto-lhe a piadola sobre a casa-de-banho. Ela dá um sorriso ligeiro.

 

Aperta-me a mão que tenho pousada contra o frio da grade da cama.

 

Puta de vida!

17
Nov17

Com o coração nas mãos


A Escovinha vai ter de ser operada.

 

A primeira porquinha da índia que veio viver cá para casa connosco vai ter de ser submetida a uma intervenção cirúrgica.

 

Ontem, enquanto brincávamos com ela, descobrimos uma massa estranha debaixo do maxilar.

Confesso que a minha primeira reacção, totalmente instintiva, é mentir a mim mesmo e dizer que não é nada.

Mas lá no fundo sei que algo se passa e que vou ter de encarar a situação, mas naqueles primeiros instantes sinto quase a necessidade de ludibriar o meu cérebro.

 

Momentos depois, uma rápida pesquisa em sites da especialidade confirma-me que sim, tenho de me preocupar.

Só que já é demasiado tarde e a veterinária habitual só atende urgências.

Ela está a comer, a fazer cocó e a reagir a estímulos, por isso terá que ficar para o dia a seguir.

 

Entretanto, o choque da descoberta leva-me a fazer o que faço sempre quando estou mais abalado - dormir!

Há pessoas que sofrem com insónias quando algo de mais stressante aparece nas suas vidas; eu sou totalmente o contrário, não sei se é um mecanismo de defesa mas o meu cérebro basicamente suplica que eu vá dormir.

E quando acordo estou pronto para enfrentar a realidade, por mais complicada que ela seja.

 

Hoje fomos à veterinária.

 

Depois de vários exames, incluindo uma picada na massa estranha, que fez a Escovinha reclamar de uma forma como eu nunca tinha visto antes, concluiu-se que tinha desenvolvido um abcesso dentário.

E que a única forma exequível de proceder será fazendo uma operação para drenar todo o pus, seguida de várias semanas de tratamento com o objectivo de cicatrizar a ferida resultante da intervenção.

 

Apesar de todo o procedimento ficar caro, fiquei aliviado por saber que não era tão dispendioso como alguns a que cães e gatos tem de ser submetidos, que rapidamente atingem valores com 4 casas.

 

O que aqui me aflige, que me deixa com o coração nas mãos, é a anestesia.

A veterinária foi realista, disse que as probabilidade de correr tudo bem eram muitas, mas tal como com os seres humanos, é sempre uma incógnita.

Ao tentar solucionar um problema poderá gerar-se uma situação irreversível, que tenho a certeza me ia fazer sofrer durante uma longa temporada.

 

Sei que ninguém é para sempre, nem animais nem pessoas!

Que a nossa vida é emprestada e que devemos aproveitar da melhor forma esta nossa passagem.

Mas apesar de lidar, infelizmente, com alguma regularidade com a morte, sempre que penso nela não consigo deixar de ficar com um aperto cá dentro!

 

 

16
Nov17

Destino para 2018


Lembro-me de quando era novo da minha mãe ficar completamente indignada quando, nos programas de televisão, as pessoas diziam que se ganhassem um grande prémio usavam o dinheiro para viajar.

 

Para ela era o maior desperdício que podia haver, gastar dinheiro em algo que basicamente ia ter uma duração muito limitada no tempo.

 

Só que a vida muda-nos as voltas, e depois de na faculdade eu ter feito Erasmus e SEP (student exchange program), algo mudou nas ligações neuronais da minha progenitora que de um momento para o outro percebeu-se que afinal queria ver o mundo.

 

Como só domina o português, a única forma que tinha de ir para destinos internacionais com algum conforto era comigo, visto que o meu pai continua a achar que é um desperdício de dinheiro viajar e o meu irmão quase que desmaia só de pensar em entrar num avião.

 

Felizmente, quase com setenta anos, a minha mãe passou de só conhecer os Açores e a Madeira e algumas zonas de Espanha, para poder dizer com orgulho que já foi à Índia, ao Senegal, a Marrocos, à Roménia, a Israel, à Turquia, entre outros países.

 

Só que, dramática como ela é (afinal eu tinha de ter herdado esta minha veia teatral de algum lado), todas as vezes que embarcamos começa com uma história super triste, em como aquela será a última viagem dela, porque está a ficar velha, e já não consegue andar como antigamente, e o corpo já não é o que era, e patati patata.

 

Nesta última viagem a São Tomé que fizemos a conversa foi a mesma, que este ano seria a derradeira vez que viria de férias, que a partir daqui ficaria no sofá qual velhinha pobrezinha, que não podia arriscar a dar-lhe uma coisinha má tão longe de casa, e mais cinquenta mil argumento, cada um mais deprimente que o outro.

 

O que é engraçado é que, apesar de todo este melodrama, a senhora minha mãe está louca por voltar a estar com o cu tremido. Por isso dois ou três dias depois de estarmos em São Tomé, começa com uma história assim muito subtil de como tinha visto na televisão que a Patagónia era um sítio lindo, fantástico, incrível, que nunca tinha pensado que era tão bonito, e que aquilo é que era, mas é só para pessoas novas, que ela já não conseguia andar por aqueles sítios...

 

Basicamente para o ano a minha mãe quer ir para a Patagónia.

E eu estou a pensar para que esquina é que eu vou trabalhar, porque já estive a ver os preços das viagens e é uma dor de alma que nem conseguem imaginar.

 

Mas se me esforçar e poupar a sério acho que consigo fazer-lhe a vontade!

 

E vocês, qual era o destino que gostavam mesmo de conhecer em 2018?

 

 

 

O LEITOR DECIDE.png

 

15
Nov17

Os 30 deram cabo de mim!


A menos de um mês de celebrar o meu 31º aniversário dou por mim a pensar que a entrada nos 30 foi mais destrutiva do que eu quis alguma vez assumir perante mim mesmo.

 

Apesar de me sentir um jovem de espírito, de as pessoas continuarem a tratarem-me como se eu fosse um adolescente e não um adulto e de eu ainda ter bastante energia (tirando aqueles dias em que chego a casa e aterro no sofá acordando numa poça de baba), tenho de deixar de me enganar a mim próprio e assumir que já vi melhores dias.

 

Primeiro que tudo, estou a ficar careca.

 

Não é aquele careca à Santo António, mas sim na parte da frente da cabeleira que já está tão dispersa que consigo ver facilmente o couro cabeludo.

 

 

E não, não é o cabelo que está com jeitos, nem a fibra capilar que está fininha. Estou mesmo a ficar com uma despovoação na minha cabeça, sendo que no próximo verão já terei que colocar protector solar no escalpe para não apanhar uma queimadura de terceiro grau.

Claro que posso dar uma de bad boy e rapar o cabelo todo, mas além de ter toda a gente depois a perguntar-me se vou para a tropa, acabo apenas por estar a esconder a verdade de mim próprio!

 

Para piorar a situação, este ano encontrei o meu primeiro cabelo branco. Podia ter sido um daqueles que emigrou da minha cabeça para sempre, mas não, o ordinário lá se encontra perto das patilhas todo reluzente.

Careca e grisalho - estou tramado.

 

Em segundo, há umas semanas atrás, lá na loja, uma colega disse que eu estava mais bonito. E eu fiquei todo babado, a pensar que deveria ter havido uma variação hormonal qualquer derivada da idade que me tinha tornado a pele mais reluzente ou coisa do género. Ao que ela me diz que estava a ficar com aquela ruga ao canto dos olhos que deixa os homens charmosos.....

 

Agradeço a honestidade laboral mas vivia melhor sem ter de estar agora a colocar contorno de olhos três vezes por dia, porque estava à espera de ter charme só lá para os 50!

 

Por fim, e a prova de que realmente a entrada nos 30 foi cruel para a minha pessoa, ontem foi dia de medicina do trabalho.

 

Aquela visita onde nos encontramos com um médico que em menos de um minuto consegue-nos fazer vinte perguntas e basicamente dizer-nos que está tudo bem e que podemos continuar a trabalhar que nem uns desgraçados.

 

Ora o senhor doutor mediu-me a tensão arterial. E eu tinha sempre uma tensão de 12/7, uma coisa fantástica, podia levar uma vida despreocupada, chafurdar a cara no saleiro e snifar café em pó que o meu sistema cardiovascular vendia saúde.

 

O resultado foi 14,5/9. Não acreditei no resultado e pedi uma segunda medição, que se revelou igual à primeira. Não dei muita importância ao valor porque há o efeito da bata branca e além disso estavam a usar um tensiómetro de pulso, que para mim não é tão fiável.

Uns vinte minutos depois, fui medir no tensiómetro de braço lá da loja, e não é que a tensão continuava igual?

 

Despertei então para a triste realidade que o meu corpo já não é o que era, e se não começo a ter mais cuidados com ele quando chegar aos 40 já estou feito em fanicos.

 

Por agora vou abolir o café da minha vida, cortar no sal e controlar a tensão.

Para ver se as coisas melhoram.

 

Mas até tenho medo de ir medir o colesterol e a glicémia.

 

É que se os resultados também forem assim para os altos o que é que eu faço da minha vida?

 

Passo só a comer alface?

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