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Triptofano

Como ser 20% mais feliz?

31
Ago17

Coisas que me fazem feliz #4


Apertar Pontos Pretos!

 

Podem ser os meus, os do cara metade, dos meus pais, do meu irmão, dos meus amigos ou até de desconhecidos que passem pela loja; uma das coisas que me dá mais prazer nesta vida é apertar pontos pretos.

 

É que é uma felicidade quando descubro um daqueles comedões abertos, com a cabecinha preta devido à oxidação, e me lanço na tarefa de deitar cá para fora todo aquele aglomerado de sebo e queratina. E quando após muita insistência e mais ou menos queixas da parte da vítima salta cá para fora aquela massa amarelo-esbranquiçada solto um gemido de prazer pronunciado. É quase um mini orgamo.

 

E desenganem-se se acham que eu me deixo equivocar por sinais pigmentados. Basta um rápido olhar e vejo logo o que é sinal e o que não está ali a fazer nada e tem de ser apertado.

 

Confesso-vos que quando tinha os meus 12 anos sonhava o quão giro seria se os pontos pretos ao serem espremidos viessem com cores diferentes. Uns roxos, uns verdes, outros rosa, só para tornar ainda mais entusiasmante a tarefa de procurar e espremer os mesmos. 

 

Era isso e descobrir que alguém tinha inventado um peluche - preferencialmente na forma de elefante - que fosse reutilizável e que estivesse carregado de poros obstruídos à espera de serem apertados, visto que nem sempre se encontram vítimas com vontade de colaborar e satisfazer este meu guilty pleasure.

 

Infelizmente nunca encontrei tal peluche!

30
Ago17

Um lanche saudável


Hoje foi dia de ir visitar a minha querida mãe.

 

Na realidade hoje foi dia de ir buscar aquela roupa que a mãezinha faz questão de continuar a lavar e a passar porque considera que o filho e o genro não tem capacidades de sobrevivência no que toca a lides domésticas. Mas eu prefiro pensar que vou visitá-la e por ser tão bom filho recebo um bónus em forma de têxteis a cheirar a flor de algodão.

 

Depois da visita disse ao cara-metade que estava com vontade de ir comer alguma coisa, assim levezinha.

Claro que ele reclamou logo comigo já que a minha mãe tinha-nos oferecido pão e queijo e fiambre e bolachas e batatas fritas e biscoitos e tudo aquilo que as mães tem em casa não para o caso de um terramoto mas sim para a eventualidade de lhes entrar um filho esfomeado porta adentro e eu tinha recusado.

 

Expliquei-lhe que por mais que eu gostasse dos lanchinhos da progenitora queria experimentar algo diferente, algo que um colega do trabalho tinha partilhado comigo.

Adiantei-lhe que iria ser um lanche saudável, muito pouco calórico e extremamente nutritivo, visto que apesar de termos uma alimentação muito variada andávamos a cometer alguns deslizes, e se uma pessoa tropeça muitas vezes mais tarde ou mais cedo estatela-se de cara no chão.

 

Apesar de a princípio estar reticente o cara metade ficou convencido com a minha argumentação e lá fomos lanchar ao Tulipa Dourada.

 

E perguntam vocês o que foi o nosso lanche!? Como vos disse uma coisinha super saudável.

 

Bubble waffle.jpg

 

Um Bubble Waffle delicioso barrado de nutella com uma bola de gelado coberto de chantilly e regado com um toping de lamber os dedos.

O waffle era estaladiço, crocante, um gosto de se comer. O cara metade explicou-me que se devia à quantidade de farinha que tinham usado na massa. E eu só consegui bendizer aquela massa, aquele sabor, nem sei como não babei a mesa do estabelecimento.

 

Escolhemos ambos o gelado de chocolate e avelã, o meu regado com toping de framboesa, o dele de chocolate, e foi num instante que devorámos aquele pedaço de pecado caído do céu.

Pecado de ser tão saboroso e tão saudável.

 

Tinha de ser saudável certo?

É que à nossa volta estavam mais de dez pessoas a comer a mesma coisa.

E era impossível estarem todas enganadas!

29
Ago17

O meu maior sonho


Hoje a Tatiana Manuela lá do trabalho deu-me uma pequena prenda, algo bastante simples mas repleto de significado para mim.

 

Esta pequena oferta fez-me recuar bastantes anos, ainda eu era um adolescente cheio de sonhos e esperanças, que acalentava a ilusão de um dia fazer um trabalho reconhecido por muitos e de extrema importância para tantos portugueses e portuguesas.

 

Naquela altura não ambicionava trabalhar numa loja como hoje trabalho, também não idealizava a oportunidade de ir para África fazer voluntariado como acabou por acontecer. O meu desejo era totalmente diferente.

 

Infelizmente, talvez por falta de coragem ou medo em demasia nunca persegui este meu sonho, e ainda hoje penso como teria sido a minha vida se tivesse arriscado mais, se não tivesse aceite um não como resposta. Na realidade nunca ninguém me negou a oportunidade porque nunca a cheguei a pedir, o meu ego encarregou-se de me impedir de avançar talvez para não sofrer com uma recusa.

Mas e se não tivesse sido recusado?

 

Suspiro profundamente.

Sei que ainda não sou demasiado velho nem é demasiado tarde. Um dia talvez reúna forças suficientes para ir à luta.

 

Folheio a revista e encontro o que procurava. Leio um parágrafo e abano a cabeça tristemente.

Faria tão melhor.

 

Cerro os punhos e uma energia adormecida dentro de mim emerge.

Não vou desistir.

Dê por onde der vou conseguir.

 

Vou ser eu a pessoa que responde às perguntas do Consultório Íntimo da revista Maria!

 

28
Ago17

Pequeno-almoço fora da cama


Sete da manhã.

 

O despertador toca arrancando-me do resquício de um qualquer sonho abstracto. Viro-me na cama e procuro entre o emaranhado de almofadas e lençóis os contornos do cara metade. Apenas encontro a memória do calor do seu corpo. Algures na minha mente entoa a recordação de que ele ia entrar ao serviço mais cedo do que eu. Maldito trabalho que nos roubava tempo fora da cama e nem nela permitia que nos reuníssemos.

 

Levantei-me e com os olhos ainda pesados desloquei-me até à sala. Ao entrar fui imediato brindado com uma orquestra de guinchos vinda das porquinhas, alegres por me ver ou talvez apenas desejosas de serem alimentadas. Ignorei-as e vi o Macaco José sentado no sofá. Ia jurar que o tinha levado comigo para a cama mas ali estava ele, um jovem macaco com um preocupante vício em séries do Netflix.

 

Ouvi barulho vindo da cozinha. Arrastei-me até lá e pela frincha da porta vi o cara metade vestido para sair manuseando com a sua habitual destreza uma faca de cerâmica. Cortava uma mão cheia de morangos num formato que não consegui perceber de imediato, pareciam estrelas - eram de certeza estrelas!

 

No meu rosto estampou-se um sorriso. Além de ainda estar em casa estava a preparar-me um pequeno almoço surpresa. Quis voltar para o quarto, afinal se não estivesse na cama a surpresa não iria ter tanto sabor, mas o meu corpo estava como petrificado seguindo-lhe os movimentos. Atacava agora um tomate, cortando-o em sumarentos gomos. O coração bateu-me mais forte, ele estava a preparar-me um daqueles pequenos almoços de hotel que eu tanto adoro, especialmente a combinação de tomate com pimento.

 

Como se tivesse ouvido o meu pensamento cortava agora em rodelas precisas um belíssimo pimento verde. Rapidamente terminou a tarefa e após uma rápida lavagem começou a cortar em palitos um par de cenouras. Torci o nariz, ele sabia que eu adorava snacks crudívoros mas habitualmente fazia questão de tirar a casca. Talvez tivesse lido algum artigo sobre mais um benefício escondido na casca da cenoura e não quisesse que eu fosse privado dele.

 

Esta divagação fez-me só perceber que ele se dirigia para o frigorífico quando já abria a porta. O que iria buscar? Talvez um fenomenal sumo de laranja acabado de fazer. Mas nas suas mãos apareceu uma couve enorme, à qual ele tirou três grandes folhas e após passar por água começou a esfarrapar com movimentos secos. Senti o meu estômago a contorcer-se. Um sumo verde. De certeza que ele me ia fazer um sumo verde, e por mais corajoso que fosse eu naquele momento queria a acompanhar as verduras uma bola de Berlim carregada de açúcar, uma torrada barrada múltiplas vezes com manteiga salgada, um bagel de salmão fumado a escorrer queijo creme. Não consegui controlar um reflexo de vómito e da minha boca saiu um som característico.

 

O cara metade parou e olhou para a porta.

Tinha-me denunciado.

Abriu-a e ao ver-me sorriu e deu-me um beijo.

 

Desculpa por ter estragado a surpresa - disse eu com um sorriso envergonhado.

 

Que surpresa? - nos olhos dele havia um brilho de dúvida - Desculpa mas já estou atrasado! Não te importas de dar o pequeno-almoço que preparei às meninas? E não te esqueças de comer algo também.

 

Deu-me outro beijo, pegou nas chaves e saiu.

Fiquei imóvel no meio da cozinha a ouvir o ranger do elevador afastando-se cada vez mais.

Levei um pedaço de morango-estrela à boca, na tentativa de camuflar o amargo que a inundava.

 

Se não me ponho a pau aquelas porcas roubam-me o marido!

27
Ago17

Há locais que nunca desiludem


A passada quinta-feira os astros alinharam-se e aconteceu algo de inédito nos últimos tempos, eu e o cara metade tivemos uma folga juntos!

 

Ora não termos os dois de ir trabalhar significa ficar mais tempo na cama na ronha e a namorar, mas também é sinónimo de  mais tempo para discutirmos um com o outro. E o motivo da discussão prende-se sempre com o facto de nunca conseguirmos decidir onde é que queremos ir almoçar. Eis o que normalmente acontece:

 

Amor, escolhe um sitio bom para almoçarmos! - diz um de nós.

 

Hummm deixa ver - responde o outro - sugiro o chinês ali da esquina, o sushi de sempre ou irmos comer uma pizza. Qual preferes?

 

Ahhh pois chinês não me apetece. Sushi já comi ontem e ainda estou a arrotar ao salmão. Pizza tem muitos carbohidratos e ainda por cima estou a seguir a dieta da lua por isso não dá.

 

Então o que é que queres comer?

 

Não sei uma coisa qualquer. Escolhe tu, sabes que eu não sou esquisito!!

 

Olha vai comer mas é no......

 

Basicamente é este tipo de interacção que ocorre entre nós!

 

Esta quinta feira não foi excepção. Apetecia-nos um brunch mas aqueles que estavam abertos não eram do nosso agrado, e os que queríamos ou estavam fechados ou não serviam brunch aquele dia. O cara metade disse então que esquecêssemos o brunch e que fossemos comer uns ovos benedict! Eu não estava nada para aí virado mas pensei, se não alinho no raio dos ovos fico mas é sem almoço e tenho de o ver de trombas o resto da tarde. Por isso concordei e fomos em busca de tal pitéu!

 

E onde é que nós fomos? A um sítio que nunca desilude!

O Delidelux, mas o de Santa Apolónia, que têm uma qualidade superior ao da Avenida da Liberdade e tem a vantagem de ter esta vista.

 

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O Delidelux é um local simpatíquissimo, onde metade do espaço é ocupado com uma mercearia gourmet e onde a outra metade é zona de refeições.

Decoração impecável e acolhedora se quiserem ficar na parte de dentro, esplanada limpa e com bastante protecção contra o sol para evitar uma queimadura na careca se quiserem ficar na parte de fora.

O staff é extremamente simpático e atencioso - houve um pequeno engano quando trouxeram o nosso pedido que foi rectificado prontamente sem narizes torcidos como acontece noutros sítios - e o serviço foi rápido, algo que valorizo bastante porque há coisa pior do que estar com fome e a comida demorar eternidades a chegar mesmo quando somos os únicos seres vivos no restaurante?

 

Mas falemos da comida, comida deliciosa que fez as minhas papilas gustativas darem saltinhos de contentamento.

 

Primeiro começamos com um Gaspacho de Morango, fresco como a receita pede, ideal para combater o calor que se sentia. Estava tão bom que só não lambi a tigela para os turistas que estavam ao pé não acharem que o povo português não tem maneiras à mesa.

 

A acompanhar vieram uns aperitivos, umas tostinhas com queijo Emmental (segundo me esclareceu o cara metade, já que para mim só me importava saber que o queijo era forte e bom) e umas azeitonas que tinham estado em salmoura de laranja (mais uma vez o cara metade a impedir que eu achasse que eram apenas azeitonas). Como bebida ele pediu um chá da casa e eu um refresco de tangerina, daqueles à antiga, para fugir um bocadinho das bebidas tradicionais enlatadas.

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Depois veio a pedido do cara metade uma terrina de foie gras com pão artesanal e figo pingo de mel. Eu juro que o tentei dissuadir de pedir este prato. Fiz chantagem psicológica, lembrei-lhe os pobres dos patos que costumamos alimentar, se ele não tinha coração por ir comer foie gras. Ele não cedeu e comeu. E eu não aguentei e comi também. E estava tão bom, mas tão bom. Nunca pensei que os remorsos pudessem saber tão bem.

 

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Nesta altura já estávamos com o estômago bastante aconchegado mas para quem não nos conhece nós somos moços de bastante alimento, por isso era hora de atacar os ovos benedict, na realidade tinham sido eles a força motriz para termos ido ao Delidelux. Os meus vieram com espinafres e cogumelos, num pão do caco escuro (talvez fosse de alfarroba mas acabei por não esclarecer a dúvida), os da cara metade servidos em pão do caco tradicional acompanhados com bresaola, que é um produto feito a partir de carne seca ao ar, previamente salgada e envelhecida durante um par de meses, que supostamente tem um ligeiro cheiro a mofo! Graças a Deus que o meu nariz anda sempre pifado senão lá se me ia a vontade de acabar o almoço.

 

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Agora tenho de confessar uma coisa. Houve uma razão que me fez aceitar vir ao Delidelux além de querer ser um bom namorado. A sobremesa!!!

Eu simplesmente adoro o bolo de cenoura com queijo creme que eles vendem. Húmido, fofo, de fazer babar mesmo a pessoa com as glândulas salivares mais secas do planeta. Ainda por cima como é quase todo de cenoura tem de ser saudável. Eu quero acreditar que é saudável. Mesmo que não seja saudável eu vou comê-lo!

 

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O cara metade disse que eu era louco, que tinha que estar cheio, que me ia encher de açúcar. Afirmou veemente que se eu mandasse vir tinha de o comer sozinho.

No fim tive que lhe quase tirar o garfo da mão para conseguir comer um bocado!

 

 

 

26
Ago17

Triptofano na Cozinha #1


Cá em casa quem costuma cozinhar é o cara metade. Ele tem realmente mão para a coisa além de que estuda e trabalha na área da culinária! Devido a passar a maior parte do dia em volta de comida compreendo-o quando chega a casa e não lhe apetece cozinhar.

Mas é nesse momento que eu digo

 

Querido eu posso cozinhar mas queres sujeitar-te a ficar de diarreia durante uma semana?

 

Vá eu confesso, não sou assim tão mau a cozinhar, simplesmente chateia-me passar tanto tempo em roda dos tachos para depois comer o resultado em menos de dez minutos.

 

Se as coisas fossem como se vê na televisão, já tudo preparadinho, pesado, descascado, cortado, ser só enfiar dentro do tacho e toca a andar, isso seria uma história totalmente diferente.

Algo que também certamente não acontece nos programas da TV é estar-se muito bem lançado na confecção de um prato e descobrir-se que falta um ingrediente. E não digo um tempero mas algo fulcral à receita, por exemplo farinha, ou ovos, ou açúcar.

É que eu sou óptimo a adicionar ingredientes que não estão na receita porque acho que devem ligar bem (mesmo que não liguem) mas substituir algo que me falta para salvar o prato não consigo. O meu cérebro congela e só me apetece mandar tudo para as urtigas - normalmente o que faço é ligar para o cara metade desesperado e ficar ainda mais chateado por ele se rir na minha cara do outro lado do telefone.

 

Por estas razões é que eu tento manter-me afastado da cozinha.

 

Porém há alturas em que sinto uma vontade de ir cozinhar que não consigo explicar. Quase sempre coisas doces para mal do meu perímetro abdominal já bastante desgraçado. Felizmente que há uma Bimby cá por casa porque de outra forma o mais provável era pegar fogo à cozinha. Até agora a Bimby ainda não deixou uma desgraça dessas acontecer, é um anjo da guarda a minha Bimba!

 

Hoje foi um desses dias de desejos e resolvi fazer algo simples que tivesse banana. Andava-me a apetecer bananas (se o Macaco José lê isto deixa de falar comigo durante um mês por não lhe ter oferecido nenhuma) e decidi então fazer um Bolo de Banana em Frasco. Fácil, delicioso e extremamente conveniente para levar para o emprego, já que o bolo é feito dentro de um frasco de iogurte.

Bolo de Banana.jpg

 

A receita é simples. Misturar 100 gramas de manteiga à temperatura ambiente com três ovos, 150 gramas de açúcar amarelo e 150 gramas de banana cortada em rodelas. Adicionei também uma colher de sobremesa de Baobab em pó porque menti a mim mesmo e disse que assim ia ficar extremamente saudável e poderia comer o dobro. Em seguida adicionar 150 gramas de farinha 55 e uma colher de chá de fermento para bolos envolvendo tudo. Dividir a massa pelos frascos de iogurte (ou outros que se tenham), polvilhar com canela e fechar os frascos sem apertar a tampa em demasia. Depois Varoma com eles e cozinhar a vapor durante 35 minutos. No fim é só tirar a tampa (com cuidado que está quente), deixar arrefecer e comer sem arrependimentos!

 

(Esta receita foi retirada do Cookidoo Português - espero que @s senhor@s da Bimby não fiquem chateados comigo!)

26
Ago17

C11H12N2O2 #2


Aquele momento em que estamos a pôr as leituras da blogesfera em dia e na reprodução automática do Youtube começa a tocar a Chantaje da Shakira ft Maluma.

 

 

Salto para o meio da sala, fecho os olhos e lanço-me numa coreografia ousadíssima. Cabecinha para um lado, corpinho para o outro, rebolanço para baixo, todo eu sou Feeling Myself tocando-me de forma sensual. Vibro com a música, imagino-me no Coachella a ser a nova sensação do momento.

 

Abro os olhos e vejo as porquinhas a olhar para mim muito sérias. Paro de dançar e encaro-as num misto de desafio/vergonha. No fim de contas elas comem o próprio cocó e eu não as ando por aí a julgar!

25
Ago17

A minha liberdade de expressão


Eu prometi a mim mesmo que ia tentar manter-me afastado de polémicas, ser querido e amoroso, distribuir carinhos e alegrias e ser aquela pessoa sempre adorável e positiva!

 

Mas pronto não consigo. Por mais que eu tente fugir do fogo parece que há alturas que corro directamente contra ele. E isto tudo ainda por causa da polémica dos blocos de actividades da Porto Editora.

 

Não vou falar sobre os livros. Afinal não sou detentor de toda a informação, não estive com os livros nas mãos e por isso não sou a melhor pessoa para falar sobre o assunto. Vou abordar sim um post do blog Insensatez que esteve em Destaque no Sapo.

 

No post fala-se sobre  a liberdade de expressão. Algo que todos nós gostamos de ter. Se eu não a tivesse provavelmente não poderia estar a escrever este texto. E provavelmente mesmo que o escrevesse ele nunca seria lido! O que me choca é o facto da blogger defender que a liberdade de expressão é um direito que nunca deve ser colocado em causa. Que a partir do momento em que se pede para alguém apagar uma referência sexista ou xenófoba estamos a violar um direito inviolável de quem a escreveu.

 

Claro que fiquei chateado com este texto, mas pensei que não deveria dar muita importância, afinal quem de nós já não escreveu coisas que depois se arrepende?

Mas uma pequena incursão no blog da autora fez-me descobrir que a sua opinião não é só de agora. Existem mais referências sobre como a liberdade de expressão deve ser mais importante do que o respeito pelos outros. Chega-se a referir que existem meios legais para condenar quem difama ou hostiliza verbalmente outra pessoa, mas que não se deve limitar a liberdade de expressão de alguém!

 

Eu peço desculpa a todos os que me leem regularmente pelo que vou dizer, mas o mundo está doido?

 

Então eu agora posso ir aos vossos blogs dizer tudo e mais alguma coisa só porque me deu na real gana e depois vou-me escudar atrás da liberdade de expressão?

Posso ir gozar com pessoas doentes, rebaixar seres humanos já fragilizados só porque tenho liberdade de expressão?

E se não gostarem do que eu digo então activem os recursos legais para me colocarem um processo em cima!?!

Mas se está prevista na lei a possibilidade de ser chamado a tribunal por difamação onde é que está a minha liberdade de expressão então? Parece que as coisas não são assim tão preto no branco!

 

Só espero que a blogger que escreveu este texto reflicta melhor acerca das suas convicções e que um dia não tenha nenhum arrependimento. Porque às vezes só percebemos a dor dos outros quando nós próprios a sentimos.

 

E sabem o mais engraçado nisto tudo? Defende-se com unhas e dentes a liberdade de expressão mas a caixa de comentários da blogger é moderada. Se calhar tem medo da liberdade dos outros!

24
Ago17

C11H12N2O2 #1


Cá em casa não lavamos nem passamos a nossa roupa!

 

Isto porque a minha querídissima mãe fez-nos um ultimato! Ou era ela a responsável por estas tarefas ou sofreríamos terríveis consequências que ela não explicitou, apenas fez aquele ar ameaçador que as mães sabem fazer (apesar de eu acreditar piamente que ela conspira em raptar o macaco José!).

 

E qual foi a razão deste ultimato? Segundo a minha mãe dois homens que vivam sozinhos não conseguem tratar em condições da roupa. Já o meu irmão que está numa relação heterossexual não tem estes privilégios maternais!

 

Se já está a haver toda esta revolta contra os cadernos de exercícios para rapazes e para meninas da Porto Editora imaginem se tivesse sido a minha mãe a fazê-los? Acho que ela não poderia sair de casa durante os cinco meses seguintes! 

23
Ago17

Um comboio cheio de ninguém


Oito da manhã.

Espero na plataforma pelo comboio. Chega à hora prevista, carrego no botão e entro naquela caixa de metal que me há-de levar ao trabalho.

 

A carruagem está cheia. Na realidade não está, apenas 16 seres humanos partilham o mesmo oxigénio, mas é quase como se estivesse. Os bancos agrupam-se 4 a 4 e em cada uma dessas unidades está uma pessoa sentada.

 

Os novos passageiros que entram perscrutam o espaço com o olhar à procura de um conjunto de bancos livres. Não encontrando caminham na direcção de outra carruagem ou deixam-se estar em pé encostados às divisórias de plástico fosco.

Parece que se perdeu a capacidade de se interagir uns com os outros, de se dar os bons dias, de se procurar o calor humano e brindar um desconhecido com um sorriso e dois dedos de conversa.

 

Alguns dirão que preferem sentar-se onde não esteja mais ninguém por uma questão de comodidade, de espaço para as pernas e para a bagagem. Pergunto-me quanto espaço é que a solidão precisa de ter.

 

Para outros a ausência de companhia é fulcral para uma viagem descansada, para se focarem no livro que estão a ler, nas mensagens que estão a trocar, na música que estão a ouvir. Mas por mais sentimentos que uma música, um livro ou uma hora passada nas redes sociais nos possa provocar haverá algo que se equipare ao contacto com outro ser vivo? Olhar o rosto de alguém mostra-nos muito mais sobre essa pessoa do que uma troca de mensagens onde tanto se oculta e outro tanto se altera. Sentir o odor de uma pessoa, a suavidade da sua mão num cumprimento demorado, ouvir a vibração da sua voz, não são estas experiências que deveríamos ambicionar?

 

Vivemos com medo dos outros, numa quase paranoia de sermos assaltados, tanto física como espiritualmente. Isolamos-nos, talvez porque já não saibamos como nos dar.

 

Vislumbro um lugar vazio no fundo do comboio. Abandono-me numa perfeita simbiose entre a minha pele e aquele assento puído. Fecho os olhos e desejo secretamente que alguém venha falar comigo. Apenas para não me sentir mais um entre tantos. Apenas para não me sentir invisível um dia mais.

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