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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

25
Set17

A Cozinha Leve Leve


Triptofano!

Olá! 

A convite do Exmo. Triptofano, sou eu – o cara-metade – quem vai fazer o post de hoje a propósito da nossa (rica) visita, como já sabem, a São Tomé e Príncipe. Da viagem, dá-vos ele conta: dos hóteis, das praias, das gentes, enfim… Uma experiência única da qual, ele, não vos deixará faltar prosa!

 

Já eu, num registo mais guloso, ah, Eu… Falemos de matabalas, pau-pimenta, temperos, muzongué, calúlú, fruta-pão, esparregado de lússúa, molho de fogo, bananas – pão, ouro, Gran Machel, maçã, prata… todas - enfim… falemos um bocadinho da alquimia e da alma que encontrámos na culinária santomense. Uma certa magia que liga a natureza ao prato, resultado de anos e séculos de miscigenações étnicas e mutações botânicas conseguidas a expensas do leve-leve que carateriza a ilha, da calma na pesquisa e de utilização da natureza no equilíbrio do corpo e do espírito (as caixas de primeiros socorros santomenses, acreditem ou não, precisam de ser regadas e catalogadas com tanta folha e utilização que para lá vai!); e, falemos, claro, da introdução de novos aromas na cozinha do dia-a-dia.

 

Algumas destas utilizações resultam de anos de utilização em calúlús, feijoadas da terra, sôôs ou molhos da culinária típica de São Tomé. Da humildade e da honestidade com que os santomenses põem a comida na mesa, ainda que cheia de sabor. E a resposta é breve: “Porque sempre fizemos assim”. Outras nascem da adaptação de novas receitas aos ingredientes locais dos novos atores da cozinha santomense (como a combinação de chocolate, banana e erva mosquito do João Carlos Silva com os chocolates únicos do Cláudio Corallo). Todas elas, porém, com um potencial de fazer chorar por mais, foram provadas e aprovadas por mim e vou partilhar algumas convosco!

 

Mikókó

 

A folha e a flor do Mikókó, com uma ligação convencionada pelos santomenses aos mesteres afrodisíacos, que tivemos oportunidade de provar numa das famosas omeletes da terra, é de um potencial aromático incrível e talvez a mais utilizada pelos santomenses! Podemos dizer que os orégãos estão para os italianos como o mikókó está para os santomenses. Conhecemo-la (quem conhece!) em Portugal como alfavaca (!), pertence à família do manjericão, e pode ser usada fresca ou seca.

No mercado de São Tomé não há vendedora que se preze que não tenha um bom molho desta erva para vender por poucas dobras, tal é a sua profusão na mata crioula.

Uma das formas em que a experimentamos, para lá das suas utilizações na feijoada à moda da terra, no calúlú, foi numa simples omelete! Só por introduzi-la na sua preparação, com peixe seco para ser mesmo local, ou não, passamos a ter a famosa omelete da terra, aqui servida com fruta pão frita, búzios-de-mar e pimpinela com cêlo-sum-zon-maiá!

 

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Lússua

 

Semelhante ao espinafre em termos de tratamento, a lússua é uma erva bem aromática que pode servir para um esparregado de requinte ou simplesmente salteada. O óleo de palma tem de acompanhar para saber a local, no entanto, é bastante versátil! Aqui vem acompanhada de uma espetada de atum, barracuda e espadarte e arroz com flor de mosquito.

 

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Folha e flor mosquito

 

A fiá mesquito é de uma subtileza incrível. Provámo-la com banana num ceviche reinterpretado pelo João Carlos Silva (que muito surpreendeu, também, pelo azeite baunilhado!) e ainda no arroz que já vimos acima. E mosquito porquê? Precisamente porque a sua folhagem é muito semelhante a este inseto! Pese embora a chatice que tais criaturas representem numa viagem deste tipo (eheh, eu safei-me!!), esta folha foi outra das grandes descobertas 

 

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Cêlo-sum-zon-maiá

 

Ou coentro selvagem. Se nada como um pato, se grasna como um pato, se voa como um pato, então, só pode ser um pato… É o caso deste coentro! Com um cheiro exatamente igual aos coentros que estamos habituados, faz parte do espólio aromático presente na gastronomia do dia-a-dia santomense. Com a diferença de que é, vá lá, fisionomicamente (totalmente) diferente! As duas vezes que provei cêlo-sum-zon-maiá foi na mata, quando o encontrei e conheci com a ajuda do Gaspar, o nosso guia local, e a segunda quando comíamos um creme de fruta-pão com esta folha de guarnição. É incrível o seu sabor.

Imagem retirada de http://oestadodacozinhaportuguesa.blogspot.pt/2011/02/alguns-produtos-de-stome.html

 

Haveria muito, muito mais para vos contar sobre a gastronomia que ali encontrámos. Mas tanto que não acreditariam! Eu próprio ainda estou a digerir muitos nomes e, … resta saber como é que vamos fazer para encontrar as folhas todas quando delas precisarmos!

 

Triptofano, tens alguma ideia ? 

 

Um abraço!

 

P.S: Por insistência do Trip (como até eu carinhosamente já lhe chamo) deixo aqui o meu Instagram caso haja alguém com curiosidade em seguir os meus desvarios culinários.

 

24
Set17

Goiabada


Triptofano!

Tínhamos feito novamente amor.

 

Poderia dizer que tínhamos feito sexo mas com ele as coisas eram tão melancolicamente calmas que a palavra sexo conotava-se duma agressividade que não fazia jus aos nossos movimentos ritmadamente lentos. No sofá cama ao som da música de algum templo budista os nossos corpos transpirados uniam-se durante longos minutos.

Era o nosso quarto ou quinto encontro, não sabia bem ao certo.

 

Depois de tomarmos banho sentámos-nos na frugal mesa da cozinha e ele serviu-me um café acompanhado de tostas e goiabada.

 

Como eu gostava de goiabada. Como eu gostava dele.

 

Tenho uma coisa para te dizer.

 

Franzi a testa. Parte de mim achava que era demasiado cedo para uma declaração daquelas. A outra parte ansiava que ele pronunciasse uma palavra tão simples mas capaz de mudar o destino de alguém.

 

Sou HIV positivo.

 

Olhei-o nos olhos. Vi o medo, a tristeza, o sofrimento, a angústia. Comi mais uma fatia de goiabada. 

 

E então? - perguntei enquanto lambia o doce dos dedos.

 

Não te importas? - havia alguma incredulidade na sua voz, como se não acreditasse no som que tinha chegado aos seus ouvidos.

 

Porque haveria de me importar? - respondi-lhe com a maior franqueza possível. Se tivesses colesterol elevado ou hipertensão importar-me-ia?

 

Levantei-me e dei-lhe um beijo. Senti o corpo dele estremecer quando os nossos lábios trocaram partículas de saliva.

 

Hoje tantos anos depois olho para trás e percebo que não foi um vírus que nos impediu de sermos felizes.

 

Foi somente o facto de ele nunca ter conseguido dizer a palavra Amo-te.

23
Set17

O Regresso


Triptofano!

Voltei voltei

Voltei de lá

Ainda ontem estava em São Tomé

E agora já estou cá

 

 

Pois é pessoal a minha boa vida em frente da piscina e a enfardar tudo o que era humanamente possível no buffet do hotel acabou.

Já estou de regresso a Lisboa e felizmente que a temperatura ambiente até está agradável porque se tivesse que vestir já um camisolão acho que desenvolvia uma depressão pós férias.

A única coisa que me vai fazer mais confusão a habituar nos primeiros dias é chegar à cozinha e descobrir que só tenho meia fatia de pão duro e água da torneira para o pequeno-almoço; uma pessoa estava habituada às omeletes a pedido, ao bacon, às batatinhas assadas assim logo pela manhã, e agora chapéu!

Peço desculpa por ter andado mais ausente dos vossos blogues e mesmo a responder aqui aos comentários, mas sabem que nas férias uma pessoa em vez de descansar anda sempre de um lado para o outro, excursão para aqui, praia para acolá, ir almoçar a uma ponta da ilha, ver uma roça na outra ponta, e quando chega ao fim do dia já só pensa é em dormir.

 

Mas agora que voltei prometo colocar tudo em dia porque honestamente já não consigo passar sem os meus amigos da blogesfera!

 

Agora novidades, eu sou moço muito pouco ligado às tecnologias e redes sociais, mas achei que estava na altura do blog ter, imaginem só a loucura, um Instagram!

Descobri uma conta antiga que não usava, mudei o nome de utilizador e apaguei as fotos antigas que não eram nada de por ai além e tchanã, nasceu o Instagram do Triptofano.

Por isso quem quiser pode seguir as minhas aventuras neste diário fotográfico e se também tiverem instagram partilhem o link nos comentários para eu vos poder seguir.

 

Um beijinho/abração a todos e muito obrigado por todo o carinho que tenho recebido aqui da blogesfera. Vocês são demais!

22
Set17

Ni Hao


Triptofano!

Suspeitamos que algo de estranho se passa quando ao passear pelas ruas de São Tomé um grupo de jovens nos sorri e cumprimenta-nos com um poderoso Ni Hao.

 

Olhamos novamente para o grupo e tentamos descobrir o elemento oriental do mesmo. Sem sucesso, nenhum dos jovens sorridentes é (à primeira vista) oriental.

 

Temos a certeza que algo de estranho se passa quando descobrimos na parede do restaurante local um anúncio a cursos de língua mandarim.

 

Quando chegamos ao hotel e vemos as notícias do dia na TVS tudo se torna mais claro. O governo de São Tomé e Príncipe assinou um acordo de cooperação económica, comercial e técnica com o governo da China.

 

Penso na minha mãe com alguma pena. Ela estava tão contente por poder visitar um país onde eu não tivesse que a ajudar como intérprete. Se ela quiser aqui voltar daqui a uns 10 anos acho que nem eu lhe vou poder valer!

21
Set17

Em memória de


Triptofano!

Hoje num intervalo entre as visitas pela ilha de S.Tomé e os mergulhos na piscina embrenhei-me numa procura pela Internet de um livro de receitas que o cara metade gostaria de ter.

 

Como aconteceu não sei precisar, mas quando dei por mim estava na página de facebook de um senhor que nunca tinha conhecido. Isto não seria assunto para partilhar aqui no blog não fosse a página ser uma conta memorial - o que significava que o senhor em questão já tinha falecido.

 

Sabia que estas contas existiam - a função delas é permitir que as pessoas encontrem algum conforto ao visitar o perfil, para relembrar e celebrar a vida daquele ser humano que já não se encontra entre nós - mas nunca me tinha deparado com nenhuma.

 

Envergonho-me em partilhar isto convosco mas apoderou-se de mim uma curiosidade mórbida acerca dos motivos que levaram a que aquela pessoa tivesse morrido.

 

Vi fotos, li comentários, vasculhei publicações antigas. Descobri o que queria mas não parei por aí, embrenhei-me mais e mais na vida e na luta daquele homem. Uma luta que ele acabou por perder.

 

Pergunto-me se ele foi feliz, se amou e se foi amado de volta.

Se os amigos que sorriem com ele nas fotos se mantiveram do seu lado nos momentos mais complicados.

Se teve medo durante o processo, se havia alguém para lhe consolar as lágrimas de desespero que porventura os seus olhos tenham vertido.

Pergunto-me se a vida que levou valeu a pena.

 

Dou conta que já não penso apenas nele, reflicto na minha própria existência.

Se o caminho que percorro é o que me dará conforto um dia ao olhar para trás.

Se dou o suficiente de mim aos outros e se estou pronto para receber tudo o que os outros me quiserem dar.

Se as guerras e lutas que travo são realmente merecedoras do meu esforço ou se me devia concentrar em semear flores que ao florirem embelezassem este mundo.

 

Obrigo-me a parar de ver o perfil daquele homem cuja foto me sorri, num riso eterno que nunca se gastará.

Fecho a página.

Sinto um peso na alma.

Naquele momento é como se tivesse perdido um grande amigo.

20
Set17

Doce Doce Doce


Triptofano!

Quando dei a conhecer a minha decisão de última hora de viajar para S.Tomé e Príncipe várias pessoas disseram-me que tinha de levar doces para as crianças locais, era algo quase obrigatório de fazer porque o brilho nos olhos dos petizes era impagável.

 

Porém avisaram-me também para estar preparado para uma multidão em ponto pequeno a gritar Doce Doce Doce mal me vissem, com as mãos estendidas e os dentes batendo furiosamente na ânsia de mascarem uma pastilha Gorila. Fiquei ligeiramente preocupado porque o meu cérebro começou logo a imaginar hordas de crianças com baixos níveis de açúcar agarrando-me pelas pernas e exigindo-me rebuçados de mentol. Obviamente que nesta altura do campeonato já devia saber que quem conta um conto acrescenta um ponto, e que as coisas às vezes não são bem assim.

 

Fiquei renitente com a história de levar doces para os mais pequenos.

É agora que acham que eu sou uma pessoa com uma pedra no lugar do coração.

Mas desde que descobri que em Marrocos as crianças que pediam nas ruas eram alugadas para angariarem dinheiro para terceiros - e que o aluguer da criança era tanto mais caro quanto mais deficiência esta tivesse de forma a causar mais pena - jurei a mim mesmo que nunca mais daria dinheiro a uma criança.

 

Também no Senegal o guia me pediu para não dar dinheiro às crianças que davam flores aos turistas. Ganhando aquele dinheiro relativamente fácil os pais iriam colocar as crianças a dar flores todo o dia em vez de as mandarem à escola. O problema é que não se é pequeno e amoroso para sempre, e quando já não se consegue arrecadar dinheiro vindo dos turistas benevolentes vai-se fazer o quê?

 

É verdade que no caso das crianças de S.Tomé os doces são directamente para elas. E isso não irá afectar a sua ida à escola! No entanto resolvi na mesma não levar guloseimas algumas.

 

Quando cheguei ao Pestana São Tomé tive a certeza que a minha decisão tinha sido a mais acertada. Na secretária um pequeno documento pedia ao viajante que não oferecesse doces às crianças - em média as crianças de S.Tomé e Príncipe possuem 3 cáries dentárias e apenas uma minoria têm acesso a cuidados de saúde dentária! 

 

Provavelmente muitos estão a pensar que apenas um doce não vai fazer mal nenhum, e claro que não faz. Mas tal como nós muitas outras pessoas visitam estas maravilhosas ilhas e já imaginaram se cada turista oferecer uma gulodice a uma mesma criança?

 

Qual a solução então?

 

Oferecer coisas que sejam úteis para o desenvolvimento ou para a saúde dos mais pequenos. Lápis, canetas, blocos, escovas e pastas de dentes, tudo isto são coisas úteis e que deixam uma criança feliz.

 

No entanto o preferível é não dar directamente às crianças e sim a uma instituição que faça a distribuição consoante as maiores ou menores necessidades das mesmas.

 

A adopção desta prática evitaria outro problema que é o da doação aleatória, ou seja dar a uma criança apenas porque ela chegou primeiro, independentemente de ela ter mais ou menos necessidade que outras.

Além de que quando damos devemos ter a certeza que chega para todos os que ansiosamente tentam receber algo.

Já imaginaram o que eram estarem numa festa e um vosso filho ver todas as crianças a receber balões e quando chegasse a vez dele já não haver nenhum?

Agora visualizem visitarem uma roça onde funciona uma escola, e dezenas de crianças dirigirem-se para vocês para receberem algo que estão a distribuir, qual é o critério que vão usar na entrega? Quem tiver o ar mais giro? Quem esticar mais os braços?

 

Podem pensar que é um exagero da minha parte e que com este post pretendo dissuadir as pessoas de dar o que quer que seja, mas não. Somente gostaria que reflectíssemos nas consequências, positivas e negativas, de actos que para nós podem apenas estar cheios de boas intenções, mas que às vezes acarretam sérios problemas.

 

Só peço que se na mesma quiserem dar doces às crianças que se lembrem que nem os doces são pedaços de pão nem as crianças são pardais.

Atirar rebuçados em vez de os distribuir directamente na mão é basicamente deitarmos fora toda a humanidade que nos resta.

Choca-me mais ver certas atitudes dos turistas do que as condições singelas em que os locais vivem.

 

Apesar de todo o meu esforço de argumentação a minha mãe trouxe caramelos para distribuir pelas crianças.

Ontem encheu os bolsos decidida em trazê-los vazios.

Voltou espantada e um pouco desiludida.

Nenhuma criança lhe pediu Doce.

Apenas a brindaram com grandes sorrisos tímidos.

 

19
Set17

As minhas férias #2


Triptofano!

O Ilhéu das Rolas é um local excepcional para descansar, no entanto se forem como eu que gostam de andar de um lado para o outro e a paz e sossego aborrece-vos após pouco tempo então aconselho-vos a estarem uma noite apenas no ilhéu, pessoalmente acho que é mais que suficiente.

 

Infelizmente na altura em que fui não havia equipa de animação no Pestana Equador, o que tornava os dias mais molengas a passar, e sem pulseirinha de tudo incluído a opção de beber até ficar meio inconsciente na toalha também saía da equação, visto os meus fundos monetários serem escassos.

 

Porém, existem três coisas, além da magnífica piscina do hotel, que fazem com que a visita ao ilhéu seja imprescindível.

 

O Marco do Equador

 

É impossível não ficar com um arrepio na espinha quando chegamos ao local onde o mundo se divide em dois. Um pé fica no hemisfério norte e outro fica no hemisfério sul - esta é a posição típica para a foto mais tirada em qualquer marco do equador por este mundo fora. Além da simbologia do local a vista é de fazer perder o fôlego, se ainda tínhamos algum depois da subida que tivemos de fazer para ali chegar.

 

Equador.JPG

 

 

A Praia Café

 

É a praia mais bonita do ilhéu e a mais segura para tomar banho, sem termos de nos preocupar em pisar ouriços que podem automaticamente estragar as nossas férias de sonho.

Nos areais da praia, resguardados pela sombra das árvores, locais cozinham peixe e moluscos acabados de apanhar, enquanto brindam com a cerveja típica do país, a Rosema.

 

Praia Café.JPG

 

 

As Pessoas

 

Podemos numa primeira instância achar que as pessoas são tristes por não terem água potável, ou pela simplicidade das suas casas, ou pelo facto de precisarem de ir de barco à ilha principal sempre que estiverem doentes, mas acredito pelos seus sorrisos e brilho do seu olhar que apesar das adversidades a maior parte delas são bem mais felizes que muitos de nós, que rodeados de todas as comodidades que o mundo moderno nos pode oferecer, nos esquecemos do que é mais importante, o carinho, a amizade, a família!

 

Tatuagem com feto.JPG

 

 

Deixo-vos uma dica para um passeio ainda mais inesquecível. Quando forem e voltarem do ilhéu tentem não ir no barco branco que o hotel disponibiliza. É maior, mais robusto e seguro, mas a viagem numa das canoas azuis que ao cortar as ondas mais fortes abana por todo o lado enquanto somos banhados com água salgada proporciona uma adrenalina difícil de recusar.

18
Set17

O poder do buffet


Triptofano!

Não sei se acontece apenas comigo mas um buffet exerce sobre a minha pessoa um poder que só posso classificar como paranormal.

 

Confesso que sou um bom garfo, ou seja como bastante bem, infelizmente para o meu perímetro abdominal não sou daquele tipo de pessoas que com meia dúzia de grãos de arroz e um punhado de ar aromatizado fica saciado.

 

Quando vou a um restaurante à la carte escolho uma entrada (se esta tiver bastante bom aspecto porque senão não como apenas por comer), uma dose bem servida dum prato que me apeteça naquele dia - nada de meias-doses, tremo só de ouvir esse termo - e se estiver particularmente guloso a sobremesa mais doce que existir nas redondezas. Ora isto é suficiente para me fazer sair do restaurante literalmente a rebolar, por isso acho que não me posso classificar como poço sem fundo.

 

Porém, aquando a presença dum buffet, existe uma dilatação inexplicável do meu estômago porque de um momento para o outro parece que tenho capacidade de enfiar quantidades indescritíveis de comida dentro dele. Ou isso ou numa estranha reviravolta evolucionista que nem Darwin conseguiria explicar o meu sistema digestivo evolui por breves horas para o de uma vaca, ficando eu munido de quatro estômagos.

 

Não se come sopa desde o Natal passado? Se houver no buffet come-se, repete-se e ainda se vai buscar um pãozinho para molhar naquele restinho que temos demasiada vergonha em sorver diante das outras pessoas!

 

18 variedades diferentes de entradas? Se não se conseguir enfiar tudo num prato coloca-se em dois, que isto de uma pessoa levar um, comer e voltar para encher de novo é uma perda de tempo. Salada de grão e bacalhau ao pé de croquetes de alheira e de banana pão frita tudo envolto no molho cocktail dos camarões que atacámos sem dó nem piedade poderia ser algo a que torceríamos o nariz se nos apresentassem num restaurante à la carte, mas no mundo do buffet tudo é permitido, e a promiscuidade de sabores não é olhada de lado!

 

Queremos carne, peixe ou vegetariano? Na realidade a pergunta é saber o que se coloca onde na pilha de comida que levamos para a mesa. A carne com batatinhas assadas vai em cima ou no meio? O peito de frango com arroz thai equilibra-se na posta de pescada com legumes a vapor que em casa não comemos mas subitamente parecem tão apetitosos? Criticámos de morte aquele colega vegetariano que impediu que o jantar de anos da empresa fosse no rodízio de picanha mas enfiamos cuscuz de beringela dentro do macarrão com queijo com a perícia dum acrobata de circo chinês.

 

Tudo isto me aconteceu quando me aproximei do buffet do Pestana Equador no Ilhéu das Rolas. Todo o bom senso que havia em mim foi atirado ao mar e com um tijolo agarrado à perna.

 

Mas o pior foi na sobremesa. Podia já estar cheio que estava; podia não aguentar mais nada que não aguentava, mas ninguém me ia tirar o meu direito de enfardar sobremesa. E lá fui eu, meio andando meio rebolando encher o prato com pudim, tiramisù, doces não identificados mas que não ia perder a oportunidade de provar, uma tacinha de mousse de chocolate, entre outros perigos para a minha futura diabetes. E foi aí que vi um cacho de bananas pequeninas tão bonitas, tão perfeitinhas que não resisti. Sonhando logo no quão deliciosas elas deviam ser, equilibrei o prato das sobremesas numa mão, e com a outra comecei a puxar uma das bananas.

 

Puxei mas a desgraçada não se queria soltar do cacho. Desisti e peguei noutra banana, puxei e voltei a puxar e nada. Já meio chateado, pousei o prato na mesa porque a gelatina estava perigosamente a querer saltar para o chão e lancei-me sobre outra banana indefesa. Estava eu a meio da minha operação quando um empregado vem muito solicitamente mas ligeiramente com ar de pânico na minha direcção e diz-me:

 

Se o senhor quiser bananas tenho todo o gosto em arranjar-lhe algumas. Mas deixe as de exposição se faz favor, é que são de plástico!

17
Set17

As minhas férias #1


Triptofano!

Neste preciso momento estou a escrever este post na varanda de uma das pequenas moradias que constituem o Pestana Equador situado no Ilhéu das Rolas na ilha de São Tomé.

 

Infelizmente quando nos dizem que existe wi-fi no hotel todo é verdade que existe sinal, mas não esclarecem que a quantidade de sinal pode ser apenas um trémulo tracinho que em cada dois minutos desaparece. Foi isso que me aconteceu quando ontem à noite antes de me deitar pensei em vir actualizar o blog. Sinal de wi-fi sim senhor, força desse sinal mais fraca que a minha capacidade para fazer elevações - se um dia se quiserem rir a bom rir peçam-me para fazer elevações, é hilariante de se ver.

 

Ora como não há sinal de jeito na minha habitação, hoje de manhã mal o sol raiou, deixei a minha belíssima cama já meio inundada com a minha baba e a do cara metade, e dediquei-me a percorrer o hotel para descobrir onde é que haveria um sinal mais forte. Surpresa das surpresas, é ao pé da moradia onde a minha mãe se encontra alojada - pelo menos não tive que me ir sentar no alpendre de algum desconhecido.

 

Como tenho recebido muitos comentários que manifestam a possibilidade de me excluírem da blogesfera se ousar postar fotos a fazer pirraça decidi só colocar imagens culturais, como esta das mulheres de S.Tomé a lavarem a roupa num rio.

 

São Tomé.jpg

 

Mas depois pensei, então e a cultura gastronómica? Seria um delito da minha parte privar-vos de visualizarem o belo do coco que recebi quando cheguei ao hotel.

 

Boas Vindas.jpg

 

Claro que assim sendo também não podia deixar de falar sobre os perigos do sol. Sabem que se deve aplicar protector solar a cada duas horas e reforçar após a ida a banhos? Como podem ver as minhas pernocas estão muito protegidas, para evitar qualquer escaldão!

 

Pernas.jpg

 

E para finalizar uma curiosidade sobre o Pestana Equador. Sabiam que a piscina do hotel é a maior piscina de água salgada da África Ocidental? Agora digam lá se não sou um querido por partilhar estas coisas todos convosco?

 

Piscina Pestana Equador.jpg

 

P.S: Muito obrigado por nos comentários me terem alertado para dois lapsos no meu texto. O Hotel chama-se Pestana Equador e não Pestana Equatorial e possui a maior piscina de água salgada da África Ocidental. O que é que eu seria sem os leitores atentos? Muito obrigado :)

 

 

 

 

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